energia

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Verdinhas pelo verde, a boa notícia que queremos ler

Posted by escriba on 17 Nov 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, economia, energia, imprensa, politica

Arnold Schwarzenegger pode estar bem cotado para ser o homem da energia de Obama, mas não corre sozinho nessa disputa. Outro nome meio óbvio é o de Al Gore. Após a derrota pro Bush Jr. em 2000, ganhou destaque mundial explorando o tema convenientemente e hoje tem uma das propostas mais audaciosas quando o assunto é remodelação da forma como produzimos e consumimos energia para enfrentar as mudanças climáticas, o projeto Repower America. Em linhas gerais, prevê a geração de 100% da energia consumida nos EUA por meio de fontes renováveis - basicamente eólica (27%), solar (16%) e eficiência energética (28%) - num prazo de 10 anos. Biocombustíveis e energia geotérmica teriam seu espaço também, com 3% cada. Nenhuma hidrelétrica ou usina nuclear seria construída no período, ficando as atuais com 23% do novo cenário. Em 2019, nada de petróleo ou carvão. Não é fraco não.

O projeto é bem próximo ao proposto pelo Greenpeace e Conselho Europeu de Energias Renováveis, o [R]evolução Energética, tecnica e politicamente, já que vê uma imensa oportunidade na crise gigante que surfamos sabe-se lá como.

Se os americanos são bons mesmos em fazer dinheiro, mesmo quando ele é escasso, a hora é essa. As ações de empresas do setor estão fervilhando. Na ressaca da orgia do capital especulativo, talvez testemunhemos novos tempos de investimentos voltados prioritariamente à produção do bem, que permitirá gerar empregos e renda. A ONU já cantou a pedra: milhões de empregos podem ser gerados até 2030 com investimentos em energias verdes. A recessão já vem provocando o curioso movimento de deixar algumas empresas mais verdes - como tem feito com a indústria de eletrônicos.

Seja com Schwarzzie ou Gore, quero ver as doletas verdinhas salvando o planeta, não apenas depredando-o em benefício próprio. Compartilho da utopia promovida pelo pessoal do Yes Man, quero ver um NYT recheado de boas notícias - o que não significa que serão fáceis. Nem perfeitas. Que sejam honestas, já basta.

Quem quiser conferir a íntegra da edição fake do NYT, só com notícias que gostaríamos de ver publicadas, acesse nytimes-se.com.

No vídeo abaixo, vc saberá como foi engendrada essa ação genial, bem como verá um representante do NYT ficar putinho (1min22s) ao ser questionado sobre Judith Miller, quando defendia a posição do jornal na cobertura da guerra do Iraque.


New York Times Special Edition Video News Release - Nov. 12, 2008 from H Schweppes on Vimeo.

New Deal ecológico nas mãos do Exterminador do Futuro?

Posted by escriba on 14 Nov 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, economia, energia

Às vésperas do encontro das 20 maiores economias do mundo, a ONU conclamou os líderes desses países a aderirem a um acordo global para investir pesado em programas ambientais, que podem ajudar a levantar a economia no planeta. O Greenpeace está pressionando o G20 também na mesma linha, assim como outras ONGs ambientalistas. Ao contrário do que diz o vira-casaca do Patrick Moore, o ambientalismo não é pautado pelo medo, mas por mudanças de paradigma. A indústria e os governos foram incapazes e, agora, com a crise batendo à porta, acho que vão finalmente acordar para a realidade.

Com a derrocada de Bush Jr. e sua gangue neocon, as chances de um acordo amplo para enfrentar as mudanças climáticas são enormes. Barack Obama tem cacife para tal e já disse que pretende reestruturar a matriz energética americana com renováveis. E como sabemos, pra onde for os EUA, o mundo vai atrás. Até a bíblia da indústria energética, o World Energy Outlook, segue nessa linha. A economia verde está na bica de se tornar mainstream, e o Brasil tem tudo pra sair na bem na foto, basta vontade política. Artigo de Washington Novaes, publicado hoje no Estadão, explica.

E por falar em energia, um dos nomes mais fortes para assumir o comando dessa área na gestão Obama é ninguém menos que Arnold Schwarzenegger! O governador da Califórnia leva vantagem sobre nomes como Al Gore porque não ficou apenas no discurso, foi lá e fez muito pela adoção de energias renováveis em seu estado, combatendo as emissões de CO2 de forma incisiva. E olha que o Gore está com um projeto audacioso pacas, de mudar radicalmente a forma como os americanos produzem e consomem energia no país. Pelos planos dele (que estão todos no site Repower America), os EUA estariam produzindo 100% de energia por meio de fontes renováveis em 10 anos! Não pouca coisa não… Mas o trabalho de Schwazzie na Califórnia é foda, confira aqui.

Agora, que situação, não? Colocar o destino do planeta nas mãos logo do Exterminador do Futuro??

Revolução Energética, a missão

Posted by escriba on 28 Oct 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, energia

Saiu a segunda edição do estudo [R]evolução Energética, do Greenpeace, que mostra o potencial das energias renováveis. Segundo o relatório, já teríamos todas as condições para produzir 50% de toda a energia necessária para mover o planeta por meio de fontes limpas, mas só produzimos 13%. O lobby do petróleo, carvão e nuclear são fortes e ainda dão as cartas, mas até gigantes como a BP e a Shell já perceberam a força das renováveis e estão investindo pesado nelas também - são empresas poluidoras, mas ainda não rasgam dinheiro…

Despressurizando

Posted by escriba on 24 Oct 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, energia, filmes

Não sei se estou cansado. De volta a SP, depois de 30 horas no ar, ligado na ação em Salvador, sinto um misto de cansaço, sentimento de missão cumprida e um pouco de desapontamento - isto mais pelo pouco espaço que consegui na mídia, apesar de ter perturbado os caras…

A atividade foi tranqüila, a turma reunida era 100%, tivemos o controle de tudo e nossas imagens ficarão ducaralho (fotos aqui e filmes abaixo). Foi, juntamente com a brasília amarela “radioativa” que colocamos em frente ao Palácio do Planalto, a melhor ação da qual participei no Greenpeace. A gente tinha tamanho controle da situação que lá pelas tantas fomos até saudados pelas autoridades de trânsito! Tirando a parte final, já na manhã de quinta, quando a movimentação aumentou pelas ruas, passamos quase despercebidos pela principal via de acesso da cidade. E tudo, pinturas e placas, estavam nos mesmos locais até hoje de manhã, segundo me confirmou o taxista que me levou pro aeroporto. Demos o recado! Se vacilar, fica até depois das eleições, domingo - ou até o próximo carregamento de urânio que está previsto para os próximos dias…

Tive uma noite boa de sono ontem, tão boa que acordei um pouco mais tarde hoje (9h30) e perdi a chance de dar um tchibum na praia de Piatã, onde estávamos hospedados. Fiquei zumbizando pela casa, já vazia, até a hora de ir pro aeroporto. Agora, vou ficar de molho, porque fim de semana vai ser com a tropa e tenho que estar em forma pra guentar o tranco.

Ah, sim, conforme havia prometido, aqui vão os filmes que fizemos. O primeiro é o, digamos, institucional da atividade. Já o segundo é do caveira guy, que se amarra num urânio. Acho que dá uma idéia de quanto nos divertimos com esse cara por lá! Grande Marco!

Amarelinha na Bonoco

Posted by escriba on 23 Oct 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, boca no trombone, energia

Não teve polícia, chuva ou incêndio que derrubasse a ação que mandamos em Salvador, quase 6 quilômetros de sinais e placas amarelas pela avenida Bonoco (principal via de acesso à capital baiana), alertando para o perigo radioativo do transporte de urânio de Caetité até o Porto de Salvador. A equipe tava entrosada e deixou a mensagem redondinha pela cidade. Uma vez no porto, conseguimos bons depoimentos de estivadores que revelam a total falta de segurança no carregamento do yellow cake para o Canadá. Em breve, no youtube mais próximo de vc!

Ainda não dormi, estou 29 horas no ar - com intervalos para cochilos rapidos - e com a imprensa pra atiçar pro problema. Record, A Tarde, TV Aratu/SBT, Globo, TVE BA, Correio, tão engatilhados,  Hoje o A Tarde veio com nova matéria com as lamurias da INB - responsável pela mina de urânio em Caetité.

Até agora, a estatal se limitou a fazer um forte trabalho de relações públicas - visitou a redação do A Tarde, tem circulado um carro de som por Caetité com musiquinha falando que urânio não faz mal e é natural… Mas se ela não se mexe para identificar o problema da contaminação radioativa da água em Caetité e dar assistência à população, o Ministério Público Federal está fazendo sua parte: marcou audiência pública na cidade do sertão baiano pro dia 6 de novembro, para a INB dar explicações e ouvir o que a população tem a dizer.

Enquanto isso, em Salvador City, a avenida Bonoco é um mapa ao ar-livre para a população identificar por onde ronda o perigo. As placas e sinais pintados no asfalto ficarão um bom tempo ainda visíveis para todos, pelo menos até o fim do rush da tarde. Melhor, impossível. Capaz de alguma placa sobreviver até mais tempo… Energia nuclear tem um ciclo perigoso e sujo: no início (mineração), meio (transporte, beneficiamento e enriquecimento) e fim (lixo radioativo).

No site do Greenpeace, algumas fotos da ação!

Salvador é logo ali

Posted by escriba on 22 Oct 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, boca no trombone, energia

Na esteira da denúncia que o Greenpeace fez semana passada, de contaminação da água de Caetité (BA) por urânio, vim pra capital baiana para uma atividade que vai expor um pouco mais os perigos do ciclo nuclear no Brasil. Um calor do cão, hospedado em frente à praia sem poder dar um tchibum, expectativa total. Ontem teve mais uma matéria da Record sobre Caetité, contando a reação das pessoas e a movimentação do Ministério Público para investigar o caso.

O mais incrível: a primeira iniciativa da estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB), responsável pela mina de urânio em Caetité, não foi conferir a qualidade da água ou dar explicações à população local. Preferiu fazer relações públicas, e da maneira mais tosca possível, circulando pela cidade um carro de som com um jingle que afirma que o urânio é bom, natural e não faz mal, “e ainda contribui para resolver o aquecimento global”.

Se o problema todo fosse só a rima ruim…

Vampiro de energia

Posted by escriba on 20 Oct 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, comportamento, consumo, energia

Que o famigerado stand-by sugava energia pacas, eu já sabia. Mas não tinha idéia do quanto até ver esse vídeo. É assustador. Uma régua de energia, daquelas que tem várias tomadas e pode ser desligada quando os aparelhos não estiverem em uso, já ajuda a conter esse desperdício.

O lado bom da crise

Posted by escriba on 16 Oct 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, boca no trombone, energia

Esta semana foi pra lá de corrida pra mim no Greenpeace, por conta de uma coletiva que ajudei a organizar para divulgar o relatório Ciclo do Perigo, sobre os impactos da produção do combustível nuclear no Brasil. Mas valeu à pena: o evento rolou hoje e foi um sucesso, com ampla divulgação.

O relatório trouxe uma denúncia de contaminação da água potável de Caetité, no sertão baiano, por urânio, minério que é extraído da região pela estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB). Os casos de câncer e outras doenças são altíssimos por lá e a empresa diz que tá tudo bem (novidade…). O caso ganha ainda mais importância se levarmos em conta que o governo Lula pretende ampliar o programa nuclear brasileiro, construindo não só Angra 3 mas também outras dezenas de usinas pelo país, o que ampliaria a mineração de urânio no país - principalmente no interior da Bahia e no Ceará.

A denúncia do Greenpeace mostra que a energia nuclear é suja do início (mineração de urânio) ao fim (lixo nuclear), e que os defensores dessa tecnologia não estão nem aí para o bem-estar das pessoas e do meio ambiente.

Mas se o bom-senso não tem força para interromper essa loucura nuclear, a crise financeira provavelmente terá. Os sinais de que o tal renascimento da indústria nuclear em todo o mundo não passa de um grande esforço de marketing são cada vez mais evidentes. A própria Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) já admite isso. Semana passada, um economista da instituição aconselhou o governo do Quênia a estudar melhor as necessidades energéticas de longo prazo do país antes de construir usinas nucleares, afirmando que poderá “encontrar muitos problemas em financiar uma planta nuclear devido às delicadas condições financeiras internacionais”.

Já o secretário de Energia dos Estados Unidos, Samuel Bodman afirmou durante visita à França que a crise financeira global pode ter impacto no tal “renascimento nuclear”. Segundo ele, projetos de longo prazo como a construção de usinas atômicas “são aqueles que serão os mais difíceis de financiar”.

Para entender porque a energia nuclear não é solução para as necessidades energéticas do mundo, ainda mais agora em tempos de recessão mundial, sugiro a leitura do artigo Nuclear isn’t necessary (Nuclear não é necessário), de Arjun Makhijani, presidente do Instituto para Pesquisa em Energia e Meio Ambiente, publicado no início de outubro no site da Nature. Makhijani é também autor do livro Carbon-Free and Nuclea-Free: A Roadmap for US Energy Policy (Sem Carbono e Sem Nuclear: um Mapa do Caminho para a Política Energética Americana).

A hora de pressionar políticos e empresas é agora! O dinheiro vai ficar cada vez mais curto e desperdiçá-lo em projetos que nada contribuem para o nosso desenvolvimento sustentável não é admissível.

O segundo ocaso da energia nuclear

Posted by escriba on 03 Oct 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, boca no trombone, energia, imprensa

Artigo de Rogério Cezar de Cerqueira Leite, professor emérito da Unicamp e presidente do Conselho de Administração da ABTLuS (Associação Brasileira de Tecnologia de Luz Síncrotron), publicado nesta sexta-feira na Folha de S. Paulo. O tiozinho mandou ver!

Foi na década de 1960 que a energia nuclear surgiu como glorificada promessa de energia barata, inesgotável, segura e limpa. O primeiro ocaso da energia nuclear ocorreu após os acidentes de “Three Miles Island” (EUA) e “Tchernobil” (Ucrânia) e subseqüentes discussões sobre segurança e resíduo nuclear.

Essas foram as observações que provocaram a revisão da opção nuclear.

Todavia, as verdadeiras razões para a sua rejeição foram de ordem econômica. Tanto os custos do potencial (MW instalado) como o da energia (MWh) se mostraram entre três e quatro vezes mais elevados que aqueles inicialmente esperados. Pois bem, é verdade que as condições externas mudaram, o que justifica um reexame da opção nuclear. As conseqüências catastróficas, já evidentes, do aquecimento global e o aumento dos preços dos combustíveis fósseis seriam certamente suficientes para justificar uma reavaliação.

Como conseqüência, apesar de não ter necessidade de uma contribuição térmica elevada, passou o Brasil à frente dos países industrializados, lançando um ambicioso, para não dizer megalomaníaco, programa de usinas nucleares.

Baseado nos dados da Eletronuclear, o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) anunciou a implantação de 60 mil MW e investimentos de R$ 360 bilhões, o que corresponde a um preço de US$ 3.500 por kW (supondo US$ 1 = R$ 1,7), além das três usinas de Angra e outras quatro já programadas.

Das 17 companhias americanas de geração com planos para adicionar usinas nucleares, apenas uma -ou talvez duas- deverá ser comissionada até 2015. Essa era a data final para muitas das referidas companhias.

A conclusão é do relatório da Moody’s Investor Service, que calculou um valor entre US$ 5.000 e US$ 6.000 para o kW núcleo elétrico em 2007. No caso concreto do único contrato fechado, Flórida Power, para a Usina Turkey Point, o kW deverá ficar em US$ 8.000, “caso não haja novos aumentos de custos de materiais, forjaria, equipamentos e mão-de-obra”.

A discrepância entre os dados de custos nos EUA e no Brasil são flagrantes. Como o setor nuclear brasileiro não erra jamais, podemos concluir que as empresas americanas não sabem fazer bons negócios. Tivessem contratado a Eletronuclear, o preço do kW sairia por menos da metade.

Há apenas dois anos, a indústria nuclear falava em US$ 2.000 o kW.

Como se vê, a história se repete. Eis por que não são poucos os analistas que prevêem o “segundo ocaso da energia nuclear”.

Por outro lado, a comparação pertinente para o Brasil só pode ser com a hidroeletricidade, e o parâmetro adequado não é mais o preço do kW, mas o do kWh, pois há uma grande disparidade entre os fatores de uso (utilização etc.) de cada tecnologia (percentual do tempo em que a usina está em operação).

Tomando o fator de uso mais otimista possível (87% mencionado para Angra 3, porém inatingível em qualquer parque nuclear do mundo, inclusive no de Angra), o MWh nuclear custaria hoje R$ 180, de acordo com os cálculos irretocáveis de J. Carvalho (os dados básicos são aqueles fornecidos pela Eletronuclear). Usando o mesmo roteiro, J. Carvalho calcula para a hidroelétrica de Belo Monte (fator de uso de 40%) R$ 39/MWh, e, para Santo Antônio e Jirau (fator de uso de 50%), R$ 77/MWh.

E é bom lembrar que os valores de custos para a opção nuclear aqui mencionados não incluem o descomissionamento do reator (alguns especialistas afirmam que será de cerca de 50% daqueles da instalação) e o da contenção do rejeito nuclear (lixo), que ninguém é capaz de adivinhar. Isso tudo fica para nossos filhos, netos e as próximas 50 gerações pagarem.

Aliás, os técnicos brasileiros fizeram uma grande descoberta. Pensava-se até recentemente que o lixo nuclear fosse composto de uma série de isótopos com tempos de vida (período em que a radioatividade decai à metade de seu valor inicial) variados. (Por exemplo, o césio 135, com 3 milhões de anos, o césio 137, com 33 anos, o iodo 129, com 17 milhões de anos, o iodo 131, com apenas oito dias, e dezenas de casos intermediários.) Pois não é que os brasileiros descobriram que nos dez primeiros anos a radioatividade cai a 1% do inicial? Nos próximos dez anos, a 0,01% e assim por diante, como se o lixo fosse composto de um único isótopo. Tenho pena desses apoucados americanos e europeus gastando bilhões para resolver o caso do lixo nuclear.

Talvez porque eles se sintam responsáveis pelas próximas dezenas de gerações que serão soterradas por lixo nuclear, enquanto nós, brasileiros, podemos dormir de consciência tranqüila, pois nossos técnicos sabem que, no Brasil, o decaimento da radioatividade é tão rápido que em poucos anos estará neutralizado.

Ambientalismo marca dois golaços

Posted by escriba on 10 Sep 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, boca no trombone, civilização, energia

O meio ambiente obteve duas belas vitórias nesta quarta-feira, que sinalizam importantes mudanças no paradigma de desenvolvimento em voga até o momento. Nos Estados Unidos, a Apple anunciou uma nova linha de iPods que traz como principal novidade o fim do uso de substâncias tóxicas como PVC, mercúrio e retardantes de chamas a base de brominato. Na Inglaterra, a Justiça absolveu seis ativistas do Greenpeace que bloquearam em 2007 uma usina termelétrica a carvão sob a alegação de que eles agiram em defesa do meio ambiente.

São vitórias significativas. A Apple há tempos vinha sendo criticada por ambientalistas por não dar atenção necessária à questão do uso de substâncias tóxicas em seus produtos e à necessidade de se criar um programa global de reciclagem. Steve Jobs chegou a dizer que a preocupação dos ambientalistas era bullshit, mas se mexeu e exatos dois anos depois do lançamento da campanha Green My Apple, do Greenpeace, mostra todo orgulho ao mundo seus iPods verdes. Clique aqui para ver as principais críticas ambientais feitas aos produtos Apple e aqui para ver os compromissos ambientais assumidos pela empresa.

Com o anúncio de hoje é bem provável que a Apple suba algumas posições no Guia de Eletrônicos Verdes do Greenpeace - na oitava edição, lançada em junho passado, ficou numa modesta 11a. posição, em 18 possíveis.

Emily, Kevin, Tim, Will, Ben e Huw

O caso da decisão da corte inglesa de absolver os ativistas do Greenpeace que bloquearam a usina termelétrica a carvão de Kingsnorth, em Kent, é ainda mais emblemático dos novos tempos guiados pelo respeito ao meio ambiente que deveríamos seguir daqui pra frente. Foi a primeira vez que a alegação de prevenção de danos provocados pelas mudanças climáticas foi usada em um tribunal. A defesa dos ambientalistas acusados de invasão e danos à propriedade privada contou com depoimentos de cientistas como James Hansen, diretor da Nasa que auxiliou o ex-vice-presidente americano Al Gore na produção do filme Uma Verdade Inconveniente.

Hansen explicou à corte que mais de um milhão de espécies serão extintas por causa das mudanças climáticas e que só a usina de Kingsnorth, que emite 20 mil toneladas de CO2 por dia, seria responsável pelo fim de aproximadamente 400 delas. O professor disse também que concorda com Al Gore quando o ex-presidente afirma que todos deveriam se acorrentar às usinas de carvão para impedir o seu funcionamento. “Alguém tem que começar a dizer basta às centrais elétricas de carvão”, afirmou o professor durante seu depoimento.

Para Emily Hall, uma das ativistas que se acorrentou às chaminés da usina de Kingsnorth, o resultado do julgamento foi histórico. “Não éramos os únicos na cadeira dos réus, as usinas a carvão também estavam sendo julgadas e elas foram condenadas.”

Ok, são duas vitórias em meio a um monte de derrotas - Angra 3, aprovação de algodão transgênico, EUA e Rússia querendo prospectar petróleo no Ártico, soja e gado invadindo a Amazônia - mas se é pra morrer, pelo menos que seja com as botas calçadas.

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