Estamos doentes e a culpa não é da gripe suína
Posted by escriba on 02 May 2009 at 01:09 pm | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, alimentação, animais, consumo
Toda vez que um especialista é chamado a falar sobre gripe suína na TV, rádio ou jornal, fico na vã expectativa dele tocar no X da questão. Alguns especialistas até chegam a dar a senha do real problema que temos, lembrando que o crescimento da população mundial impõe uma produção massiva de alimentos, cada vez mais industrial, mas evitam criticar diretamente.
Tô pagando pra ver quem será o primeiro a dar o nome aos bois: a gripe é do modelo industrial de produção de alimentos, não dos porcos.
Enquanto isso, gripes suína e assemelhadas (aviária, por exemplo) continuarão a surgir, umas mais fortes outras mais fracas (como a atual), por conta dessa excessiva aglomeração de animais em espaços diminutos, todos alimentados com rações carregadas de agrotóxicos (e transgênicos) e tratados indiscriminadamente com antibióticos - ver aqui e aqui. Ferem o sândalo e ainda querem sair perfumados…
Pense nisso cada vez que for ao supermercado comprar alimento industrializado ou mesmo carne (bovina, suína ou de frango). Podem ser produtos mais baratos do que outros fabricados de forma ética, como os orgânicos, mas é o clássico caso do barato que sai caro. Enquanto nós, consumidores, não dermos mostras à indústria de que não queremos mais produtos fabricados às custas da saúde do planeta e nossa, nada mudará. E não é tão difícil fazer isso: consumir menos carne, dar preferência aos produtos que não usam agrotóxicos nem são fruto de práticas anti-éticas, ter uma alimentação mais equilibrada, se informar.
Tem gente no entanto que prefere pateticamente circular por aí de máscara e por a culpa nas autoridades. Paralisados em suas zonas de conforto, posando de vítimas, se deixando aterrorizar pelas manchetes, aguardando o próximo surto de gripe.
EM TEMPO: Para acabar com essa paranóia estúpida em relação à gripe suína, sugiro a leitura deste artigo do New York Times. Basicamente, diz: o vírus não é mais ‘mortal’ que a gripe comum e lavar as mãos regularmente é um procedimento pra lá de bem-vindo. O resto é cultura do medo.
Depois relaxa com o Sneeze.







Falou e disse!
Sair do conforto e acordar para o que está acontecendo não é fácil. Aliás, dá medo…pois mexe com toda a nossa cultura e tradição. O difícil é dar o passo inicial.
Consumir menos carne, dar preferência para produtos orgânicos e comer de forma mais saudável são ações indispensáveis de quem se preocupa com o ambiente e com sua saúde. São atitudes saudáveis que deveriam ser seguidas por todos.
Se você acha que produto orgânico é caro, procure comprar em feiras, direto do produtor. Se acha que não consegue viver sem carne e refrigerante,comece evitando comer 1 dia por semana.
O início de um novo hábito não é fácil, mas com o tempo torna-se prazeroso e depois você começa a pensar porque não fez isso antes.
Está tudo aí…
Até q enfim alguem falando alguma coisa sensata.
Não sou, radicalmente, veganista. Mas acho que o homem deveria caçar o animal que deseja comer. Toda essa industrialização só fodeu com a natureza.
Abraço!
[...] Já faz tempo que a queridona Lu Freitas falou sobre o documentário “Criança, a alma do negócio” . Consumir é algo que faz parte de nossas vidas. A não ser que você esteja vivendo dentro de uma caverna, todos os dias queremos possuir algo a mais, por causa da publicidade, por causa da sociedade de consumo, ou porque é impossível resistir as últimas novidades. Se você é um adulto pode implementar regras para consumir menos, para controlar atos impulsivos de compra, mas e se você é uma criança? E se você é pai ou mãe, tem um filho que vê muita televisão e é exposto a muito mais propagandas que você? Quais os hábitos de consumo que deveríamos estimular se vivemos num mundo que cada dia se degrada mais por causa do consumo? Você olha para a gripe suína e vê o quê? Porquinhos espirrando? Ou o resultado do modelo industrial da produção de alimentos? [...]
Seria a gripe suína uma simples reação da lei do karma?
O Mauro Santayana (JB, 01/05) foi direto ao ponto: “O governo do México e a agroindústria procuram desmentir o óbvio: a gripe que assusta o mundo se iniciou em La Glória, distrito de Perote, a 10 quilômetros da criação de porcos das Granjas Carroll, subsidiária de poderosa multinacional do ramo, a Smithfield Foods.” E continua em http://www.jblog.com.br/politica.php?itemid=12578#nucleus_cf
O Santayana, pra variar, mandando bem…
gripe suína e a lei do karma? desenvolva…
A industrialização não é 100% ruim, mas no afã por lucros e por produzir as novidades inventadas, fizeram muuuuitas cagadas por aí… O melhor seria ‘devagar e sempre’…
[...] http://escriba.org/novo/2009/05/estamos-doentes-e-a-culpa-nao-e-da-gripe-suina/ criado por ls.terra 16:24 — Arquivado em: desabafo — Tags:culpa, gripe, [...]
Olá,
é a primeira vez que entro em seu site e achei muito interessante a matéria sobre a gripe suína…
é minha opinião tbm…tenho um blog que criei recentemente e me perdoe, eu postei seu ponto de vista lá..mas não se preocupe porque eu coloquei a fonte…
é isso…
bye
Valeu, Laiza, pela referência ao Escriba! Fique à vontade para reproduzir o que quiser daqui!
abs!
Concordo com relação ao aumento da população e a industrialização generalizada da alimentação humana, inclusive quanto à qualidade de certos alimentos.
No entanto não há o bastante para alimentar tanta gente sem a produção industrial e seriam necessários milhares e milhares de pequenos criadores, além da distribuição e centralização de vendas, o que infelizmente não é fácil.
Quanto a gripe aviária, causada pelo vírus A/H5N1, informo que os países mais afetados encontram-se na Ásia, mais notadamente Vietnã, Egito, Indonésia, etc, e que justamente pela falta de industrialização alimentícia é que houve a dissiminação do vírus, pois infelizmente a população não verifica as condições de higiene básicas.
Quanto ao H1N1, trata-se de um tipo de vírus já conhecido da ciência, que sofre diversas mutações, e que nada tem a ver com a industrialização ou não da cadeia alimentar, e especialmente dos suínos.
É um vírus normalmente encontrado nesses animais e que vez ou outra sofre e sofrerá recombinações com outros vírus de influenza do tipo A que infectam os seres humanos, pois os porcos possuem a capacidade de manter vírus humanos e animais, especialmente os aviários, e então encontrando-se, estes se recombinam e vez ou outra acabam por criar cepas pandêmicas, e isso não tem nada a ver com a industria. Basta ler um pouco de história.
Meu caro, tanto no caso da gripe aviária quanto no da suína as condições industriais de criação de animais sao propicias para o recombinamento genético. Lembro bem na epoca da gripe aviaria das imagens das granjas asiáticas, abarrotadas de aves em espaços mínimos e, sim, em condições higienicas deploráveis.
Quanto à necessaria industrialização da producao de alimentos para suprir as necessidades da populacao, nao é bem o que dizem os especialistas. A ONU promoveu um encontro mundial de cientistas, o IAASTD (o IPCC da agricultura) e nele foi aconselhado que se invista mais em agricultura familiar, que hoje já é responsavel pela maior parte da producao em países como Brasil, China e EUA.
A industrializacao baixou os preços e aumentou a producao num primeiro momento, mas já podemos ver hoje que o barato sai caro e o aumento de producao já não é tão significativo assim, se computarmos aí os prejuizos que a atividade vem provocando no solo, nos rios, na biodiversadade, nas pessoas.
E nao falta terra nem comida. Falta bom senso. A agricultura industrial hoje provoca mais prejuízos do que benefícios à alimentacao e à saude da população. A hora de promover uma mudança no modo de producao é agora. Se mantivermos as coisas como estao, a tendencia é os problemas piorarem.
Maurício, recomendo a leitura do seguinte texto:
http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=13480
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