May 2007
Monthly Archive
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Posted by escriba on 31 May 2007 | Tagged as: comportamento, internet, musica, tecnologia

Definitivamente, a tecnologia digital mudou o jeito das pessoas ouvirem música. Com a tecla shuffle (baralhar), cada vez menos importa a ordem das músicas - vc enche CD ou tocador de MP3 com suas canções preferidas, clica no botão mágico e deixa rolar, se surpreendendo aqui e ali com as boas seqüências que surgem. Vc é o seu próprio DJ.
O conceito de álbum como existia nos tempos do LP e CD está mais moribundo do que nunca. Não adianta o artista abrir o disco com a música X ou Y, ou até mesmo criar obras conceituais, em que as faixas fazem mais sentido se ouvidas na ordem Z, porque eu vou lá e bagunço geral o coreto. Troco a ordem, misturo com sons de outros artistas, elimino o que acho que nunca deveriam estar naquele disco em primeiro lugar, faço o que quiser. É a vingança da cultura das coletâneas misturebas em k7, elas venceram afinal, quem diria! E toma Motorhead com Alceu Valença (eu tenho fita assim!), Ramones salpicado com Pato Fu, Raul Seixas duelando com Kansas. Uma vez alterei a ordem de todas as músicas do The Number Of The Beast, do Iron Maiden, dando prioridade às músicas de que mais gostava. Nada de começar com Invaders; os acordes iniciais da música-título davam início aos trabalhos com muito mais impacto. Martin Birch deu mole.
No carro atualmente tenho um CD de MP3 com nove álbuns completos - três do Bob Dylan (Blonde On Blonde, Blood On The Tracks e Modern Times), um do Big Joe Turner (coletânea), um do Ben Christophers (Spoonface), três do J.J. Cale (Naturally, To Tulsa And Back e The Road To Escondido) e um do Ali Farka Toure & Ry Cooder (Talking Timbuktu) - e só o escuto randomicamente. É a minha mini-rádio, sem os locutores malas, nêgo tentando me vender um novo 4×4 ou repetitivos informes sobre o trânsito na Marginal Pinheiros. Não tenho a menor idéia de qual é a ordem exata das músicas desses discos, muito menos suas respectivas capas. As possibilidades são infinitas! Com a transmutação dos átomos em bits, quem manda sou eu. Hoje quero assim, amanhã assado. Porque é preciso ser assim assado.
Não à toa surgiram na internet inúmeras páginas que oferecem ao usuário a oportunidade de criar suas próprias seleções musicais e compartilhá-las com amigos. A mais famosa delas, Last.FM (que funciona como um Orkut, só que dedicado à música), acaba de ser comprada por incríveis US$ 280 milhões pelo grupo americano de comunicação CBS, que tem 179 estações de rádio nos EUA. É a vitória do shuffle sobre o dirigismo musical. O aleatorismo venceu e vai mudar para sempre as rádios mundo afora.
E que os DJs ponham seus toca-discos de molho. Cada vez menos precisamos de alguém para nos dizer o que devemos escutar, como e quando. Muitas rádios tradicionais na Europa e nos EUA perceberam isso e já estão promovendo mudanças profundas no jeito como trabalham. Não querem perder tempo - e ouvintes, claro. É chegado o tempo das jack radios, com listas de músicas (digitais) mais extensas, nada de falação e grande variedade de estilos, tudo ligado em shuffle.
Mas a grande mudança deve acontecer nas gravadoras. Em algum momento elas perceberão que lançar CDs do jeito atual ficará bem anacrônico. Pensando um pouco mais, lançar CDs não fará mais sentido - um tocador de MP3 vagabundex, com 128 mb, está valendo uns R$ 100, até menos, com capacidade para mais ou menos 50 músicas, dependendo do tamanho dos arquivos; o novo do Lobobão (com 18 músicas) sai por cerca de R$ 25. Faça a conta. Se não fossem tão turrões em relação à troca de arquivos de música, as grandes gravadoras já estariam vendendo tocadores de MP3 com o novo U2 ou dos Rolling Stones a preços convidativos. E aí, o que importa a ordem das músicas? Shuffle nelas!
Posted by escriba on 30 May 2007 | Tagged as: imprensa, internacional
Aos que insistem em considerar a não-renovação da concessão pública à emissora golpista venezuelana como um atentado à democracia, seguem abaixo algumas pisadas na bola dela ao longo dos últimos anos:
No caso da RCTV, o que mais foi dito é que seria fechada a emissora que se opõe ao governo Chávez. Só que a imprensa brasileira, sempre superficial, “se esqueceu” de apurar um pouco mais o histórico da “injustiçada” emissora. Pois, ao que consta, já em 1976, a RCTV foi tirada do ar por três dias por veicular notícias falsas; em 1980 ficou 36 horas fora do ar por causa de sua programação sensacionalista; em 1981, foram 24 horas de penalidade por exibir cenas pornográficas em horário inadequado; em 1989, mais 24 horas fora do ar por ferir a lei ao veicular publicidade de cigarro; e em 1991, teve um de seus programas humorísticos tirado do ar pela Corte Suprema por ridicularizar as pessoas.
Não bastasse todos esses problemas relativos ao conteúdo, há ainda os processos na Justiça por sonegação fiscal entre 1999 e 2003, e por veiculação dos discurso do almirante Molina Tamayo e dos generais Nestor Gonzáles e Guaicaipuro Lameda em favor do golpe militar de 11 de abril de 2002. Ambos os casos: enganar o fisco e incitar o povo a um golpe de Estado, são ações puníveis constitucionalmente em qualquer democracia do mundo; pior ainda se tratando de uma concessão pública como as emissoras de televisão.
(trecho do artigo de Edgard Rebouças, jornalista, doutor em Comunicação, professor da Universidade Federal de Pernambuco e membro da coordenação executiva da campanha “Quem financia a baixaria é contra a cidadania”, da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.)
Como se vê, a RCTV cavou seu próprio buraco. Nada mais justo que seja punida.
Posted by escriba on 28 May 2007 | Tagged as: imprensa, internacional, politica

Curioso como o fim da RCTV, a emissora mais antiga da Venezuela, gerou quase nenhuma discussão no imprensalão brazuca sobre os reais motivos que levaram o governo daquele país a tomar uma decisão tão dura. Os mesmos que há mais de 20 anos louvaram com muito entusiasmo o golpe de 1964 - leia aqui o que diziam em editoriais à época - agora se dizem preocupados com a falta de liberdade de expressão em terras venezuelas. É aquela velha história: quem tem, tem medo. A RCTV perdeu a concessão - sim, TV é uma concessão governamental, que pode ser cancelada legitimamente caso certas normas sejam descumpridas - por ter sistematicamente conspirado para derrubar o presidente eleito Hugo Chavez. O prazo da concessão terminou e o governo venezuelano decidiu não renová-la. Simples assim.
O documentário A Revolução Não Será Televisionada conta bem essa história. Eis um pequeno trecho revelador de como a mídia (em particular a RCTV interferiu decisivamente nos acontecimentos em abril de 2002:
O documentário inteiro está no YouTube, é só procurar. Pois é, agora posam de vítimas. Os (tu) barões brasileiros esperneiam com vontade mas já colocaram suas barbatanas de molho porque sabem que os muitos esqueletos que guardam nos armários fazem um barulho danado sempre que alguém toca nesse passado nefasto - e que nos revela um presente nada digno dos meios corporativos de comunicação.
Abaixo, as primeiras imagens da nova TV venezuelana, a TVes:
(fonte: blog Na Periferia do Império)
O que deve ter de (tu) barão babando de raiva por aí não tá no gibi…
Posted by escriba on 27 May 2007 | Tagged as: bizarro/curiosidade, internet

Primeiro foram pênis voadores cor de rosa que interromperam a coletiva da primeira milionária do jogo Second Life, Anshe Chung, pseudônimo virtual de Ailin Graef. Agora explodiram a sede virtual da TV americana ABC. Tava demorando para grupos como o Second Life Liberation Army (SLLA) (algo como Exército de Libertação do Second Life) mostrarem sua insatisfação contra a invasão corporativa que vem acontecendo no jogo - porra, até a avenida Berrini apareceu por lá, aí é um pouco demais, não?
Mas a entrada de tantas empresas no SL pode ser uma boa oportunidade para se exercitar um pouco de terrorismo poético. E eu quero ver quando Banksy chegar! Eu quero ver o que vai acontecer!
Posted by escriba on 25 May 2007 | Tagged as: internet, musica, tecnologia
A biografia do Roberto Carlos é um sucesso na internet. Só aqui no blog foram feitos cerca de 9 mil downloads do arquivo PDF do livro. Faltam dois mil para ficarmos quites (ele tirou 11 mil de circulação com a ação na Justiça). E agora nem baixar o arquivo é preciso mais, é só visitar o blog Roberto Carlos em Detalhes. Tá tudo lá.
A história se repete: semanas atrás, o pessoal lá nos EUA fez um fuzuê danado com o código que desbloqueia os novíssimos HD-DVDs (discos de alta definição). Um hacker descobriu a seqüência de 32 caracteres que, na prática, implode o famigerado DRM do DVDs, dispositivo que restringe a cópia digital, e publicou no Digg - um site que faz um ranking dos assuntos mais quentes do momento, segundo escolha dos próprios usuários. Pressionados, os administradores do site retiraram da lista a página que trazia o código, mas outro foi lá e republicou. E de quebra ainda recebeu inúmeros votos (ou diggs), indo parar novamente na primeira página do site. Cada vez que a referência ao código era suprimida da lista, outro publicava e recebia votos suficientes para ficar em destaque. O site capitulou, afirmando que não mais lutaria contra seus usuários.
Mas foi quando a indústria ameaçou processar os que publicavam o código é que a coisa fedeu de vez. A rebelião tomou proporções inimagináveis. O código começou a aparecer em camisetas, tatuagens e até música, como essa aí, que foi parar no YouTube. Informação publicada é informação pública. Já é.
Posted by escriba on 25 May 2007 | Tagged as: humor
Uma pena que os antológicos trotes do personagem não estejam mais circulando pela Internet. Só encontrei um, o das seis frases gravadas. Basicamente, os caras gravaram seis frases e ligaram para um número aleatório no Rio de Janeiro. A idéia era ver quanto tempo levaria para alguém perceber que estava conversando com uma gravação. No caso, a Néia não percebeu!
Brilhante!
Posted by escriba on 24 May 2007 | Tagged as: internet, musica, tecnologia
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Essa foi a primeira fita K7 que comprei na vida. Meu pai tinha um rádio-gravador Polivox, se não me engano, dos bons, e eu comecei a ficar as tardes depois da escola gravando músicas no rádio, enfurnado no quarto dele, aprimorando a técnica de soltar o pause no exato momento em que alguma coisa que prestasse começasse a tocar. Se não curtia a música, voltava a fita ao ponto e ficava ali, com o dedo preparado, esperando a próxima. Parar antes que o locutor falasse também exigia uma certa técnica. E assim ficava por horas, gravando músicas em avulso ou programas inteiros, geralmente da Fluminense FM (estamos falando da década de 1980).
Juntei uma penca de fitas, uma coleção de respeito, hoje reduzida a uma gaveta - só ficaram as mais significativas, com sons que não tenho em LP ou CD, ou que não tive paciência ainda pra procurar em MP3. Nem tenho mais como escutá-las mas jogá-las fora é inconcebível pra mim.
Tudo isso passou por minha cabeça quando descobri (lá no Cocadaboa) o site Tapedeck.org - um museu virtual de fitas K7 de várias marcas e modelos. Parece bobagem, mas sempre dou uma passadinha lá. Dá uma saudade…
Posted by escriba on 22 May 2007 | Tagged as: Meio Ambiente
Porteira fechada: Governo alemão aperta o cerco contra o milho transgênico da Monsanto, devido a evidencias de que o produto tem causado problemas de contaminação genética e afetado negativa o meio ambiente do país. Exige que a empresa apresente estudos de impacto ambiental. Caso contrário, não poderá produzir, plantar ou comercializar o produto.
Porteira aberta: A CTNBio aprova pedido de comercialização de milho transgênico da Bayer no Brasil, apesar da empresa nunca ter apresentado estudo de impacto ambiental. Outras variedades geneticamente modificada de milho estão na fila da comissão para serem aprovadas (da Monsanto inclusive) - nenhuma delas tem o tal estudo de impacto ambiental.
Ê mundão besta sem porrrteira, sô!
(Enquanto isso, cientistas russos apontam fortes evidências de que transgênicos podem sim causar problemas à saúde humana… Alguém pode mandar o link pro pessoal da CTNBio? Com urgência!)
Posted by escriba on 22 May 2007 | Tagged as: Meio Ambiente, brasil, tecnologia

Os cabeça-de-milico estão cabisbaixos. Meses de trabalho de lobby pró-Angra 3 foram picotados com a última operação da PF, a Navalha. Um dos principais defensores da usina nuclear, o ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, ficou todo encalacrado e deve pedir o boné ainda esta semana. Sua saída deve atrasar um bocado o rolo-compressor que quer empurrar goela abaixo do governo um empreendimento caro, ineficaz e sem sentido num país como o Brasil, rico em fontes renováveis de energia.
Como bem lembrou José Goldemberg, secretário de Meio Ambiente de SP, em artigo publicado ontem no Estadão, é falsa a premissa de que precisamos de Angra 3 para evitar um apagão elétrico - a usina que oferece tão somente 1.350 mW de energia só deve ficar pronta em 6 anos, no mínimo. Até lá, poderíamos ter muito mais megawatts com programas de economia de energia, incentivo à produção de eletrodomésticos mais eficientes e construção de pequenas centrais hidrelétricas já licenciadas - e paradas por falta de dinheiro. Enquanto isso, querem gastar bilhões de dólares na retomada do projeto nuclear, que já se provou economicamente inviável. Segundo o relatório Aspectos Econômicos da Energia Nuclear, feito por encomenda do Greenpeace, a construção de uma usina nuclear pode ultrapassar em 300% seu orçamento inicial e, em média, leva quatro anos a mais do que o planejado para ser construída.
Mesmo países ultra-dependentes de energia nuclear, como Japão, Alemanha e França, já estudam alternativas mais baratas e eficientes. Boa parte de suas atuais usinas atômicas estão em fase final de operação e construir novas está fora de cogitação. Por que não podemos antecipar esse passo aqui no Brasil? Quem ganha com Angra 3? Certamente, não é o país…