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Posted by escriba on 17 May 2009 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, alimentação, imprensa
Pois é, e não é que os tais ecoxiitas que alertavam lá atrás que a aprovação do milho transgênico pelo Brasil traria problemas aos agricultores estavam certos? Os produtores do Paraná, responsáveis pela maior parte do milho plantado no país, estão sofrendo com a contaminação de suas lavouras pela versão transgênicas, assunto tão grave que ganhou manchete na Folha dias atrás. Se ambientalistas fossem mesmo chatos ficariam que nem aquele personagem de Carangos e Motocas que, ao final de cada episódio, repetia: “Eu te disse! Eu te disse!”
Há mais de uma década que a contaminação no campo provocada pelas culturas transgênicas é conhecida e denunciada, bem como a ameaça que representam à biodiversidade e o aumento no uso de agrotóxicos no campo. A imprensa brasileira, no entanto, passou esse tempo todo apenas reproduzindo o canto da sereia entoado pela indústria de biotecnologia, de que os transgênicos aumentariam a produção, os ganhos dos plantadores, combateriam a fome, seriam a resposta para a agricultura em tempos de mudanças climáticas. Mais de 20 anos depois da tecnologia estar na praça, o que temos? Plantas geneticamente modificadas para resistir a agrotóxicos - tudo feito pelas mesmas empresas (Bayer, Monsanto, Basf, Dow Química). Não é uma beleza? Não é raro ler editorais acusando ambientalistas e cientistas de serem ‘anti-ciência’, ‘obscurantistas’ ou mesmo ‘terroristas’, por pedirem tão somente um maior cuidado com um assunto envolto em tanta polêmica.
Foi preciso que diversos países europeus levantassem barreiras aos transgênicos no campo - entre eles França e Alemanha, dois dos maiores produtores agrícolas da Europa - e que a primeira colheita de milho transgênico no Brasil fosse tamanho desastre para que a nossa imprensa olhasse para fora da semente e percebesse que o quadro geral é bem mais feio que pintavam os promotores da nova tecnologia.
A questão toda não é a tecnologia em si. Como bem observou Jeffrey Smith em sua entrevista ao Roda Viva (gravada na última quinta-feira e que deve ir ao ar em breve na TV Cultura), ela pode um dia vir mesmo a ser interessante para a agricultura. “Mas ainda estamos longe desse dia”, alertou o americano, diretor executivo do Instituto pela Tecnologia Responsável e autor dos livros Sementes da Decepção e Roleta Genética, cuja edição nacional foi lançado semana passada no Brasil.
Tendo como entrevistadores Flavio Finardi Filho, professor da USP e membro do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB) - ONG bancada pela indústria de biotecnologia -, os jornalistas Alexandre Mansur (revista Época), Fernando Lopes (Valor Econômico) e Washington Novaes, Jeffrey Smith fez uma bela exposição dos riscos que corremos ao liberar no campo uma tecnologia tão cheia de buracos. Mansur e Finardi Filho, com a ajuda do apresentador Heródoto Barbeiro, bem que tentaram encurralar o entrevistado (”Então a FDA não é confiável?”, “A imprensa está vendida?”, “Se os transgênicos são tão ruins, porque tantos agricultores querem plantá-lo?”), mas ele se saiu bem lembrando da força da Monsanto no órgão federal americano que regula os alimentos no país; do caso dos jornalistas da Fox perseguidos por denúncias ao Posilac; e das muitas ilusões que a indústria vende aos produtores. Não foi contestado, apenas recebeu de volta risinhos debochados. A discussão, como se vê, ainda engatinha por aqui. Quando a imprensa brazuca parar de ver a questão toda por meio apenas das informações vindas da indústria, talvez aí as coisas fiquem mais claras. Por ora, serve apenas de biombo para uma ciência cega, que corre para chegar mais rápido ao buraco.
A imprensa aliás, como bem observou Luciano Costa Martins, é mais do que cúmplice disso tudo; é coautora do crime que se está cometendo com a agricultura e meio ambiente brasileiros. Não adianta culpar apenas o governo pela falta de fiscalização (a velha mania nacional), como fez a Folha na matéria sobre o milho transgênico no Paraná, é preciso rever parâmetros na hora de discutir temas tão controversos, para dar um panorama mais claro que vem acontecendo. Ou vão esperar o caldo entornar geral para enfim notarem que há mais verdades por aí do que as alegadas pelo CIB e companhia?
Ninguém aqui é contra a tecnologia, mas sim contra a sua aplicação inadequada. Devagar com o andor, galera, que o planeta é de barro.
Em tempo: Dias atrás, um membro da CTNBio, comissão encarregada da aprovação dos transgênicos no Brasil, visitou este blog e questionou minha argumentação sobre o assunto. Pedi uma entrevista ao Paulo Paes de Andrade, geneticista da UFPE, ele aceitou.
As respostas às 10 perguntas enviadas estão aqui. Agradeço ao Paulo pela boa vontade e elegância com que vem travando o debate - pelo menos neste blog.
Posted by escriba on 07 May 2009 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, alimentação, consumo, humor
Reduzir o consumo de carne é bom para a sua saúde e para o planeta. Sou carnívoro de longa data mas faz tempo que venho readequando minha dieta. Ainda estou longe de ser vegetariano, mas tenho conseguido manter uma boa média de dois bifões por semana. E não me sinto menos alimentado por conta disso. Aliás, isso é uma grande lenda, de que só comendo carne podemos ser fortes, sadios e dispostos para a vida moderna. Confira aqui a palavra de 5 grandes esportivas de primeiro time.
O pessoal do Do The Green Thing tem feito campanha para conscientizar as pessoas de que reduzir o consumo de carne é bom para todos - até para a indústria, que poderia melhorar suas atuais práticas de criação de animais.
Um vídeo divertido foi produzido sobre o tema, com reportagem de Jeremy Bovine, confira:
Moosnight from Green Thing on Vimeo.
Posted by escriba on 02 May 2009 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, alimentação, animais, consumo
Toda vez que um especialista é chamado a falar sobre gripe suína na TV, rádio ou jornal, fico na vã expectativa dele tocar no X da questão. Alguns especialistas até chegam a dar a senha do real problema que temos, lembrando que o crescimento da população mundial impõe uma produção massiva de alimentos, cada vez mais industrial, mas evitam criticar diretamente.
Tô pagando pra ver quem será o primeiro a dar o nome aos bois: a gripe é do modelo industrial de produção de alimentos, não dos porcos.
Enquanto isso, gripes suína e assemelhadas (aviária, por exemplo) continuarão a surgir, umas mais fortes outras mais fracas (como a atual), por conta dessa excessiva aglomeração de animais em espaços diminutos, todos alimentados com rações carregadas de agrotóxicos (e transgênicos) e tratados indiscriminadamente com antibióticos - ver aqui e aqui. Ferem o sândalo e ainda querem sair perfumados…
Pense nisso cada vez que for ao supermercado comprar alimento industrializado ou mesmo carne (bovina, suína ou de frango). Podem ser produtos mais baratos do que outros fabricados de forma ética, como os orgânicos, mas é o clássico caso do barato que sai caro. Enquanto nós, consumidores, não dermos mostras à indústria de que não queremos mais produtos fabricados às custas da saúde do planeta e nossa, nada mudará. E não é tão difícil fazer isso: consumir menos carne, dar preferência aos produtos que não usam agrotóxicos nem são fruto de práticas anti-éticas, ter uma alimentação mais equilibrada, se informar.
Tem gente no entanto que prefere pateticamente circular por aí de máscara e por a culpa nas autoridades. Paralisados em suas zonas de conforto, posando de vítimas, se deixando aterrorizar pelas manchetes, aguardando o próximo surto de gripe.
EM TEMPO: Para acabar com essa paranóia estúpida em relação à gripe suína, sugiro a leitura deste artigo do New York Times. Basicamente, diz: o vírus não é mais ‘mortal’ que a gripe comum e lavar as mãos regularmente é um procedimento pra lá de bem-vindo. O resto é cultura do medo.
Depois relaxa com o Sneeze.
Posted by escriba on 22 Apr 2009 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, alimentação, boca no trombone, consumo
Eu sei, eu sei, estou em dívida aqui com este espaço. Alguns já andaram reclamando, eu mesmo tava angustiado pra retomar o blog. Minha ausência tem um pouco a ver com o twitter, que supre parte de minha ânsia por compartilhar informação, mas também com a campanha Salvar o Planeta, do Greenpeace (que me consumiu durante três meses) e meus filhos, com quem tenho passado boa parte do tempo para matar as saudades.
Mas vamos lá reativar esta bagaça neste Dia da Terra. Não sou muito de blogagem coletiva, mas calhou de aparecer um vídeo bem legal justamente hoje. Eu na verdade tava afim de escrever sobre alimentação, agricultura industrial/transgênica x orgânica e contaminação de nossa comida por agrotóxicos, mas não tive tempo nem disposição pra elaborar algum texto que prestasse. Calma, né? Tenho que voltar devagar…
Então, me contento em publicar o vídeo Inspiring Action, do Greenpeace, que em menos de 24 horas chegou ao 5o. lugar no Viral Vídeo Chart, que mede a audiência dos vídeos publicados na internet.
Posted by escriba on 13 Mar 2009 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, alimentação

Água mole em pedra dura tanto bate até que… molha! Enfim consegui emplacar um artigo sobre transgênicos na grande imprensa brasileira, saiu hoje (sexta-feira) na página A3 da Folha de S. Paulo. Por mais incrível que pareça, foi a primeira vez que publicaram um artigo do Greenpeace sobre o tema!
Eu escrevi em parceria com Rafael Cruz (coordenador da campanha de transgênicos do Greenpeace) e Sérgio Leitão (diretor de campanhas da ONG), que assinam o artigo.
Segue abaixo:
Pax Transgênica
RAFAEL CRUZ e SÉRGIO LEITÃONO FINAL do século 19, enquanto republicanos e monarquistas debatiam o fim do Império e o nascimento da República no Brasil, a população permaneceu à margem de todo o processo. Alheios à transição política que estava em plena ebulição no país, os brasileiros assistiram “bestializados” à queda de d. Pedro 2º e à formação do novo governo, conforme constatou um desapontado Aristide Lobo, republicano de primeira hora. O império se foi e o brasileiro permaneceu apático, sem saber bem o que estava acontecendo.
Ainda que o espírito republicano tenha aberto espaços de participação popular nos destinos do país, certos setores da sociedade não aprenderam a incluir o cidadão comum nas discussões que lhe dizem respeito.
O debate sobre os transgênicos no Brasil, por exemplo, é um caso emblemático de “bestialização” moderna. As indústrias de biotecnologia e de alimentos, a comunidade científica, os grandes produtores rurais e os ambientalistas se digladiam há anos por meio de termos científicos, técnicos, ambientais, agrícolas e econômicos sem se preocuparem em traduzir essa sopa de letrinhas para a parte mais interessada: os consumidores.
Apesar de serem plantados no Brasil desde 1997, quando a soja geneticamente modificada foi introduzida ilegalmente nos campos do Sul do país, contrabandeada da Argentina, os transgênicos continuam sendo um grande mistério para os brasileiros. Pesquisa realizada em 2007 pelo Instituto Ipsos, a pedido do Greenpeace, revelou que a maioria (70%) expressa dúvida muito grande sobre a validade ou não do consumo de transgênicos. O que mostra que os cidadãos não estão recebendo informação necessária que lhes permita a tomada de decisão séria e responsável sobre o assunto.
O debate sobre os transgênicos poderia estar mais popularizado se a indústria respeitasse e o governo exigisse o cumprimento do decreto nº 4.680/2003, que entrou em vigor no Brasil no ano seguinte. Segundo o texto da lei, todo alimento que tenha sido fabricado com matéria-prima transgênica é obrigado a ter em seu rótulo um símbolo triangular amarelo, com um T preto no meio.
Apesar de estar em vigor há cinco anos, apenas algumas marcas de óleo de soja de algumas empresas foram rotuladas -e, mesmo assim, só a partir do início de 2008, por decisão da Justiça, a partir de denúncias enviadas pelo Greenpeace ao Ministério Público. O silêncio da indústria de alimentos permanece para os produtos que estão, em imensa quantidade, nas prateleiras dos supermercados e que são fabricados a partir de soja transgênica -e em breve do milho transgênico, recém-aprovado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança.
O assunto promete ganhar força a partir do dia 18 de março, quando a CTNBio fará audiência pública sobre o arroz geneticamente modificado da Bayer. Diferentemente do que ocorre com a soja e o milho, que passam por processamento industrial para virar ração ou óleo, com o arroz poderemos ter, pela primeira vez, um produto geneticamente modificado que irá diretamente do campo para o prato do brasileiro. E seremos os primeiros no mundo a consumir o arroz transgênico, já que o produto da Bayer não está aprovado em nenhum outro país.
A correta identificação dos produtos transgênicos dá aos consumidores a liberdade de escolha e à sociedade civil e à indústria de alimentos a chance de responder aos brasileiros a pergunta óbvia: o que são transgênicos? As pessoas aprenderam a ler rótulos e procuram se informar sobre as substâncias ali indicadas. Se os transgênicos são tão seguros quanto afirmam as empresas que desenvolvem essa tecnologia, que sejam identificados nos alimentos que os contêm. E os consumidores se informarão sobre o assunto, como o fazem hoje para saber os teores de gordura trans, carboidratos e sódio dos alimentos. Anos atrás, a indústria também resistiu a dar esse tipo de informação.
Na verdade, ao final da guerra pela liberação dos transgênicos, quando foi aprovada no Congresso a Lei de Biossegurança, as condições para a “pax transgênica” que deveriam ser seguidas nunca foram respeitadas -a correta identificação dos produtos que contivessem transgênicos e a garantia da coexistência da sua produção com a convencional e/ou a orgânica. E, como em toda guerra, a maior parte do ônus fica com a sociedade civil, que é obrigada a conviver com a negação de um direito básico: saber o que está comendo.
Indicar nos rótulos aqueles alimentos que de alguma forma têm organismos geneticamente modificados em sua composição é o caminho para que a população brasileira entre de vez nesse debate. Que a decisão dos brasileiros se dê em meio ao excesso de informação, não sob sua escassez.
RAFAEL CRUZ, cientista social, é coordenador da campanha de engenharia genética do Greenpeace.
SÉRGIO LEITÃO, advogado, é diretor de campanhas do Greenpeace. Foi diretor do Instituto Socioambiental.
Agora que tal assinar a petição contra o arroz transgênico da Bayer? Clique aqui e ajude o Brasil a ficar livre de transgênicos.
Posted by escriba on 12 Feb 2009 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, alimentação, boca no trombone, documentario, filmes
O documentário O Mundo Segundo a Monsanto, da jornalista francesa Marie-Monique Robin, finalmente ganhou legendas em português no Youtube. Está dividido em 12 capítulos. Quem quiser realmente entender o que está por trás da engenharia genética aplicada a alimentos precisa ver esse filme.
Robin agora está se dedicando a desvendar as relações entre a industrialização da agricultura e o aumento nos casos de câncer no mundo, segundo disse em entrevista à revista Época. Não é de hoje que sabemos que comida industrializada é lixo embalado. A questão é quanto isso está fazendo mal para nossa saúde. Uma matéria publicada terça-feira no Estadão, por exemplo, mostra que estamos envenenando nossas crianças com excesso de gordura, sal, açúcares.
Os transgênicos são apenas parte do problema. A questão central é o descaso da indústria - e de boa parte dos consumidores - com algo tão fundamental como nossa comida do dia-a-dia. Devemos sempre conhecer o que ingerimos, saber o que pode provocar em nosso organismo, quais as contra-indicações, e assim por diante. Mas para isso precisamos de honestidade por parte da indústria, o que não acontece. Eles só se mexem quando há pressão de consumidores e/ou Justiça - quando se mexem. Mas a gente tá aqui pra dar bicuda na canela deles até que tomem vergonha na cara e mudem o paradigma do seu negócio, né não?
Enfim, vamos ao filme:
Posted by escriba on 03 Feb 2009 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, alimentação, cultura, documentario, egotrip, filmes, fotografia, musica
Não conhecia Belém. Apesar de ter família na cidade, foi preciso o Greenpeace ir até lá pra eu circular pela capital nacional das mangas - as mangueiras estão por toda parte, para deleite da população e terror dos motoristas. Me senti em casa, até porque o belenense puxa o ‘S’ e o ‘R’ como os cariocas e descobri que tenho primos na cidade, Ivanir e Dolores, adoráveis, foi ótimo passar uma tarde com eles, mandando ver no açaí e na torta de bacuri, suco de cupuaçu, tudo isso ao som dos milhares de periquitos (ou maritacas, vai saber) que fazem ninhos na imensa árvore que fica em frente à igreja de Nossa Senhora de Nazaré e do prédio deles. Curti muito Belém, o calor, a chuva refrescante de fim de tarde, a rica gastronomia local, a simpatia das pessoas, a proximidade da floresta amazônica, a música (o reggae local é brilhante!). Espero voltar um dia, de preferência com meus filhos.
Ficar tanto tempo sem atualizar o blog é foda porque acontece tanta coisa nesse meio-tempo que fica até difícil de organizar tudo num post, sem que ele fique gigantesco e cansativo pra ler. Mas enfim, vou desaguar tudo que está na minha memória, assim, se sopetão, até porque já estou em Fortaleza e tenho que acordar cedo amanhã pra articular algumas entrevistas pro meu camarada Baitelo, a estrela desta parte da expedição Salvar o Planeta. É Agora ou Agora.
Como tava dizendo, passei uma tarde com meus primos, filhos do irmão do meu avô. Era um ramo da família que não conhecia, ou melhor, sabia deles, mas nunca os tinha visto, a não ser uma vez que foram a São Paulo, há um ano, e jantei com eles numa pizzaria. Quando meu pai me lembrou deles, liguei e marquei de almoçar, tomar café-da-manhã, visitar o barco, tudo, mas o que funcionou mesmo foi o aleatorismo (como sempre). Estava com a Mari indo a pé para encontrar a marcha, que já havia saído da Estação das Docas. No meio do caminho, me lembrei que os primos moravam por ali, liguei e acabamos assistindo parte da procissão da esquerda latino-americana do sétimo andar do prédio que fica em frente à praça da igreja. Quando o imenso boi inflável do Greenpeace apontou na esquina, descemos correndo para poder pegar carona.
Uma das coisas que mais me surpreenderam em Belém foi o carinho com que as pessoas receberam o Greenpeace na cidade. Sim, porque havia toda uma preocupação com segurança, fomos avisados para não andar pelas ruas com a camisa do Greenpeace, para não aceitar provocações, etc - afinal de contas, o Pará é um dos estados que mais desmata a floresta e mata pessoas que a defendem (mesmo que seja uma missionária septuagenária, como Dorothy Stang). Mas nada disso aconteceu, pelo contrário. Vi pessoas fazendo juras de amor ao Greenpeace, implorando por uma camisa ou fitinha que fosse, querendo embarcar para onde quer que fosse, exigindo a criação de um grupo de voluntários na cidade. Conquistamos eles - e eles nos conquistaram.
Me apaixonei também pela culinária paraense. Não sou muito de peixe, mas em Belém eu praticamente só comi peixe. Filhote ao tucupi, pirarucu com salada de feijão, tambaqui e arroz com jambu, tudo sempre com muita farinha de mandioca. Aliás, impressionante a quantidade de coisas que se faz com mandioca - farinha, molho, petisco, massa, sorvete. É uma dádiva. Comi várias vezes no barco também, comida bem boa, preparada pela Iracema (de Manaus) e por um cozinheiro filipino, cujo nome me foge agora (oops, foi mal…). Queria muito embarcar pra vir pra Fortaleza, mas me incluíram fora dessa. De qualquer forma, eu tinha que chegar antes pra chamar a imprensa pra todas as atividades que vamos preparar aqui no Ceará - além dos ‘open boats’, tem um seminário de energia eólica e um encontro com donos de restaurantes e supermercados de Fortaleza para mostrar os impactos negativos da carcinicultura (criação de camarão) no meio ambiente. Quem sabe numa próxima vez?
Pena não ter podido frequentar mais o Fórum Social Mundial. Estive por lá duas vezes apenas, só assisti palestras do Greenpeace e pouco contato travei com outras entidades presentes. Mas o clima era bem legal, diversidade à toda prova. Destaque para a grande presença de tribos indígenas e para o grande galpão montado em comemoração aos 50 anos da revolução cubana. Espero que o FSM volte para a Amazônia logo.
Ainda em Belém, encontrei gente que há tempos não via, como Oona, João e Sérgio Amadeu, que me ajudou a organizar uma boa festa de despedida do Greenpeace na cidade - um show do Fernando, do Teatro Mágico, em frente ao navio. O cara topou na hora e foi muito maneiro, juntou umas 300 pessoas em frente ao Arctic Sunrise. O vídeo desse sarau improvisado está aí embaixo. Já estamos até pensando em repetir a dose, aguardem!
As boas vibrações foram tantas que em seguida rolou uma festinha no heliponto do barco e, de lá, depois fomos para um carnaval de rua na Praça do Carmo e lá ficamos até umas quatro da matina. Como a noite era uma criança, ainda deu tempo de curti Juca Culatra e Power Trio no Açaí Biruta. Muito bom o som! E ficou ainda melhor quando Fernando, que nos acompanhou, foi reconhecido pelo guitarrista e chamado ao palco. Tocaram uma música do Teatro (confesso que não sei qual) e a galera veio abaixo, a exemplo do que aconteceu quando o grupo começou tocar Umbabarauma, do Jorge Ben, pra encerrar a apresentação. Gravei um trecho, taí embaixo também.
O sol nasceu, nossas energias acabaram e fomos pro hotel, leves como plumas. Dia seguinte, o último do barco em Belém, todo mundo cansado mas feliz. Ao fim do dia, desmontamos tudo e guardamos no navio, que neste exato momento navega para Fortaleza - deve chegar por aqui no dia 6.
Bom, se minha memória de samambaia plástica não falhou, foi mais ou menos isso que vi e vivi nos últimos dias. Agora é Fortaleza. Amanhã vou encontrar meu camarada Sávio, que abandonou a boa vida em São Paulo para ter uma melhor ainda aqui na terra de Sasha Grey. Mandou bem!
Acho que o post tá de bom tamanho pra segurar mais alguns dias sem postagem, né não? Enfim, vamos ver o que dá pra fazer. Inté!
(nao deu tempo de subir as fotos e os vídeos do Juca Culatra. Amanha eu faço isso.)
(Teatro Mágico e Greenpeace juntos, em Belém (janeiro/2009)
Posted by escriba on 09 Jan 2009 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, alimentação, boca no trombone, consumo, documentario, filmes
A jornalista francesa Marie-Monique Robin, autora do documentário O Mundo Segundo a Monsanto, deu uma entrevista reveladora à revista Época desta semana. É nítida a má vontade da entrevistadora, que preferiu colocar Robin na defensiva, em vez de saber mais sobre os riscos dos transgênicos e o que os consumidores podem fazer para evitá-los, e também o que a sociedade tem que fazer para evitar que corporações como a Monsanto continuem a desrespeitar o bem-estar da população.
Um trecho:
ÉPOCA – E como seria esse mundo segundo a Monsanto que você descobriu?
Marie - Cheio de pesticidas. Cerca de 70% dos alimentos geneticamente modificados são feitos para serem plantados com uso do agrotóxico Roundup. Ao comer uma transgênico, a pessoa está praticamente ingerindo Roundup. E, ao contrário do que propagou a Monsanto, esse pesticida não é bom ao meio ambiente e muito menos biodigradável. Ele é muito tóxico. Tenho certeza de que nos próximos cinco anos ele vai ser proibido no mundo, tal como aconteceu com outro produto da companhia, o DDT. O mundo segundo a Monsanto também é dominado por monoculturas. O que é um problema para a segurança alimentar, pois concentra a produção de alimentos na mão de poucos. Também considero arriscado deixar a alimentação mundial na mão de companhias que no passado produziam venenos e armas químicas como o agente laranja, despejado por tropas americanas no Vietnã.
Para ver o documentário online, clique aqui.
Conheça aqui os 7 pecados capitais dos transgênicos.
Posted by escriba on 05 Dec 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, alimentação, documentario
A jornalista francesa Marie-Monique Robin lança na próxima segunda-feira, no anfiteatro do departamento de Geografia da USP, a edição brasileira do seu livro O Mundo Segundo a Monsanto, com direito a exibição gratuita do documentário homônimo, seguido de debate com a autora. A partir das 18 horas. Imperdível!
Robin depois irá para Piracicaba, Brasília e Rio de Janeiro. Confira a agenda dela aqui.
A Vanity Fair fez um perfil da empresa no início do ano, saca só.
Posted by escriba on 13 Aug 2008 | Tagged as: alimentação, animação, filmes
Não, não estou falando daquelas clássicas disputas infantis, mas do vídeo Food Fight, que conta parte da história mundial dos conflitos armados de uma maneira divertida. Em vez de soldados, tanques e aviões de guerra, temos hamburgueres, sushis e macarronadas. Tente descobrir quem é quem e qual a guerra que está rolando. Depois confira aqui o gabarito pra ver se matou a charada.