November 2008
Monthly Archive
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Posted by escriba on 27 Nov 2008 | Tagged as: cultura, musica
Das andanças pelo Marrocos, Gabi me revela Tinariwen, banda de Mali que representa os nômades tuaregs do norte da África. Grande som, menina!
Aqui o Tinariwen numa inacreditável jam com Robert Plant em Whole Lotta Love! (filmado toscamente por alguém que tava no show deles em Paris, em 2007:
Agora viajei no tempo. Um dos meus primeiros CDs foi uma coletânea da EMI de 94, só com músicas de Mali. Era uma série chamada Hemisphere - Electric & Acoustic Mali - com Kadja Tangara, Lobi Traore, Ami Koita e Kerfala Kante (um barato esses nomes, não?) Por incrível que pareça não tem um dos nomes mais conhecidos da música de Mali, Ali Ibrahim “Farka” Touré. Que aliás tem um disco sensacional com o Ry Cooder, Talking Timbuktu.
Então fechemos com um som desse disco, Ai Du, bluesão curtido no deserto:
Posted by escriba on 26 Nov 2008 | Tagged as: blog, egotrip
Em tempos de Twitter, estou cada vez mais Slow Blog que, a exemplo do movimento Slow Food, prega a reflexão ante o imediatismo. A certeza ficou ainda maior após ler este artigo. Blogar não é jornalismo nem pode ser limitado por ele. Está além. É soltar uma garrafa no mar de informações que inunda nosso dia-a-dia e deixar rolar.
Uma das coisas que mais me diverte é receber comentários de posts antigos, de assuntos que eu nem mais me lembrava ter comentado. E isso me leva a novos caminhos, me traz novas reflexões. Ao contrário da ânsia pelo ‘furo’ que move o jornalismo, blogar sugere a busca de idéias afins, da complementariedade que vem com os comentários, da descoberta de intepretações variadas de um mesmo texto, da afirmação em busca de indagações. É subverter o espírito imediatista do small talk e elocubrar sobre acontecimentos distantes, músicos sumidos, livros perdidos, o que foi notícia na semana passada, na década passada. É pedir que enviem cartões-postais para um blog relatando o que se está fazendo no momento - seja ele qual for. Taí, faz tempo que não mando um cartão-postal…
Mas a exemplo de outros blogueiros, também sofro por vezes da síndrome de Robinson Crusoe, aquela sensação de que ninguém está lendo meus posts (com a falta de comentários eu já me acostumei…) Mas decidi que não escrevo pelos outros, escrevo por mim mesmo. É um exercício literário e jornalístico que me imponho, para tirar a ferrugem. Escriba precisa escrever. Sempre. Começo com uma idéia, uma boa sacada, uma palavra ou frase de efeito, vou burilando, amarrando as coisas aqui e ali, apagando outras (por vezes até a idéia original dança), até conseguir traduzir minhas reflexões sobre o tema proposto. Ou não…
De todo modo é uma lapidação tortuosa e demorada, que curto empreender. Não há post meu que não seja alterado depois de uma segunda olhada. Já cheguei a mudar o texto inteiro de alguns - inclusive título. Nada é para sempre. Só a ânsia de transformar idéias em palavras. Essa não tem fim. Com ou sem leitores.
Posted by escriba on 26 Nov 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, bizarro/curiosidade, brasil, civilização, consumo, livros
Saramago está na área e eu perdi a oportunidade de fazer mais uma entrevista com um de meus ídolos - semana passada foi a vez do Fritjof Capra, que em breve enriquecerá um de meus posts, aguarde. Mas minha camarada Lúcia esteve na coletiva de imprensa que rolou com o escritor português e, melhor, conseguiu fazer uma pergunta que eu enviei. Simples: “O que é vida sustentável?”
Eis a resposta:
É emprego. É viver como sobrevivente. Ter consciência da precariedade dos bens, poupando, conservando, enfim assumindo a abordagem de sobreviventes. Deveríamos viver como sobreviventes, poupar, não desperdiçar, limpar terreno e ar, de modo que se possa viver.
Hoje temos a cultura do mais, em tempos de crise como este, as pessoas caem, a classe média perde sua condição. Os governos são responsáveis pelo que acontece - os ricos, os riquíssimos.
O Estado é inimigo, dizem quanto menos melhor, mas é o Estado que é chamado à responsabilidade para salvar o Citibank, a GM. E o Estado somos nós, nossos impostos.
Não há alternativa política, não há alternativa econômica. E vamos viver de remendos.É sustentável desde que se tenha emprego.
Mais Saramago lá no Ladybug.
Em tempo: no próximo sábado (dia 29) é Dia de Nada Comprar, campanha mundial do pessoal da Adbusters que há 17 anos incentiva as pessoas a não se deixarem seduzir pelo canto da sereia do mercado. Vá à praia, ao parque, dar uma volta de bicicleta, leia um livro. Em tempos de crise financeira, até que não vai ser difícil deixar a carteira quietinha…
Se vc está pensando em fazer alguma atividade, performance ou protesto para marcar o dia, coloque na página wiki da campanha.
Posted by escriba on 25 Nov 2008 | Tagged as: humor, internet
As celebridades da internet todas reunidas num só episódio do South Park! Tem o Numa Numa, o Dramatic Look, o Star Wars Kid, o bebê e sua gargalhada, o panda que espirra, o Tron man, os Backstreet boys asiáticos e outros! Genial !
Posted by escriba on 25 Nov 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, boca no trombone, consumo
A Califórnia segue dando o exemplo. A Comissão de Proteção ao Oceano do estado americano está propondo três medidas para reduzir a quantidade de lixo que acaba poluindo o mar: banir as embalagens de isopor para alimentos, cobrança de taxas para o uso de sacolas de papel e/ou plástico, e (a principal delas, a meu ver) tornar os fabricantes responsáveis pela coleta e reciclagem das embalagens de seus produtos. É isso ou ver o mar se transformar numa imensa sopa de lixo!
Segundo a Comissão, essa última exigência já funciona em 33 países no mundo, encorajando a redução de material usado, reduzindo o peso final dos produtos, permitindo o uso de materiais recicláveis e obrigando os fabricantes a redesenharem seus produtos e embalagens. Na Alemanha, após quatro anos do início do programa, o lixo produzido por embalagens foi reduzido em 14%. É pouco ainda.
As empresas são contra, claro. Dizem que é melhor incentivar a reciclagem e ameaçam com desemprego. O velho discurso da indústria, mesquinha toda vida. Reciclar é bom, mas produzir menos lixo é ainda melhor. Reciclar gasta muita energia e recursos materiais e humanos. Ninguém em sã consciência acha confortável a quantidade de papel, plástico, isopor e quetais que acompanha um brinquedo, TV ou aparelho de som recém-comprado na loja. Repara só na pilha de lixo que se forma no Natal após a abertura dos presentes. É vergonhoso!
Lixo é um dos grandes problemas mundiais do século 21.
Pra mim, toda e qualquer empresa deveria ser responsável pela coleta e correta eliminação do produto que fabricou, seja uma embalagem, celular ou carro. Haveria exceções, claro - móveis por exemplo. Medidas como essa evitariam absurdos como a exportação de lixo eletrônico para países de Ásia, causando a intoxicação de milhares de pessoas.
O rápido avanço da tecnologia tem sido de mão-única, com o desenvolvimento de produtos cada vez mais modernos e eficientes, mas o uso de substâncias tóxicas na sua fabricação e a falta de preocupação com o seu destino final - o lixo - põe tudo a perder. Sem falar na tal obsolescência planejada…
Veja o caso dos Estados Unidos: em fevereiro do ano que vem, com a adoção da TV digital por lá, estima-se que cerca de 10 milhões de aparelhos antigos sejam dispensados no país, gerando um problema monstro. Apesar disso, poucas empresas têm programas amplos de reciclagem para atender a essa demanda e evitar que esse lixo contamine pessoas e o meio ambiente - provavelmente na Índia, China ou Paquistão. Para pressionar grandes fabricantes como Sony, Samsung, LG e Toshiba, entre outras, a evitarem essa catástrofe, ONGs americanas formaram a Electronics TakeBack Coalition e deram início à campanha Take Back My TV.
Os consumidores também têm seu papel nessa história toda. Na hora da compra, dê preferência a produtos que tenham pouca embalagem e que tenham sido fabricados de forma sustentável e responsável. Se informe na loja, ligue para o fabricante pelos serviços de atendimento ao consumidor, exija seu direito de saber o que está comprando. E questione sobre programas de reciclagem, principalmente de aparelhos eletrônicos. Quanto mais pessoas encherem os SACs (serviços de atendimento ao consumidor) das empresas, mais elas se sentirão pressionadas a tomar alguma medida. De tanto levar bica nas canelas, uma hora terão que se mexer.
Posted by escriba on 25 Nov 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, boca no trombone, canalhice, energia
A Bovespa acabou de anunciar que a Petrobras, Aracruz Celulose, Companhia Paranaense de Energia (Copel), CCR Rodovias, Copel, Iochpe-Maxion e WEG foram excluídas da lista das empresas do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bovespa. Esse índice é composto de ações de companhias que apresentam alto grau de comprometimento com a sustentabilidade e responsabilidade social. No lugar delas entraram a TIM, Telemar, Unibanco, Celesc, Duratex e Odontoprev.
No caso da Petrobras, é resultado direto do esforço de ONGs e secretarias estaduais de Meio Ambiente, que vinham há tempos denunciando a estatal por descumprir resolução de 2002 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) para diminuir a partir de 2009 a quantidade de enxofre no diesel que vende no Brasil. Apesar de ter tido sete anos para se adequar à resolução, a Petrobras e a Anfavea (da indústria de automóveis) afirmam que não tiveram tempo para tal e se recusaram a cumprir a determinação.
Apenas na cidade de São Paulo, o ar poluído mata de 12 a 14 pessoas por dia, segundo estimativa de Paulo Saldiva, professor de medicina da USP (Universidade de São Paulo) e uma das autoridades no debate sobre os efeitos da emissão de poluentes na saúde. “Embora abasteça 10% da frota do país, o diesel é responsável por 45% da emissão de partículas em São Paulo e quase metade das mortes causadas pela poluição”, calcula Saldiva. (fonte: CMI)
Segundo o professor Saldiva, os dados mostram que a poluição do ar mata mais do que a aids e o trânsito juntos na cidade de São Paulo.
Posted by escriba on 25 Nov 2008 | Tagged as: filmes, imprensa, internet
A boa revista editada pelo ‘vovô’ Zé José (ou Eduardo Souza Lima para os desconhecidos) agora está apenas na internet. Sinal dos tempos. Quer saber mais sobre quadrinhos, política, música, cinema e cultura de boteco em geral? Então visite www.revistazepereira.com.br
Em breve, no site, a cobertura completa do Festival de Cinema de Brasília.
Posted by escriba on 23 Nov 2008 | Tagged as: animação, internet, musica
Lembra do concurso de covers do som Rock’n'Roll Train promovido pelo pessoal do AC/DC? Pois um dos vencedores é esse moleque aí, de 13 anos. Mandou bem! Levou pra casa uma dessas belezinhas aí de cima - provavelmente ganhou a da direita, idêntica à usada pelo Angus Young. O outro vencedor (novo dono da outra guitarra) fez uma animação stop-motion meio sem graça…)
(se quiser ver alguns dos outros 222 concorrentes, clique aqui)
Posted by escriba on 22 Nov 2008 | Tagged as: brasil, filmes, fotografia, internet, musica
Depois de muito tempo sem ir à praça Benedito Calixto, tirei o sabadão pra reencontrar algumas amigas dos tempos da faculdade (Lu, Cris, Paula, da Eco-UFRJ) e mostrar a Martim e Sofia aquela boa e velha rodinha de choro - eles curtiram a vera o som, e também os cubinhos de queijo e presunto oferecidos pela flautista…
Lá pelas tantas, alguém pega o microfone e lembra que o evento daquela tarde era em homenagem a Zumbi dos Palmares e também à Revolta da Chibata, que completou hoje 98 anos. Em 22 de novembro de 1910, marinheiros brasileiros se revoltaram contra a aplicação de chibatadas como punição às faltas, sob liderança do marinheiro João Cândido Felisberto. Mais de dois mil homens promoveram um motim que durou seis dias. Vários navios da armada brasileira foram tomados e o Rio de Janeiro, capital federal à época, quase foi bombardeado. Felisberto foi anistiado este ano pelo presidente Lula e pode se tornar o primeiro almirante negro do país. Nada mais justo.
Sua história rendeu uma das músicas mais bonitas da MPB: O Mestre-Sala dos Mares, de Aldir Blanc e João Bosco.
O texto que aparece no vídeo é ligeiramente diferente da letra cantada por João Bosco porque se trata da letra original, censurada pela ditadura militar. A música é do disco Caça à Raposa (1975), o segundo da carreira de Bosco, fundamental em qualquer discoteca.
O disco, assim como a história do almirante negro, são quase obscuros hoje no Brasil. Contribui muito para isso o fato de o acervo histórico do país, seja ele musical, fotográfico ou bibliográfico, não estar disseminado pela internet, ao alcance do público cada vez maior que navega pelo ciberespaço. Se cavucar muito, até encontra - como eu encontrei aqui e ali - mas não vejo um movimento organizado, institucionalizado, para mostrar aos brasileiros o que o Brasil tem de bom e interessante.
Enquanto isso, o acervo histórico de instituições gringas de peso estão ganhando a internet. E o melhor: sem cobrar nada. Seguindo os passos do jornal inglês The Times, que colocou online em agosto passado, 200 anos de seu arquivo (de 1785 a 1985) pra quem quiser acessar, agora temos também o acervo fotográfico da Biblioteca do Congresso americano no Flickr e o da revista Life no Google.
A gente bem que podia ter algo semelhante, não? Material não falta, mas boa parte está mofando em arquivos públicos e privados. Vamos digitalizar nossa história, pessoal!!
Posted by escriba on 22 Nov 2008 | Tagged as: TV, humor, poesia
Esse é apenas um trecho do programa dos Muppets inteiramente dedicado ao ator Vincent Price. Tá no YouTube, claro, dividido em três partes: aqui, aqui e aqui. E entre os vídeos relacionados, encontrei uma preciosidade: o poema O Corvo, de Edgar Allan Poe, recitado pelo ator Christopher Walken. De dar calafrios… (se tiver dificuldades, tente acompanhar lendo o poema aqui)