November 2007

Monthly Archive

Amazônia: vende-se ou explode-se.

Posted by escriba on 29 Nov 2007 | Tagged as: Meio Ambiente, civilização, livros

A internacionalização da floresta amazônica já começou, para desespero de muitos. O governo da Guiana, ex-colônia inglesa no extremo norte da América do Sul, ofereceu à Grã-Bretanha a sua parte da Amazônia em troca de financiamento inglês para tornar sua indústria mais ambientalmente sustentável. É uma sinuca de bico e tanto para quem defende a soberania dos países sul-americanos sobre a floresta. Afinal de contas, se a Guiana é soberana sobre aquele pedaço da Amazônia, pode cedê-lo para quem quiser, da forma que bem entender, certo? Ou não? A alternativa parece assustadora: ver o pobre país desmatar tudo e ainda ter um parque industrial podrão.

O pior é que os ingleses não só gostaram da idéia como pretendem fomentá-la por toda a região. Ó só o que Chris Huhne, porta-voz para meio ambiente do Partido Liberal Democrata, o segundo mais importante de oposição no Reino Unido, depois do Partido Conservador, disse sobre o acordo:

Esta é uma novidade muito interessante. Precisamos trabalhar nas propostas que a Guiana fez em um nível internacional e expandir para cobrir não apenas a Guiana, mas também o Brasil, Venezuela e outros países onde está a floresta tropical.

Hoje é a floresta amazônica, amanhã é o aquífero Guarani (maior reservatório de água doce subterrânea do mundo), depois quem sabe o campo de petróleo Tupi, que exige grandes investimentos para ser explorado. Floresta, água, energia… e uma grande crise que se avizinha. Os quatro cavaleiros do apocalipse?

O grandes tycoons do capitalismo mundial já esfregam as mãos ansiosamente. Afinal, onde há crise, as grandes corporações farejam oportunidades de bons lucros. Com a conivência dos políticos.

A jornalista Naomi Klein, autora do instigante No Logo, revela essa intrigante parceria em seu novo lançamento, Shock Doctrine - The Rise of Disaster Capitalism (Doutrina do Choque - A Ascenção do Capitalismo do Desastre), mostrando como o capitalismo e suas grandes corporações se movem bem por entre crises políticas, econômicas, ambientais, o que for. Hay crise? Estan dentro!

Diz Naomi:

Olhe de novo para os eventos emblemáticos de nossa era e por trás de muitos deles você encontrará a lógica da doutrina do choque em funcionamento. Esta é a história secreta do livre mercado, que não nasceu sob liberdade e democracia; nasceu do choque.

O filme abaixo, dirigido pelo mexicano Alfonso Cuarón (do Y Tu Mama Tambien e o terceiro filme da série Harry Potter), dá outras pistas:

Sob choque, ficamos todos mais suscetíveis a aceitar a trozoba que for. Ficamos mansinhos, incapazes de reagir. Serve também para sociedades inteiras. O choque pode ser induzido, provocado ou mesmo natural - o importante é saber aproveitar o momento de torpor que se segue para obter o máximo de vantagem. E isso as corporações sabem fazer como ninguém.

Dizae, Milton Friedman:

Só uma crise, real ou percebida, produz mudanças reais.

Homer protesta contra a energia nuclear em Bratislava, capital da Eslováquia

A doutrina do choque está em andamento no Brasil neste exato momento. Nos dias que se seguiram ao anúncio do mega-campo de petróleo na Bacia de Santos, os militares colocaram seus quepes de fora e tornaram público suas intenções de produzir uma bomba nuclear, para por um cadeado forte no país, que é cobiçado por ter água, alimentos e energia. As declarações do general do Exército José Benedito Barros Moreira, secretário de Política, Estratégia e Relações Internacionais do Ministério da Defesa foram feitas durante um programa de TV e, em seguida, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, defendeu a construção de um submarino nuclear para proteger os recursos naturais brasileiros - notadamente o petróleo.

A imprensa, que faz parte da engrenagem, praticamente não repercutiu a fala do ministro, menos ainda a do general. Prefere seguir defendendo com unhas e dentes a construção da terceira usina nuclear brasileira, Angra 3, projeto que está nas mãos de um militar belicista, o almirante Othon Luiz Pinheiro - aquele que tentou testar clandestinamente um artefato nuclear na Serra do Cachimbo durante o governo Collor.

Somem-se a essa possível crise as questões ambientais - aquecimento global e mudanças climáticas -, que exigem novas perspectivas de geração de energia, e temos o cenário ideal para a doutrina do choque atuar em todo seu esplendor.

Enquanto o mundo volta a discutir o desarmamento nuclear multilateral e a investir pesado em fontes renováveis de energia, como o pessoal do Google, os cabeças-de-milico aproveitam o momento de certa euforia nacional e o fantasma da ameaça externa para tornar realidade seu maior sonho de consumo: a bomba. Angra 3 é apenas o meio, não o fim.

Afinal, como ensinou Robert Oppenheimer, físico americano pai da bomba atômica, não existe uma energia nuclear para a paz e outra para a guerra: a fonte é a mesma.

A destruição da floresta amazônica da Guiana e a proteção de riquezas naturais no Brasil por meios bélicos são duas faces da mesma moeda perversa da doutrina do choque.

Qual o futuro do livro?

Posted by escriba on 28 Nov 2007 | Tagged as: livros

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Você sabe? Eu não. Mas 60 pessoas que têm suas vidas ligadas de alguma forma com o mundo dos livros tentaram responder a essa pergunta provocativa. O resultado é esse livro, da Editora Olhares em comemoração aos 60 anos da Ipsis Gráfica e Editora, que será lançado hoje na Livraria da Vila da Alameda Lorena. A obra, por si só, já pode ser considerado uma resposta - afinal de contas, porque não foi feito um site ou um e-book?

Entre os participantes estão escritores (Luis Fernando Veríssimo, Maria Alzira, Marcelino Freire, Milton Hatoum), editores (Charles Cosac, Oswaldo Siciliano), designers (Hélio de Almeida), fotógrafos (Bob Wolfenson, Thomaz Farkas), pesquisadores (Heloisa Buarque de Hollanda, Muniz Sodré) e estudiosos (Hernani Dimantas, José Mindlin).

Eu e meu camarada Otávio Nazareth (editor) nos dedicamos com carinho ao projeto ao longo deste ano e estamos pra lá de orgulhosos com o resultado final. Os participantes também, como Ivana Arruda Leite deixou claro em seu blog, o Doidivana.

Clique aqui para ver a página dupla do Thomaz Farkas, a meu ver uma das mais interessantes e bem boladas do livro.

Sinta-se convidado a dar uma passadinha por lá e comemorar conosco! A livraria fica no número 1731 da Alameda Lorena, nos Jardins. O rega-bofe começa às 19h30.

ATUALIZAÇÃO: Acabei de chegar do lançamento - e de alguns temakis num japa próximo à livraria. José Mindlin, highlander nacional das letras, estava lá, bem-humorado e simpático toda vida. Sou fã desse cara. Também vi no movimentado salão o Angel Bojadsen (Estação Liberdade), Hernani Dimantas (Comunix), Maria Alzira (Garamond e La Outra), Carlo Carrenho (Publishnews), Ivana Arruda (Doidivana), Hubert Alqueres (Imprensa Oficial), Levy Ferrari (União Brasileira de Escritores - UBE) e outros participantes do livro, além de amigos queridos como Cris, Amorim, Paulinho, Dani. Até o Frank, diretor do Greenpeace, prestigiou. Sucesso total!

Parabéns, Otávio! Rumo ao próximo projeto!

Watchmen, o filme - lá vou eu de novo.

Posted by escriba on 27 Nov 2007 | Tagged as: HQs & charges, filmes

O Alan Moore já disse que não reconhece o filme como obra inspirada em seu trabalho, e o que ele fala eu assino embaixo. Mas vai ser difícil perder Watchmen no cinema. Mesmo que trucidem o argumento original do mago de Northampton, como fizeram em Liga Extraordinária, Do Inferno e V de Vingança, vale conferir o que vão aprontar com essa obra-prima dos quadrinhos. Espero que Zack Snyder, o diretor, tenha mais sorte do que em Os 300 de Esparta, porque não curti muito a adaptação feita dos quadrinhos de Frank Miller. Mas enfim, vamos ver no que dá.

Pelo que li lá no blog da produção do filme, os trabalhos estão de vento em popa, mas a estréia está marcada só para 2009. E lá vou eu de novo para a sala de cinema esperando ver a genialidade de Moore transposta à telona. Não sou daqueles que espera ver no cinema uma reprodução 100% fiel da obra original, isso é besteira. Filme é filme, quadrinhos são quadrinhos, livro é livro, música é música e por aí vai. Mas tem que respeitar o espírito da obra, como Kubrick fez com O Iluminado de Stephen King. Alan Moore não teve sorte até agora - só fuderam com o trabalho dele. Quem sabe agora vai?

Mais uma enciclopédia wiki

Posted by escriba on 26 Nov 2007 | Tagged as: TV

Acabei de achar, a Lostpedia. Sobre o que? O seriado Lost, ora bolas!

Uns e outros

Posted by escriba on 25 Nov 2007 | Tagged as: egotrip, filmes, musica

Uma das coisas que mais me marcou na primeira viagem que fiz à França, em 1982, foi assistir o filme Les Uns et Les Autres (dirigido por Claude Lelouch, 1981). Conta a história de três gerações de dançarinos e músicos russos, alemães, franceses e americanos, de antes da Segunda Guerra Mundial até a década de 1980. O final, apoteótico, foi coreografado por Maurice Bejart, que faleceu semana passada, ao som do Bolero de Ravel. Eu tinha 14 anos e pouco entendia de dança ou música clássica, queria mais comprar discos de heavy metal que não encontrava no Brasil. Mas naquela noite, em frente à TV da casa de minha mãe em Paris, comecei a mudar meu gosto musical.


(Pause a rádio Escriba pra curtir melhor a cena final do filme)

Rádio Escriba está de volta

Posted by escriba on 25 Nov 2007 | Tagged as: musica

Depois de alguns dias de silêncio, a rádio voltou. Não sei exatamente o que houve, mas agora vai! Pra comemorar, uma seleção cuidadosamente preparada para embalar a leitura dos mal-traçados posts deste blog. Tem Delroy Wilson, Bob Dylan (pra variar), Jorge Ben, Wilson Simonal, Dizzy Gillespie, Lou Reed, Ronnie Lane e até o tema do desenho Ben 10, do qual eu e Martim somos fãs - que a patroa não me leia… :)

Inclui também um disco que descobri ontem do Thievery Corporation, da série DJ Kicks. Som na caixa!

(Quem não curte escutar música durante a leitura, é só clicar no pause do tocador acima, blz?)

À invisilibilidade

Posted by escriba on 24 Nov 2007 | Tagged as: comportamento, consumo, filmes

Passei o dia com a desagradável sensação de ser um loser. Bombardeado durante a madrugada anterior pela engenhosidade publicitária que engorda as páginas da Wired deste mês, não pude evitar uma certa ansiedade, que quando menos se espera, vira inveja. Ficou mais forte no momento em que vi um belo anúncio comemorativo da Porsche… Sei que não preciso de uma máquina dessas, mas a vida moderna teima em girar quase que exclusivamente em torno do que se pode ter - não importa o quanto já se tem, nem se é preciso ter. Natureza humana?

Em meio às novidades do mundo techie, divaguei sobre vencedores e perdedores, sobre conquistas e derrotas, homens, chimpanzés e bonobos, e quando me dei conta, estava questionando minha vida, meu sucesso, minha existência, a morte, o fim - penso, logo morro um dia. Segue o jogo…

Mas um filme água-com-açúcar na TV me salvou esta noite. Uma Canção de Amor para Bobby Long (em inglês fica mais bonito, A Love Song for Bobby Long), com John Travolta e Scarlett Johansson. A Ana jura que viu meus olhos marejarem, mas eu nego de pés juntos. Apenas, como direi, encontrei respostas onde menos esperava e isso me emocionou.

Sou um invisível - talvez não par excellence, mas de alma com certeza - e ainda não aceitei isso. Daí, a ansiedade, a angústia. Não estou no inferno do ócio vagabundo mas me mantenho longe do céu escravizado dos homens de bem. Não quero ser mais um a aplaudir temperamentos sórdidos.

Nunca devemos parar de explorar. Ao fim de todas nossas explorações, voltamos ao começo e conhecemos o lugar pela primeira vez, diz Travolta no final do filme, citando T.S. Eliot. E quanto menor for a bagagem, mais bem-sucedida será a jornada.

(Em tempo: o filme pode ser bobinho, mas a trilha sonora é bem legal, com artistas de Nova Orleans mandando ver no bom e velho blues. John Travolta canta duas músicas e não faz feio. Pelo contrário.)

Ohmmm….

Posted by escriba on 23 Nov 2007 | Tagged as: internet

Tô precisando mesmo…

Buy Nothing Day

Posted by escriba on 23 Nov 2007 | Tagged as: Meio Ambiente, comportamento, consumo

Hoje é o dia de não se comprar nada (Buy Nothing Day), campanha anual do pessoal do Adbuster.org. Eles tentaram emplacar um anúncio na MTV mas o filme (esse do porquinho aí embaixo) foi recusado nos seguintes termos: “O anúncio vai além do que nós estamos dispostos a aceitar em nossos canais.” Mas quem precisa da MTV quando se tem o Youtube e equivalentes?


Já este outro aqui foi feito por um ativista voluntário, bem legal também:

Reduza, reuse, recicle!

Mundo wiki

Posted by escriba on 22 Nov 2007 | Tagged as: internet

Sou fã da Wikipedia e sempre a consulto. Esse papo de que é falha por permitir que qualquer um a edite é de uma estupidez atroz. Fizeram um teste em 2005: estudiosos convidados pela revista Nature avaliaram um mesmo número de artigos da enciclopédia livre e também da tradicional Britannica. Resultado? Encontraram a mesma quantidade de erros em ambas! Ou seja: a Wikipedia é tão precisa quanto à Britannica - com a vantagem de podermos corrigir os erros no exato momento que são identificados. É a tal inteligência coletiva. E agora o pessoal wiki tira sarro, catalogando online erros e omissões verbetes da Britannica

Pois reparei que a Wikipedia gerou filhotes. Muitos. Como a sisuda RationalWiki e as hilárias Uncyclopedia e Desiclopédia. Tem também a Wikibooks (dedicado a livros de conteúdo aberto) e a Wikiversity (que cria e promove o uso de materiais didáticos livres). Estão pensando até em criar um portal wiki para a produção científica. É o sonho de Diderot realizado - enciclopédias vivas!

Soltaram enfim as amarras do pensar.

(meus posts também um Q de wiki. Só eu mexo no texto, mas sempre estou editando de tempos em tempos. Este aqui mesmo já foi editado umas três vezes desde que o escrevi ontem à noite. É o texto vivo par excellence.)

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