December 2007
Monthly Archive
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Posted by escriba on 28 Dec 2007 | Tagged as: animação, filmes

Sem muita chance de ir ao cinema ultimamente, tenho me dedicado a pegar de dois a três DVDs por semana para tentar tirar um pouco o atraso. E nessa leva, sempre incluo um clássico a ser revisto, pra não perder a noção do bom cinema: outro dia foi Zelig (1983), pseudo-documentário de Woody Allen. Esta semana foi outra obra-prima, Muito Além do Jardim (1979), último filme de Peter Sellers.
Quem só conhece a faceta cômica de Sellers, mais conhecido como o Inspetor Clouseau, vai se espantar com o brilhantismo dramático do ator neste filme. Ainda assim é uma comédia, mas intrigante e até ácida por vezes. Basicamente é a história de um jardineiro sem passado que passou a vida assistindo TV. Quando seu patrão morre, é despejado e, por obra do acaso, é resgatado das ruas de Washington DC pela personagem de Shirley MacLaine. Chance/Sellers passa a intrigar a todos, cada um o vê de uma forma e interpreta seus atos e poucas falas de forma diferente.
Duas cenas em particular são antológicas: a que Eve/MacLaine tenta seduzir Chance/Sellers em seu quarto e tem um orgasmo em cima de um tapete de urso, enquanto ele faz posições de ioga que vê na TV, e a de Chance saindo da casa do ex-patrão, logo no início do filme, ao som da versão funkeada de Eumir Deodato para Also Sprach Zarathustra, tema de 2001, Uma Odisséia no Espaço. Confira esta última abaixo (não se esqueça de pausar a rádio Escriba pra não atrapalhar):
(Ei, ei, não vai embora ainda. Saca só: procurando um link para o filme 2001, achei esta interessante animação em flash que se propõe a explicar a obra criada em 1968 em conjunto por Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke. Se vc não leu o livro nem conseguiu ver o filme até o final (ou não entendeu patavinas), é a sua chance de ter uma idéia do que Kubrick e Clarke tinham em mente. Boa viagem! E como este provavelmente é o meu último post do ano, FELIZ 2008!!)
Posted by escriba on 27 Dec 2007 | Tagged as: Meio Ambiente, consumo

No Natal de mais alto consumo em 10 anos também houve espaço para manifestações anti-consumo. Papais noéis ativistas invadiram o Rio-Sul, no Rio de Janeiro, para provocar socraticamente as pessoas que circulavam pelos corredores do shopping. “Vc consome ou é consumido?”, perguntavam os bons velhinhos aos incrédulos de carteiras cheias e cabeças vazias que circulavam alucinados pelos corredores em busca de um alento numa TV nova ou em mais um brinquedo para o mimado pirralho parar de encher o saco.
A venda de carros também vai de vento em popa no Brasil, foram quase 2,5 milhões este ano. E segundo estudo realizado por cientistas da Universidade Oxford Brookes, o mundo produzirá mais carros nos próximos 25 anos do que em toda a história da indústria automobilística! O resultado a gente sente nas ruas e no ar que respiramos. Estima-se que em novembro de 2012, São Paulo terá o engarragamento final - com ou sem rodízio.
Nos EUA, 99% do que é comprado vai para o lixo em seis meses. O Brasil chega lá, ô se chega… Empresas gastam os tubos em anúncios mostrando o quão responsáveis e sustentáveis são, desde que isso tudo não interfira em seus negócios, claro. Consumo sustentável, só se for do jeito deles - depois a tecnologia resolve, afirmam categoricamente.
E a imprensa dá corda. Viu a Superinteressante especial que está nas bancas? Ambientalismo bom é aquele que não muda nada do que vem sendo feito, apenas espera o milagre tecnológico chegar e nos salvar. É o mesmo discurso de Bush Jr. e companhia.
A certa altura da matéria de capa, a sardinha amestrada dos (tu) barões da editora Abril afirma com todas as letras: proibir tecnologias poluidoras, que ameaçam o meio ambiente e nossas vidas, seria como proibir o telégrafo para que o telefone tivesse vez. Só não entendi qual a ameaça que o telégrafo representava em seu tempo… E as demais matérias vão pela mesma linha, sempre tangenciando o real problema: ou mudamos o jeito como lidamos com o planeta agora, ou vamos todos para o buraco.
Não à toa a revista é recheada de anúncios de empresas petrolíferas, automotivas, telefonia, bancos, etc. Me entristeceu muito ver um anúncio do Greenpeace na última capa. Sei que foi doado, pois o grupo não paga publicidade. Mas aquele ter o anúncio ali é como se o Greenpeace avalizasse tudo o que está escrito na publicação - e é justamente o oposto!
A tecnologia limpa e sustentável só vingará na indústria, agricultura, no mercado consumidor se rigorosas medidas regulatórias forem tomadas, obrigando esses setores se adaptarem. Foi assim com a proibição do despejo de lixo nuclear nos oceanos e o banimento do gás CFC (que destruía a camada de ozônio) e do DDT, entre outros. Se deixarmos tudo nas mãos do deus mercado (e dermos ouvidos ao seu papagaio de pirata, a imprensa), não vamos sair do lugar.
Precisamos de mais Sócrates e menos Milton Friedman.
Posted by escriba on 25 Dec 2007 | Tagged as: animais

Dedé se foi. Dois dias antes do Natal, amanheceu no fundo da gaiola. Acho que já estava doente quando chegou aqui, semana passada. Martim me garante que a maritaca olhou pra ele enquanto a levávamos para o veterinário. Disse a ele que Dedé estava se despedindo.
“Ela morreu, pai?”, perguntou ele, com os olhinhos cheios de lágrimas e voz trêmula.
“Sim, filho, morreu…”
“Mas amanhã ela vai ficar bem, né?”
“…”
Mais uma figurinha pro álbum da experiência de Martim. E ainda faltam tantas…
Posted by escriba on 22 Dec 2007 | Tagged as: musica
Mais um programa da rádio Escriba dedicado a quatro ases da música e um coringa. Vamos lá:
Robert Plant - O Led Zeppelin voltou mas, apesar de ser fã do grupo, não me interessei nem um pouco. Não me ligo muito nesses retornos ectoplasmáticos de antigas bandas (Police, Led, Pink Floyd, etc), por nada acrescentarem ao que já foi feito. Prefiro saber o que esse pessoal tem de novo pra apresentar. Pra vc ver: o hype criado em torno do novo show do Led fez o desserviço de eclipsar um dos grandes lançamentos deste ano, o disco Raising Sand, uma parceria entre Plant e a violinista Alison Krauss. Escolhi três faixas desse disco belíssimo - e uma do Led, claro, pra não parecer que renego o passado do cara.

Tim Maia - Na esteira do lançamento do livro Vale Tudo - O Som e a Fúria, de Nelson Motta, sobre a vida e obra do síndico da música brasileira, deixo aqui minha homenagem a este que foi um dos mais importantes cantores e compositores da música brasileira. Ralou muito pra conseguir um lugar ao sol, desde os tempos da Tijuca, na década de 1960, quando circulava ao lado de Roberto Carlos, Jorge Ben, Wilson Simonal, Erasmo Carlos e outros. Só conseguiu depois de voltar dos EUA, de onde foi deportado. E apesar da fama de loucão, era determinado e meticuloso. Mas mentia um pouco às vezes…
Rory Gallagher - Se o irlandês é o negro da Europa, Rory Gallagher é sua melhor expressão musical (ao lado de Van Morrison). Ele morreu em 1995 depois de uma série de complicações devido ao alcoolismo. Um dos guitarristas mais vibrantes que já ouvi. Sua voz soava como que curtida em litros e mais litros do uísque e o som que tirava de sua guitarra Stratocaster (a primeira da Irlanda, em 1960) o levou a ser considerado pela Melody Maker em 1972 o músico do ano, destronando ninguém menos do que Eric Clapton.

Yusef Lateef - Um dos discos que mais escutei nos últimos dois anos foi Eastern Sounds (deixa tocar The Plum Blossom e vc vai entender). Esse saxofonista americano está com 87 anos e continua firme e forte experimentando novos sons e nunca se entregando ao comodismo tão comum em artistas que construíram uma carreira brilhante. Falei saxofonista, mas o cara toca praticamente qualquer instrumento de sopro - flauta, oboé, pífano, clarineta e uma dúzia de outros, muitos deles de origem árabe/asiática. Sua fama está justamente na mescla de música oriental com o jazz/blues na década de 1960. Mas ele não parou aí - tem blues, gospel, funk, até rock. Acho que vou ali escutar Eastern Sounds de novo e já volto…

Sérgio Sampaio - Quem melhor do que esse capixaba para ser o coringa da vez? Conhecido pelo sucesso Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua, Sérgio foi um grande ‘enfant terrible’ da MPB e pagou com o ostracismo. Compôs várias músicas com Raul Seixas e poderia ter sido o grande parceiro deste, mas quis o destino que Raul fizesse sucesso ao lado de Paulo Coelho. Participou do projeto Grã-Ordem Kavernista em 1971 com Raul, Miriam Batucada e Edy Star, e teve um disco produzido pelo maluco beleza - justamente o primeiro LP, Eu Quero É Botar… Dei preferência aqui, no entanto, ao disco Cruel, de 2006, produzido por Zeca Baleiro com 12 canções inéditas em gravações caseiras remasterizadas. São três músicas desse trabalho e uma do primeiro disco.
Posted by escriba on 20 Dec 2007 | Tagged as: Meio Ambiente
Ontem teve festinha de fim de ano aqui do Greenpeace e foi uma farra e tanto. Emocionante também. A organização comemorou 15 anos de Brasil e a festa girou em torno do tema. Teve bolo, valsa (Danúbio Azul, claro) e projeção de fotos - fomos convidados a enviar uma de quando tínhamos essa idade. A que eu mandei foi esta aqui:
Estava em Rouen, na Normandia, em 1983. Casacão maneiro, não? Já o resto… enfim.
Depois do slideshow com as fotos bizarras de todos, passaram um vídeo que já é um clássico no Youtube, com várias ações e momentos marcantes do Greenpeace desde 1971, quando um grupo de jovens idealistas foi ao Oceano Pacífico a bordo de um pequeno barco para protestar contra os testes nucleares americanos.
Apesar do pouco tempo que estou na organização, me sinto em casa. Gosto do que faço, das pessoas com quem trabalho e dos propósitos do grupo. Amo essa família e espero poder contribuir cada vez mais com ela. Junte-se a nós!!
Isso é Greenpeace:
(já pausou a rádio Escriba? Não? Então vá lá!)
BOAS FESTAS!!
Posted by escriba on 20 Dec 2007 | Tagged as: humor, imprensa
É fato! Duvida? Então saca só algumas das histórias que o jornalista Maurício Menezes conta em apresentações Brasil afora. Já vi um show do cara e é de chorar de rir. Pena que nesse vídeo que encontrei no YouTube não tem uma das melhores, com um mico de sua própria lavra.
Numa entrevista coletiva na Arquidiocese do Rio de Janeiro, o cardeal dom Eugênio Salles não pode comparecer e foi substituído pelo assessor de imprensa Adionel Carlos. Lá pelas tantas, o Maurício pede para fazer uma pergunta e manda ver: “Há quanto tempo o senhor é Adionel?”. Ninguém entendeu a pergunta, muito menos o próprio Adionel. “Como assim?”
“Eu quero saber quando o senhor assumiu o adionelato.”
“Desde sempre, meu filho, mas…”
“Ah tá, então é hereditário…”
Os coleguinhas presentes bem que tentaram avisar o Maurício que Adionel era o nome do sujeito, não um cargo da Igreja, mas em vão. “Deixem-me fazer a pergunta e ele responder, não interrompam!”, protestou, veementemente.
Se tiver a chance de ver um show desse cara, não perca, é diversão garantida.
(já sabe, né? pause a rádio Escriba!)
Posted by escriba on 18 Dec 2007 | Tagged as: energia, livros, tecnologia
O escritor inglês Arthur C. Clarke completou 90 anos no último dia 16 e quem ganhou presente foram seus fãs. Do que eu presumo ser sua casa ou escritório no Sri Lanka, onde vive há mais de 50 anos, Clarke gravou um depoimento em vídeo de nove minutos e publicou no YouTube (ver no final deste post). Nele, afirma ter ainda três desejos:
1 - Testemunhar a existência de vida extra-terrestre, pois sempre acreditou que o ser humano não está sozinho no universo;
2 - Ver a humanidade livre da dependência no petróleo e aderindo às fontes limpas de energia;
3 - Que o conturbado Sri Lanka, onde vive há 50 anos, tenha paz enfim.
Clarke diz ainda que gostaria de ser lembrado como um escritor que ofereceu divertimento a seus leitores, ajudando-os a expandir sua imaginação. E, ao final da mensagem, recita um texto do compatriota Rudyard Kipling:
If I have given you delight
by aught that I have done.
Let me lie quiet in that night
which shall be yours anon;
And for the little, little span
the dead are borne in mind,
seek not to question other than,
the books I leave behind.
(Já sabe, né? Desligue a rádio Escriba antes de começar aqui)
Posted by escriba on 17 Dec 2007 | Tagged as: Meio Ambiente, comportamento, consumo, documentario
Ignacy Sachs, em entrevista ao Roda Viva transmitida hoje pela TV Cultura foi contundente: ou partimos para uma biocivilização, adotando mudanças de paradigmas no consumo (tanto de recursos naturais como também de bens), a eficiência energética e o uso de fontes renováveis de energia, ou não seremos capazes de enfrentar a contento as mudanças climáticas, a crise energética e a falta de emprego, grandes ameaças que pairam sobre nós.
O modelo de desenvolvimento que temos hoje no mundo é insustentável, mesmo que a longo prazo. Baseia-se apenas no custo/benefício econômico, ficando os custos sociais e ambientais sempre em segundo planos. Não é preciso ser um gênio para ver que vai dar merda. Já está dando. Estamos destruindo aceleradamente as matas, nos intoxicando com alimentos cada vez menos saudáveis, transformando os oceanos em lixões.
Autor de mais de 20 livros sobre meio ambiente e desenvolvimento, Sachs vem surrando essa tecla há mais de 30 anos. E pelos resultados da Convenção do Clima, realizada em Bali nas duas últimas semanas, é triste constatar que pouco do que falou e escreveu nesse meio-tempo foi assimilado por governos, empresas e cidadãos. Iniciativas isoladas como a da França, que montou uma ampla operação para esverdear suas ações, são uma gota (sempre bem-vinda) num oceano de maus-exemplos ambientais.
Enfim, de gota em gota espalhamos a palavra. É o que propõe Annie Leonard, especialista em sustentabilidade e saúde ambiental que já trabalhou com diversos grupos e ONGs ambientais - Global Anti-Incinerator Alliance, Health Care without Harm, Essential Information e Greenpeace International, entre outros. Ela está na praça com um projeto bem legal, o Story of Stuff, site que traz informações simples sobre como as coisas são produzidas, comercializadas e descartadas.
Vc sabia que um americano médio joga no lixo 99% do que compra após apenas seis meses? E que tudo isso é queimado ou enterrado, poluindo ar, terra e água com as substâncias tóxicas das mais variadas? Que a maior parte das coisas que compramos foram desenhadas deliberadamente para durar pouco, para que vc consuma sempre mais e mais?
É um ciclo perverso esse, incentivado por governos e, claro, empresas, como único modo de desenvolvimento possível. Mudar isso, dizem, é coisa de neo-comunistas ou eco-xiitas. Alterar as regras do jogo agora é impossível, assegura. Pois nós, como Annie bem frisa na apresentação de 20 minutos que você pode assistir na página inicial de seu site, consideramos insustentável e impossível é a manutenção das coisas do jeito que estão.
A civilização ocidental está numa encruzilhada. Circulando pelo site, encontra-se um sem número de links de entidades, instituições e ONGs que desenvolvem belos trabalhos que indicam um caminho, nos moldes da biocivilização defendida por Sachs. O outro é a barbárie consumista, esbanjadora e poluidora que conhecemos.
Já tô de malas prontas.
(se vai assistir a este trailer de Story of Stuff, lembre-se de pausar a rádio Escriba pra não atrapalhar)
Posted by escriba on 15 Dec 2007 | Tagged as: animais

Meu filho e a babá acharam um filhote de maritaca na rua e trouxeram pra casa. Parece que tá com a asa quebrada ou cortada. Mas esse é o menor dos problemas. Martim quer ficar com o bicho e eu não consigo convencê-lo do contrário. Espero que o veterinário consiga. Ou o Ibama.
Caso contrário, meu futuro será um inferno…
Posted by escriba on 14 Dec 2007 | Tagged as: Meio Ambiente, energia

Semanas atrás, o Brasil anunciou com pompa a descoberta de um poço gigante de petróleo na Bacia de Santos. Russos, americanos, canadenses, dinamarqueses, alemães e outros países estão atentos como nunca ao derretimento do Ártico, não pelas conseqüências climáticas, mas pelas imensas oportunidades de se explorar uma quantidade ainda incalculável de minérios, gás e petróleo abaixo da cada vez mais rara calota polar. Agora a China, Índia, Japão e outros países asiáticos começam a explorar reservas congeladas de metano no fundo dos oceanos, que segundo geólogos seriam maiores do que todo o petróleo, gás e carvão que temos hoje no mundo. Aquecimento global, mudanças climáticas, emissões venenosas de CO2 na atmosfera? Ah, dá um tempo!
Pois é… Não me espanta ver as negociações em Bali emperradas do jeito que estão. Há muito jogo de cena pra não ficar mal na foto perante a opinião pública, todo mundo falando às câmeras sobre desenvolvimento sustentável, mitigação, redução de emissões de gases do efeito estufa e quetais. Mas na real? Querem mais é continuar usando as mesmas fontes sujas de energia. Com tanto óleo, gás e metano na cara do gol, quem vai se preocupar com o Protocolo de Kyoto?
De quebra, esse possível novo esplendor dos combustíveis fósseis adia perigosamente a revolução energética que tanto queremos.
A Conferência da Convenção de Clima está a um passo de morrer na paradisíaca praia de Bali e o planeta no limiar de um infernal ponto sem retorno. Pelo jeito vai todo mundo pro buraco agarrado ao fóssil.