Em tempos de Twitter, estou cada vez mais Slow Blog que, a exemplo do movimento Slow Food, prega a reflexão ante o imediatismo. A certeza ficou ainda maior após ler este artigo. Blogar não é jornalismo nem pode ser limitado por ele. Está além. É soltar uma garrafa no mar de informações que inunda nosso dia-a-dia e deixar rolar.

Uma das coisas que mais me diverte é receber comentários de posts antigos, de assuntos que eu nem mais me lembrava ter comentado. E isso me leva a novos caminhos, me traz novas reflexões. Ao contrário da ânsia pelo ‘furo’ que move o jornalismo, blogar sugere a busca de idéias afins, da complementariedade que vem com os comentários, da descoberta de intepretações variadas de um mesmo texto, da afirmação em busca de indagações. É subverter o espírito imediatista do small talk e elocubrar sobre acontecimentos distantes, músicos sumidos, livros perdidos, o que foi notícia na semana passada, na década passada. É pedir que enviem cartões-postais para um blog relatando o que se está fazendo no momento - seja ele qual for. Taí, faz tempo que não mando um cartão-postal…

Mas a exemplo de outros blogueiros, também sofro por vezes da síndrome de Robinson Crusoe, aquela sensação de que ninguém está lendo meus posts (com a falta de comentários eu já me acostumei…) Mas decidi que não escrevo pelos outros, escrevo por mim mesmo. É um exercício literário e jornalístico que me imponho, para tirar a ferrugem. Escriba precisa escrever. Sempre. Começo com uma idéia, uma boa sacada, uma palavra ou frase de efeito, vou burilando, amarrando as coisas aqui e ali, apagando outras (por vezes até a idéia original dança), até conseguir traduzir minhas reflexões sobre o tema proposto. Ou não… :)

De todo modo é uma lapidação tortuosa e demorada, que curto empreender. Não há post meu que não seja alterado depois de uma segunda olhada. Já cheguei a mudar o texto inteiro de alguns - inclusive título. Nada é para sempre. Só a ânsia de transformar idéias em palavras. Essa não tem fim. Com ou sem leitores.