Hoje Martim me deu uma aula sobre o fundo do mar e seus incríveis habitantes. Ele ficou animadíssimo com os inúmeros aquários e peixes que viu numa loja de animais de estimação aqui do novo bairro (nos mudamos do Brooklin para a Vila Leopoldina) e não parou mais de falar sobre peixes, baleias e tubarões - os de sua imaginação, claro.

São espécimes indubitavelmente raras e fantásticas. Como o peixe-cola, que passa seu rabo besuntado nas pedras para pegar carangueijos; ou o tubarão-chave-de-fenda (primo-irmão do tubarão-martelo), que se diverte furando cachalotes. Tem ainda o tubarão-gancho, que fura outros peixes pra comer; o peixe-massinha, que come cavalos-marinhos; e as baleias-tesoura e faca, que cortam suas vítimas impiedosamente.

Sim, Martim tem um amigo imaginário também. É ele o responsável pelas artes de meu filho, como bater na Sofia, derrubar os porta-retratos e quebrar copos. “Ele é invisível”, explica professoralmente, sempre que digo que quero ter uma conversa o rapaz. “Não adianta, pai, ele se esconde quando vc chega.” Malandro ele, não?