Para justificar a publicação desta ou daquela matéria, invariavelmente o editor de um jornal (impresso ou televisivo) alega que é isso que o leitor quer ler. Pois uma recente pesquisa revela que tal sapiência editorial não passa de prepotência. Segundo estudo feito pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, o brasileiro quer saber mais sobre medicina, saúde, meio ambiente e ciência, e menos sobre política, moda e cultura - que são justamente as áreas que a imprensa mais aposta (além de esportes e economia), normalmente com textos declaratórios (em que políticos deitam e rolam) e/ou baba-ovos de artistas e queridinhos das passarelas.

No caso do meio ambiente então, é emblemático o fato de nenhum dos grandes jornais ter um caderno específico para o assunto, muito menos um correspondente fixo sequer em Manaus, por exemplo. Já Brasília…

Não à toa somos invariavelmente surpreendidos por boas matérias do que acontece em nosso país publicadas em veículos estrangeiros. Os caras estão andando por esse mundão besta, sô, cavando pautas, enquanto nós nos enfurnamos na capital federal. É só conferir quantas matérias vindas de Brasília tem o seu jornal diário - dá uns 70% do total, fácil.

A meu ver, nada justifica tamanha concentração. Mas enfim, o imprensalão há tempos demonstra estar numa outra dimensão, falando com seus umbigos. E ainda assim, nunca estivemos tão bem informados - afinal de contas, as fontes de informação se multiplicaram de tal maneira que quem lê só jornal é o último a saber das coisas.

Mas, a exemplo dos que vivem nos aquários, não perdem a pose. Nunca.