March 2008
Monthly Archive
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Posted by escriba on 31 Mar 2008 | Tagged as: fotografia
Fiz essa foto hoje de manhã com meu celular, na ponte da Cidade Universitária, chegando ao trabalho. Nem parece que estava um trânsito infernal e que o rio é o fétido Pinheiros…
Posted by escriba on 30 Mar 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, alimentação
Chegando ao Parque Villa-Lobos na manhã deste domingo, eu, Martim e Sofia fomos abordados por promotores da Nestlé que divulgavam uma marca de bebida à base de soja, o Sollys. Nos convidaram para experimentar o produto, com direito a barrinhas de cereais e aluguel gratuito (por meia hora) de bicicletas. Tudo muito bom, tudo muito bem, mas… acompanhando as guloseimas vinham os famigerados copos e sacos plásticos. Observei que no lixinho ao lado de uma das promotoras havia dezenas de copos já descartados. Os sacos teriam, com certeza, o mesmo destino - provavelmente já no parque. Custava evitar? Afinal, o plástico demora cerca de 400 anos para desaparecer completamente do meio ambiente. Quantos milhares de copos e sacos plásticos foram fabricados para tocar essa promoção? Qual o impacto dessa singela promoção no meio ambiente?
A empresa que nos diz, no lema do produto, que mudar faz bem. O mesmo digo eu para a Nestlé. Não adianta ser verde apenas nas palavras, tem que pôr em prática.
Em tempo: recusei as bebidas e, felizmente, nem Martim nem Sofia aceitaram os brindes (barrinhas e folhetos) no saco plástico. Mas deram uma voltinha nas bikes…
Posted by escriba on 28 Mar 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, energia
Os ventos que sopram na península ibérica deram um gás na produção de energia na Espanha. As usinas eólicas geraram, no último fim de semana, mais de 40% de toda eletricidade do país - quase 10MW. A Espanha é líder mundial na produção de energia eólica e quer triplicar até 2020 a quantidade de energia que obtém de fontes renováveis.
A Espanha prova que investir em energia sustentável dá bom retorno - e mais cedo do que muitos apostam. Enquanto a União Européia prevê 20% de energia renovável apenas em 2020, os espanhóis conseguiram o dobro 12 anos antes! Não é pouca coisa não, mesmo considerando que o resultado foi obtido no meio do feriado de Páscoa, quando a demanda é menor.
E o Brasil querendo investir bilhões numa usina nuclear de 1.350MW… pff…
Posted by escriba on 27 Mar 2008 | Tagged as: musica
Amanhã, sábado, no Jazz nos Fundos, teremos a segunda noite dedicada à história do jazz. O estilo agora é o bebop de Charlie Parker, Dizzie Gillespie e Thelonious Monk, entre outros. O som ficará a cargo do grupo Wilson Teixeira e Quinteto. A casa fica na João Moura, 1076, fundos do estacionamento, e estará aberta das 19h à 1h. Eles não aceitam cartões de crédito nem de débito. E é bom chegar cedo porque costuma encher e o local tem lotação limitada.
EM TEMPO: Esse sonho eu tenho que contar. Estava no Jazz nos Fundos e, quando cheguei, vi uma figura saindo do carro, apoiado por um rapaz e um par de muletas. Era o Dizzie Gillespie em pessoa! E me disseram que ele iria tocar um pouco, trompete e… violão!! Mas a bizarrice não pára por aí. Uma vez lá dentro, estava sentado numa boa esperando o show começar quando o chão do lugar começa a encher de água. A enchente não parava e de repente estava todo mundo em pé nas mesas. Mais não lembro… Definitivamente eu tenho que ir lá amanhã… ![]()
Posted by escriba on 27 Mar 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, alimentação, boca no trombone, imprensa

A Romênia decidiu hoje que vai banir do país o plantio e a comercialização do milho transgênico MON 810, da Monsanto, por conta de inúmeras evidências científicas que apontam o produto como danoso à saúde humana e ao meio ambiente. É o oitavo país europeu a tomar essa decisão, seguindo os passos da França, Suíça, Áustria, Grécia, Itália, Hungria e Polônia.
Detalhe: esse milho MON 810 é o mesmo que foi aprovado recentemente no Brasil pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e autorizado pelo Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS), que conta com a participação de 11 ministérios. No CNBS, a aprovação do MON 810 foi rejeitada pelos ministérios da Saúde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Agrário - ou seja, o tal milho será plantado e comercializado no Brasil, apesar do voto contrário dos órgãos governamentais que cuidam de nossa saúde, do meio ambiente e do desenvolvimento agrário. Os votos favoráveis vieram dos ministérios da Agricultura, Ciência e Tecnologia, Indústria e Comércio, Relações Exteriores - todos intimamente ligados à defesa do saldo de nossa balança comercial, que tem como motor o agronegócio. Para esse pessoal, o lucro vem sempre à frente de detalhes como saúde e meio ambiente.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no entanto, já mandou avisar: só dará o registro necessário para que produtos feitos com esse milho sejam comercializados no Brasil se a empresa responsável (Monsanto, no caso) conseguir comprovar sua segurança. Como a empresa nunca apresentou estudo algum desse tipo, o MON 810 não terá vida fácil por aqui. Ainda bem!
O que me deixa com a pulga atrás da orelha é o fato da imprensa brasileira praticamente ignorar essas informações. Foi assim quando a França, maior país agrícola europeu, decidiu também congelar suas plantações de milho transgênico até que se comprove sua segurança. Foi assim também em relação ao livro e ao documentário francês recém lançado que revelam os podres da Monsanto. Silêncio constrangedor. Não deverá ser diferente em relação à decisão romena. Destaque eles só dão quando quem fala é a indústria. Triste, mas verdade. Desafio um jornalista que cobre o assunto vir aqui e mostrar que não é assim. A blindagem é forte. Mas ainda temos a internet. Lutemos, pois!
Posted by escriba on 27 Mar 2008 | Tagged as: civilização, geopolítica, internacional
Acabei de ler um bom artigo na versão online do Le Monde Diplomatique sobre o genocídio cultural que tá rolando no Tibete. Os chineses têm promovido o assassinato da cultura tibetana desde 1950, quando invadiram pra valer o país do Dalai Lama, e infelizmente não há sinais que de vão parar. Segue um trecho:
O Tibete deveria ter sido tombado por inteiro há décadas, pela Unesco, como Patrimônio da Humanidade. Seus mosteiros guardavam um imenso tesouro de fé, sabedoria e práticas religiosas que foi saqueado, dispersado e sistematicamente destruído pelos ocupantes maoístas durante décadas. O pouco que sobra hoje é minado pela modernização forçosa e sub-reptícia. Genocídio cultural quer dizer hoje as barulhentas comitivas de turistas chineses, vulgares e arrogantes, visitando como um lugar exótico o Palácio Potala, antigo mosteiro-mor e residência oficial do Dalai Lama e outros lugares sagrados do budismo tibetano. Quer dizer também hipermercados (chineses), bancos (chineses), eletrônica (chinesa), restaurantes e hotéis (para chineses) invadindo as cidades tibetanas. Quer dizer a ferrovia recém-inaugurada entre Pequim e Lhasa, na qual, além dos trens de carga, deverá viajar “o trem mais luxuoso do mundo”, segundo a propaganda, com “suítes cinco estrelas” para os turistas globais. Um detalhe: os vagões serão blindados, com vidros a prova de bala. Nunca se sabe…
Talvez só a Vaticano contenha um patrimônio cultural-religioso comparável aos tesouros guardados antigamente nas gigantescas lamaserias da Himalaia, onde milhares e milhares de monges produziam e conservavam obras-primas. A diferença é que o Tibete era − e só em parte ainda é − um país inteiro que vivia exclusivamente em função de seu sistema religioso, para sustentá-lo e eternizá-lo, sistema que proporcionava ao Tibete uma unidade fortíssima e identidade cultural milenária. Por isso mesmo, os chineses aplicaram-se, desde 1950, a destruir 70% dos mosteiros e matar metade dos monges tibetanos, obrigando finalmente o Dalai Lama ao exílio graças a uma fuga aventurosa, depois de muitas ameaças. Por isso, o Dalai Lama é a maior autoridade religiosa tibetana, e ao mesmo tempo seu único grande líder político.
O budismo, a cultura oriental e a cultura do mundo todo perderam no saque do Tibete. Mas a comunidade internacional não mexeu um dedo — assim como não nada fez na Armênia, em Biafra, Ruanda, e continua não fazendo no Darfur, etc. Vender Mercedes e Windows para os chineses é bem mais prioritário.
A íntegra do texto está aqui.
Posted by escriba on 25 Mar 2008 | Tagged as: boca no trombone, civilização, geopolítica, internacional
E vc pode ajudar assinando petição online que está rolando por aí - chegou pra mim hoje. Eles querem chegar a 1 milhão de assinaturas. A petição é endereçada ao presidente da China, Hu Jintao, e pede “cautela e respeito pelos direitos humanos” na resposta do país aos protestos no Tibete, além de defender negociações com o Dalai Lama para resolver a questão.
E os Jogos Olímpicos de Pequim estão chegando. Faltam seis meses. Eu particularmente defendo um boicote ao evento, mas a idéia parece que não vai vingar. Nem a Anistia Internacional é a favor! Vai entender… Dos países que participam dos Jogos, poucos são aqueles que querem ficar de mal com a China, grande parceiro comercial do momento. O dinheiro sempre fala mais alto. Por enquanto só a França admite pensar em boicote. A Inglaterra diz que não vai reprimir protestos quando a tocha olímpica passar por lá. Membros do grupo Repórteres Sem Fronteira (RSF) causaram rebuliço na Grécia (link com direito a vídeo da ação), durante a tradicional cerimônia em que a tocha olímpica é acesa. É deles a imagem que ilustra este post, show!
Enquanto isso os tibetanos tomam pancada. O pessoal de Mianmar também. Se nada acontecer para acabar com a opressão chinesa por lá, muita confusão vai rolar nos Jogos Olímpicos. É esperar pra ver.
Posted by escriba on 25 Mar 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, Rede Ecoblogs, filosofia, livros
Comecei a ler esta semana um livro de contos que há anos ronda minha mesinha de cabeceira - Contos Cruéis, do escritor francês Villiers de l’Isle-Adam, conhecido por suas histórias de mistério/horror com nuances românticas e fantásticas. O primeiro conto do livro é Vera: um aristocrata sofre a perda da mulher com quem havia casado poucos meses antes e, de tanto pensar nela, consegue sua ressurreição fantasmagórica. É um tema deveras batido, mas que ganha beleza sem igual com Villiers, por sua delicadeza em tratar o tema. Achei a versão original do conto em francês e uma em inglês; nada em português.
O conto tem um quê hegeliano, de que a idéia move o mundo e que o mundo é uma grande e mutante idéia. Faz sentido. E por acreditar nisso é que me engajo em iniciativas como a Rede Ecoblogs, lançada oficialmente hoje (a versão beta, digamos assim, já vem rolando há alguns dias). Cinco blogs - entre eles o Escriba - pensam, discutem e espalham a idéia de que é possível viver de harmonia com o planeta, tirar dele o que for necessário, cuidar dele para garantir o futuro, pensar nele antes de consumir/produzir/descartar, apontar nele os crimes cometidos por quem só pensa no hoje (e no bolso).
A rede tem apoio da Fundação Mapfre, da agência Espalhe e, espero, seu também. Se quiser dar uma força, divulgue colocando um selo na sua página. E aparece lá na rede pra gente trocar uma idéia. Quem sabe ela não muda o mundo?
Posted by escriba on 24 Mar 2008 | Tagged as: Meio Ambiente, alimentação, boca no trombone, documentario, livros
A revista CartaCapital publicou neste fim de semana uma ampla reportagem sobre o lançamento de um livro e de um documentário da jornalista francesa Marie-Monique Robin sobre a Monsanto - O Mundo Segundo a Monsanto. A empresa é a principal incentivadora da produção de transgênicos no mundo e o material de Robin (produzido pela rede de TV franco-alemã Arte TV) revela como ela conseguiu disseminar essa tecnologia com apoio de governos, cientistas e imprensa. A página oficial do documentário tem um bom trailer resumindo a história. A Monsanto não fica muito bem na foto não. Confira trechos da matéria da CartaCapital:
O trabalho cataloga ações da Monsanto para divulgar estudos científicos duvidosos de apoio às suas pesquisas e produtos, a exemplo do que fez por muitos anos a indústria do tabaco, relaciona a expansão dos grãos da empresa com suicídios de agricultores na Índia, rememora casos de contaminação pelo produto químico PCB e detalha as relações políticas da companhia que permitiram a liberação do plantio de transgênicos nos Estados Unidos. Em 2007, havia mais de 100 milhões de hectares plantados com sementes geneticamente modificadas, metade nos EUA e o restante em países emergentes como a Argentina, a China e o Brasil.
Marie-Monique Robin, renomada jornalista investigativa com 25 anos de experiência, traz depoimentos inéditos de cientistas, políticos e advogados. A obra esmiúça as relações políticas da multinacional com o governo democrata de Bill Clinton (1993-2001), e com o gabinete do ex-premier britânico Tony Blair. Entre as fontes estão ex-integrantes da Food and Drug Administration (FDA), a agência responsável pela liberação de alimentos e medicamentos nos EUA.
…
Não é de hoje, mostra o livro, que herbicidas da Monsanto causam problemas ambientais e sociais. Robin narra a história de um processo movido por moradores da pequena Anniston, no Sul dos EUA, contra a multinacional, dona de uma fábrica de PCB fechada em 1971. Conhecida no Brasil como Ascarel, a substância tóxica era usada na fabricação de transformadores e entrava na composição da tinta usada na pintura dos cascos das embarcações. Aqui foi proibida em 1981.
A Monsanto, relata a repórter, sabia dos efeitos perversos do produto desde 1937. Mas manteve a fábrica em funcionamento por mais 34 anos. Em 2002, após sete anos de briga, os moradores de Anniston ganharam uma indenização de 700 milhões de dólares. Na cidade, com menos de 20 mil habitantes, foram registrados 450 casos de crianças com uma doença motora cerebral, além de dezenas de mortes provocadas pela contaminação com o PCB. Há 42 anos, a própria Monsanto realizou um estudo com a água de Anniston: os peixes morreram em três minutos cuspindo sangue.
…
Segundo Robin, a liberação das sementes transgênicas nos Estados Unidos foi resultado do forte lobby da empresa na Casa Branca, principalmente durante o governo Clinton. Uma das “coincidências”: quem elaborou, na FDA, a regulamentação dos grãos geneticamente modificados foi Michael Taylor, que nos anos 90 fora um dos vice-presidentes da Monsanto.
…
A jornalista descreve ainda o que diz ser o poder da Monsanto sobre a mídia internacional. Cita, entre outros, os casos dos jornalistas norte-americanos Jane Akre e Steve Wilson, duramente sancionados por terem realizado, em 1996, um documentário sobre o hormônio do crescimento. No país da democracia, a dupla se transformou em símbolo da censura.
Os cientistas, conta o livro, são frequentemente “cooptados” pela gigante norte-americana. Entre os “vendidos” está o renomado cancerologista Richard Doll, reconhecido por trabalhos que auxiliaram no combate à indústria do tabaco. Doll faleceu em 2005. No ano seguinte, o jornal britânico The Guardian revelou que durante 20 anos o pesquisador trabalhou para a Monsanto. Sua tarefa, com remuneração diária de 1,5 mil dólares, era a de redigir artigos provando que o meio ambiente tem uma função limitada na progressão das doenças. Foi um intenso arquiteto do “mundo mágico” da Monsanto.
O documentário já está online, na íntegra, mas apenas na versão original, em francês. Mas já já alguém põe legendas na bagaça.
Posted by escriba on 24 Mar 2008 | Tagged as: blog, documentario, filmes

Se vc é fã de filmes documentários sabe o quanto é difícil encontrá-los em locadoras. Nos últimos tempos isso até que melhorou, graças ao sucesso de títulos como Tiros em Columbine, Fahrenheit 9/11, Super Size Me, Edifício Master, entre outros, mas não muito. Pois uma boa alma se compadeceu da gente e montou um blog totalmente dedicado ao gênero, o Central Doc. Vc pode baixar por torrent ou encomendar um DVD com seus filmes preferidos - de preferência, os listados na página.
Esse cara vai pro céu, ô se vai…