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Posted by escriba on 19 Aug 2008 | Tagged as: TV, boca no trombone, imprensa, internacional
O apresentador da Fox News ouvia atentamente o que uma garota de 12 anos, refugiada em São Francisco, tinha a dizer sobre o bombardeio que presenciou na Geórgia, os momentos de medo e tal, até que ela pede licença e agradece aos russos por ter livrado ela e sua família das bombas georgianas! A tia da menina, que também estava sendo entrevistada, aproveitou para acrescentar: a culpa da guerra é do governo da Geórgia - país aliado dos EUA e que conta com apoio do governo Bush.
Com cara de tacho, o apresentador não teve dúvidas: “Nossos comerciais, por favor!!”
Posted by escriba on 14 Aug 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, carro, civilização, imprensa, politica
A entrevista abaixo com Hermínia Maricato, professora, arquiteta e ex-secretária de Habitação da prefeitura de São Paulo (gestão Luiza Erundina, PT), foi feita para um jornal da grande imprensa mas acabou engavetada. Como quem tem amigo não morre pagão, caiu nas minhas mãos e faço questão de publicar. Só não entendi porque o material não foi aproveitado no site do jornalão…
Maricato vai direto ao ponto: a gente dá muita atenção para soluções cosméticas, como a Lei Cidade Limpa, enquanto coisas muito mais importantes ficam em segundo plano.
A professora lembra que, enquanto brincamos de limpar as fachadas da cidade (o que na prática é totalmente falso…), mal conseguimos nos locomover, respiramos ar poluído, bebemos água podre e ignoramos a situação de 1 milhão de pessoas que moram em favelas construídas em áreas de proteção ambiental simplesmente por não terem onde morar na cidade. Priorizar a retirada de anúncios das fachadas no meio de tudo isso é “ridículo”, diz Maricato.
Como é ridícula também a falta de coragem dos políticos de tomar medidas duras para resolver alguns desses problemas. Veja o Kassab, por exemplo: ensaiou o envio de um projeto de lei à Câmara Municipal de SP instituindo o pedágio urbano na cidade, como parte da Política Municipal de Combate às Mudanças Climáticas, mas já desistiu - em ano de eleição, provavelmente ficou com medo de perder votos dos milhões de motoristas paulistanos. Faz tempo que acho que a medida é uma das melhores medidas para diminuir o tráfego de automóveis particulares pela cidade - juntamente com o rodízio ora em voga. Em Londres rola desde 2003.
Mas enfim, vamos à entrevista:
A professora e arquiteta e ex-secretária da habitação da prefeitura de São Paulo na gestão Luiza Erundina (PT), Hermínia Maricato fala nessa entrevista sobre a Lei Cidade Limpa de São Paulo. Segundo ela, é ridículo a cidade colocar essa limpeza como prioridade enquanto outras limpezas, como a do ar e da água, e outras necessidades, como a mobilidade, ficam em segundo plano.
No começo deste ano Hermínia lançou o livro “Brasil, Cidades: Alternativas para a Crise Urbana”, publicado pela Editora Vozes. Ela é professora da Faculdade de Arquitetrua e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP).
Como a sra. avalia a Lei Cidade Limpa?
A questão vista isoladamente evidentemente é muito virtuosa. A lei se propõe a fazer uma despoluição visual na cidade, na paisagem urbana. E é interessante. Claro que, até mesmo olhando isoladamente, nós não deveríamos nos ater apenas aos anúncios, mas a toda instalação elétrica, que é ultra poluidora, à quantidade de fios, postes, o próprio calçamento, enfim normatizar um pouco muros, cercas, calçadas. O problema é quando, no contexto da cidade, essa lei ganha prioridade. É simplesmente ridículo.Por que ridículo?
Porque você tem metade da cidade na ilegalidade. Então ele é um programa por excelência que segue uma orientação na gestão urbana no Brasil, que dialoga com a cidade legal, com a cidade da elite, com a cidade formal. Quando você tem metade da cidade na ilegalidade, acho que é preciso discutir como vai se aplicar a lei. Como você vai aplicar a lei só nas fachadas e numa parte da cidade? E se tenho 10% da população morando em favelas, por exemplo.Mas aí questão não se torna mais difícil, mais complexa?
Claro que é uma tarefa complexa. Não é uma tarefa para uma gestão. Mas quando nós vamos ter uma lei efetiva em cidades como as nossas? Porque torná-la efetiva apenas nas fachadas, apenas em relação aos anúncios? Eu diria que é um governo de fachada, uma sociedade de fachada. Não que a gente não deva se preocupar com as fachadas. As fachadas são importantes em várias cidades do mundo e também no Brasil. Se você for para São Luiz do Paraitinga, existe uma recuperação que aumenta a auto-estima dos moradores, não só recuperação de fachada. A recuperação de fachada na França é matéria constitucional.As fachadas são importantes mas há outras questões mais importantes?
Não quero dizer que isso não é importante, que não é objeto de uma política pública. Mas é ridículo quando isso é a prioridade. Principalmente em uma cidade onde os mananciais estão ocupados por uma população gigantesca, mais de 1 milhão de pessoas, morando em áreas de proteção ambiental simplesmente porque não conseguem morar na cidade. E a prefeitura está tendo uma atitude muito ruim com esses moradores porque ela está derrubando as casas e acusando-os de crime ambiental. Crime ambiental é da sociedade, que não provisionou essa população de moradia, que não tinha onde morar e acabou indo para os mananciais. Crime ambiental todas as gestões fizeram na hora que permitiram que essa população se instalasse ali. E ali o poder de polícia sobre o uso do solo é de diversas entidades dos governos federal, estadual e municipal. Então, quem cometeu o crime ambiental não é o sujeito, coitado, que está morando lá, em condições muito ruins, por sinal. A discussão, então, é um programa evidentemente classista. É uma visão da cidade de que a prioridade é cuidar das fachadas.Nessa visão que a sra. critica a beleza, a limpeza, fala mais alto?
Não é propriamente beleza. Se você pega o exemplo do Time Square de Nova York, do qual todo mundo fala, é uma poluição bárbara. Agora, é um padrão. Um padrão que seria impossível em São Paulo com essa tolerância zero aí. Precisa ficar muito claro isso: essa lei não está sendo aplicada na cidade toda. Até porque se eu considerar uma parte da cidade, não são os anúncios que estão ilegais, são as ruas, as casas, tudo… É tudo! Se não encara essa fratura urbana, vai encarar o quê? A limpeza das fachadas? Mesmo considerando que ela é necessária. Não estou de forma alguma dizendo que ela não é importante, não é necessária. O que estou dizendo é que é um absurdo ela se tornar a prioridade e você não discutir as questões de fundo. Aliás, em uma cidade onde não se consegue nem respirar e onde a questão dos automóveis não está sendo enfrentada. E ela, sem dúvida, é uma prioridade.Na visão da sra. a prioidade de São Paulo é outra?
Sim, a questão da mobilidade na cidade. A mobilidade por meio do automóvel é predominante. E isso novamente não é tarefa de uma gestão. Mas se essa sociedade e esses governos não encararam o problema da matriz baseada na circulação automobilística, essa cidade está absolutamente condenada. Aliás, moro aqui e está cada vez mais insuportável. Como você estabelece prioridades?A cidade é limpa nas fachadas mas não cuida da limpeza do ar que respira?
Do ar que você respira! Da água que a gente bebe! Dos mananciais que estão ocupados por mais de 1 milhão de pessoas! É incrível essa nossa capacidade de botar a cabeça em um buraco que nem um avestruz e ignorar os problemas centrais. Incrível! E todo mundo bate palma! ‘Tá bom, mas pelo menos…’ Não tem pelo menos! Tem coisas que são prioritárias. São delas que nós temos que cuidar como prioridade. As fachadas nós vamos cuidar com a importância que elas têm.A sra. acredita que o prefeito pode usar esse projeto Cidade Limpa como candidato à reeleição?
Ele usa muito. Foi um programa que fez um sucesso. E, diga-se de passagem, várias gestões tentaram aplicar a lei de anúncios e não conseguiram. Acho a lei exagerada. Não é necessário uma intolerância tão grande para que a paisagem urbana fique despoluída. Estou na rua e vejo, na mesma esquina, um poste de iluminação, um postinho que dá suporte às placas com os nomes das ruas, um outro postinho que sustenta a placa do trânsito, tudo isso na mesma esquina. E cheio de fios. Quer dizer, então está bom, vamos tentar começar um processo de despoluição não só dos anúncios. Realmente, é uma coisa de factóide mesmo e marketing. A despoluição é necessária, mas nem ela foi levada muito a sério.Mas esse ‘factóide’, essa peça de ‘marketing’, como a sra. classifica, tem virtudes?
Não há dúvida de que há uma virtude no foco da coisa. Mas nós temos que abrir esse foco e falar: ‘bom, em que nós temos que jogar nossa energia?’ Diria que a questão da mobilidade em São Paulo é a número 1. Já tem técnico hoje fazendo cálculo do prejuízo para toda a sociedade. O fato é que esse prejuízo é distribuído. São as horas paradas das pessoas, profissionais, nos transportes. O preço de todo o suporte de ruas, de recapeamento, de sinalização de trânsito e, principalmente, como alguns professores da USP, meus colegas, estão apontando, o problema do custo na saúde. Nos dias piores os hospitais se enchem, principalmente de crianças e pessoas da terceira idade, porque o ar está irrespirável na cidade. Tenho um jardim com horta em casa e é impressionante. Você pega uma folha de couve, ela está coberta, negra. Se eu não regar, cuidar, aquilo vira uma casca em cima da planta. E é isso que vai para os nossos pulmões. E ainda tem os acidentes, que diminuíram mas ainda continuam muito altos… Os custos com combustíveis… Que contribuição estamos dando para o planeta? O que é mais importante? Alguém pode falar: ‘mas ele está fazendo outra coisa, fez isso pelas fachadas’. Então, a lei dos anúncio adquiriu principalidade.
Posted by escriba on 12 Jul 2008 | Tagged as: boca no trombone, canalhice, imprensa
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O que tem de gente com as barbas de molho, depois que Dantas e sua turma foi enquadrada, não tá no gibi. A Polícia Federal tá com uma lista com quase 100 nomes de brasileiros que mandaram dinheiro para paraísos fiscais no exterior com uma mãozinha do banco do sujeito, o Opportunity. São empresários, comerciantes e jornalistas. Tô curioso pra saber alguns desses nomes, muitos dos quais certamente posam em público de vestal da moral e bons costumes, mas nos bastidores participam das maiores putarias.
E um outro relatório da PF cita as revistas Veja e IstoÉ Dinheiro, além de Diogo Mainardi e Lauro Jardim, como colaboradores da quadrilha de Dantas.
É, a casa tá caindo…
Posted by escriba on 08 Jul 2008 | Tagged as: imprensa, politica
Nem acreditei quando vi o noticiário online hoje, sobre a prisão de Daniel Dantas, Naji Nahas, Celso Pitta e outros. Dantas, aquele que ficou milionário com a privataria do governo FHC, preso??? No creo! O cara é a eminência parda de 9 entre 10 falcatruas brasileiras.
É claro que já já estarão todos soltos, graças aos bons advogados que têm. Mas o fato vai desencadear uma série de investigações (da polícia, dos adversários, da imprensa) que vai causar muitas dificuldades pra essa turma. As sardinhas amestradas dos (tu) barões da imprensa estão tentando relacionar a turma apenas ao caso do mensalão, mas gente séria como Bob Fernandes, do Terra Magazine, coloca todos os pingos nos ‘iis’.
Vale também reler os textos do Luís Nassif sobre a íntima relação de Dantas com a revista Veja, a Estrela da Morte do jornalismo tupiniquim.
Quanto mais a gente sabe sobre a produção de salsichas, jornais e revistas, mais difícil fica consumi-los.
Posted by escriba on 07 Jul 2008 | Tagged as: imprensa
Essas foram as capas dos jornais Folha e Estadão desta segunda-feira. Reparem na ‘coincidência’ no topo de ambas as páginas: uma mini-fotogaleria sobre o dia dos candidatos a prefeito de São Paulo na periferia da cidade. E lendo os respectivos textos, a sensação de deja vu é ainda maior.
É impressionante a falta de criatividade da imprensa tupiniquim. São as mesmas idéias, projetos políticos, pautas, textos, fotos. E depois reclamam que estão perdendo espaço para a internet.
Está cada vez mais chato ler jornais…
Posted by escriba on 27 Jun 2008 | Tagged as: TV, imprensa
Em parceria com a Fapesp, a TV Cultura está colocando na internet as entrevistas antigas do Roda Viva para serem vistas online mesmo. Demorou! Acabei de ver duas delas: Patch Adams, do Doutores da Alegria (de novembro de 2007) e Lula (agosto de 1995). Mas tem muitas outras boas entrevistas lá - Oliviero Toscani, fotógrafo italiano das campanhas da Benetton; Fernando Collor; Pedro Almodóvar; e Hélio Bicudo, entre muitas (mesmo!) outras.
E ainda tem a entrevista decupada, em texto, para podermos tirar qualquer dúvida que pinte. Muito boa a iniciativa! O pessoal tá de parabéns!
Posted by escriba on 23 Jun 2008 | Tagged as: imprensa, internet

“Parece um necrotério”, diz Martin Gee, designer do San Jose Mercury News, ao comentar as fotos que tirou da redação do jornal. Me fez lembrar meus tempos de JB (1993 e 1997-2002), naquele prédio gigante na Avenida Brasil, 500, que foi esvaziando, esvaziando, até ser abandonado de vez pelo jornal. Era estranho ver as baias sendo abandonadas, virarem depósitos, sem a perspectiva de serem ocupadas novamente. Mas enfim, sinal dos tempos.
O San Jose, como muitos outros nos EUA e no mundo, vem definhando desde que a internet ganhou força como fonte de informação. E muito se especula sobre o futuro dos jornais. Serão eles gratuitos como a maioria dos portais de internet? Desaparecerão das bancas? O (tu) barão da imprensa Rupert Murdoch e a The Economist têm boas pistas do que está por vir.
De minha parte, sinto alguma saudade daquele mafuá que era a redação, mas não lamento o seu fim. A produção e distribuição de informação mudou muito de lá pra cá - e, a meu ver, para melhor. Cada vez mais queremos saber o que fulano ou sicrano tem a dizer sobre um assunto, e o meio pelo qual ele fará isso é o que menos importa. A embalagem pode ser bonitinha, mas ordinária. O que vale é o conteúdo. O efeito colateral é a excessiva fragmentação, mas antes isso do que a massa monolítica que molda a informação de acordo com interesses de uns poucos. A grande mídia ainda controla os principais canais, é fato, mas não tem mais o controle total das amarras. Soltaram o bicho e ele corre solto. O jeito é reaprender a andar. Mesmo que aos 70 anos.
Aos que lamentam o fim dos jornais, já dizia Belchior:
Você pode até dizer que estou por fora
Ou então que estou inventando
Mas é você que ama o passado e que não vê
É você que ama o passado e que não vê
Que o novo sempre vem
Posted by escriba on 19 Jun 2008 | Tagged as: blog, imprensa
Se você cansou de tentar publicar cartas com reclamações, críticas, espinafradas e quetais na revista mais odiada do país, seus problemas acabaram! Eles podem não publicar, mas este blog publica! Tá vazio ainda, seja o primeiro!
Posted by escriba on 11 Jun 2008 | Tagged as: imprensa

Dias atrás o jornal O Globo publicou editorial afirmando que chegou a hora do governo brasileiro partir para a conclusão da usina nuclear Angra 3. Diz que a energia nuclear se tornou uma boa alternativa, depois que foram “vencidos os preconceitos e as reações negativas dos ambientalistas”, e que ela foi devidamente testada e aprovada no Brasil. Afirma ainda que Angra 3 foi recomendada por seu vantajoso aspecto econômico (sic). Esse pessoal definitivamente vive num mundo paralelo.
Nas páginas da publicação carioca - e da imprensa brasileira em geral, que fechou questão em torno do assunto -, só há espaço para a cartilha pró-nuclear. O trabalho da Hill & Knowlton nos EUA rompeu fronteiras e conquistou corações e mentes entre os (tu) barões da mídia tupiniquim. Por aqui você não verá reportagens como esta da Salon sobre os muitos furos dessa pretensa renascença nuclear, principalmente em relação ao custo. Ou sobre os muitos problemas enfrentados pela França, país que tem mais de 70% de geração de energia por reatores atômicos, conforme explica este artigo do Boletim dos Cientistas Atômicos.
Há quem diga que o mundo deveria seguir o exemplo francês e se render de vez à energia nuclear. Os franceses pensam o contrário. De acordo com recente pesquisa de opinião encomendada pela Comissão Européia, 2/3 da população francesa é favorável a uma redução das usinas nucleares em seu país. Mas lá, como cá, o desejo da população não encontra muito eco entre os políticos - e muito menos na imprensa.
Posted by escriba on 10 Jun 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, imprensa

O cartunista Caruso resumiu bem a entrevista do Carlos Minc dada ontem no Roda Viva com uma charge em que aparecem várias palavras e siglas ligadas ao tema meio ambiente ditas pelo ministro e uma grande interrogação vinda da bancada dos jornalistas escalados para o programa. Com exceção de Michel Astor, correspondente da Associated Press, que mostrou estar preparado para discutir com conhecimento de causa os assuntos tratados, os demais coleguinhas patinavam nas perguntas, procurando muitas vezes mais a futrica do que o esclarecimento de temas relevantes como desmatamento na Amazônia, Angra 3, transgênicos, desenvolvimento sustentável, etc.
E ainda ficaram de fora assuntos importantes como a recente reunião da ONU sobre biodiversidade, em Bonn (que contou com a participação de Minc); o envio ao Congresso, com 16 anos de atraso, do projeto de lei para a criação de uma Política Nacional de Combate às Mudanças Climáticas; e o boicote sistemático do governador Blairo Maggi a qualquer tentativa de se interromper o desmatamento na Amazônia.
Se deixassem só as perguntas dos telespectadores enviadas por email, o programa ficaria bem mais interessante. Os temas mais quentes vieram deles. Fica então a sugestão: se os jornalistas mais tarimbados não puderem comparecer num próximo programa, convidem os telespectadores para a bancada!
ADENDUM: A Lucia Malla, minha companheira lá no Faça a Sua Parte, observou em seu blog que achou o Minc muito político, muito ensaboado. Ela participou do Roda Viva, enviando mensagens pelo Twitter. Numa troca de emails hoje, conversamos sobre o assunto e eu observei o seguinte: o Minc tem todo traquejo de político e eu acho isso importantíssimo para o sucesso das demandas ambientais. Sem esse jogo de cintura, Minc seria engolido por cobras-criadas da política. Ele é um ambientalista atuando na política e não um político maquiado de verde, como temos vários por aí…
Fui durante anos seu eleitor no Rio de Janeiro e acho que ele pode se sair bem como ministro. Mas vamos ver as cenas dos próximos capítulos…
Posted by escriba on 09 Jun 2008 | Tagged as: documentario, imprensa

Antes tarde do que nunca: já tá na internet o trailer do documentário Gonzo, sobre a vida do jornalista Hunter S. Thompson. Narrado por Johnny Depp, o filme deve entrar em cartaz no próximo 4 de julho e traz uma gama bem variada de depoimentos sobre o inventor do jornalismo gonzo, de Tom Wolfe a Jimmy Carter.
Thompson se matou em 2005, aos 68 anos. Aqui ele explica como gostaria que fosse seu funeral. Bizarro.
Quer conhecer um pouco mais sobre o cara e seu estilo? Nada melhor do que os cinco artigos publicados pela revista Rolling Stones logo após a sua morte. Um dos textos é de Johnny Depp.
Para se ter uma idéia de quem foi Thompson, saca só essa história: ele se candidatou em 1970 a xerife de um distrito da cidade de Aspen, no Colorado, sob o lema Freak Power (algo como Poder Esquisito). Sua plataforma era deveras interessante: descriminalização das drogas para uso pessoal, transformação de ruas em calçadas gramadas para pedestres e proibição de construção de prédios altos, entre outras propostas. Ele raspou a cabeça e passou a chamar o adversário, um republicano com corte escovinha (tipo militar), de “meu adversário cabeludo”.
Perdeu por pouco e a aventura rendeu sua primeira matéria na Rolling Stones, entitulada A Batalha de Aspen.
Posted by escriba on 09 Jun 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, imprensa

Hoje tem Carlos Minc no Roda Viva, na TV Cultura. Serão seus entrevistadores os jornalistas Merval Pereira, colunista do jornal O Globo; Michel Astor, correspondente da agência Associated Press; Marta Salomon, repórter especial do jornal Folha de S.Paulo, em Brasília; Rui Nogueira, chefe de redação da sucursal de Brasília do jornal O Estado de S.Paulo.
Faltaram representantes de ONGs e agronegócio, para apimentar um pouco mais o debate. Essas rodas de jornalistas tendem a ficar insossas quando o entrevistado é muito eloqüente.
Posted by escriba on 29 May 2008 | Tagged as: imprensa

Os (tu) barões da mídia vivem afirmando por aí que a imprensa livre e plural é um dos principais pilares da democracia. É muito cinismo, não? Senão, vejamos: livre ela não é, basta ver o silêncio que adota quando o assunto são os riscos dos transgênicos para o meio ambiente e nossa saúde, sucesso do Bolsa-Família ou importância de uma reforma agrária; plural muito menos. Pegue os cinco principais jornais brasileiros - Folha, Estado, Globo, Zero Hora e Correio Braziliense - e confira a impressionante coincidência no tratamento que dão às questões citadas. E a tendência é piorar, pelo que li hoje no blog Coleguinhas: o Estadão está mal das pernas e o grupo Globo já tá de olho grande.
Que mal há nisso? Faça uma visitinha à página do pessoal do Stop Big Media e confira.
Posted by escriba on 12 May 2008 | Tagged as: canalhice, carro, imprensa, politica

Que a imprensa de São Paulo não é exemplo de jornalismo, não é novidade alguma. Mas com a internet, fica cada vez mais difícil para o (tu) baronato da mídia manter a pose de vestal. Afinal, o que antes embrulhava peixe agora circula pela internet com uma velocidade impressionante. Veja o caso da ponte estaiada da marginal Pinheiros, já apelidada de estilingão. Foi inaugurada no último fim de semana com pompa e circunstância e matérias elogiosas dedicadas a ela por Folha e Estadão. O protesto feito por grupos contrários à obra, que preferiam ver os milhões gastos em ciclovias, despoluição do rio Pinheiros, etc, foi relegado ao pé das páginas de culto ao segundo maior monumento paulistano ao automóvel - o primeiro, a meu ver, é o minhocão, aquela aberração malufista no coração de São Paulo.
(desligue a rádio pra curtir o vídeo da invasão dos ciclistas na inauguração do estilingão)
O estilingão, no entanto, já foi alvo de muita pedrada dos (tu) barões da mídia paulista, principalmente da Folha. Isso porque a obra foi iniciada na gestão Marta Suplicy, em 2005. E o projeto inicial incluía a construção de moradias populares para os moradores de favelas locais, as mesmas que a gestão Kassab/Serra quer tirar dali na marra, com o vergonhoso cheque despejo de R$ 5 mil. Eu particularmente acho que a ponte é horrível, mas o projeto da Marta era bem mais interessante e socialmente justo do que o executado por Kassab/Serra.
Mas o que dizia a Folha em 2005? Segue abaixo o editorial publicado em maio daquele ano (resgatado pelo blog do Favre):
PROJETO EXTRAVAGANTE
É acertada a decisão do prefeito José Serra (PSDB) de retomar as obras que ligam as avenidas Jornalista Roberto Marinho (antiga Água Espraiada) e a marginal Pinheiros, deixando de lado a construção de duas pontes sobre o rio Pinheiros, na zona sul da cidade, previstas no projeto original aprovado pela administração da ex-prefeita Marta Suplicy. A justificativa apresentada por José Serra é que a construção dessas pontes estaiadas (suspensas por cabos de aço) encareceria desnecessariamente a obra.
A cautela e a mudança do projeto original são procedentes. Com as pontes endossadas por Marta, toda a empreitada custaria nada menos que R$ 147 milhões. Sem elas, o custo total -que inclui outras alterações na malha viária, além da construção das alças- cai para R$ 85 milhões.
É duvidoso, ademais, que a venda em leilões dos Cepacs (Certificados de Potencial Adicional de Construção), títulos que dão direito de construir além dos limites estabelecidos em certas áreas da cidade, possa gerar recursos suficientes para arcar com as despesas previstas inicialmente no projeto. No ano passado, os leilões desses papéis, realizados para angariar fundos para a construção das pontes, não conseguiram amealhar mais do que R$ 35 milhões, soma muito aquém da estimada para a conclusão das obras.
Além de cara, a construção dessas pontes suspensas está longe de ser uma prioridade para aquela área da cidade. A ligação da avenida Roberto Marinho com a marginal Pinheiros pode continuar a ser feita, sem maiores transtornos, através de duas outras pontes já existentes a apenas 800 metros do local. Essa circunstância, aliás, torna ainda mais extravagante -e suspeito- o projeto deixado pela gestão petista, para o qual, até aqui, não foram apresentadas justificativas convincentes.
A pergunta que não quer calar é: a Folha mudou de opinião porque o estilingão foi batizado com o nome de seu patrono, o (tu) barão Octavio Frias de Oliveira?
Posted by escriba on 08 May 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, alimentação, comportamento, consumo, imprensa
Em jornalismo, não é incomum a gente ver títulos de matérias que pouco ou nada têm a ver com seu conteúdo. Muitas vezes, o texto não traz informação que renda um bom título, ou o editor tem uma grande sacada e resolve dar o que chamamos de esquentada no título, pra atrair a atenção do leitor. Foi o que fizeram com a pesquisa da revista National Geographic, o Greendex 2008: Escolha do Consumidor e Meio Ambiente.
O tal Greendex consultou, pela internet, consumidores de 14 países sobre seus hábitos de consumo, transporte, habitação e alimentação, e apontou brasileiros e indianos como os mais verdes do mundo, seguidos dos chineses, mexicanos, húngaros, russos, ingleses, alemães, australianos, espanhóis, japoneses, franceses, canadenses e, por fim, americanos.
A impresa, com aquela profundidade de um pires que lhe é característica, cravou: brasileiros e indianos são os que mais respeitam o meio ambiente. Nada mais falso. Ora, está claro que países em desenvolvimento aparecem na frente não porque seus habitantes têm maior consciência ecológica, mas pelo simples fato de que eles não têm o mesmo padrão de consumo dos países desenvolvidos. Um indiano não gasta menos energia elétrica que um japonês, um chinês não come menos produtos industrializados que um inglês, um brasileiro não compra menos bugigancas que um americano por ser mais ambientalmente responsável. Essa afirmação é falsa. Eles, isso sim, causam é menos impacto ambiental com seus hábitos de consumo, porque seu atual nível sócio-econômico não lhes permite ter o mesmo padrão de vida que os europeus, americanos e japoneses. Se lhes for dada a chance - e a tal globalização vive pregando isso - consumirão tanto ou mais. E o planeta que se vire para sustentar tudo isso! A questão não é apenas a quantidade do que se consome, mas a qualidade desse consumo.
O site Story of Stuff, da ativista Annie Leonard, traz um dado interessante: 99% do que o americano compra vai pro lixo após apenas seis meses de uso! Não é de se estranhar. A base da economia americana é diretamente ligada ao consumo - tanto que, para resolver o problema da atual recessão, o presidente Bush está enviando cheques de até US$ 600 para cada americano que ganha até um X por mês para que ele gaste em compras. O padrão lá é: compre o quanto puder para que a economia americana não afunde. Não tá funcionando a contento e, pior, vai acabar afundando o planeta inteiro!
A propósito: recebi por email uma série de fotos que revelam de maneira bem interessante como é o consumo alimentar em uma semana de famílias típicas de nove países diferentes - Alemanha, Estados Unidos, Itália, México, Polônia, Egito, Equador, Butão e Chade. Não sei de onde veio essa série, mas as (belas) fotos falam por si:

(Alemanha: Família Melander de Bargteheide. Despesa com alimentação em 1 semana: 375.39 Euros / $500.07 dólares)

(Estados Unidos da América: Família Revis da Carolina do Norte. Despesa com alimentação em 1 semana: $341.98 dolares)

(Italia: Família Manzo da Secília. Despesa com alimentação em 1 semana: 214.36 Euros / $260.11 dolares)

(México: Família Casales de Cuernavaca. Despesa com alimentação em 1 semana: 1,862.78 Pesos / $189.09 dólares)

(Polónia: Família Sobczynscy de Konstancin-Jeziorna. Despesa com alimentação em 1 semana: 582.48 Zlotys / $151.27 dólares)

( Egito: Família Ahmed do Cairo. Despesa com alimentação em 1 semana: 387.85 Egyptian Pounds / $68.53 dólares )

(Equador: Família Ayme de Tingo. Despesa com alimentação em 1 semana: $31.55 dólares )

( Butão: Família Namgay da vila de Shingkhey. Despesa com alimentação em 1 semana: 224.93 ngultrum / $5.03 dólares )

( Chade: Família Aboubakar do campo de refugiados de Breidjing. Despesa com alimentação por semana: 685 Francos / $1.23 dólares)
Posted by escriba on 23 Apr 2008 | Tagged as: imprensa
A imprensa brasileira está ansiosa para encontrar um novo assunto para ocupar suas manchetes, agora que o caso da menina está acabando. Afinal de contas, a cultura do medo é o que mantém o ibope/vendas em alta. E o tremor de terra que aconteceu ontem à noite veio mesmo a calhar. Numa dessas tentativas, o repórter do Jornal da Globo mandou na lata para o especialista em terremotos que entrevistava lá em Brasília: “Há possibilidade de termos uma tsunami?”
A Folha de S. Paulo não ficou atrás - saca só a manchete deles de hoje (acima). Sensacionalismo é isso aí!!
Mas no que realmente importa, a imprensa se fecha em copas. Angra 3, por exemplo. A cidade de Angra dos Reis foi atingida em cheio pelo tremor, que lá foi muito mais forte do que em São Paulo, por exemplo. E um acidente nas usinas que funcionam na cidade litorânea fluminense é muito mais sério do que o leve tremelique que sentimos aqui na capital paulista (eu senti, estava me preparando pra ver o jogo do Boca Juniors, que foi sensacional aliás.), confere? E aí? Qual o risco de um terremoto desse danificar as obras da usina? Ou mesmo de afetar as operações das outras duas, Angra 1 e Angra 2? O relatório de impacto ambiental de Angra 3 diz que o local está a salvo desse tipo de coisa e como vimos não é bem assim… Será que a blindagem que a imprensa fez em torno da questão nuclear não permitirá que se façam reportagens sobre o assunto?
Posted by escriba on 09 Apr 2008 | Tagged as: brasil, imprensa, politica
Trecho de artigo de Ruy Falcão, deputado estadual do PT/SP e ex-secretário de governo durante a gestão de Marta Suplicy na prefeitura de São Paulo. A íntegra, aqui.
Preconceitos da imprensa brasileira, segundo o BIRD
Uma avaliação do Banco Mundial (BIRD) sobre como a imprensa brasileira (escrita) cobre os fatos associados ao Bolsa Família constitui-se em testemunha eloqüente do preconceito, da má vontade, má fé e ignorância de grandes veículos de comunicação em relação ao programa e, por extensão, à implementação de ações do governo Lula em cumprimento ao preceito constitucional que obriga o Estado brasileiro a respeitar os direitos sociais.
Infelizmente, os leitores em geral, com exceção dos assinantes do jornal Valor Econômico, não puderam ter acesso ao conteúdo do documento, por razões óbvias: os meios de comunicação aos quais coube a carapuça recusaram-se até agora a divulgá-lo. É, pois, com o propósito de fazê-lo chegar ao conhecimento geral que transcrevo aqui o resumo, com base no que foi noticiado no Valor.
O Banco Mundial observa, de início, que a imprensa brasileira acompanha o Bolsa Família com atenção raramente vista em casos semelhantes no mundo, e tem preferência por mostrar mais as suas falhas que as suas virtudes. Assim, por exemplo, diz o estudo, a imprensa está mais preocupada com os desvios do programa – como a inclusão irregular de beneficiários – do que com eventuais imperfeições, como a existência de excluídos que deveriam ser contemplados e que por algum motivo não o foram ainda.
O documento informa que o Banco Mundial, ao contrário da imprensa nacional, avalia positivamente o programa e sugere a outros países que imitem a experiência brasileira. E, com tato diplomático, os pesquisadores do BIRD, para prevenir a opinião pública desses países quanto ao risco de incompreensão da natureza e dos objetivos do programa, a exemplo do que ocorre no Brasil, decidiram levar a eles também o debate estampado nas páginas dos jornais brasileiros. “O Bolsa Família é como jabuticaba, uma criação original do Brasil, que deu certo”, afirmou a pesquisadora Kathy Linders, do Departamento de Desenvolvimento Humano do Banco Mundial, uma das responsáveis pelo estudo, em entrevista ao jornal Valor Econômico.
Posted by escriba on 09 Apr 2008 | Tagged as: imprensa, politica

Foi dada a largada para as eleições presidenciais de 2010. A foto acima deu muito na pinta, mas textos como este são mais sutis em criar climas artificiais (lembram da epidemia de febre amarela e do caos aéreo? Sim, é a mesma figura…).
Posted by escriba on 02 Apr 2008 | Tagged as: esporte, imprensa
As reportagens em jornais sobre partidas de futebol nunca estiveram tão insossas como agora. São textos opacos, sem cor, cheiro, sabor, nada. O pessoal anda meio sem criatividade e agarrado aos manuais de redação, e quem sifu é o leitor, que lê as mesmas coisas sempre, independentemente do que realmente acontece em campo.
E poderia ser bem diferente. Ao visitar um dos meus blogs preferidos, Jornalista de Merda, li uma das crônicas mais divertidas e saborosas dos últimos tempos sobre uma partida de futebol - no caso, o confronto entre Gana e Camarões pela semifinal da Copa Africana das Nações. O resultado do jogo? Ora, essa é a parte menos interessante… saca só:
Gol aos 25 minutos do segundo tempo, partida eliminatória caminhando para o término, o caldo entornou de tal maneira que só o Gil Brother poderia narrar o PEGA maiúsculo. Era “voleio na nuca, chapa nos peito, soco no coração” que Dudu Monsanto e Rodrigo Bueno, naipe “Luiz Boça”, não tiveram a manha de transmitir.
Malandro, é ESTILO BLACK TRUNK* de jogar bola! E tudo negrão parrudo. Assim, cada dividida abria para conseqüências inimagináveis. Em poucos minutos, um mostruário variado de rechaçadas, chargeadas, arrepiadas, chegadas, limpadas e arregaçadas. Voadora é fundamento básico.
De brinde, duas manobras diferenciadas, uma inédita. A primeira: bola quicando perigosamente na altura da face, o jogador de Gana saltou no modo conhecido como “força desproporcional” aplicando um violento golpe com os glúteos em seu oponente. E daí… lógico, tava lá um colorede estendido no chão.
A outra, quem estava no estádio deveria sair e pagar novo ingresso. Choque na área, entre paralama prum lado, espelho retrovisor pro outro, pneu furado, marcas de freada, um camaronês carecia de auxílio médico. Prontamente, maqueiros em ação. E não é que, sem motivo aparente, um chapa não aprovou o atendimento e deu um empurrão num pobre carregador que o lançou em vôo livre de quatro metros (sério) até o estabacamento absoluto.
Pergunta se algum dos maca-boys ousou questionar a atitude do armário rasta? Nada! Eles bem que podiam partir pra porrada de galera, já que estavam em quatro ou cinco elementos. No entanto, ficaram na miúda, muy sabiamente.
Leia a íntegra do artigo aqui.
Posted by escriba on 27 Mar 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, alimentação, boca no trombone, imprensa

A Romênia decidiu hoje que vai banir do país o plantio e a comercialização do milho transgênico MON 810, da Monsanto, por conta de inúmeras evidências científicas que apontam o produto como danoso à saúde humana e ao meio ambiente. É o oitavo país europeu a tomar essa decisão, seguindo os passos da França, Suíça, Áustria, Grécia, Itália, Hungria e Polônia.
Detalhe: esse milho MON 810 é o mesmo que foi aprovado recentemente no Brasil pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e autorizado pelo Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS), que conta com a participação de 11 ministérios. No CNBS, a aprovação do MON 810 foi rejeitada pelos ministérios da Saúde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Agrário - ou seja, o tal milho será plantado e comercializado no Brasil, apesar do voto contrário dos órgãos governamentais que cuidam de nossa saúde, do meio ambiente e do desenvolvimento agrário. Os votos favoráveis vieram dos ministérios da Agricultura, Ciência e Tecnologia, Indústria e Comércio, Relações Exteriores - todos intimamente ligados à defesa do saldo de nossa balança comercial, que tem como motor o agronegócio. Para esse pessoal, o lucro vem sempre à frente de detalhes como saúde e meio ambiente.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no entanto, já mandou avisar: só dará o registro necessário para que produtos feitos com esse milho sejam comercializados no Brasil se a empresa responsável (Monsanto, no caso) conseguir comprovar sua segurança. Como a empresa nunca apresentou estudo algum desse tipo, o MON 810 não terá vida fácil por aqui. Ainda bem!
O que me deixa com a pulga atrás da orelha é o fato da imprensa brasileira praticamente ignorar essas informações. Foi assim quando a França, maior país agrícola europeu, decidiu também congelar suas plantações de milho transgênico até que se comprove sua segurança. Foi assim também em relação ao livro e ao documentário francês recém lançado que revelam os podres da Monsanto. Silêncio constrangedor. Não deverá ser diferente em relação à decisão romena. Destaque eles só dão quando quem fala é a indústria. Triste, mas verdade. Desafio um jornalista que cobre o assunto vir aqui e mostrar que não é assim. A blindagem é forte. Mas ainda temos a internet. Lutemos, pois!