boca no trombone

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Por essa a Fox não esperava

Posted by escriba on 19 Aug 2008 | Tagged as: TV, boca no trombone, imprensa, internacional

O apresentador da Fox News ouvia atentamente o que uma garota de 12 anos, refugiada em São Francisco, tinha a dizer sobre o bombardeio que presenciou na Geórgia, os momentos de medo e tal, até que ela pede licença e agradece aos russos por ter livrado ela e sua família das bombas georgianas! A tia da menina, que também estava sendo entrevistada, aproveitou para acrescentar: a culpa da guerra é do governo da Geórgia - país aliado dos EUA e que conta com apoio do governo Bush.

Com cara de tacho, o apresentador não teve dúvidas: “Nossos comerciais, por favor!!”

Aberta a temporada de caça à Raposa (Serra do Sol)

Posted by escriba on 18 Aug 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, boca no trombone, brasil


O STF pode fazer história, para o bem ou para o mal, no próximo dia 27 de agosto, quando julgará a demarcação das terras indígenas em Raposa Serra do Sol, em Roraima. Os ministros da mais alta corte brasileira estão sob pressão de madeireiros e fazendeiros para desfazer a demarcação, o que seria um retrocesso e tanto. Quis o destino que tal decisão fosse tomada este ano, quando a Constituição brasileira completa 20 anos. Foi ela que sacramentou os direitos dos índios a suas terras - algo tão óbvio que essa discussão toda é meio surreal. Mas com tantos interesses econômicos envolvidos - plantações de arroz, madeira, minérios, fronteiras, etc -, não espanta ver a parte fraca da corda sofrer tal pressão.

Uma série de ONGs iniciou um movimento em defesa dos direitos indígenas na página Makunaíma Grita - Cidadania com Respeito à Cidadania e colocou no ar uma petição online de apoio à demarcação das terras em Roraima - clique aqui para assinar. Quem puder e quiser, espalhe! No momento há pouco mais de 3 mil assinaturas.

E nesta quarta-feira (20/8) vai rolar manifestação em frente ao Sesc Paulista (avenida Paulista, 119 - Paraíso), às 10 horas, para exigir que o STF não mexa na demarcação da Raposa Serra do Sol.

O mais grave é que, dependendo da decisão do STF, o resultado poderá afetar também as unidades de conservação na Amazônia e demais regiões florestais do país. Se interesses econômicos e políticos interferirem nesse processo, muito em breve poderemos ver extensas áreas de preservação sendo liberadas para a exploração econômica sem critérios, mais ou menos como já acontece hoje. Dá para imaginar o desastre que estar por vir, não?

Circo de horrores

Posted by escriba on 13 Aug 2008 | Tagged as: animais, boca no trombone


Um circo em Brasília conseguiu na Justiça reaver animais apreendidos pelo Ibama por conta de maus-tratos e falta de segurança. Os bichos estavam famélicos, sujos, feridos e guardados em jaulas precárias. E pior: os juízes autorizaram também a retomada dos espetáculos!

Depois reclamam quando comparam o Judiciário a um grande picadeiro…

O único animal que fica legal em circo é o bicho-homem. Confira aqui uma boa lista de circos que não apelam para essa crueldade para nos divertir.

(dica da Lulu, minha correspondente na Itália)

Pusilanimidade olímpica

Posted by escriba on 08 Aug 2008 | Tagged as: boca no trombone, esporte, livros, politica

A abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim foi uma das mais lindas que vi desde Moscou-80, a China é um país fascinante e seu povo merece todo o respeito, mas não dá pra ignorar que o governo chinês tem pisado seguidamente na bola - seja ela política ou ambiental.

Há quem diga que política e esportes não se misturam. Ledo engano: atletas alemães já se manifestaram contra a repressão chinesa, um refugiado sudanês desfilou na cerimônia de abertura dos Jogos como porta-bandeira da delegação americana, turistas penduraram uma faixa pró-Tibete em Pequim às vésperas do início dos Jogos. Suspeito que mais protestos virão. E é bom que seja assim.

Como lembra Carlos Arribas, correspondente do El País em Pequim, também tentaram evitar que as Olimpíadas de Berlim em 1936 fossem alvos de protestos, devido à ascenção de Hitler e seu partido nazista ao poder quatro anos antes:

O olimpismo prefere celebrar nestes dias o 40º aniversário dos Jogos do México, o punho erguido do “black power”, Tommie Smith e John Carlos no pódio dos 200 m rasos, símbolo do poder do esporte para mudar a sociedade, mas a realidade, mais obstinada que os desejos, o obrigam a lembrar os jogos de 1936, os da Berlim nazista enfeitada de suásticas até a náusea, e não somente para falar da bela parábola das vitórias do negro Jesse Owens no altar da exaltação do ariano, e de sua admirável amizade com o louro Lutz Long, atletas que só se moviam por altos ideais e não por dinheiro, como os de hoje, as histórias que passaram à história e que servem para que muitos lembrem os jogos de 1936 como um oásis de pureza, tolerância e bom jogo em meio aos 12 anos de pesadelo nazista, e que alimentaram o mito do espírito olímpico. (aqui a íntegra do texto)

Tentar despolitizar um evento dessa importância é pusilânime. Ninguém aqui é anti-China nem anti-Olimpíadas: queremos o diálogo. E ter o direito de dizer o que pensamos, na hora que pensamos, como pensamos. Até na China.

E o que podemos fazer aqui de fora? Pra começar, que tal participar de um aperto de mão olímpico?

Revela a experiência que o mundo
Não pode ser plasmado à força.
O mundo é uma entidade espiritual,
Que se plasma por suas próprias leis.
Decretar ordem por violência
É criar desordem.
Querer consolidar o mundo a força
É destruí-lo,
Porquanto, cada membro
Tem sua função peculiar:
Uns devem avançar,
Outros devem parar.
Uns devem clamar,
Outros devem calar.
Uns são fortes em si mesmos,
Outros devem ser ancorados.
Uns vencem na luta da vida,
Outros sucumbem.
Por isso, ao sábio não interessa a força,
Não se arvora em dominador,
Não usa de violência.
(Lao-Tsé, no Tao Te King, livro que por sinal acabo de incluir na Biblioteca do Escriba)

Somos todos chineses

Posted by escriba on 03 Aug 2008 | Tagged as: boca no trombone, esporte, politica


A revista do jornal alemão Sueddeutsche Zeitung publicou sexta-feira passada uma série de fotografias com atletas olímpicos da Alemanha que posaram com fotos de dissidentes chineses cobrindo seus rostos. Segundo a reportagem que acompanha as fotografias, os atletas defendem protestos também durante os Jogos de Pequim. O jogador de pólo aquático Soeren Mackeben chegou a defender que sua equipe usasse uniformes na cor laranja como um tributo silencioso ao Tibete. Se vc não lê em alemão, confira aqui um resumo em português do material publicado pela Reuters.

É, parece que essa Olimpíada vai ser mesmo histórica - mas não pelos motivos que os chineses esperam…

Como parar de se preocupar e passar a amar a bomba

Posted by escriba on 25 Jul 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, boca no trombone, energia

Lula, Jorge Bittar, um japa, Carlos Minc e Fernando Gabeira em protesto contra Angra 3 realizado em 1989.

Bons tempos em que Lula, Carlos Minc e Fernando Gabeira se juntavam para protestar contra Angra 3.

O Ibama concedeu quarta-feira o licenciamento ambiental prévio à usina nuclear Angra 3, não sem antes condicionar a obra a 65 exigências - de cuidar de parques a obras de saneamento básico e solução definitiva para o armazenamento do lixo nuclear. Dá pra se ter uma idéia do pepino ambiental que Angra 3 representa só pela gigantesca lista de compensações ambientais. Mesmo que todas sejam atendidas - e não serão -, nada justifica a construção da usina.

Energeticamente o Brasil tem imenso potencial hídrico, solar e eólico a ser explorado. Só os ventos do Nordeste oferecem 75 gigawatts de energia ao país. O que me leva a fazer uma continha básica: levando-se em conta que Angra 3 tem potencial para 1.350 megawatts (1 gigawatt = 1.000 megawatts, só pra constar) e custo estimado de R$ 8 bilhões para ser construída, seriam necessárias 56 usinas iguais à ela, ao incrível preço de R$ 450 bilhões, para gerar esse mesmo total de energia com reatores nucleares. E ainda têm a cara-de-pau de dizer que as fontes renováveis de energia são caras…

E nessa conta aí não estou incluido o alto custo de descomissionamento das usinas nucleares, ou seja, o dinheiro que se gasta para desligar, desmontar e descontaminar as usinas e seus equipamentos ao final de sua vida útil, que é em média de 50 anos (aqui e em todo o mundo), além de armazenar adequadamente o lixo nuclear de baixa, média e alta radioatividade - o que nenhum país do mundo ainda conseguir saber como fazer. Estima-se que na França, país tido como modelo para os defensores da energia nuclear, esse custo possa chegar a US$ 90 bilhões!

Existem hoje no planeta 440 usinas nuclears, boa parte nos EUA e França. Dezenas delas serão fechadas em no máximo 10 anos. Dá pra se ter uma idéia do que isso vai custar, não? E, pasmén: esse dinheirama toda nunca é incluída na conta do que se gasta numa usina nuclear. E sabe quem paga a conta? eu, vc, todo mundo, porque a indústria nuclear é subsidiada pelos governos.

É aí que entra o X da questão: por que os governos subsidiam tanto a indústria nuclear, que é cara pra cacete e altamente perigosa? Por questões militares. A mesma tecnologia nuclear que gera energia, gera a bomba. Países que mais têm usinas são também os que mais investem em arsenal atômico - França, EUA, Rússia. No Brasil, o setor nuclear também está intimamente ligado aos militares. O presidente da Eletronuclear é o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, aquele mesmo que tocava um programa nuclear militar paralelo na década de 1990 e queria testar um artefato nuclear na Serra do Cachimbo, no Pará.

Aí vem o outro e diz: “Ah, mas seria preciso rasgar a Constituição brasileira para o Brasil desenvolver armas nucleares, porque a Carta Magna diz que o programa nuclear brasileiro tem que ser pacífico.” Ora, não é preciso rasgar a Constituição, basta reformá-la, como tantas vezes se fez. E há gente da pesada que defende não só isso como também a saída do Brasil do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, como fizeram a Índia e o Paquistão, por exemplo. Gente como o chefe do Estado Maior das Forças Armadas, general Benedito Leonel, e o secretário-geral do Itamaray, Samuel Pinheiro Guimarães.

Em seu livro Desafios do Brasil na Era dos Gigantes (editora Contraponto, 2006), o embaixador Guimarães é claro: “A nação deveria se engajar na eliminação da vulnerabilidade militar que decorre da adesão do Brasil, em situação de inferioridade, a acordos de não-proliferação de armas de destruição em massa.”

E teria o Brasil razões para tamanha loucura? Geopoliticamente, sim. O país anunciou recentemente a descoberta de mega-campos de petróleo e, na seqüência, os Estados Unidos anunciaram a recriação da Quarta Frota Naval, para atuar no Atlântico Sul. Uma coisa puxa a outra e há setores militares no Brasil considerando que o país tem que estar pronto para o que der e vier. Lá vem bomba.

Tem vestal com batom na cueca

Posted by escriba on 12 Jul 2008 | Tagged as: boca no trombone, canalhice, imprensa

O que tem de gente com as barbas de molho, depois que Dantas e sua turma foi enquadrada, não tá no gibi. A Polícia Federal tá com uma lista com quase 100 nomes de brasileiros que mandaram dinheiro para paraísos fiscais no exterior com uma mãozinha do banco do sujeito, o Opportunity. São empresários, comerciantes e jornalistas. Tô curioso pra saber alguns desses nomes, muitos dos quais certamente posam em público de vestal da moral e bons costumes, mas nos bastidores participam das maiores putarias.

E um outro relatório da PF cita as revistas Veja e IstoÉ Dinheiro, além de Diogo Mainardi e Lauro Jardim, como colaboradores da quadrilha de Dantas.

É, a casa tá caindo…

Cela da PF

Posted by escriba on 12 Jul 2008 | Tagged as: HQs & charges, boca no trombone

Cortesia de Gilmar Mendes.

Impeachment nele!

Posted by escriba on 11 Jul 2008 | Tagged as: boca no trombone, brasil, politica

O Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou soltar novamente Daniel Dantas, o Darth Vader brasileiro, e arrumou sarna pra se coçar. Juízes federais fizeram manifesto contra ele e já há quem defenda o seu impeachment. Para completar, Procuradores da República divulgaram hoje uma carta aberta à sociedade brasileira, que segue abaixo:

Carta aberta à sociedade brasileira sobre a recente decisão do Presidente do Supremo Tribunal Federal no habeas corpus nº 95.009-4.

Dia de luto para as instituições democráticas brasileiras

1. Os Procuradores da República subscritos vêm manifestar seu pesar com a recente decisão do Presidente do Supremo Tribunal Federal no habeas corpus nº 95.009-4, em que são pacientes Daniel Valente Dantas e Outros.

As instituições democráticas brasileiras foram frontalmente atingidas pela decisão liminar que, em tempo recorde, sob o pífio argumento de falta de fundamentação, desconsiderou todo um trabalho criteriosamente tratado nas 175 (cento e setenta e cinco) páginas do decreto de prisão provisória proferido por juiz federal da 1ª instância, no Estado de São Paulo.

2. As instituições democráticas foram frontalmente atingidas pela falsa aparência de normalidade dada ao fato de que decisões proferidas por juízos de 1ª instância possam ser diretamente desconstituídas pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal, suprimindo-se a participação do Tribunal Regional Federal e do Superior Tribunal de Justiça.

Definitivamente não há normalidade na flagrante supressão de instâncias do Judiciário brasileiro, sendo, nesse sentido, inédita a absurda decisão proferida pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal.

3. Não se deve aceitar com normalidade o fato de que a possível participação em tentativa de suborno de Autoridade Policial não sirva de fundamento para o decreto de prisão provisória. Definitivamente não há normalidade na soltura, em tempo recorde, de investigado que pode ter atuado decisivamente para corromper e atrapalhar a legítima atuação de órgãos estatais.

4. O Regime Democrático foi frontalmente atingido pela decisão do Presidente do Supremo Tribunal Federal, proferida em tempo recorde, desconstituindo as 175 (cento e setenta e cinco) páginas da decisão que decretou a prisão temporária de conhecidas pessoas da alta sociedade brasileira, sob o argumento da necessidade de proteção ao mais fraco.

Definitivamente não há normalidade em se considerar grandes banqueiros investigados por servirem de mandantes para a corrupção de servidores públicos o lado mais fraco da sociedade.

5. As decisões judiciais, em um Estado Democrático de Direito, devem ser cumpridas, como o foi a malsinada decisão do Presidente do Supremo Tribunal Federal. Contudo, os Procuradores da República subscritos não podem permanecer silentes frente à descarada afronta às instituições democráticas brasileiras, sob pena de assim também contribuírem para a falsa aparência de normalidade que se pretende instaurar.

Brasil, 11 de julho de 2008.

Sérgio Luiz Pinel Dias - PRES
Paulo Guaresqui - PRES
Helder Magno da Silva - PRES
João Marques Brandão Neto - PRSC
Carlos Bruno Ferreira da Silva - PRRJ
Luiz Francisco Fernandes - PRR1
Janice Agostinho Barreto - PRR3
Luciana Sperb - PRM Guarulhos
Ramiro Rockembach da Silva Matos Teixeira de Almeida- PRBA
Ana Lúcia Amaral - PRR3
Luciana Loureiro - PRDF
Vitor Veggi - PRPB
Luiza Cristina Fonseca Frischeisen - PRR3
Elizeta Maria de Paiva Ramos - PRR1
Geraldo Assunção Tavares - PRCE
Rodrigo Santos - PRTO
Edmilson da Costa Barreiros Júnior - PRAM
Ana Letícia Absy - PRSP
Daniel de Resende Salgado - PRGO
Orlando Martello Junior - PRPR
Geraldo Fernando Magalhães - PRSP
Sérgio Gardenghi Suiama - PRSP
Adailton Ramos do Nascimento - PRMG
Adriana Scordamaglia - PRSP
Fernando Lacerda Dias - PRSP
Steven Shuniti Zwicker - PRM Guarulhos
Anderson Santos - PRBA
Edmar Machado - PRMG
Pablo Coutinho Barreto - PRPE
Maurício Ribeiro Manso - PRRJ
Julio de Castilhos - PRES
Águeda Aparecida Silva Souto - PRMG
Rodrigo Poerson - PRRJ
Carlos Vinicius Cabeleira - PRES
Marco Tulio Oliveira - PRGO
Andréia Bayão Pereira Freire - PRRJ
Fernanda Oliveira - PRM Ilhéus
Luiz Fernando Gaspar Costa PRSP
Douglas Santos Araújo PRAP
Paulo Roberto de Alencar Araripe Furtado PRR1
Paulo Sérgio Duarte da Rocha Júnior PRRN
Cristianna Dutra Brunelli Nácul - PRRS

Oligopólio é isso aí

Posted by escriba on 03 Jul 2008 | Tagged as: boca no trombone, tecnologia

A confusão gerada em SP pelos problemas técnicos da Speedy/Telefônica, que deixou meio mundo fora do ar, é reflexo direto do oligópolio que temos no país nos serviços de internet. São poucas empresas oferecendo o mesmo serviço ruim. Eu mesmo tive problemas homéricos com a Ajato/TVA, só resolvidos após inúmeras ligações à Anatel. Já fui assinante do Vírtua/NET e é a mesma trolha.

Tudo farinha do mesmo saco.

Injustiça no Japão

Posted by escriba on 20 Jun 2008 | Tagged as: boca no trombone

Dois ativistas do Greenpeace Japão foram presos hoje acusados de terem roubado uma caixa contendo carne de baleia do navio-fábrica Nisshin Maru, que passou meses na Antártica matando espécies ameaçadas de extinção. Eles participaram da investigação do grupo ambientalista que comprovou o contrabando dessa carne por tripulantes do Nisshin Maru para a posterior venda ilegal do produto no mercado japonês. Entenda o caso aqui.

Ajude a libertá-los! Clique aqui e participe da cyberação do Greenpeace para enviar cartas online ao primeiro ministro japonês, Yasuo Fukuda; ao ministro das Relações Exteriores Masahiko Koumura; e ao embaixador e ao cônsul geral do Japão no Brasil, respectivamente Ken Shimanouchi e Masuo Nishibayashi.

Minc leva Desmatamento Zero a Lula. Boa!

Posted by escriba on 20 May 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, boca no trombone

minc.jpg

Ontem à noite o Minc se reuniu com Lula e levou um decálogo de propostas que considera fundamentais para fazer uma boa gestão no Ministério do Meio Ambiente. Estavam entre elas a criação de uma Guarda Nacional Ambiental, com civis e militares; aumento substancial na verba do ministério e a manutenção da resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) que veta a concessão de crédito público a fazendeiros envolvidos em crimes ambientais. Parece que obteve apoio do presidente para todas elas, e também da ministra Dilma Roussef - tida como madastra da política ambiental por muitos.

Meu vereador mandou bem (sempre votei no Minc quando morava no Rio). Mas o gol de placa foi levar à reunião em Brasília a proposta do Pacto pela Valorização da Floresta e pelo Fim do Desmatamento na Amazônia, ou simplesmente Desmatamento Zero, que foi lançado em outubro passado por nove ONGs - Greenpeace, Instituto Socioambiental, Instituto Centro de Vida, The Nature Conservancy, Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, Conservação Internacional, Amigos da Terra e WWF.

A Marina era fã desse pacto e Minc parece que também é. Basicamente o projeto prevê o fim do desmatamento até 2015 com a injeção de R$ 1 bilhão por ano para compensar quem reduzir efetivamente a derrubada da floresta na região, além de pagar serviços ambientais. O dinheiro viria do governo brasileiro e também de outros países, instituições e fundos interessados em manter a Amazônia em pé.

O timing de aceitação do projeto não poderia ser melhor, justamente no momento em que começam a pipocar na imprensa internacional matérias discutindo uma possível internacionalização da Amazônia - a última delas veio do New York Times. Recentemente a BBC também produziu um extenso material sobre o tema, bem como os jornais The Guardian e The Independent.

Lula já deu a senha - e Minc e boa parte do movimento ambientalista atuante no Brasil também: a Amazônia é patrimônio da humanidade, mas sob gerência brasileira. Quer ajudar? Financie projetos do Desmatamento Zero no Brasil. A floresta agradece!

O Greenpeace fez uma proposta ainda mais ampla hoje na reunião da Convenção da ONU sobre Biodiversidade, que tá rolando na Alemanha, englobando todas as florestas tropicais do planeta. É um fundo internacional para o qual as nações mais ricas do mundo - e que mais poluíram até hoje - serão chamadas a contribuir para aumentar a governança em países e regiões em desenvolvimento com grandes áreas de florestas, como Brasil, Indonésia e países africanos. Os recursos podem chegar a 14 bilhões de euros por ano. Leia detalhes aqui.

Parece muito dinheiro, mas não é se levarmos em conta que o desmatamento das florestas tropicais é responsável por aproximadamente 20% das emissões de gases do efeito estufa na atmosfera – mais do que as emissões de todos os aviões, trens e carros do mundo inteiro. O Brasil é o quarto maior emissor mundial de gases estufa, graças às queimadas promovidas na Amazônia.

queimada_amazonia.jpg

E por falar em floresta, o Greenpeace está lançando a campanha Meia Amazônia Não!, para tentar barrar o projeto de lei 6424/2005, do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA). O projeto não foi apelidado de Floresta Zero à toa. Se for aprovado, vai diminuir a reserva legal em propriedades privadas na Amazônia de 80% para 50% e promover o plantio dos chamados cultivos energéticos (dendê, eucalipto, babaçu, cana-de-açúcar e afins) na região, além de permitir que áreas desmatadas num bioma sejam compensadas em biomas diferentes - ou seja, na prática poderá deixar regiões inteiras no país sem mata.

Se você leu este post e tem alguma forma de ajudar a divulgar essa campanha - seja por email, msn, orkut, lista de discussão, blog, facebook, o que for -, mete bronca. A meta é atingir 100 mil assinaturas para mostrar ao Congresso e ao governo que estamos de olho e não queremos mais destruição na Amazônia.

Visite a página da campanha, é bem legal. Ao entrar, vc ganha uma folha e nela outras se agregam cada vez que vc convida alguém. Cada folha agregada começa marrom e vai mudando de cor conforme a participação do convidado - se ele assinar o manifesto, a folhinha dele agregada à sua fica amarela. Se além disso convidar outra pessoa para participar, vai ficar verde também, que nem a sua. Há um ranking de quem conseguiu mais adesões e assinaturas.

O projeto Floresta Zero está na bica de ser votado - e mesmo aprovado, já que a pressão da bancada ruralista e de governadores como Blairo Maggi (MT) e Ivo Cassol (RO) tem sido gigante. Os mesmos que vibraram com a demissão de Marina Silva não param de esfregar as mãos com essa possibilidade.

Ou ajudamos a zerar o desmatamento ou eles zeram com a floresta - e sem uma ponta de arrependimento.

Tá difícil…

Posted by escriba on 14 May 2008 | Tagged as: boca no trombone, consumo


Desde o último dia 19 de abril tento ter internet na minha casa, mas o Ajato/TVA não deixa. De lá pra cá, se tive uma semana de internet foi muito. Já liguei trocentas vezes pro serviço de atendimento ao consumidor e não consigo resolver. Mandam eu desligar o modem, religar, dar reboot, etc e necas. E aí querem marcar as visitas dos técnicos em horários dos mais esdrúxulos - chegaram a propor a hora do almoço… do Dia das Mães!!

Perdi a paciência. Além de não pagar as mensalidades (se vierem cobrar, vou à Justiça numa boa), só aceito agora que o técnico apareça lá em casa com horário marcado. A primeira tentativa foi hoje, e obviamente eles não cumpriram o combinado. E se não ligo pra saber pq o técnico não apareceu às 9 horas, ia ficar esperando que nem um palhaço, porque segundo a atendente, eles iriam passar lá em casa “até as 13 horas”.  Recusei, claro. Eles remarcaram para sexta-feira, às 9h30. Não sei porque mas tenho quase certeza de que vão furar de novo…

Ia contar essa história no blog Tá Difícil…, mas cheguei atrasado - já tem inúmeros tópicos sobre o assunto por lá! O mais parecido com a minha queixa é este aqui. Quem tiver alguma reclamação pra fazer, mete bronca por lá!

Agenda ambiental subiu no telhado

Posted by escriba on 13 May 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, boca no trombone

O grande calcanhar de Aquiles do governo Lula sempre foi a pouca atenção dada às questões ambientais. Liberou variedades transgênicas de soja e milho, colocando nossa biossegurança em risco; retomou o programa nuclear, enquanto outros países apostam em energias renováveis como a eólica e solar; incentiva desmatadores na Amazônia e ainda quer reduzir a reserva legal no país para incentivar o plantio de palmáceas e outras plantas consideradas energéticas (cana, babaçu, mamona, e por aí vai) na onda dos biocombustíveis. Agora, com a demissão da Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente, definitivamente a agenda ambiental subiu no telhado do governo Lula.

Parece que estamos voltando no tempo, mais precisamente à década de 1970, quando a ordem era desenvolver a qualquer custo, colocando questões ambientais como entraves ao crescimento do país. Com a queda de Marina, o Brasil parece ter optado por um modelo predatório, a la China. Um desastre.

Segundo notícias que li, Lula teria ficado irritado com a forma como Marina saiu do Ministério. Pois eu fiquei foi puto, e com Lula, por ter permitido que a situação chegasse a esse ponto.

Bela decisão, Dove!

Posted by escriba on 05 May 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, animais, boca no trombone, consumo

A campanha do Greenpeace contra a Unilever deu certo! A empresa anunciou que pretende eliminar de seus produtos o óleo de palma (ou dendê) plantado de forma insustentável na Indonésia. Em discurso feito em Londres, o presidente da Unilever, Patrick Cescau, disse que toda matéria-prima usada nos produtos Dove será totalmente sustentável até 2015. Promessa é dívida e vamos cobrá-lo, sr. Cescau!

Agora a mira do Greenpeace e de outras ONGs ambientalistas se volta para empresas como Procter & Gamble, Nestlé e Kraft, que também usam o tal óleo de dendê.

As florestas tropicais da Indonésia são a casa de milhares de orangotangos, espécie ameaçada de extinção que vem sofrendo com os incêndios provocados na região - principalmente na ilha de Borneo - para a plantação de palmáceas usadas por grandes empresas de produtos de beleza e também como biocombustível. Essas queimadas também ameaçam o clima global, sendo responsáveis hoje por 4% das emissões de CO2 na atmosfera.

Confira abaixo o vídeo do Greenpeace que fez a Unilever mudar de atitude:


(Só pra lembrar: desligue a rádio antes de começar a ver o filme aqui, senão vai embaralhar tudo)

Ah, o filme do Greenpeace é uma paródia de um outro, da própria Dove, que discute a ditadura da beleza (?) na mídia. Muito bom por sinal, como também é a campanha da Dove - pena que para celebrar a beleza natural das pessoas, a empresa deixe um rastro de destruição na Indonésia. O filme original é esse aqui:

Maquiagem verde

Posted by escriba on 29 Apr 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, boca no trombone, consumo

Fonte da imagem: Curto e Grosso

O tempo passa, mas a cara-de-pau desse pessoal não muda nadica de nada… É posto de gasolina plantando árvores cada vez que você enche o tanque do seu carro; indústria nuclear pintando de verde suas usinas com o apoio de ex-ambientalistas (hoje lobistas, como Patrick Moore); governador do Mato Grosso defendendo o desmatamento para enfrentar a escassez de alimentos; e por aí vai.

A lista é infinita. Confira mais alguns exemplos nesta página, a Stopgreenwash.org.

Esta outra página, Climate Counts, traz um ranking com dezenas de empresas americanas dos mais variados setores da economia, de acordo com seu compromisso em enfrentar o aquecimento global, reduzindo emissões de CO2 e economizando energia, por exemplo. A Coca-Cola atingiu 57 pontos dos 100 possíveis. A tão badalada Apple, apenas 2.

O Greenpeace tem duas listas importantes que incentivam o consumo responsável: o Guia do Consumidor, com a lista de empresas brasileiras que usam ou não matéria-prima transgênica em seus produtos, e o Guia dos Eletrônicos Verdes.

É aquela velha história: não adianta apenas limpar a imagem e posar de moderninha, tem que limpar as ações também! E o consumidor tem que exercer seu poder de pressão, evitando produtos que desrespeitam o meio ambiente - e por tabela a eles próprios. Afinal de contas, não adianta nada ter um discurso verde e ter a casa repleta de itens ’sujos’.

Qual a beleza de uma floresta devastada?

Posted by escriba on 23 Apr 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, boca no trombone, consumo


A Dove, uma das principais marcas do grupo Unilever, tem uma campanha publicitária bem legal de incentivo à real beleza das pessoas, não aquela imposta pela mídia - das modelos esqueléticas, dos peitos e bundas sarados, etc. Mas tá pisando na bola quando o assunto é produção sustentável de seus produtos. Seus principais fornecedores são produtores de óleo de palma (dendê) que estão desmatando as florestas de Borneo, na Indonésia.

Veja o vídeo abaixo:

Quer dar uma força? Então escreva para a Dove protestando, antes que a empresa ajude a destruir o que resta daquela floresta tropical, uma das mais importantes do mundo!

Tremor em Angra

Posted by escriba on 23 Apr 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, boca no trombone, energia

Mais do que o abalo sísmico, o que chacoalhou mesmo os defensores das usinas nucleares brasileiras ontem foi a declaração de um diretor de comercialização de energia elétrica Furnas sobre o custo da energia produzida, publicada pelo jornal Gazeta Mercantil. Segundo ele, a estatal tem prejuízo de centenas de milhões de reais por causa do preço baixo que é obrigado a vender no mercado.

E mais:

O próprio Resende admitiu que, se a estatal deseja construir Angra 3, precisará rever não só o modelo de comercialização da carga, como também o valor envolvido no negócio.
“Para construir Angra 3, a Eletronuclear também vai precisar de mais recursos. Daí a necessidade de revisão do preço da energia nuclear”, afirmou o diretor de Furnas, ao reconhecer, ainda, outras dificuldades envolvidas no processo.

Embora a energia nuclear seja atualmente comercializada por valores abaixo do previsto nos mesmos leilões para a  energia das usinas termelétricas a gás natural, o reajuste em negociação não pode exceder demais o preço atual. Do contrário, haverá o risco de tornar as usinas nucleares pouco competitivas em relação às demais fontes de geração. Tal competitividade foi usada pelo lobby do setor nuclear, nos últimos anos, para convencer a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, a apoiar a retomada do projeto de Angra 3 (grifo meu).

Ou seja, deram uma boa maquiada no preço da energia que sai das usinas nucleares para vender a idéia de que são baratas e a grande solução para o suprimento de eletricidade do país - como fazem aliás em vários países do mundo. Agora temos um baita elefante branco radioativo na sala.  E quem pagará a conta, pra variar, somos nós.

Eu quero minha parte em renováveis, pode ser?

(Sem falar na herança atômica que deixaremos para as próximas gerações. Angra 1, por exemplo, deverá ser desligada e desmontada em cerca de 10 anos, com todo o material radioativo (sim, é lixo) armazenado em algum lugar. Onde? Mistéééério…)

Dia T na França

Posted by escriba on 04 Apr 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, boca no trombone

Terça-feira que vem é o Dia T na França. Os parlamentares franceses vão decidir se mantêm ou não a proibição ao milho transgênico MON 810, da Monsanto, que tantos problemas vêm causando mundo afora. Além da França, outros sete países europeus baniram esse milho de suas terras - o último deles foi a Romênia. O MON 810 é acusado de causar problemas de sáude às pessoas, à fauna silvestre e ao meio ambiente. E a população francesa demonstrou no último fim de semana ser a favor da proibição. Vinte e cinco mil pessoas foram às ruas protestar contra a possibilidade de se dar novamente à Monsanto permissão para plantar e comercializar o milho transgênico. Os políticos franceses vão ter que decidir: ou ficam com o desejo popular (e científico, bien sur), ou se dobram ao poderoso lobby da Monsanto.

A votação na assembléia é uma prova de fogo e tanto para a França, que viveu dias de intensa mobilização ambiental na última semana. Além de protestos contra os transgênicos, o país discutiu medidas a serem tomadas para resolver problemas ambientais, promover projetos que dão ênfase ao desenvolvimento sustentável e sensibilizar as pessoas sobre a importância de se mudar hábitos na hora de se consumir produtos.

O que me incomoda é ver tantos países e cidades se mobilizando para tomar decisões importantes e necessárias para tornar nossa vida mais sustentável e o Brasil patinando nesse assunto. Acho que as pessoas ainda não se deram conta da urgência disso tudo. Galera, o planeta tá aquecendo pacas e podemos em breve atingir o ponto de não-retorno. Aí, babau, talvez seja tarde demais pra se tomar alguma atitude. Eu sei que o Brasil é o país da fartura, da abundância, mas sempre lembro de um provérbio que minha avó dizia: “Dia de muito, véspera de pouco”.

Ah, e por falar em Monsanto, olha só que beleza (sic) essa matéria da revista Vanity Fair. Relata como a empresa pressiona e ameaça agricultores nos Estados Unidos (país onde ela reina absoluta no plantio e comercialização de sementes transgênicas) a pagar royalties de seus produtos. Só que muitas vezes esses agricultores são vítimas de contaminação genética. Como num conto de Kafka, o cara começa a ser perseguido justamente pela empresa causadora do problema! O mesmo vem ocorrendo no Brasil (com a soja transgênica e, em breve o milho, o mesmo MON 810 banido em várias partes da Europa) e em outros países.

A matéria da Vanity Fair (cuja edição de maio é toda dedicada a temas ambientais) traz ainda um histórico da empresa, desde os tempos em que fabricava produtos químicos e tóxicos que contaminaram seriamente diversas cidades americanas (como o agente laranja usado na guerra do Vietnã). Mas isso é passado. Hoje a empresa se dedica a produtos mais modernos, como o Posilac (hormônio de crescimento dado a vacas leiteiras) e aos transgênicos. Tudo da mais alta qualidade. Se são seguros? Bom, a Monsanto diz que sim. Alguém acredita?

Conhecendo-se um pouco do perfil da Monsanto, não é de se estranhar nada disso.

E são matérias como essa da Vanity Fair que nos faz perceber que, no Brasil, o jornalismo está dando lugar cada vez mais às relações públicas. Sim, porque nas matérias publicadas recentemente por aqui em revistas como Exame e IstoÉ sobre a Monsanto, nenhuma linha sobre essas práticas da empresa, nem de seu passado atroz de poluição química, danos à saúde de populações inteiras nos EUA, promiscuidade com órgãos como a FDA americana, etc…

Romênia diz ‘não’ a milho transgênico

Posted by escriba on 27 Mar 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, alimentação, boca no trombone, imprensa

A Romênia decidiu hoje que vai banir do país o plantio e a comercialização do milho transgênico MON 810, da Monsanto, por conta de inúmeras evidências científicas que apontam o produto como danoso à saúde humana e ao meio ambiente. É o oitavo país europeu a tomar essa decisão, seguindo os passos da França, Suíça, Áustria, Grécia, Itália, Hungria e Polônia.

Detalhe: esse milho MON 810 é o mesmo que foi aprovado recentemente no Brasil pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e autorizado pelo Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS), que conta com a participação de 11 ministérios. No CNBS, a aprovação do MON 810 foi rejeitada pelos ministérios da Saúde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Agrário - ou seja, o tal milho será plantado e comercializado no Brasil, apesar do voto contrário dos órgãos governamentais que cuidam de nossa saúde, do meio ambiente e do desenvolvimento agrário. Os votos favoráveis vieram dos ministérios da Agricultura, Ciência e Tecnologia, Indústria e Comércio, Relações Exteriores - todos intimamente ligados à defesa do saldo de nossa balança comercial, que tem como motor o agronegócio. Para esse pessoal, o lucro vem sempre à frente de detalhes como saúde e meio ambiente.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no entanto, já mandou avisar: só dará o registro necessário para que produtos feitos com esse milho sejam comercializados no Brasil se a empresa responsável (Monsanto, no caso) conseguir comprovar sua segurança. Como a empresa nunca apresentou estudo algum desse tipo, o MON 810 não terá vida fácil por aqui. Ainda bem!

O que me deixa com a pulga atrás da orelha é o fato da imprensa brasileira praticamente ignorar essas informações. Foi assim quando a França, maior país agrícola europeu, decidiu também congelar suas plantações de milho transgênico até que se comprove sua segurança. Foi assim também em relação ao livro e ao documentário francês recém lançado que revelam os podres da Monsanto. Silêncio constrangedor. Não deverá ser diferente em relação à decisão romena. Destaque eles só dão quando quem fala é a indústria. Triste, mas verdade. Desafio um jornalista que cobre o assunto vir aqui e mostrar que não é assim. A blindagem é forte. Mas ainda temos a internet. Lutemos, pois!

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