A EFE disparou a notícia e o portal da agência Estado na internet publicou hoje a tarde: milhões de abelhas estão desaparecendo nos Estados Unidos. Especialistas ouvidos pela reportagem suspeitam de secas, pesticidas e até telefone celulares como fatores que podem ter causado esse sumiço em massa dos insetos.

No entanto, a matéria não toca num ponto que pode ser o ‘x’ da questão: a possibilidade das plantações transgênicas serem responsáveis pelo abelhocídio. Ora, os EUA são o paraíso dos organismos geneticamente modificados (OGMs), sendo responsáveis por quase 70% da área plantada com transgênicos no mundo. Cerca de 40% de suas plantações de milho são transgênicas. E esse sumiço de abelhas já ocorreu antes, na Alemanha, gerando preocupação e pesquisas, que apontam os OGMs como possíveis responsáveis (leia aqui a tradução da matéria publicada no jornal alemão Der Spiegel sobre o assunto).

Segundo Hans-Hinrich Kaatz, um professor da Universidade de Halle e diretor do estudo que investigou o impacto dos transgênicos nas colônias de abelha, a toxina bacteriana no milho geneticamente modificado (o tal milho inseticida Bt da Monsanto, que a CTNBio quer liberar comercialmente no Brasil) pode ter “alterado a superfície dos intestinos das abelhas, o suficiente para enfraquecê-las e permitir a entrada dos parasitas - ou talvez tenha sido o contrário. Nós não sabemos”.

O que diz o princípio da precaução, proposto e aprovado durante a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, ou ECO-92, realizada no Rio de Janeiro?

O Princípio da Precaução é a garantia contra os riscos potenciais que, de acordo com o estado atual do conhecimento, não podem ser ainda identificados. Este Princípio afirma que a ausência da certeza científica formal, a existência de um risco de um dano sério ou irreversível requer a implementação de medidas que possam prever este dano.

Como bem disse o geneticista Flávio Lewgoy durante audiência pública da CTNBio realizada em Brasília semana passada, para discutir o milho transgênico que se quer liberar comercialmente no Brasil, a discussão está contaminada pelo aspecto comercial, em vez de centrar fogo na questão científica.

Vi vários representantes de ONGs nessa reunião citando algumas dessas pesquisas sobre o impacto negativo dos transgênicos sobre insetos e outras formas de vida, pedindo mais estudos e responsabilidade por parte das empresas de biotecnologia. Sabe como reagiam os representantes da Bayer, da Syngenta e da Monsanto? Com deboche. Com comentários preconceituosos. Com a arrogância de quem sabe que o deus cifrão manda e desmanda.

E o mais triste é saber que Lula sancionou a tal MP que facilita ainda mais a entrada dos transgênicos no país…

Albert Einstein fez décadas atrás um alerta:

“Se a abelha desaparecer da superfície do planeta, então ao homem restariam apenas quatro anos de vida. Com o fim das abelhas, acaba a polinização, acabam as plantas, acabam os animais, acaba o homem”.

É, parece que o dia está chegando…