esporte

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Pusilanimidade olímpica

Posted by escriba on 08 Aug 2008 | Tagged as: boca no trombone, esporte, livros, politica

A abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim foi uma das mais lindas que vi desde Moscou-80, a China é um país fascinante e seu povo merece todo o respeito, mas não dá pra ignorar que o governo chinês tem pisado seguidamente na bola - seja ela política ou ambiental.

Há quem diga que política e esportes não se misturam. Ledo engano: atletas alemães já se manifestaram contra a repressão chinesa, um refugiado sudanês desfilou na cerimônia de abertura dos Jogos como porta-bandeira da delegação americana, turistas penduraram uma faixa pró-Tibete em Pequim às vésperas do início dos Jogos. Suspeito que mais protestos virão. E é bom que seja assim.

Como lembra Carlos Arribas, correspondente do El País em Pequim, também tentaram evitar que as Olimpíadas de Berlim em 1936 fossem alvos de protestos, devido à ascenção de Hitler e seu partido nazista ao poder quatro anos antes:

O olimpismo prefere celebrar nestes dias o 40º aniversário dos Jogos do México, o punho erguido do “black power”, Tommie Smith e John Carlos no pódio dos 200 m rasos, símbolo do poder do esporte para mudar a sociedade, mas a realidade, mais obstinada que os desejos, o obrigam a lembrar os jogos de 1936, os da Berlim nazista enfeitada de suásticas até a náusea, e não somente para falar da bela parábola das vitórias do negro Jesse Owens no altar da exaltação do ariano, e de sua admirável amizade com o louro Lutz Long, atletas que só se moviam por altos ideais e não por dinheiro, como os de hoje, as histórias que passaram à história e que servem para que muitos lembrem os jogos de 1936 como um oásis de pureza, tolerância e bom jogo em meio aos 12 anos de pesadelo nazista, e que alimentaram o mito do espírito olímpico. (aqui a íntegra do texto)

Tentar despolitizar um evento dessa importância é pusilânime. Ninguém aqui é anti-China nem anti-Olimpíadas: queremos o diálogo. E ter o direito de dizer o que pensamos, na hora que pensamos, como pensamos. Até na China.

E o que podemos fazer aqui de fora? Pra começar, que tal participar de um aperto de mão olímpico?

Revela a experiência que o mundo
Não pode ser plasmado à força.
O mundo é uma entidade espiritual,
Que se plasma por suas próprias leis.
Decretar ordem por violência
É criar desordem.
Querer consolidar o mundo a força
É destruí-lo,
Porquanto, cada membro
Tem sua função peculiar:
Uns devem avançar,
Outros devem parar.
Uns devem clamar,
Outros devem calar.
Uns são fortes em si mesmos,
Outros devem ser ancorados.
Uns vencem na luta da vida,
Outros sucumbem.
Por isso, ao sábio não interessa a força,
Não se arvora em dominador,
Não usa de violência.
(Lao-Tsé, no Tao Te King, livro que por sinal acabo de incluir na Biblioteca do Escriba)

Somos todos chineses

Posted by escriba on 03 Aug 2008 | Tagged as: boca no trombone, esporte, politica


A revista do jornal alemão Sueddeutsche Zeitung publicou sexta-feira passada uma série de fotografias com atletas olímpicos da Alemanha que posaram com fotos de dissidentes chineses cobrindo seus rostos. Segundo a reportagem que acompanha as fotografias, os atletas defendem protestos também durante os Jogos de Pequim. O jogador de pólo aquático Soeren Mackeben chegou a defender que sua equipe usasse uniformes na cor laranja como um tributo silencioso ao Tibete. Se vc não lê em alemão, confira aqui um resumo em português do material publicado pela Reuters.

É, parece que essa Olimpíada vai ser mesmo histórica - mas não pelos motivos que os chineses esperam…

E vamos todos cantar de coração!

Posted by escriba on 28 Jun 2008 | Tagged as: esporte

Agora é oficial: Roberto Dinamite é o novo presidente do Vasco! É o fim de quatro décadas de desmandos e falcatruas. Vou ali desfilar com minha camisa do time e já volto!

Até que enfim é sexta-feira!

Posted by escriba on 27 Jun 2008 | Tagged as: esporte, tecnologia


Guardem bem esta data: sexta-feira, 27 de junho de 2008. É um dia histórico. Por dois motivos: Roberto Dinamite deve ganhar a eleição para presidente do Vasco, exorcizando de vez o fantasma Eurico Miranda, e Bill Gates se aposentou, deixando a monopolista Microsoft livre para morrer e quem sabe renascer como colaborativa e aberta. Minha bola de cristal é fraquinha, não sei o que o destino reserva para ambos, mas de uma coisa tenho certeza: nem o clube nem a Microsoft serão os mesmos de hoje em diante.

Com Dinamite, o Vasco pode enfim resgatar a confiança, respeito e credibilidade há tempos sumidos de São Januário. Eurico Miranda ganhou alguns títulos importantes no clube, como a Libertadores de 98 e o Brasileiro de 2000, mas o custo foi muito alto. O Vasco, que era um time popular e de vanguarda, célebre por ser um dos poucos no Brasil (quiçá o único) a nunca ter tido problemas de racismo no clube, se transformou numa carrancuda instituição, sinônimo de maracutaias de bastidor para vencer a qualquer preço.

Sem Gates, a Microsoft que aprendemos a odiar cada vez que irritante Windows dá pau está com os dias contados. Tá certo que o Steve Ballmer, o louco, continua por lá, mas a tendência é a empresa sucumbir em seus próprios excessos, rumando devagar e sempre à nova era da sociedade da informação, com seus softwares livres, códigos-abertos e compartilhamento da informação, coisa que já vem se desenhando há algum tempo - ver exemplos aqui e aqui. Não chega a ser absurda a idéia, levando-se em conta o que diz a voz do povo: Pesquisa indica que 54% comprariam produtos de Código Aberto da Microsoft.

A PCWorld fez uma homenagem a Gates, compilando vídeos no Youtube com alguns dos momentos mais marcantes de sua história. Hã… eu disse homenagem? Bem, depende do ponto de vista…

Mas o tiozinho tá com o boi na sombra e vai dar uma de filantropo agora. Se bem que, nem assim escapa das críticas.


(mesmo toque de sempre, desligue a rádio antes de começar aqui)

Por amor ao Vasco

Posted by escriba on 22 Jun 2008 | Tagged as: esporte

Agora vai! Roberto Dinamite venceu Eurico Miranda em eleição para presidente do Vasco. Os tempos, definitivamente, estão mudando!

De nível

Posted by escriba on 14 May 2008 | Tagged as: esporte, filmes, musica

Um dos melhores anúncios de todos os tempos, Next Level, da Nike (eu não compro tênis deles, mas os caras mandam bem pacas na publicidade. Um dia ainda me convencem…). O filme, mais uma obra-prima do Guy Ritchie, é bem bolado, executado e divulgado. E como se não bastasse, tem como trilha uma música foda de um dos meus grupos preferidos, Eagles of Death Metal.

Primeiro, o filme:

Agora, a banda, tocando o mesmo som, só que ao vivo:

Por fim, o clipe da música. Yummy!!

Futebol ‘black trunk’

Posted by escriba on 02 Apr 2008 | Tagged as: esporte, imprensa

As reportagens em jornais sobre partidas de futebol nunca estiveram tão insossas como agora. São textos opacos, sem cor, cheiro, sabor, nada. O pessoal anda meio sem criatividade e agarrado aos manuais de redação, e quem sifu é o leitor, que lê as mesmas coisas sempre, independentemente do que realmente acontece em campo.

E poderia ser bem diferente. Ao visitar um dos meus blogs preferidos, Jornalista de Merda, li uma das crônicas mais divertidas e saborosas dos últimos tempos sobre uma partida de futebol - no caso, o confronto entre Gana e Camarões pela semifinal da Copa Africana das Nações. O resultado do jogo? Ora, essa é a parte menos interessante… saca só:

Gol aos 25 minutos do segundo tempo, partida eliminatória caminhando para o término, o caldo entornou de tal maneira que só o Gil Brother poderia narrar o PEGA maiúsculo. Era “voleio na nuca, chapa nos peito, soco no coração” que Dudu Monsanto e Rodrigo Bueno, naipe “Luiz Boça”, não tiveram a manha de transmitir.

Malandro, é ESTILO BLACK TRUNK* de jogar bola! E tudo negrão parrudo. Assim, cada dividida abria para conseqüências inimagináveis. Em poucos minutos, um mostruário variado de rechaçadas, chargeadas, arrepiadas, chegadas, limpadas e arregaçadas. Voadora é fundamento básico.

De brinde, duas manobras diferenciadas, uma inédita. A primeira: bola quicando perigosamente na altura da face, o jogador de Gana saltou no modo conhecido como “força desproporcional” aplicando um violento golpe com os glúteos em seu oponente. E daí… lógico, tava lá um colorede estendido no chão.

A outra, quem estava no estádio deveria sair e pagar novo ingresso. Choque na área, entre paralama prum lado, espelho retrovisor pro outro, pneu furado, marcas de freada, um camaronês carecia de auxílio médico. Prontamente, maqueiros em ação. E não é que, sem motivo aparente, um chapa não aprovou o atendimento e deu um empurrão num pobre carregador que o lançou em vôo livre de quatro metros (sério) até o estabacamento absoluto.

Pergunta se algum dos maca-boys ousou questionar a atitude do armário rasta? Nada! Eles bem que podiam partir pra porrada de galera, já que estavam em quatro ou cinco elementos. No entanto, ficaram na miúda, muy sabiamente.

Leia a íntegra do artigo aqui.

Kelly Slater que se cuide!

Posted by escriba on 22 Jan 2008 | Tagged as: esporte

Sou carioca mas nunca surfei. Peguei jacaré, o que é beeeem diferente. Na prancha, sempre fui um baita zé ruela - nem em pé conseguia ficar. Eis que meu filho Martim passa férias em Camburi, litoral norte de São Paulo, e no primeiro dia de aula de surfe deu um show:

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Martim arrepiando nas ondas e Sofia conquistando corações na areia:

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Fórmula 22

Posted by escriba on 17 Aug 2007 | Tagged as: animação, esporte

Quem foi o grande campeão da Corrida Maluca? Dica: não é o Dick Vigarista… :)

No Pan do Brasil, esporte é detalhe

Posted by escriba on 26 Jul 2007 | Tagged as: brasil, esporte, imprensa

Passei o dia de ontem circulando pela Esplanada dos Ministérios de Brasília para entrevistar gente da Seap e do Ibama para o projeto do Greenpeace. Só cheguei no hotel no início da noite e assim que cheguei no quarto procurei zapear a TV para levantar o que rolou de interessante no Pan. Sou aficionado por esporte e sempre que posso acompanho as provas, do badminton ao tênis, do hipismo ao basquete e atletismo. Depois de passar por todos os canais, desisti de saber o que aconteceu. Não há espaço para esportes na TV, apenas para o ufanismo barato e louvação de mais um lote de medalhas que engorda nossa posição no quadro geral. Mas e as grandes disputas? O que de bom aconteceu em termos de esporte, não de sucesso brasileiro? Cadê?

Quem não tem tempo de assistir às competições e vê apenas o noticiário no final do dia é capaz de pensar que só o Brasil ganha medalhas no Pan. Adotamos de vez o estilo americano de informar os resultados: o que é nosso, mostramos; o resto não existe. A legião de repórteres e produtores que circulam pelos locais de provas na cidade maravilhosa são incapazes de fugir do óbvio e caem sem pestanejar na mesma regra geral da torcida, que não está nem aí para o esporte, o que importa é a vitória do seu time.

Ainda que o Pan do Rio não apresente o que de melhor há no cenário mundial, ainda assim há muito o que explorar no evento. Por exemplo, que time B americano é esse que, mesmo sendo juvenil e universitário em sua essência, lidera com folga o quadro de medalhas? E o time renovado de Cuba, que mesclou grandes campeões com uma nova geração, já pensando nos Jogos Olímpicos de Pequim? Quem são essas novas feras da ilha de Fidel? Todas as equipes vieram com seus titulares? Não? Por que? Quais as prioridades? O que fazer para o Pan poder atrair as estrelas?

Não vi também nenhum perfil dos poucos nomes de peso que estiveram por aqui, dentro e fora das arenas de competição, como Ana Guevara, Ivan Pedroso e Felix Sanchez (atletismo), Gary Hall Jr. (natação) e Teófilo Stevenson (boxe), entre outros. Pouco ou nada se falou deles. Quem continua no auge? Quem está em decadência? E sobre os novatos? Quais atletas obtiveram resultados significativos o suficiente para almejar a glória nas Olimpíadas de 2008? Quais as grandes revelações que o Pan nos deu no atletismo, natação, ciclismo, tiro, decatlo, ginástica? Ou não houve? Por que ignoramos por completo tantas boas histórias que certamente existem num evento esportivo desse tamanho?

Perguntas que o jornalismo-mutley (medalha, medalha, medalha) brasileiro não responderá jamais. E no final de tudo, farão aquelas matérias pout-pourri resumindo o que aconteceu no Pan, geralmente cheias de belas imagens com disputas acirradas, sofrimento heróico de atletas menos cotados, vitórias emocionantes, e um texto meloso, a la Armando Nogueira, cheio de parábolas e hipérboles. Boa parte dessas imagens porém ninguém viu ou comentou durante o Pan simplesmente porque foram ignoradas - principalmente se não havia brasileiro. Queremos exaltar nossas vitórias, massagear nossa auto-estima, e encontrar desculpas para as derrotas.

Agora entendo porque alguns insistem chamar a competição de Pan do Brasil… Nele, os demais países não têm vez mesmo.

Uma vaia pra torcida brasileira

Posted by escriba on 23 Jul 2007 | Tagged as: brasil, comportamento, esporte

E a torcida brasileira no Pan do Rio, heim? Que vergonha. Vaiam adversários durante as provas (o Sportv chegou a tirar o som do estádio durante a decisão, nesta segunda, do salto com vara feminino, porque o pessoal vaiou muito a americana que disputava o ouro com a brasileira), provocam os americanos com gritos de Osama! Osama!, incitam brigas nas arquibancadas (os cubanos quase foram linchados durante as lutas finais do judô). É triste. E ainda contam com a ajuda de nomes importantes como Oscar, ídolo do basquete, que puxou vaias nas provas de ginástica. Desde 1980 acompanho as Olimpíadas e desde 1983, os Jogos Pan-Americanos, e NUNCA VI algo parecido. E ainda tem quem defenda a realização de Jogos Olímpicos por aqui…

Como bem diz Juca Kfouri, brasileiro não gosta de esportes, gosta do seu time. Ponto.

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Passei a noite de sábado comparando os resultados da natação brasileira no Pan com os melhores do ano, segundo o ranking da Federação Internacional de Natação (Fina). Fiquei com preguiça de publicar naquela madrugada o que levantei e hoje, quando ia subir o texto, li na Folha Online uma matéria muito semelhante. Faz parte.

Eles compararam os tempos dos medalhistas brasileiros na natação do Pan (foram 27 medalhas, 12 delas de ouro) com o Mundial da modalidade realizado no início do ano em Melbourne, na Austrália, revelando que apenas César Cielo seria campeão com o tempo que obteve no Rio na prova dos 50 metros livre.

Segundo o levantamento que fiz, a maior parte dos tempos obtidos nas provas de natação no Pan do Rio não estão entre os 10 melhores do ranking da Fina. As exceções são os brasileiros César Cielo (segundo melhor tempo no ano nos 50 metros livre e décimo nos 100 metros livre), Thiago Pereira (quarto tempo do ano nos 200 e 400 metros medley, e oitavo nos 200 metros costas) e Kaio Márcio (quinto tempo do ano nos 200 metros borboleta e nono nos 100 metros borboleta), e o revezamento 4 x 100 medley masculino brasileiro, que fez o quinto tempo do ano na prova realizada no Rio de Janeiro. São nossas melhores chances de medalhas nas Olimpíadas de Pequim ano que vem. Os jornalistas-mutley (medalha, medalha, medalha) fazem análises diferentes na TV - dizem que a chuva de medalhas pan-americanas prova que a natação está na ponta dos cascos para 2008. Balela. Eles, como a nossa torcida, não gostam de esporte; querem medalhas. E só.

Pan de barro

Posted by escriba on 16 Jul 2007 | Tagged as: esporte

Tem gente espantada com a pouca atenção dada ao Pan por parte da mídia esportiva americana. A grande potência esportiva mundial está cagando e andando para o evento do Rio e não é para menos. Os EUA enviaram ao Brasil basicamente seus atletas juvenis, com raras exceções. Canadá fez o mesmo. Nem Cuba mandou seus principais nomes, com índice de renovação próxima de 80% em relação ao grupo que esteve em Santo Domingo, em 2003. Os Jogos Pan-Americanos são uma competição classe B, espremidos entre os Jogos Olímpicos e campeonatos mundiais de diversas modalidades - esses dois últimos têm a preferência da maioria dos atletas, tanto por ter um nível mais alto como também por pagar melhor. O Pan é usado mais como campo de testes aos atletas menos experientes. Sad but true.

Ok, vamos fazer a maior festa para cada medalha conquistada no Rio, locutores e comentaristas esportivos estão dando vazão a todo seu fetichismo, parecem até o Mutley, cachorrinho do Dick Vigarista que só pensava em uma coisa: medalha, medalha, medalha! É o que o povo quer, mas que isso não mascare a realidade esportiva brasileira.

Em 2003, fiz uma matéria para a Reuters mostrando que o resultado em Santo Domingo significava pouco ou nada em termos olímpicos. O recorde de medalhas conquistado na República Dominicana - 122, das quais 28 de ouro - basicamente não teria influência nenhuma nos Jogos Olímpicos do ano seguinte, em Atenas (2004). Consultei os principais resultados oficiais de cada categoria e constatei que as conquistas em Santo Domingo se deram principalmente porque enfrentamos adversários muito fracos. Não deu outra: na Grécia, foram 10 medalhas (cinco de ouro, duas de prata e três de bronze). Ok, conquistamos o maior número de medalhas de ouro numa edição e pela primeira vez ficamos entre os 20 melhores países (o Brasil foi 16o. em Atenas), mas a euforia que tomou conta do país após Santo Domingo parecia que íamos pras cabeças, disputar com EUA, Rússia e Cuba. Menos, bem menos.

Pior aconteceu anos antes, após o Pan de Winnipeg (no Canadá em 1999). Lá também batemos o recorde de medalhas conquistadas (foram 101, das quais 25 de ouro) mas na Olimpíada de Sydney foi aquela ducha de água fria - nenhum ouro.

Ainda é cedo pra saber se o Brasil vai bater o recorde de Santo Domingo, mas a história diz que sim. Tradicionalmente, o país-sede de um evento esportivo consegue um número bem maior de medalhas do que a média obtida nos anos anteriores, em competições realizadas fora. Na edição seguinte, o número de medalhas volta ao patamar anterior. Cheguei a essa conclusão estatística depois de consultar as tabelas de todas as edições de Pan e Jogos Olímpicos, e não falha.

A República Dominicana nunca conquistou tantas medalhas quanto em Santo Domingo em 2003, a Austrália também bateu seu recorde nos Jogos Olímpicos de Sydney, e a China certamente vai nadar em ouro em Pequim em 2008 (já quase surpreendeu os EUA em Atenas). Quando o Brasil foi sede dos Jogos Pan-Americanos de 1963 (em São Paulo), também se beneficiou disso. Naquela edição, o Brasil conquistou cerca de 150% a mais de medalhas do que na edição anterior, em 1959, em Chicago, nos Estados Unidos. Na cidade americana, os atletas brasileiro obtiveram 22 medalhas (oito de ouro, oito de prata e seis de bronze). Em São Paulo, quatro anos depois, esse número pulou para 54 (15 de ouro, 20 de prata e 19 de bronze). Quatro anos depois do Pan de São Paulo, o total caiu drasticamente. Em Winnipeg, no Canadá (em 1967), foram 26 medalhas (11 de ouro, dez de prata e cinco de bronze). Essa queda no número de medalhas depois de ser a sede também é regra, mas em geral o país ainda mantém uma certa gordura, conquistando mais medalhas do que a média anterior.

Como entender esse fenômeno? São vários os motivos: as confederações olímpicas nacionais investem mais em seus atletas pra não fazer feio em casa, os atletas ficam mais empolgados por atuarem diante da torcida, o apoio das arquibancadas, a pressão que os árbitros sofrem, enfim, de tudo um pouco.

O Brasil pode bater mais uma vez, agora no Rio, o recorde de medalhas conquistadas em Pans, ficando em terceiro lugar no quadro geral de medalhas (atrás apenas dos EUA e de Cuba, na frente do Canadá), mas isso não deveria inflar muito o ego esportivo nacional. Não ajuda em nada. Devagar com o andor olímpico, porque o santo do Pan é de barro.

Pan do Brasil é o escambau, o Pan é do Rio!

Posted by escriba on 11 Jul 2007 | Tagged as: blog, esporte

Geralmente sou avesso a bairrismos, mas essa campanha do Tutty Vasques é uma peça de resistência à mania da Rede Globo de sempre manipular os fatos, a história, os costumes, para atender seus objetivos. O Escriba, que nasceu no Leblon, foi criado em Botafogo e se perdeu em São Paulo, se junta assim a outros blogs na campanha contra a desfaçatez global. Eles já ignoraram as Diretas Já, o primeiro Mundial de Clubes da Fifa, as ambulâncias do Serra e o filho bastardo do FHC, mas o Pan do Rio não!!!

A propósito: vi lá no blog Subversivos que o André Dahmer, dos Malvados, tem um mascote para o Rio bem mais interessante que o insosso Cauê.  Nervoso…

De bobó

Posted by escriba on 14 Jun 2007 | Tagged as: civilização, egotrip, esporte

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Toda casa deveria ter uma boa rede. Varanda também. Naquele balanço molenga, as idéias clareiam, o corpo relaxa e o tempo, vagaroso, chega às raias do infinito. É a pedida certa depois de um estupendo bobó de camarão com arroz de açafrão como o servido generosamente na casa do meu tio Quinho, na Barra. E a rede me recebeu de panos abertos.

Tio Quinho nunca mediu esforços para promover a felicidade geral e irrestrita. No dia anterior, fomos eu, ele e meu pai a Itaboraí onde tem um pequeno terreno numa localidade conhecida como Pacheco. Lá, arrumou um cantinho para Dona Penha, seu marido, filha e netas, que sem a ajuda certamente engrossariam a legião de perdidos na noite suja carioca. Fiquei pasmo de ver a dignidade que teto, terra e solidariedade confere às pessoas. São pobres, mas não miseráveis. Dona Penha, 74 anos, ficou viúva e sem conseguir a tão sonhada aposentadoria, pediu socorro. Levamos duas cestas básicas e papeamos um pouco. Apesar da casa ser diminuta e o mato estar alto, o que mais vi lá foram belos sorrisos, brancos, fortes. Advogado, meu tio prometeu ajudar D. Penha a conseguir a aposentadoria (quiçá até uma bolsa-família) e ainda vai pagar um cara para capinar a área, pra que ela possa plantar feijão, batata, couve.

Saí de lá com a sensação de que o mundo ainda não está totalmente perdido.

Paramos para almoçar num restaurante italiano, o Buonasera, às margens da rodovia BR-101, que fica dentro de um forno de tijolos de uma antiga olaria. O lugar tinha sido abandonado, o atual dono viu, gostou, tomou posse e montou o restaurante. Serviço e comida de primeira.

Seguimos para Campo Grande, visitar um outro tio meu, o Celsinho, que está meio caído, com problemas de saúde e na família. Antes, passamos na casa de um amigo deles dos bons e velhos tempos do bairro, Oswaldo, casado com uma prima de meu pai, a Lia. Papo vai, papo vem, tentamos convencer Celsinho de ir ao Chope da Vila, bar de Campo Grande que tem cerveja artesanal, deliciosos bolinhos de bacalhau, sambas, choros e boleros saindo dos alto-falantes e inúmeras fotos antigas do bairro, como essa abaixo do time local (o grande campusca!) em formação de 1962 - o goleiro é meu pai, que todo orgulhoso recitou o nome dos companheiros ao seu lado. Celsinho não foi. Pena. Foi divertido.

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(o trio de coroas mais arruaceiro de Campo Grande - Jorginho, Quinho e Oswaldo)

Sentido da vida

Posted by escriba on 12 Apr 2007 | Tagged as: esporte

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Ser eliminado na semifinal do Carioca novamente nos pênaltis, com Romário desperdiçando outra oportunidade de marcar o milésimo gol no Maracanã (e num jogo que teve 8 gols no tempo normal, fora os da disputa de pênaltis!), só pode ser um sinal cósmico. Sinal de que o jabba the hut de São Januário vai cair, Roberto Dinamite assumir a presidência do Vasco na próxima eleição e, em seu primeiro ato, lançar o projeto Romário Gol 1.000: montar um belo time para ser campeão brasileiro em 2007 e resguardar o vetusto atacante para os jogos finais, quando enfim atingiria a tão sonhada marca. No Maracanã, claro.

Só pode ser isso. Ou então a vida é mesmo uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, significando nada…

Futebol filosófico

Posted by escriba on 05 Apr 2007 | Tagged as: esporte, filmes, humor

Um dos esquetes mais engraçados e geniais do Monty Python: Grécia e Alemanha se enfrentam num jogo de futebol entre filósofos. Detalhe para a decepção do locutor com Marx, que entrou no segundo tempo e nada fez para mudar o jogo. As reclamações dos jogadores alemães com o juiz, Confúcio, após o gol grego também são de rachar o bico.

C’est la vie

Posted by escriba on 26 Mar 2007 | Tagged as: esporte

Andrada, goleiro do Vasco, tomou o gol mil de Pelé e entrou para a história. Bruno, goleiro do Flamengo, defendeu o gol mil de Romário e em dez anos, se muito, ninguém lembrará dele…

Novo patrocinador do São Paulo F.C.

Posted by escriba on 16 Mar 2007 | Tagged as: esporte

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Parece que a mudança no uniforme foi exigência da empresa, para realçar o lado fofo dos jogadores.  Só falta pintar o Morumbi de rosa…

Vice da Gama

Posted by escriba on 15 Mar 2007 | Tagged as: esporte

Sou vascaíno com muito orgulho, mas não posso deixar de divulgar o que parece ser a razão dessa zica que atazana a vida do meu querido clube de futebol. Veja abaixo.

Se bem que, se Eurico saísse, já resolveria 90% dos problemas…

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Que onda

Posted by escriba on 14 Feb 2007 | Tagged as: bizarro/curiosidade, esporte, internet

Surfe dinamite tem tudo pra ser a nova mania da Europa. (Viral da Quicksilver)

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