September 2007

Monthly Archive

Quatro ases e um coringa

Posted by escriba on 30 Sep 2007 | Tagged as: musica

No programa desta semana da rádio Escriba vamos homenagear cinco feras da música - Led Zeppelin, Odetta, Ivan Boogaloo Joe Jones, John Garcia e Frank Zappa. Cada um contribuiu com seis músicas. Segue um pequeno perfil do pessoal.

Led Zeppelin - Bom, dispensa maiores apresentações. Uma das bandas mais bem-sucedidas do universo roquenrol, nascida em 1968 em West Bromwich, Inglaterra. Juntamente com Black Sabbath e Deep Purple, fez muita gente boa bater cabeça por aí, incluindo este escriba. Robert Plant (vocal), Jimmy Page (guitarra), John Paul Jones (baixo) e John Bonham (bateria) produziram uma das músicas mais tocadas de todos os tempos, Stairway to Heaven. O grupo terminou em 1980, com a morte de Bonham, mas voltou a tocar por duas vezes - no Live Aid, em 1985, com Phil Collins na bateria, e em 1988, no aniversário de 40 anos da gravadora Atlantic, com Jason Bonham, filho de John, assumindo as baquetas. Anunciaram recentemente que se reunirão pela terceira vez, no final deste ano, na Inglaterra.

Escolhi duas músicas do Physical Graffiti (In My Time of Dying e Down By The Seaside), três do Led III (Tangerine, Immigrant Song e Gallows Pole) e uma do Led IV (The Battle of Evermore).

Ivan Boogaloo Joe Jones - Circulando pelas ruas de Pinheiros, em 1999, encontrei uma lojinha de CDs numa galeria e lá, uma preciosidade: uma compilação alemã (Legends of Acid Jazz Vol. 2) desse guitarrista que, pra mim, era um completo desconhecido. É difícil parar de escutar esse cara, que tem um suíngue de deixar Wes Montgomery e seu polegar de ouro com inveja. Nascido em 1940, vive em Atlantic City (EUA), onde se apresenta em pequenos clubes.

Quatro das músicas da seleção dele são do primeiro volume da coletânea Legends of Acid Jazz, uma do disco Mindbender (Light My Fire, versão do sucesso do The Doors) e uma outra homônima do disco Sweetback.

Odetta - Quem levou Bob Dylan para o folk, segundo o próprio diz no documentário No Direction Home, foi essa cantora de voz poderosa, nascida em 1930. Ela retribuiu a gentileza em 1965, gravando o disco Odetta Sings Dylan com diversos clássicos do maior poeta da música. Ela também influenciou Janis Joplin e Joan Baez e participou ativamente dos protestos por direitos civis nos Estados Unidos na década de 1960. No ano passado abriu os shows de Madeleine Peyroux.

Dela escolhi duas músicas do disco Odetta and The Blues (Go Down Sunshine e Hard Oh Lord), uma do Odetta Sings Dylan (Masters of War) e três do Odetta Sings, onde ela canta sucessos do pop-rock como No Expectations (do Stones) e Mama Told Me Not To Come (que brilhou na voz de Wilson Pickett).

John Garcia - A voz do stoner rock por excelência. Foi um dos principais responsáveis pelo mega-sucesso do Kyuss na década de 1990, juntamente com John Homme. Mas ao contrário do companheiro de banda, que continuou em evidência com projetos como o Queen of Stone Age, deu uma sumida do cenário roquenrol. Ainda assim participou de muitos bons projetos, em grupos como Slo Burn, Unida e Hermano (esta última ainda na estrada).

São três da banda atual, Hermano (The Bottle e Senor Moreno’s Plan do primeiro disco, … Only a Suggestion, e Cowboys Suck, do segundo Dare I Say), duas da fantástica e pouco conhecida Unida (Human Tornado e Puppy Man) e uma do saudoso Kyuss (Thumb).

Frank Zappa - Um das figuras mais inventivas e interessantes do roquenrol de todos os tempos. Guitarrista, compositor, cantor, produtor e diretor, gravou mais de 80 álbuns durante sua carreira, iniciada no início da década de 1950 na costa oeste dos Estados Unidos. Seu primeiro instrumento foi uma bateria e suas influências vão do rhythm & blues, doo-wop e blues ao rock, jazz moderno e música clássica avant-garde (Edgar Varese, o pai da música eletrônica, e Igor Stravinsky). Trabalhou com publicidade e montou aos 19 anos, em Cucamonga, Califórnia, um estúdio para gravações de jingles. Morreu de câncer em 1993, aos 53 anos.

Separar seis foi foda, muito foda. Mas enfim, vamos lá: San Berdino e Pojama People (One Size Fits All), Zomby Woof (Over-Nite Sensation), Peaces En Regalia (Hot Rats), Valley Girl (A Ship Arriving To Late To Save a Drowning Witch) e My Guitar Wants To Kill Your Mama (Weasels Ripped My Flesh).

Com vocês, a estréia do programa Quatro Ases e um Coringa (que espero que seja mensal).

Passatempo

Posted by escriba on 28 Sep 2007 | Tagged as: jogos

Acabou um serviço antes do tempo e está de bobeira? Gaste o tempo detonando geral com Raiden-X, um clássico! (Fonte: Ovelha Elétrica, onde mais?)

De grão em grão

Posted by escriba on 28 Sep 2007 | Tagged as: blog

O Escriba comemora este mês três anos de atividades, batendo na casa dos 100 mil acessos - cerca de 100 diários. Agradeço imensamente a todos que contribuem com o blog - lendo, comentando, repassando links, recomendando aos amigos e sugerindo notas. Espero continuar contando com seu apoio, galera!! Vamu q vamu!

Cinismo involuntário

Posted by escriba on 27 Sep 2007 | Tagged as: Meio Ambiente

Com a palavra, John Ashton, representante do governo britânico na reunião promovida pelo governo Bush para discutir metas voluntárias dos países industrializados para a redução de emissão de gases do efeito estufa:

Sabemos que discutir o aquecimento global em termos voluntários é tão efetivo quanto uma placa de limite voluntário de velocidade na estrada.

Precisa dizer mais alguma coisa?

O Irã que se cuide

Posted by escriba on 27 Sep 2007 | Tagged as: canalhice, imprensa, internacional, politica

A Fox News continua batendo um bumbo firme e forte por uma guerra no Irã - assim como fez anos atrás para legitimar a invasão do Iraque. O mais incrível é que usam os mesmos argumentos! Saca só:

(Fontes: Vi o Mundo, Sivuca e FOX Attacks)

Perfume de mulher

Posted by escriba on 27 Sep 2007 | Tagged as: bizarro/curiosidade, mulheres

Depois do Vulva, o que mais esperar? Piadinhas infames na área de comentários… :)

Verdade editada

Posted by escriba on 26 Sep 2007 | Tagged as: civilização, comportamento, imprensa, internet, politica

Instigado pelo sempre antenado blog Migrante Digital, da minha doce amiga Guta, fui checar essa barafunda toda em torno da palestra que o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad deu esta semana na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos. Está aí embaixo, no final deste post. Apesar da ofensiva e deselegante pantomima promovida pelo presidente da Universidade antes do início da conversa do presidente iraniano com os alunos que lotaram o auditório, é louvável que a instituição tenha aberto suas portas para um debate desse tipo. Ahmadinejad é uma das figuras mais emblemáticas da atual geopolítica mundial e não conta com a simpatia do governo americano - chegou a ser proibido de visitar o Ground Zero, local em Nova York onde ficavam as torres gêmeas do World Trade Center. Muitos protestaram contra a realização da palestra, mas a universidade bancou a idéia e foi em frente.

Ao contrário do que a imprensa pinta, Ahmadinejad não é um líder brutal ou ditador cruel, nem o Irã a sucursal do inferno, apesar dos muitos problemas políticos, religiosos e econômicos que enfrenta - como também a Índia, o Paquistão, a Tailândia, o Mianmá. Os EUA acusam o Irã de patrocinar terroristas. Com base em quê? Na mesma argumentação que ‘provou’ que o Iraque tinha armas de destruição em massa? Sei…

E seus questionamentos sobre Israel, holocausto e energia nuclear são sim passíveis de questionamentos e debates, mas não absurdamente inviáveis. Israel é sim um Estado terrorista, a matança não atingiu apenas judeus na Segunda Guerra Mundial - russos e ciganos que o digam - e o Irã tem o direito legítimo de investir em energia nuclear, já que praticamente todos os seus críticos (EUA a frente) assim o fazem. Nesse ponto, é curiosa a posição dos que se opôem a um Irã nuclear. Dizem eles que se o país persa desenvolver tecnologia de enriquecimento de urânio e construir usinas nucleares, poderá ter a bomba. Bom, se a regra vale para o Irã, vale para qualquer outro país, certo? Então, porque França, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Japão e Brasil podem seguir esse caminho e o Irã não? Os iranianos já atacaram algum outro país deliberadamente, sem ser atacado como foi na década de 1980 pelo Iraque? Comparações com a Alemanha de Hitler são estúpidas; os alemães já tinham um histórico belicista àquela época, derrotados que foram na Primeira Grande Guerra. Penso que nenhum país deva recorrer à opção nuclear, mas exigir isso apenas de alguns países é no mínimo hipócrita.

Voltando à fala de Ahmadinejad em Nova York, ele deu um show de tolerância e fair play, para desespero de seus críticos. Depois de ser atacado sem mais nem menos pelo presidente de Columbia logo na abertura, mandou na lata:

… no Irã, quando uma pessoa é convidada a falar, os estudantes são suficientemente respeitados para que se deixe que eles próprios tirem suas conclusões, não é necessário antes da palestra atacar o convidado para se precaver dos ataques da universidade e da faculdade…

Foi aplaudido sonoramente. Como em várias outras ocasiões, como quando defendeu um Estado palestino e também quando criticou os EUA por semear a discórdia e patrocinar - ele sim - o terrorismo em escala global há décadas. Recebeu vaias também e risos da platéia. Quando, por exemplo, disse que no Irã não havia homossexuais como nos EUA. Veja bem, ele não disse que no Irã não existem gays, mas sim que não há como nos EUA. É bem diferente. Evidentemente há homossexuais lá. Mas a cultura persa é outra, bem como a dos muçulmanos, e é preciso respeitar isso. Pergunte a um monge tibetano ou a um aborígene ou mesmo a um índio brasileiro se há gays na comunidade deles. Eles provavelmente dirão o mesmo que Ahmadinejad: “não como vocês.”

A história está repleta de exemplos de como é fácil editar a verdade, desvirtuando falas, deturpando fatos e ocultando inconvenientes. Dê uma googlada por aí e comprove.

Quem avisa amigo é

Posted by escriba on 26 Sep 2007 | Tagged as: Meio Ambiente

Há anos que ambientalistas avisam que a nova maior usina hidrelétrica do mundo, Três Gargantas, na China, é um desastre para o ecossistema da região. Foram ignorados e tachados de eco-chatos. Agora que o projeto está na bica de entrar em pleno funcionamento os alertas começam a ser levados mais a sério, gerando preocupação no governo chinês.

E la nave va…

Arqueologia literária

Posted by escriba on 25 Sep 2007 | Tagged as: livros

Não tem coisa melhor do que passar horas garimpando livros num bom e velho sebo. O meu camarada Mansur traduziu com perfeição o que sentimos em meio à poeira, capas esfareladas e preços convidativos. Enquanto houver sebos - não livrarias -, o futuro do livro está garantido.

Lula na ONU: países ricos têm que dar o exemplo

Posted by escriba on 25 Sep 2007 | Tagged as: Meio Ambiente, brasil, politica

Acompanhei hoje, ao vivo, o discurso do Lula na abertura da Assembléia-Geral da ONU, em Nova York. Sentou no colo os países que não aceitam o Protocolo de Kyoto e querem discutir o aquecimento global em paralelo - leia-se EUA e Canadá, entre outros -, criticou os subsídios agrícolas dos países desenvolvidos, defendeu os biocombustíveis e advertiu que é preciso repensar o atual modelo de desenvolvimento global. Logo depois, discursou o Bush Jr. Infelizmente não pude acompanhar o senhor dos manés porque na hora estava escrevendo um texto para o site do Greenpeace.

O melhor trecho da fala de Lula:

É preciso reverter essa lógica aparentemente realista e sofisticada, mas na verdade anacrônica, predatória e insensata, da multiplicação do lucro e da riqueza a qualquer preço.

Há preços que a humanidade não pode pagar, sob pena de destruir as fontes materiais e espirituais da existência coletiva, sob pena de destruir-se a si mesma. A perenidade da vida não pode estar à mercê da cobiça irrefletida.

O mundo, porém, não modificará a sua relação irresponsável com a natureza sem modificar a natureza das relações entre o desenvolvimento e a justiça social.

Se queremos salvar o patrimônio comum, impõe-se uma nova e mais equilibrada repartição das riquezas, tanto no interior de cada país como na esfera internacional.

A eqüidade social é a melhor arma contra a degradação do Planeta. Cada um de nós deve assumir sua parte nessa tarefa. Mas não é admissível que o ônus maior da imprevidência dos privilegiados recaia sobre os despossuídos da Terra. Os países mais industrializados devem dar o exemplo. É imprescindível que cumpram os compromissos estabelecidos pelo Protocolo de Quioto.

Como nossa imprensa sabe como ninguém deturpar o que os outros dizem, é sempre bom ir diretamente à fonte dos fatos - clique aqui para ler a íntegra do discurso.

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