Embaixo da floresta boreal canadense, em Alberta (ao norte do país), está a segunda maior reserva de petróleo do mundo. Numa areia escura e lamacenta, que se estende por uma região quase do tamanho da Inglaterra, está o betume, que vem atraindo cada vez mais o interesse das grandes companhias petrolíferas do mundo. Só que esse ‘ouro negro’ é puro veneno. Para se obter um barril de betume ‘limpo’, são necessárias duas toneladas dessa areia, um processo que gasta muita energia, emite CO2 na atmosfera como poucos e desmata quilômetros e mais quilômetros de florestas primárias. Perto das areias betuminosas de Alberta, o pré-sal brasileiro é fichinha - tanto em tamanho como em danos possíveis ao meio ambiente. O Greenpeace Canadá fez um impressionante documentário sobre essa nova fronteira petrolífera e seu impacto no meio ambiente - local e mundial. O filme se chama Petropolis e ganhou este ano o prêmio do júri num festival suíço de documentários, em Nyon. Confira o trailer aqui.

EM TEMPO: Acabei de ficar sabendo que o presidente Lula, em uma reunião na última quinta-feira em Brasília, admitiu pela primeira vez a hipótese de participar da Conferência da ONU sobre clima marcada para dezembro em Copenhague. A idéia é dar mais peso à apresentação do plano brasileiro de combate às mudanças climáticas, o que inicialmente estaria a cargo dos ministros Celso Amorim (Relações Exteriores) e Carlos Minc (Meio Ambiente). Lula que aproveitar seu prestígio internacional para dar uma ‘bombada’ na proposta brasileira. Se até lá ele melhorar o documento, incluindo propostas como o desmatamento zero na Amazônia, maior incentivo às energias renováveis no país e a proteção dos oceanos com a criação de áreas marinhas, pode ser um bom negócio mesmo.