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Posted by escriba on 26 Nov 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, bizarro/curiosidade, brasil, civilização, consumo, livros
Saramago está na área e eu perdi a oportunidade de fazer mais uma entrevista com um de meus ídolos - semana passada foi a vez do Fritjof Capra, que em breve enriquecerá um de meus posts, aguarde. Mas minha camarada Lúcia esteve na coletiva de imprensa que rolou com o escritor português e, melhor, conseguiu fazer uma pergunta que eu enviei. Simples: “O que é vida sustentável?”
Eis a resposta:
É emprego. É viver como sobrevivente. Ter consciência da precariedade dos bens, poupando, conservando, enfim assumindo a abordagem de sobreviventes. Deveríamos viver como sobreviventes, poupar, não desperdiçar, limpar terreno e ar, de modo que se possa viver.
Hoje temos a cultura do mais, em tempos de crise como este, as pessoas caem, a classe média perde sua condição. Os governos são responsáveis pelo que acontece - os ricos, os riquíssimos.
O Estado é inimigo, dizem quanto menos melhor, mas é o Estado que é chamado à responsabilidade para salvar o Citibank, a GM. E o Estado somos nós, nossos impostos.
Não há alternativa política, não há alternativa econômica. E vamos viver de remendos.É sustentável desde que se tenha emprego.
Mais Saramago lá no Ladybug.
Em tempo: no próximo sábado (dia 29) é Dia de Nada Comprar, campanha mundial do pessoal da Adbusters que há 17 anos incentiva as pessoas a não se deixarem seduzir pelo canto da sereia do mercado. Vá à praia, ao parque, dar uma volta de bicicleta, leia um livro. Em tempos de crise financeira, até que não vai ser difícil deixar a carteira quietinha…
Se vc está pensando em fazer alguma atividade, performance ou protesto para marcar o dia, coloque na página wiki da campanha.
Posted by escriba on 12 Nov 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, civilização, livros
“Em primeiro lugar, queria agradecê-lo por ter escrito O Tao da Física. Assim que terminei de ler pensei que tinha que fazer isso e agora tenho a oportunidade. Obrigado, sr. Capra.” O deslumbramento do jovem que sentava imediatamente atrás de mim no Teatro Eva Herz, da Livraria Cultura da Paulista, era evidente e, por que não, comovente. Muitos dos que o aplaudiram provavelmente queriam fazer o mesmo e rolou uma identificação imediata. O rapaz foi aplaudido por uma gente sorridente, bonita, harmoniosa, em comunhão - entre si e com com Fritjof Capra, que deu palestra sobre seu livro A Ciência de Leonardo da Vinci (lançamento da editora Cultrix).
Eu logo me identifiquei e relaxei um pouco. Estava tenso por ter que entrevistar Capra para a revista e o site do Greenpeace e também por voltar à rua depois de tempos para exercitar como se deve o ofício de jornalista. Uma coisa influênciou na outra, mas na hora H, foi que foi. Dei até sorte, porque os outros dois jornalistas que compartilhariam comigo os escassos 30 minutos disponíveis para entrevista não apareceram. Pude gravar tranquilo minhas 7 perguntas sobre ecologia, meio ambiente, sustentabilidade, as quais ele respondeu sem rodeios e com firmeza, não deixando transparecer nenhum incômodo por falar de coisas que não eram bem a razão dele estar ali. Se bem que em termos. Capra é ecologista de longa data e Da Vinci, idem.
Ao contrário da trupe do bem que enfrentou chuva e engarrafamento para ouvi-lo falar, Capra é sisudo, circunspecto, um tanto quanto impaciente, mas sempre elegante e atencioso. Me atendeu prontamente quando fui apresentado e respondeu com calma e prestatividade às minhas indagações feitas num inglês inseguro. Da mesma forma atendeu a uma dupla de ciclistas que, pouco antes da palestra começar, entregou a ele um favo de mel, e ouvi atentamente como fazia para degustar aquilo. “É colocar na boca e mastigar de leve como chiclete. Mas dá pra engulir, sem problema, é só cera”, explicou um deles. Tirou fotos com alguns, autografou dezenas de livros (com um simples “Para fulano”, mas enfim…) para a legião de estudantes, artistas, leitores casuais, empresários, escritores e até uma policial militar que lotaram o teatro.
Em uma hora de palestra, com uma apresentação de slides trazendo citações e desenhos de Leonardo da Vinci, o escritor de 69 anos revelou aspectos ambientalistas no artista toscano que eu sinceramente desconhecia solenemente. O próprio Capra disse ter se surpreendido ao achar a seguinte frase nos alfarrábios consultados :
As virtudes da grama, das pedras e das árvores não se encontram em seu ser porque os seres humanos as conhecem… A grama é nobre em si própria sem a ajuda de linguagens ou letras humanas.
É bom observar que as anotações nas quase 6 mil páginas estudadas por Capra fora feitas pelo gênio renascentista em italiano da época e escritas da direita para a esquerda, como os árabes fazem - Da Vinci era canhoto e inovou até na hora de por seus pensamentos no papel. Imagina a dificuldade para quem tem que destrinchar os textos hoje.
Enfim, o que chamou a atenção de Capra foi que Da Vinci antecipou em séculos o que se chama hoje de deep ecology: todos os seres vivos fazem parte de uma grande teia de vida, vivemos numa imensa gaia, e nenhuma espécie é mais importante do que outra. A ciência deve andar em harmonia com a natureza, não dominá-la.
Confira os slides apresentados por Capra na palestra:
Para Fritjof Capra, físico teórico e escritor que há anos promove a educação ecológica, principalmente para crianças e adolescentes, foi um achado e tanto. A investigação sobre o mestre italiano lhe mostrou que os desenhos dele eram complexos diagramas científicos, porque para estudar a natureza, era preciso desenhá-la; e para desenhá-la, era preciso estudá-la. Combinou ciência, estética e ética como ninguém, quase sempre orientada por uma filosofia ecológica lato sensu. Dá o que pensar saber que Da Vinci ficou obscuro por séculos. Que seja fonte de inspiração nesses novos tempos que se avizinham, com mudanças importantes acontecendo no mundo. Obama na Casa Branca, sustentabilidade e ecologia na ordem do dia, todo mundo pensando no que pode fazer para contribuir.
As perguntas da platéia, ao final da palestra, refletiram essa consciência coletiva de que algo precisa ser feito para mudar o estado das coisas e Capra acabou discutindo ali muito do que falou em nossa entrevista: Obama, o papel da sociedade civil na consolidação desse outro mundo possível, as chances de termos um mundo realmente sustentável. Publico aqui assim que sair a revista do Greenpeace, valeu?
Quem perdeu a palestra dele em SP terá mais uma chance a partir do próximo dia 19, quando o escritor estará na Conferência EcoPower, em Florianópolis, para falar sobre uma ciência para viver de maneira sustentável. Esse evento vai ser deveras interessante. Além de Capra, estão agendados para falar Lester Brown (fundador do Worldwatch Institute e da Earth Policy Institute) e Patrick Moore, ex-membro do Greenpeace e hoje grande lobista da indústria - seja ela nuclear, madeireira, mineradora ou de biotecnologia.
Enquanto isso, curta uma das aventuras do Riuston, o valente entregador da livraria Cultura. O blog é divertido também. Descobri navegando pela internet, pra juntar essa coleção de links deste blog…
Posted by escriba on 11 Nov 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, boca no trombone, brasil, livros
Foi a Rita, da Socito, quem me avisou pelo orkut: o Parque Ecológico do Mendanha, na zona oeste do Rio de Janeiro, corre o risco de virar um loteamento! Obra do vereador Jorge Felippe (PMDB-RJ), que apresentou projeto de lei na Câmara dos Vereadores pouco antes das eleições municipais deste ano. O projeto foi aprovado pelos digníssimos vereadores cariocas e sancionado pelo prefeito César Maia em agosto. Que beleza de legado deixa o prefeito maluquinho no final do seu mandato, não?
O vereador diz que não é bem assim, que a lei vai apenas dar título de propriedade a trabalhadores que moram há mais de 40 anos por ali, não permitindo loteamento e conjuntos habitacionais. Mas saca só o que diz a lei (grifos meus):
Art. 1.º Fica declarada como área de especial interesse social, para fim de inclusão no projeto de regularização e titulação, nos termos da art 141, de Lei Complementar n.º 16, de 4 de julho de 1992, a área do Parque Municipal Ecológico do Mendanha.
Art. 2.º O Poder Executivo estabelecerá o tamanho padrão dos lotes de forma a assegurar às atividades existentes e fundamentais a sobrevivência dos residentes e adotará os procedimentos necessários à regularização urbanística e fundiária aprovando projeto de parcelamento de terra e estabelecendo normas que respeitem a tipicidade da ocupação e as condições de urbanização, compatibilizando com o Parque Municipal já implantado.
Art. 3.º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Alguém realmente acha que, dada a voracidade imobiliária que temos hoje, esses trabalhadores não serão pressionados a venderem seus lotes para dar lugar a condomínios? Hello??
O Parque do Mendanha era uma das mais bem preservadas Unidades de conservação do Rio e eu tive o prazer de conviver ali durante anos quando moleque, já que a família do meu pai é da região (Campo Grande) e tem dois modestos sítios por ali. O lugar é bonito pacas, com cachoeiras, trilhas, pequenos vales, até um vulcão extinto! Como Área Especial de Interesse Social, conforme a nova lei, o parque teria que dar lugar para conjuntos habitacionais, mas alguém duvida que vai virar um paraíso da especulação imobiliária, com a construção de condomínios cafonas para deleite de novos-ricos e afins, que poderão usufruir das belezas locais? De uma forma ou de outra, é um desastre!
Inacreditável o que fizeram. O jeito agora é protestar, encher o saco desses caras (eis o email do vereador autor da proeza - jorge.felippe@camara.rj.gov.br) e tentar anular essa lei absurda.
Quem sabe meu camarada Mansur, na segunda edição do seu livro O Velho Oeste Carioca, não acrescenta um capítulo sobre essa triste história? Aliás, fica a dica: lançamento do livro sobre a história da zona oeste carioca, de Deodoro a Sepetiba, contada desde o século 16. Vai ser dia 9 de dezembro, lá na livraria Arlequim, no Paço Imperial, na Praça 15, a partir das 17 horas. E depois, no dia 13, no Chopp da Villa, na Estrada do Pré, 91, Largo da Villa Santa Rita, em Campo Grande.
ATUALIZAÇÃO: Tá rolando uma petição online a ser encaminhada à Procuradoria Geral da República e ao Ministério Público do Estado do Rio. Clique aqui. Vamos assinar, pessoal!
Posted by escriba on 06 Nov 2008 | Tagged as: livros
Depois de muito lutar com a tradução portuga de Fausto, de Goethe, dei um tempo na leitura pra me dedicar ao novo livro da Maria Alzira Brum Lemos - Ma, para os íntimos - e não me arrependi. A Ordem Secreta dos Ornitorrincos é uma viagem, em todos os sentidos. Leitura agradável e instigante. Meu 11o. livro do ano com estilo.
E hoje chegou minha encomenda da Cosac Naify, Rockers, livro de fotografias de Ben Gruen, que comprei numa promoção relâmpago da editora. É pra degustar aos poucos as muitas boas imagens que revelam os bastidores do roquenrol dos anos 70. Tem Debby Harry e seu suvaco podrão, as caras e bocas de Iggy Pop, as estripulias dos (então) rapazes do Kiss, os improváveis encontros entre Tina Turner, Keith Richards e David Bowie, e a rebeldia calculada de Supla, único brasileiro no livro.
Tem mais promoção na área. A editora Conrad tá com algumas boas vendas casadas, como Detritos Cósmicos (Massari destrinchando Zappa) + Reações Psicóticas (Lester Bangs refletindo sobre Lennon, Iggy e Elvis). E no próximo dia 12 começa a 10a. Festa do Livro da USP, com mais de 100 editoras dando desconto de pelo menos 60%. Uma farra! Se o livro tá com os dias contados, é hora de aproveitar o bota-fora!
Pra esquentar os motores, que tal uma boa leitura? Aqui, A Praga Escarlate, de Jack London, inteirinho online. Já na Biblioteca do Escriba também.
Posted by escriba on 28 Oct 2008 | Tagged as: livros, musica
A editora está vendendo todos os produtos de seu site com 50% de desconto. A promoção, no entanto, só vale hoje (28 de outubro), até a meia-noite. Tá com o cartão de crédito em dia? Então aproveite!!
Eu encomendei Rockers, com fotos de Bob Gruen, famoso por clicar estrelas do roquenrol. 37 pilas. A exposição esteve em São Paulo em 2007, na Faap. Agora vai lá pra casa.
Posted by escriba on 29 Sep 2008 | Tagged as: livros, musica
Amanhã tem lançamento de um livro bacana no Rio: Tecnobrega: o Pará reinventando o negócio da Música, do Ronaldo Lemos e da minha amiga Oona Castro. Vai ser na livraria do Unibanco Arteplex (Praia de Botafogo, 316), a partir das 19h30. É da editora Aeroplano e faz parte da coleção Tramas Urbanas.
Ronaldo e Oona estudaram ao longo de 2006 e 2007 os modelos de negócios abertos, pelo Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas Direito Rio, em parceria com o Overmundo, FGV Opinião e Fipe-USP. O livro é baseado em relatórios e materiais produzidos por pesquisadores de primeira: o próprio Ronaldo Lemos, Hermano Vianna, José Marcelo Zacchi, Elizete Ignácio e Monique Menezes, entre outros.
Hermano Vianna explica o contexto do livro:
Que a indústria fonográfica mundial está em crise, disso ninguém duvida. Todo mundo anda procurando o “novo modelo de negócios”. Escondido em Belém do Pará, o tecnobrega testa uma original economia criativa há anos, na marra. As músicas saem direto de estúdios de periferia e são distribuídas nos camelôs da cidade, animando gigantescas festas de aparelhagem, sem mais depender da grande mídia ou gravadoras. Um mundo paralelo cujo funcionamento é finalmente revelado neste livro, estudo pioneiro sobre as novas indústrias culturais que comandam a vida musical mais popular no Brasil de hoje. Quem quiser pensar o futuro da música não pode ignorar as lições tecnobregas da Amazônia digital.
Posted by escriba on 19 Sep 2008 | Tagged as: livros
Trecho do primeiro capítulo do romance de Alan Moore, no qual o mago de Northampton brinca com o que seria a linguagem usada por um garotinho na Idade do Bronze (era neolítica). Cortesia da Editora Conrad:
Para ler mais online, aqui. Quer comprar? Aqui (vale muito à pena).
Posted by escriba on 23 Aug 2008 | Tagged as: HQs & charges, livros
Sabe aquele papo de quem vai comprar a Playboy na banca e diz que é por causa das entrevistas? Pois é, a edição de agosto da revista justifica tal desculpa. Pegaram o Neil Gaiman lá na Flip e fizeram 20 perguntas para o criador de Sandman. Ele fala de seus ídolos, da fama, do amigo Alan Moore, das adaptações de suas obras para o cinema, de seus medos. O resultado tá aqui.
E a editora Conrad liberou um trecho do livro Coisas Frágeis para leitura online. A nova obra de Gaiman traz nove contos carregados da mais pura essência humana. Agridoce do início ao fim.
Meu aniversário tá chegando, viu?
Posted by escriba on 14 Aug 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, consumo, livros
Acabei de subir a publicação Indicadores de Desenvolvimento Sustentável - Brasil 2008, do IBGE, para a Biblioteca do Escriba. São cerca de 400 páginas de informação preciosa sobre o nosso país, de onde viemos, como estamos e para onde vamos. Qual o nível de nossa sustentabilidade?
Vale lembrar a definição de desenvolvimento sustentável, segundo a Comissão Brundtland:
Desenvolvimento sustentável é um processo de transformação no qual a exploração dos recursos, a direção dos investimentos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional se harmonizam e reforça o potencial presente e futuro, a fim de atender às necessidades e aspirações futuras … é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as suas próprias necessidades.
A pergunta que não quer calar na verdade é: será que algum país no mundo atende a essa premissa?
Posted by escriba on 08 Aug 2008 | Tagged as: boca no trombone, esporte, livros, politica
A abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim foi uma das mais lindas que vi desde Moscou-80, a China é um país fascinante e seu povo merece todo o respeito, mas não dá pra ignorar que o governo chinês tem pisado seguidamente na bola - seja ela política ou ambiental.
Há quem diga que política e esportes não se misturam. Ledo engano: atletas alemães já se manifestaram contra a repressão chinesa, um refugiado sudanês desfilou na cerimônia de abertura dos Jogos como porta-bandeira da delegação americana, turistas penduraram uma faixa pró-Tibete em Pequim às vésperas do início dos Jogos. Suspeito que mais protestos virão. E é bom que seja assim.
Como lembra Carlos Arribas, correspondente do El País em Pequim, também tentaram evitar que as Olimpíadas de Berlim em 1936 fossem alvos de protestos, devido à ascenção de Hitler e seu partido nazista ao poder quatro anos antes:
O olimpismo prefere celebrar nestes dias o 40º aniversário dos Jogos do México, o punho erguido do “black power”, Tommie Smith e John Carlos no pódio dos 200 m rasos, símbolo do poder do esporte para mudar a sociedade, mas a realidade, mais obstinada que os desejos, o obrigam a lembrar os jogos de 1936, os da Berlim nazista enfeitada de suásticas até a náusea, e não somente para falar da bela parábola das vitórias do negro Jesse Owens no altar da exaltação do ariano, e de sua admirável amizade com o louro Lutz Long, atletas que só se moviam por altos ideais e não por dinheiro, como os de hoje, as histórias que passaram à história e que servem para que muitos lembrem os jogos de 1936 como um oásis de pureza, tolerância e bom jogo em meio aos 12 anos de pesadelo nazista, e que alimentaram o mito do espírito olímpico. (aqui a íntegra do texto)
Tentar despolitizar um evento dessa importância é pusilânime. Ninguém aqui é anti-China nem anti-Olimpíadas: queremos o diálogo. E ter o direito de dizer o que pensamos, na hora que pensamos, como pensamos. Até na China.
E o que podemos fazer aqui de fora? Pra começar, que tal participar de um aperto de mão olímpico?
Revela a experiência que o mundo
Não pode ser plasmado à força.
O mundo é uma entidade espiritual,
Que se plasma por suas próprias leis.
Decretar ordem por violência
É criar desordem.
Querer consolidar o mundo a força
É destruí-lo,
Porquanto, cada membro
Tem sua função peculiar:
Uns devem avançar,
Outros devem parar.
Uns devem clamar,
Outros devem calar.
Uns são fortes em si mesmos,
Outros devem ser ancorados.
Uns vencem na luta da vida,
Outros sucumbem.
Por isso, ao sábio não interessa a força,
Não se arvora em dominador,
Não usa de violência.
(Lao-Tsé, no Tao Te King, livro que por sinal acabo de incluir na Biblioteca do Escriba)