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Posted by escriba on 10 Oct 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, carro, comportamento, consumo
Quer emagrecer? Em vez de dietas malucas, que tal circular pela sua cidade a pé, de bicicleta ou em transporte público? É o que defende o pessoal do Transportation Alternatives, que prova por A + B que onde o carro é menos usado, as pessoas são mais magras e sadias. De quebra vc ajuda a deixar sua cidade mais bonita, menos poluída e barulhenta, e ainda contribui para evitar as mudanças climáticas.
Peguei a dica lá no Blog do Planeta.
Posted by escriba on 19 Aug 2008 | Tagged as: carro, jogos

Dizem que a vida imita a arte - mas os jogos eletrônicos são boa referência também, como revela meu camarada Edu em um post brilhante lá no Sierra Maestra (tinha que vir de um aficcionado pelo GTA)
Posted by escriba on 14 Aug 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, carro, civilização, imprensa, politica
A entrevista abaixo com Hermínia Maricato, professora, arquiteta e ex-secretária de Habitação da prefeitura de São Paulo (gestão Luiza Erundina, PT), foi feita para um jornal da grande imprensa mas acabou engavetada. Como quem tem amigo não morre pagão, caiu nas minhas mãos e faço questão de publicar. Só não entendi porque o material não foi aproveitado no site do jornalão…
Maricato vai direto ao ponto: a gente dá muita atenção para soluções cosméticas, como a Lei Cidade Limpa, enquanto coisas muito mais importantes ficam em segundo plano.
A professora lembra que, enquanto brincamos de limpar as fachadas da cidade (o que na prática é totalmente falso…), mal conseguimos nos locomover, respiramos ar poluído, bebemos água podre e ignoramos a situação de 1 milhão de pessoas que moram em favelas construídas em áreas de proteção ambiental simplesmente por não terem onde morar na cidade. Priorizar a retirada de anúncios das fachadas no meio de tudo isso é “ridículo”, diz Maricato.
Como é ridícula também a falta de coragem dos políticos de tomar medidas duras para resolver alguns desses problemas. Veja o Kassab, por exemplo: ensaiou o envio de um projeto de lei à Câmara Municipal de SP instituindo o pedágio urbano na cidade, como parte da Política Municipal de Combate às Mudanças Climáticas, mas já desistiu - em ano de eleição, provavelmente ficou com medo de perder votos dos milhões de motoristas paulistanos. Faz tempo que acho que a medida é uma das melhores medidas para diminuir o tráfego de automóveis particulares pela cidade - juntamente com o rodízio ora em voga. Em Londres rola desde 2003.
Mas enfim, vamos à entrevista:
A professora e arquiteta e ex-secretária da habitação da prefeitura de São Paulo na gestão Luiza Erundina (PT), Hermínia Maricato fala nessa entrevista sobre a Lei Cidade Limpa de São Paulo. Segundo ela, é ridículo a cidade colocar essa limpeza como prioridade enquanto outras limpezas, como a do ar e da água, e outras necessidades, como a mobilidade, ficam em segundo plano.
No começo deste ano Hermínia lançou o livro “Brasil, Cidades: Alternativas para a Crise Urbana”, publicado pela Editora Vozes. Ela é professora da Faculdade de Arquitetrua e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP).
Como a sra. avalia a Lei Cidade Limpa?
A questão vista isoladamente evidentemente é muito virtuosa. A lei se propõe a fazer uma despoluição visual na cidade, na paisagem urbana. E é interessante. Claro que, até mesmo olhando isoladamente, nós não deveríamos nos ater apenas aos anúncios, mas a toda instalação elétrica, que é ultra poluidora, à quantidade de fios, postes, o próprio calçamento, enfim normatizar um pouco muros, cercas, calçadas. O problema é quando, no contexto da cidade, essa lei ganha prioridade. É simplesmente ridículo.Por que ridículo?
Porque você tem metade da cidade na ilegalidade. Então ele é um programa por excelência que segue uma orientação na gestão urbana no Brasil, que dialoga com a cidade legal, com a cidade da elite, com a cidade formal. Quando você tem metade da cidade na ilegalidade, acho que é preciso discutir como vai se aplicar a lei. Como você vai aplicar a lei só nas fachadas e numa parte da cidade? E se tenho 10% da população morando em favelas, por exemplo.Mas aí questão não se torna mais difícil, mais complexa?
Claro que é uma tarefa complexa. Não é uma tarefa para uma gestão. Mas quando nós vamos ter uma lei efetiva em cidades como as nossas? Porque torná-la efetiva apenas nas fachadas, apenas em relação aos anúncios? Eu diria que é um governo de fachada, uma sociedade de fachada. Não que a gente não deva se preocupar com as fachadas. As fachadas são importantes em várias cidades do mundo e também no Brasil. Se você for para São Luiz do Paraitinga, existe uma recuperação que aumenta a auto-estima dos moradores, não só recuperação de fachada. A recuperação de fachada na França é matéria constitucional.As fachadas são importantes mas há outras questões mais importantes?
Não quero dizer que isso não é importante, que não é objeto de uma política pública. Mas é ridículo quando isso é a prioridade. Principalmente em uma cidade onde os mananciais estão ocupados por uma população gigantesca, mais de 1 milhão de pessoas, morando em áreas de proteção ambiental simplesmente porque não conseguem morar na cidade. E a prefeitura está tendo uma atitude muito ruim com esses moradores porque ela está derrubando as casas e acusando-os de crime ambiental. Crime ambiental é da sociedade, que não provisionou essa população de moradia, que não tinha onde morar e acabou indo para os mananciais. Crime ambiental todas as gestões fizeram na hora que permitiram que essa população se instalasse ali. E ali o poder de polícia sobre o uso do solo é de diversas entidades dos governos federal, estadual e municipal. Então, quem cometeu o crime ambiental não é o sujeito, coitado, que está morando lá, em condições muito ruins, por sinal. A discussão, então, é um programa evidentemente classista. É uma visão da cidade de que a prioridade é cuidar das fachadas.Nessa visão que a sra. critica a beleza, a limpeza, fala mais alto?
Não é propriamente beleza. Se você pega o exemplo do Time Square de Nova York, do qual todo mundo fala, é uma poluição bárbara. Agora, é um padrão. Um padrão que seria impossível em São Paulo com essa tolerância zero aí. Precisa ficar muito claro isso: essa lei não está sendo aplicada na cidade toda. Até porque se eu considerar uma parte da cidade, não são os anúncios que estão ilegais, são as ruas, as casas, tudo… É tudo! Se não encara essa fratura urbana, vai encarar o quê? A limpeza das fachadas? Mesmo considerando que ela é necessária. Não estou de forma alguma dizendo que ela não é importante, não é necessária. O que estou dizendo é que é um absurdo ela se tornar a prioridade e você não discutir as questões de fundo. Aliás, em uma cidade onde não se consegue nem respirar e onde a questão dos automóveis não está sendo enfrentada. E ela, sem dúvida, é uma prioridade.Na visão da sra. a prioidade de São Paulo é outra?
Sim, a questão da mobilidade na cidade. A mobilidade por meio do automóvel é predominante. E isso novamente não é tarefa de uma gestão. Mas se essa sociedade e esses governos não encararam o problema da matriz baseada na circulação automobilística, essa cidade está absolutamente condenada. Aliás, moro aqui e está cada vez mais insuportável. Como você estabelece prioridades?A cidade é limpa nas fachadas mas não cuida da limpeza do ar que respira?
Do ar que você respira! Da água que a gente bebe! Dos mananciais que estão ocupados por mais de 1 milhão de pessoas! É incrível essa nossa capacidade de botar a cabeça em um buraco que nem um avestruz e ignorar os problemas centrais. Incrível! E todo mundo bate palma! ‘Tá bom, mas pelo menos…’ Não tem pelo menos! Tem coisas que são prioritárias. São delas que nós temos que cuidar como prioridade. As fachadas nós vamos cuidar com a importância que elas têm.A sra. acredita que o prefeito pode usar esse projeto Cidade Limpa como candidato à reeleição?
Ele usa muito. Foi um programa que fez um sucesso. E, diga-se de passagem, várias gestões tentaram aplicar a lei de anúncios e não conseguiram. Acho a lei exagerada. Não é necessário uma intolerância tão grande para que a paisagem urbana fique despoluída. Estou na rua e vejo, na mesma esquina, um poste de iluminação, um postinho que dá suporte às placas com os nomes das ruas, um outro postinho que sustenta a placa do trânsito, tudo isso na mesma esquina. E cheio de fios. Quer dizer, então está bom, vamos tentar começar um processo de despoluição não só dos anúncios. Realmente, é uma coisa de factóide mesmo e marketing. A despoluição é necessária, mas nem ela foi levada muito a sério.Mas esse ‘factóide’, essa peça de ‘marketing’, como a sra. classifica, tem virtudes?
Não há dúvida de que há uma virtude no foco da coisa. Mas nós temos que abrir esse foco e falar: ‘bom, em que nós temos que jogar nossa energia?’ Diria que a questão da mobilidade em São Paulo é a número 1. Já tem técnico hoje fazendo cálculo do prejuízo para toda a sociedade. O fato é que esse prejuízo é distribuído. São as horas paradas das pessoas, profissionais, nos transportes. O preço de todo o suporte de ruas, de recapeamento, de sinalização de trânsito e, principalmente, como alguns professores da USP, meus colegas, estão apontando, o problema do custo na saúde. Nos dias piores os hospitais se enchem, principalmente de crianças e pessoas da terceira idade, porque o ar está irrespirável na cidade. Tenho um jardim com horta em casa e é impressionante. Você pega uma folha de couve, ela está coberta, negra. Se eu não regar, cuidar, aquilo vira uma casca em cima da planta. E é isso que vai para os nossos pulmões. E ainda tem os acidentes, que diminuíram mas ainda continuam muito altos… Os custos com combustíveis… Que contribuição estamos dando para o planeta? O que é mais importante? Alguém pode falar: ‘mas ele está fazendo outra coisa, fez isso pelas fachadas’. Então, a lei dos anúncio adquiriu principalidade.
Posted by escriba on 09 Jul 2008 | Tagged as: carro, filmes, internet
A clássica cena de perseguição do filme Bullit, em que Steve McQueen voa pelas ruas de São Francisco a bordo de um Mustang 68, agora está no Google Maps, graças à ferramenta Seero. É pedal no metal!
Detalhe: Que dublê que nada, McQueen realmente dirige o carro, aficcionado que era por carros e corridas.
(vale desligar a rádio pra curtir a trilha da cena)
Posted by escriba on 16 Jun 2008 | Tagged as: carro, comportamento
Soldados americanos circulam pelas caóticas ruas da capital iraquiana a bordo de um Hummer, dando um chega-pra-lá em todos que se colocam no caminho. Seria cômico, se não fosse trágico.
O vídeo é antigo, mas eu ainda não tinha publicado aqui…
Posted by escriba on 05 Jun 2008 | Tagged as: carro, politica

Marta Suplicy anunciou hoje sua candidatura à Prefeitura de São Paulo. Trabalhei na gestão dela por dois anos (2002 a 2004) como assessor de imprensa da Secretaria de Assistência Social e do seu programa de inclusão digital que tinha como carro-chefe os telecentros. Arrisco a dizer que ela foi foi a melhor prefeita que a cidade já teve - pau-a-pau com a administração Erundina. Entre erros (túnel da Rebouças, ponte estaiada na marginal Pinheiros) e acertos (CEUs, telecentros, Bilhete Único, corredores de ônibus, revitalização do centro), o saldo foi muito bom. Por isso é minha candidata. Volta, Marta!!
E não à toa Marta já lidera as pesquisas de opinião: 30% das intenções de voto dos paulistanos, contra 28% de Alckmin. Páreo duro. Ainda mais sabendo que a imprensa paulista vai toda pender para o lado do tucano - sem dar a cara a tapa, claro, porque o negócio é posar de vestal da imparcialidade…
Por falar no imprensalão, a Folha publicou hoje entrevista com minha candidata. Ela diz que dará atenção especial à questão do transporte na cidade, que está próximo do colapso, confira:
FOLHA - Se eleita, qual será a prioridade de sua nova gestão?
MARTA - Transporte. Neste momento, não dá para pensar em outra. O paulistano não tem mais condição de viver no caos.FOLHA - Qual é a sua proposta?
MARTA - Será um esforço de guerra. No longo prazo, vamos unir esforços para superar 20 anos de atraso no metrô. Apresentei ao presidente a proposta de unir município, Estado e União num investimento de R$ 12 bilhões em seis anos para mais do que dobrar a atual rede. No médio prazo, faremos 200 km de corredores -no nosso primeiro governo fizemos 100 km. Paralelamente, faremos obras viárias para melhorar a fluidez do trânsito. No curto prazo, revitalizaremos os corredores existentes para retomar a velocidade que possuíam quando implantados. Daremos um choque de gestão no trânsito. Precisamos investir pesado em tecnologia, informatizando todos os corredores e ampliando significativamente os semáforos inteligentes, colocando mais marronzinhos na rua para garantir fluidez e cumprimento da lei, restringindo o estacionamento nas principais vias. Diferentemente do que ocorreu no meu primeiro governo, a prefeitura hoje tem dinheiro, graças à situação econômica do país.FOLHA - A sra. ampliaria o rodízio?
MARTA - Rodízio é medida de quem não tem plano.Leia a íntegra da entrevista aqui.
Acho que Marta poderia marcar um golaço de placa se promovesse na cidade a instalação de bicicletários, ciclovias e ampliação de espaços públicos para pedestres e ciclistas, restringindo ao máximo a circulação de carros particulares no centro expandido. O investimento em metrô e corredores de ônibus é importante mas não suficiente para melhorar a circulação na cidade e muitos menos para melhorar a qualidade de vida de quem vive por aqui.
Quem sabe ela não se liga na experiência de Bogotá?
(A dica de sempre: desligue a rádio antes de começar a ver o vídeo aqui)
Posted by escriba on 12 May 2008 | Tagged as: canalhice, carro, imprensa, politica

Que a imprensa de São Paulo não é exemplo de jornalismo, não é novidade alguma. Mas com a internet, fica cada vez mais difícil para o (tu) baronato da mídia manter a pose de vestal. Afinal, o que antes embrulhava peixe agora circula pela internet com uma velocidade impressionante. Veja o caso da ponte estaiada da marginal Pinheiros, já apelidada de estilingão. Foi inaugurada no último fim de semana com pompa e circunstância e matérias elogiosas dedicadas a ela por Folha e Estadão. O protesto feito por grupos contrários à obra, que preferiam ver os milhões gastos em ciclovias, despoluição do rio Pinheiros, etc, foi relegado ao pé das páginas de culto ao segundo maior monumento paulistano ao automóvel - o primeiro, a meu ver, é o minhocão, aquela aberração malufista no coração de São Paulo.
(desligue a rádio pra curtir o vídeo da invasão dos ciclistas na inauguração do estilingão)
O estilingão, no entanto, já foi alvo de muita pedrada dos (tu) barões da mídia paulista, principalmente da Folha. Isso porque a obra foi iniciada na gestão Marta Suplicy, em 2005. E o projeto inicial incluía a construção de moradias populares para os moradores de favelas locais, as mesmas que a gestão Kassab/Serra quer tirar dali na marra, com o vergonhoso cheque despejo de R$ 5 mil. Eu particularmente acho que a ponte é horrível, mas o projeto da Marta era bem mais interessante e socialmente justo do que o executado por Kassab/Serra.
Mas o que dizia a Folha em 2005? Segue abaixo o editorial publicado em maio daquele ano (resgatado pelo blog do Favre):
PROJETO EXTRAVAGANTE
É acertada a decisão do prefeito José Serra (PSDB) de retomar as obras que ligam as avenidas Jornalista Roberto Marinho (antiga Água Espraiada) e a marginal Pinheiros, deixando de lado a construção de duas pontes sobre o rio Pinheiros, na zona sul da cidade, previstas no projeto original aprovado pela administração da ex-prefeita Marta Suplicy. A justificativa apresentada por José Serra é que a construção dessas pontes estaiadas (suspensas por cabos de aço) encareceria desnecessariamente a obra.
A cautela e a mudança do projeto original são procedentes. Com as pontes endossadas por Marta, toda a empreitada custaria nada menos que R$ 147 milhões. Sem elas, o custo total -que inclui outras alterações na malha viária, além da construção das alças- cai para R$ 85 milhões.
É duvidoso, ademais, que a venda em leilões dos Cepacs (Certificados de Potencial Adicional de Construção), títulos que dão direito de construir além dos limites estabelecidos em certas áreas da cidade, possa gerar recursos suficientes para arcar com as despesas previstas inicialmente no projeto. No ano passado, os leilões desses papéis, realizados para angariar fundos para a construção das pontes, não conseguiram amealhar mais do que R$ 35 milhões, soma muito aquém da estimada para a conclusão das obras.
Além de cara, a construção dessas pontes suspensas está longe de ser uma prioridade para aquela área da cidade. A ligação da avenida Roberto Marinho com a marginal Pinheiros pode continuar a ser feita, sem maiores transtornos, através de duas outras pontes já existentes a apenas 800 metros do local. Essa circunstância, aliás, torna ainda mais extravagante -e suspeito- o projeto deixado pela gestão petista, para o qual, até aqui, não foram apresentadas justificativas convincentes.
A pergunta que não quer calar é: a Folha mudou de opinião porque o estilingão foi batizado com o nome de seu patrono, o (tu) barão Octavio Frias de Oliveira?
Posted by escriba on 13 Apr 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, carro, comportamento, livros

O livro Apocalipse Motorizado - A Tirania do Automóvel em um Mundo Poluído pode ser baixado gratuitamente no site da editora Conrad até o dia 30 de abril.
O livro traz uma coletânea de textos que discutem a dependência que nossa sociedade tem com os carros e os efeitos colaterais disso - poluição, dependência do petróleo, expropriação do espaço público comum e a exclusão social. Num dos capítulos, são propostas ações práticas para diminuir essa dependência - andar mais a pé e de bicicleta, usar transporte público, fazer passeios mais próximos de casa, e por aí vai.
O livro é ilustrado pelo cartunista americano Andy Singer, autor do livro CARtoons.

Uma proposta que não lembro se está no livro mas que é levada a cabo todos os anos pelo grupo Rebar, formado em 2004 por um grupo de ativistas, designers e artistas, é o de ocupar vagas de estacionamento nas ruas. O Rebar tenta mostrar às pessoas que não devemos simplesmente aceitar passivamente nossa vida cotidiana e suas relações sociais aparentemente auto-evidentes.
Como funciona essa ocupação? Veja o vídeo abaixo:
A iniciativa, batizada de Park(ing) Day, acontece todos os anos em São Francisco (EUA) e em outras cidades do mundo. Este ano será no dia 19 de setembro. No ano passado, Rio, São Paulo e Belo Horizonte participaram, além de outras 47 cidades de todo o mundo.
Em Belo Horizonte, o evento foi batizado de Vaga Verde e realizado na praça Savassi, em frente a uma loja do McDonalds. Saiba o que rolou clicando aqui.
No Rio, muda o nome (para Vaga Viva) mas a proposta é a mesma. Posso estar enganado, mas pelas fotos que vi, o evento rolou na avenida Rio Branco, no centro.
Nessas e em outras cidades (brasileiras ou não), a iniciativa se mesclou em 2007 com o Dia Mundial Sem Carro - confira as fotos.
A missão dessas divertidas ações é repensar a forma como as ruas são usadas, chamar a atenção para a necessidade de parques urbanos e melhorar a qualidade do habitat urbano humano. Se tivermos menos carros nas ruas, teremos mais espaço, mais qualidade de vida, um ar mais respirável e menos barulho, menos acidentes, menos estresse no trânsito.
Quer saber como fazer um desses mini-parques urbanos? Clique aqui então!
Posted by escriba on 20 Mar 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, carro, comportamento, documentario
O Greenpeace Internacional lançou uma campanha para pressionar fabricantes de carros a produzirem veículos mais verdes e quer saber a sua opinião. E aí, o que é um carro verde para vc? No link vc também poderá escolher o pior carro do último Salão de Genebra, que rolou no início deste mês.
Estou há quase três meses sem carro e vou bem, obrigado. Tenho andado de casa para o trabalho (e vice-versa) todos os dias - já consigo fazer a distância em 25 minutos! Nessa brincadeira, já emagreci uns quatro quilos e estou com um fôlego e tanto. Carro, agora, só emprestado da ex para passear com os filhotes ou táxi. Não sinto falta mesmo.
Em breve vou reativar minha magrela para poder ampliar meu raio de ação pela cidade, até visitar amigos em bairros mais distantes. Mas andar a pé tem suas vantagens. A principal delas é poder observar melhor o entorno, os detalhes da cidade, que se perdem mesmo na (nem sempre) baixa velocidade de uma bicicleta. Já achei lugares interessantíssimos andando por aí, de lojas de antiguidades a restaurantes.
Quando morava no Rio de Janeiro, nunca tive um carro. Circulava de ônibus, táxi, a pé ou nos carros das namoradas. Em São Paulo, é um pouco mais complicado, mas dá pra se adaptar numa boa. Quando volto pra casa e passo por gigantescos engarrafamentos nas redondezas, vejo que estou fazendo a opção certa em não me aventurar numa prestação de 600 pilas pra entupir ainda mais as ruas. E torço por boas idéias como pedágio urbano, ampliação do rodízio e dos espaços para pedestres. O pessoal anda exagerando, tem quem pegue o carro pra ir na padaria da esquina.
Há quem deseje que o último motorista seja afogado com a última gota de petróleo. Não vou tão longe. Se dificultarmos ao máximo a circulação de carros particulares (aumentando taxas, pedágios, custo de estacionamento, etc), obrigando que eles sejam usados apenas em caso de necessidade, já tá de bom tamanho.
Já indiquei aqui outras vezes, mas não custa repetir: assista ao documentário Sociedade do Automóvel (neste link vc pode encomendar o DVD ou baixar o filme. Se quiser assisitir online, veja abaixo). Tenho certeza de que vc nunca mais vai olhar para um carro da mesma forma…
Posted by escriba on 12 Dec 2007 | Tagged as: brasil, carro, imprensa
Não sou fã do Luis Weis, que escreve no Observatório da Imprensa e é editorialista do Estadão, e deixo claro isso lá na área de comentários do blog dele no OI. Mas hoje ele escreveu um texto primoroso em que trata da edição dos jornais de São Paulo sobre a desocupação de uma favela na Marginal Pinheiros pela PM. Chama-se O favelado e o motorista. Segue um trecho:
A ordenação dos fatos e das citações estabelece uma hierarquia jornalística – uma forma de ver e relatar um acontecimento. A configuração, no caso, pôs no topo da narrativa o efeito de um episódio da esfera dos choques sociais que incidiu sobre o maior problema cotidiano da cidade: a circulação. Maior porque nenhum outro atinge tantas pessoas durante tanto tempo a cada dia.
Mesmo assim, na contramão das coberturas óbvias, não seria impossível, muito menos amalucado, construir a informação privilegiando o drama humano dos sem-teto e sem-carro, em vez das atribulações – decerto exasperantes, porém não dramáticas – dos motoristas prejudicados. Ainda que estes fossem incomparavelmente mais numerosos e que o congestionamento em que se viram aprisionados tenha se irradiado para quase toda a cidade.
Por que não uma matéria que abrisse com a história, mais bem contada, da gestante que aspirou gás mostarda, em seguida ampliasse o foco para a expulsão dos favalados, e só então mergulhasse no congestionamento, com quantos detalhes achasse desejáveis para dar conta do transtorno por que passou a cidade?
Tive a mesma percepção quando li o noticiário hoje de manhã sobre a violenta ação policial na favela Real Parque. Fiquei estarrecido com a forma como o Estadão tratou o assunto, trabalhando a edição para enfatizar mais os transtornos causados no trânsito paulistano do que o drama das muitas famílias que foram enxotadas do local.
É, no entanto, apenas a comprovação de que o jornalismo praticado pelos principais grupos de mídia do país se afastou completamente das ruas, daí sua imperial indiferença aos dramas humanos que dela surgem. Do interior de um carro, a rua é mero cenário de passagem para os reizinhos de pés de barro.