October 2006

Monthly Archive

Lula de novo, com a força do povo!

Posted by escriba on 30 Oct 2006 | Tagged as: TV, brasil, egotrip, imprensa, politica

Estou no Rio para trabalhar no Mundial de futebol de praia (ou Beach Soccer, enfim…) e fico por aqui até o dia 12 de novembro. As atualizações aqui no blog vão rarear porque na casa do meu pai, onde estou hospedado, a conexão à internet está muito ruim, e aqui na casa do meu irmão, de onde escrevo hoje, nem sempre poderei abusar, porque ele e a Juli estão com um bebezuco de três meses, a Clarinha.

Mas estava seco pra comemorar virtualmente também a extraordinária vitória de Lula domingo e cá estou perturbando meus cunhadinhos queridos!! Lulaaaaaaaaaaaaaaaaaa!! Vitória histórica! O slogan de campanha do presidente reeleito nunca foi tão acertado! O cara é hoje o presidente que recebeu o maior número de votos no mundo, em todos os tempos, e com o decisivo apoio do povão - quer os (de)formadores de opinião e (tu)barões da imprensa gostem ou não. Aliás, a grande imprensa saiu desta eleição como uma das grandes derrotadas e vai ter que se reciclar caso não queira ficar ainda mais queimada. Como duvido que isso aconteça, prevejo dias lúgubres na mídia impressa e televisada… Em tempo: a TV Bandeirantes deu um banho na Globo e na RepetecoNews (aka Globonews) na cobertura dessas eleições, heim? Pelo menos no domingo, foi até covardia. Agora bom mesmo foi ver o Geraaaaaldo Alckmin ter uma votação menor do que teve no primeiro turno, isso não tem preço. Será que vai encher o saco agora perguntando pra onde foram seus votos? Hahaahaha, que lavada!!

Aqui no Rio vários amigos meus votaram nulo, decepcionados que estavam com o PT, mas no problem, pelo menos não votaram no candidato de plástico. Cheguei aqui no sábado e fui tomar umas tequilas no Puebla da Cobal, do meu camarada Angelo. Lá encontrei um outro camarada que não via há mais de uma década, o Zé Carlos (grande pururuca), um dos fundadores do Centro de Comunicação Vegetal (CCV) na época da ECO e tal. Estava com sua esposa e a Ana Clara, a filha que conheci bebezinha e agora já é uma mocinha linda! Parabéns Zé!!

A noite estava só começando e tudo conspirava para dar certo. Revi Paulinho, figura, e a dupla de Márcias - D´Angelo e Baptista - com quem acabei indo para o Tim Festival, um bom lugar para encontrar mais gente. Afinal, estou quase dois anos sem vir para cá. Lá chegando, encontrei o Andre Arruda, alckmista frequentador deste espaço, com quem troquei um bom papo antes dele sumir - já estava deveras mamado… Vi também o Vagner e a Inês, bela como sempre. Lá pelas tantas, uma credencial me cai nas mãos e fecho a naite com chave de ouro - curtindo duas músicas do show do Thievery Corporation, que eu queria muito ver. E ainda calhou de serem justamente de um dos meus discos preferidos, o Mirror Conspiracy.

Domingão, ressacão. Votei, encontrei Beto, Juli e Clarinha na praia e fui a uma reunião na Arena onde vai rolar o campeonato. Depois, mais uma figura querida: Yan, que jantou conosco uma deliciosa pizza carioca (sem catchup…).

Hoje, segunda-feira, foi dia de visitar alguns familiares com meu pai - fomos à casa das tias Sueli, Nenem e Wanda, dei um beijo na minha prima recém operada Leninha, um outro na bonitona da Andrea e fiquei sabendo de detalhes do acidente do meu tio Zezé, que também lá estava firme e forte aos quase 80 anos. O cara ficou preso um elevador com metade do corpo para dentro e as pernas do lado de fora! Só vendo as fotos para acreditar! Não à toa meu pai diz que o cara é jagunço, difícil derrubar… E já marquei um chope com ele e mais alguns primos, quarta depois do trampo, no quiosque do Bar Luiz na praia, próximo à arena - quiosques aliás, belíssimos! Agora sim!

Bom, agora chega de perturbar os cunhados, vou pra casa porque amanhã começa a labuta cedinho lá em Copa. Inté!

Lulaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!

O suicídio dos (tu)barões

Posted by escriba on 27 Oct 2006 | Tagged as: blog, brasil, imprensa, internet, politica

Em corajosa entrevista ao site Vermelho.org, o jornalista Luis Nassif ratifica o que muitos já perceberam: a mídia brasileira está em campanha uníssona, algo inédito no Brasil - quiçá no mundo. Digo corajosa porque é fato raro jornalista falar de jornalista e do modus operandi da mídia. Pior que a máfia. Jornalista critica, difama, acusa, condena livremente. Mas ai de quem ouse apontar suas baterias para um deles, apontar erros, revelar distorções ou criticar métodos. Como os peixes menores do oceano, eles se fecham num grande cardume e partem pra cima, numa tática invariavelmente bem sucedida.

Vou destacar alguns pontos da entrevista que considero serem emblemáticos do momento que vivemos no mundo jornalístico brasileiro.

Sobre a onda anti-Lula na mídia:

No começo do ano passado, alguns colunistas - não oriundos da impresa propriamente dita -, intelectuais e pessoas do showbiz, basicamente o (Arnaldo) Jabor e o Jô (Soares), começaram um crítica mais pesada ao Lula e ao PT. Essa crítica, num determinado momento, resvalou para uma posição de intolerência e teve eco na classe média.

Quanto teve eco, aconteceu algo que, para mim, é o mais inacreditável que eu já vi em mais de 30 anos de jornalismo: a Veja entra na parada e começa a usar aquele estilo escabroso. É inédito em termos de grande imprensa - e é um suicídio editorial. Agora, aquele estilo acabou batendo aqui, em São Paulo, em alguns círculos do Rio de Janeiro, induzindo a mídia a apostar na queda do Lula. Quando não conseguiu derrubar Lula, a mídia enlouqueceu. E então todos os jornais caminhavam na mesma direção. Isso não existe. Todo mundo enlouqueceu.

Sobre a importância da internet para mostrar a todos o que os (tu)barões da imprensa escondem:

Aquela diversidade que os jornais ainda tinham e perderam, o pessoal foi buscar na internet. E uma coisa a gente aprende com os blogs: se houver 20 blogs falando “A”, basta um blog falando “B” de forma consistente, que ele inverte e desmascara. Há a interação entre os blogs e seus leitores. Os blogs emergiram como uma alternativa. E isso culminou com a matéria do Raimundo Pereira na CartaCapital. Em outros momentos, a Carta teria feito a matéria e ninguém falaria nada. Agora a matéria teve um alarido infernal, de tudo quanto é blog discutindo. E o tema não morreu.

Interesse jornalístico da tal foto do dinheiro do dossiê:

Qual o interesse jornalístico de uma foto? Uma foto de dinheiro é igual a uma foto de dinheiro. Não há informação nisso. Essa foto ainda foi maquiada para dar maior fotogenia. O única interesse era como ela ia repercutir nas eleições, como no caso da Roseana Sarney. A gente sabia que esse dinheiro existia há semanas. O fato de aparecer a foto não tem significado nenhum.

Mas os jornais e TVs queriam dar a imagem para saber o efeito eleitoral da foto. Se o único interesse sobre a foto era esse, é evidente que a parte mais relevante do ponto de vista da notícia era saber como vazou a foto. E não deram isso. Manipularam e protegeram o delegado (Edmilson Bruno Pereira). Isso é um episódio marcante. Um golpe como esse, não temos paralelo em nossa história.

E por fim, a falta de honestidade da mídia para reconhecer o que milhões de brasileiros já sabem - e confirmarão no domingo:

Aquele papel da mídia, de ser mediadora, deixa de existir. E o Lula fez uma coisa de gênio político. Quando começaram os escândalos, ele mandou apurar tudo. Na medida em que o pessoal acusado foi tirado do barco, passou a sensação de que era possível reconstruir o governo Lula sem os barras-pesadas que passaram por seu governo.

Então você tem o Bolsa Família mudando a realidade brasileira, com a incorporação das massas excluídas. O Lula não é salvo pela política do Palocci ou do Banco Central, mas pelo Bolsa Família. E não apenas pelos que são beneficiados - mas também por aqueles que estão de fora e percebem que esse programa vai mudar a história do Brasil. Os jornais não se deram conta disso.

Quando ficou claro que o Lula não ia cair, começaram a falar: “Ah, mas o eleitor do Lula é nordestino, é analfabeto”. E quem fica com eles (os jornais)? Uma classe média muito paulistana, preconceituosa e anacrônica - porque quem é minimamente sofisticado, não entra nesse jogo.

A íntegra da entrevista pode ser lida aqui.

Agora deixa eu voltar para o debate, em que Lula degusta um chuchu de plástico (eca, que gosto!)

“Não sou mais bebê”

Posted by escriba on 27 Oct 2006 | Tagged as: egotrip

Ontem, Martim pediu pra não dormir mais de fralda. Disse ele, convicto: “Não sou mais bebê, não preciso de fralda.” E deitou sem ela, levantando na madrugada, conforme o combinado, para ir ao banheiro e fazer xixi.

O tempo passa, o tempo voa…

Vacas magras

Posted by escriba on 27 Oct 2006 | Tagged as: livros, musica

Com o orçamento curto, não tem jeito. A gente perde uma pá de coisas legais. Ontem, teve show dos Toy Dolls aqui em sampa, no Blen-Blen. 70 pratas. Quase cometi a loucura (sim, gastar 70 pratas num show atualmente pra mim é loucura. Ver Thievery Corporation ou Herbie Hancock no Tim Festival, por sei lá, 200?, nem se fala…), mas me contive e abri mão. Sou fã dos caras desde o tempo de Nelli, The Elephant. E hoje passeando no shopping com Martim e Sofia, passei um tempo na Livraria Cultura, onde me detive nas prateleiras de literatura fantástica e achei uns títulos interessantes: Visões da Noite - Histórias de Terror Sarcástico, de Ambrose Bierce, e Contos Fantásticos no Labirinto de Borges. A brincadeira também sairia em torno de 70 pratas (esse número tá me perseguindo, vou jogar no bicho…) e tive que descartar… Quando entrar um frila bom eu volto lá e fagocito esses livros pra minha biblioteca.
Saco, esses tempos de vacas magras me irritam…

Folha se recusa a publicar artigo que transforma Jango em Lula

Posted by escriba on 26 Oct 2006 | Tagged as: brasil, imprensa, politica

Me deparei com a notícia no blog do Mino Carta. Pediram um artigo a Ivana Bentes, diretora da Escola de Comunicação da UFRJ, a ser publicado no caderno Mais! E ela o fez, transformando Jango em Lula. Mas na hora H, não publicaram. Ainda bem que a internet está aí pra isso mesmo, mostrar o que os (tu)barões escondem…

Viva Cuba!!

Posted by escriba on 26 Oct 2006 | Tagged as: Meio Ambiente, civilização

A World Wildlife Fund (WWF) lançou recentemente o relatório Planeta Vivo 2006 sobre o atual estado da natureza e as conclusões são trágicas. A humanidade está consumindo mais recursos do que o planeta é capaz de prover e, se continuarmos assim, em 2050 estaremos consumindo duas vezes mais recursos que o planeta é capaz de gerar por ano. Terrível. E tem gente que ainda cita China e Índia como exemplos a serem seguidos de desenvolvimento para o Brasil. Não e não. Chineses e indianos estão detonando o meio ambiente para crescer a taxas absurdas, que beneficiam mais o pessoal do topo da pirâmide, aprofundando o abismo entre eles e os mais pobres. Pagam salários miseráveis. Atraem empresas pra lá na base da renúncia fiscal, ou seja, nada de impostos a serem aplicados no país. Não crescem; inflam.

E pense no seguinte: se do jeito que está já estamos tendo problemas, imagine se os países em desenvolvimento da América Latina, Ásia e África começarem a consumir como os americanos, japoneses ou ingleses… Não vai dar. A grande questão é encontrar um equilíbrio e estou cada dia mais convencido que, para que os países que estão na merda possam promover bem estar aos seus cidadãos, os países em desenvolvimento terão que pisar firme no freio, consumir menos. Não dá para manter o atual nível de consumo exorbitante. O problema é saber quantos estão dispostos a abrir mão de certas regalias, de certos confortos da vida moderna para que TODOS possam usufruir de uma vida melhor.

Desenvolvimento sustentável é a palavra de ordem. E para atingir isso é preciso ter consumo responsável. As pessoas compram, por exemplo, celulares a rodo sem saber pra onde vai a antiga bateria, a antiga carcaça. O mesmo acontece com carros, relógios e tantas outras quinquilharias tecnológicas, muitas vezes compramos sem mesmo precisarmos delas. Só pelo fetiche de tê-las. A gente está consumindo mais do que o necessário. Agimos como predadores tresloucados, exigindo sempre mais e mais. Há quem louve isso, que o consumo é a saída para um país crescer e gerar benefícios para a sociedade. Tolice. É o canto da sereia.

Enfim, voltando ao relatório da WWF. Lá pelas tantas, ele revela que apenas um país do mundo hoje tem desenvolvimento sustentável comme il faut, com uma população altamente alfabetizada, bom índice de desenvolvimento humano e uso racional dos recursos e energia: Cuba. Sim, isso mesmo, Cuba! Pode-se até argumentar que a ilha de Fidel vive na penúria, ok, mas depende do ponto de vista. Um povo só adquire consciência ecológica e de responsabilidade para o desenvolvimento sustentável se tiver um bom nível educacional. E isso, definitivamente, os cubanos têm. De sobra!

Firefox 2.0

Posted by escriba on 26 Oct 2006 | Tagged as: internet, tecnologia

A propósito, alguém aí já instalou o novo navegador do Mozilla? Sen-sa-cio-nal!! Ok, muitas das extensões antigas não funcionam, mas as novas compensam com sobras. O que vc está esperando pra aposentar de vez aquela tranqueira do Internet Explorer?

As árveres somos nozes

Posted by escriba on 24 Oct 2006 | Tagged as: animação, humor, religião

A frase é simples: o jardineiro é Jesus, as árvores somos nós. Mas o sujeito se enrola todo e provoca um dos momentos mais engraçados do ano! É bom aumentar o volume pra escutar o desespero dos que estão nos bastidores, tentando gravar a frase… De rolar de rir… E a animação é show, traduz bem a confusão toda.

Debate na Record - resumo da ópera

Posted by escriba on 24 Oct 2006 | Tagged as: brasil, politica

Lula estava mais solto do que nos debates anteriores e deu boas estocadas no Alckmin. Como por exemplo na hora que citou o rombo nas contas públicas que o ex-governador deixou em SP. O candidato de plástico respondeu que a eleição ali debatida era para presidente, não para governador. Ué? Ele não tá ali justamente com as credenciais de governador de estado, onde diz ter feito um choque de gestão? Foi pego no contra-pé e fugiu pela tangente. Lula afrouxou na réplica, tinha que ter insistido, mas teve outros bons momentos para mostrar a farsa que é Alckmin - quando derrubou as frases feitas do tucano sobre política externa (superávit comercial com a China), investimentos no nordeste (crescimento de 10% na região), penúria das empresas (maior lucro em não-sei-quanto-tempo, mais até do que os bancos) e crescimento do país (crescer desvairadamente, como na década de 1970, só aprofunda o abismo entre ricos e pobres, o importante é crescer devagar e sempre, com oportunidades iguais para todos).

No mais, essa fórmula de debate entre dois candidatos está falida. Não há tempo para se discutir os assuntos com profundidade, os assuntos se repetem em cada emissora (sob a alegação de que cada uma delas tem seu público) e o eleitor-telespectador não ganha nada com isso. Um debate de segundo turno organizado por um pool de TVs seria mais interessante, colocaria os candidatos frente-a-frente a jornalistas de várias escolas, daria mais tempo a eles (imaginando que o programa tenha mais tempo) e nos pouparia da repetição.

Debate na Record

Posted by escriba on 23 Oct 2006 | Tagged as: brasil, politica

Findo o primeiro bloco do terceiro debate entre Lula e Alckmin, na TV Record, fica a sugestão: que tal fazer um pool de TVs para os debates das proximas eleições? Todas as redes têm modelos iguais de montar o programa. É o mesmo tempo ínfimo para perguntas e respostas, mesma disposição dos candidatos no estúdio, até o mesmo cenário!

Com o pool das redes de TV, poderíamos evitar essa repetição enfadonha de programas em canais diferentes, com os candidatos fazendo praticamente as mesmas perguntas e dando as mesmas respostas. Mas a pergunta que não quer calar é: será que a Globo aceitaria? Difícil… mas não custa tentar.

Voltando para o debate na Record, Lula se saiu bem nesse primeiro bloco, mais espontâneo, seguro de si. Usando informações fresquinhas para cutucar Alckmin, que repete as mesmas frases sempre! O candidato de plástico não tem assessoria não?

Campanha Dove pela beleza real

Posted by escriba on 23 Oct 2006 | Tagged as: comportamento, mulheres

Não são poucas as meninas que se deixam seduzir pela imagem (falsa) de beleza alardeada pela indústria de cosméticos, moda e adjascências. Garotas novinhas colocam silicone nos seios, plástica no nariz, lipo pra tirar gordurinhas aqui e ali, tudo pra ficarem mais próximas de mulheres que não existem!! O resultado são mulheres cada vez mais parecidas umas com as outras.
A Dove tem uma campanha que tenta mostrar a ilusão disso tudo, de como se fabrica um belo rosto que vai parar no outdoor ou nas capas de revistas. Lembram daquela mulher que posou na Playboy e acabou sem umbigo de tanta manipulação no photoshop que fizeram para tirar as imperfeições do seu corpo? Pois é…
Eu quero de volta a diversidade da beleza feminina!

TSE proíbe adesivos preconceituosos!

Posted by escriba on 23 Oct 2006 | Tagged as: politica

Vitória!!

De Anansi aos contos fantásticos compilados por Italo Calvino

Posted by escriba on 23 Oct 2006 | Tagged as: egotrip, filmes, livros

Depois de uma temporada no interior, durante o feriado, acabei enfim de ler Os Filhos de Anansi, do escritor inglês Neil Gaiman, criador de Sandman que está cada vez mais afiado em seu ofício. As desventuras de Fat Charlie, filho do deus Anansi, são uma boa pedida para quem quer uma leitura leve e divertida - bem diferente dos livros anteriores dele, as obras-primas Deuses Americanos e Stardust, densos e rebuscados, ou mesmo Wolf in the Walls e Coraline, histórias infanto-juvenis de provocar calafrios nos mais corajosos adultos. Mas guarda semelhanças a esses quanto à engenhosidade e ao estilo pop na medida certa.

Uma palinha do que se trata:

O sr.Nancy pensou em erguer uma mão através da grama e agarrar o tornozelo de Callyane Higgler. Era algo que ele sempre quis fazer desde que viu o filme Carrie num drive-in, 30 anos antes. Mas, agora que a oportunidade estava à sua frente, resistiu à tentação. Ela sem dúvida iria gritar, teria um ataque do coração e morreria. Aí aquele Jardim do Repouso ficaria ainda mais cheio do que já estava.

E dava muito trabalho, de qualquer maneira. Havia ótimos sonhos que poderia ter naquela mundo sob o chão. “Vinte anos”, pensou. “Talvez uns 25. Quando chegar essa época”, pensou, “talvez até tenha netos. É sempre interessante ver como os netos saíram.”

Podia ouvir Callyane Higgler gemendo e chorando acima dele. Então ela parou de soluçar, o suficiente para anunciar:

- Mesmo assim, não dá pra dizer que ela não teve uma vida longa e próspera. Essa morreu com 103 anos de idade.

- Centro e quatro! - corrigiu uma voz irritada, vinda do solo, perto dele.

O sr. Nancy esticou um braço imaterial e bateu na lateral do caixão novo.

- Fica quieta, mulher! Tem gente aqui querendo dormir.

Com o sexto livro devidamente terminado, posso atacar um velho sonho de consumo: Contos Fantásticos do século XIX escolhidos por Italo Calvino. Ganhei de aniversário há dois anos e só agora me dei esse prazer. Sim, curto pacas esse tipo de literatura, Edgar Allan Poe sendo um dos meus preferidos. Nesta coletânea que comecei a ler ontem tem de tudo um pouco, Poe, Hoffman e Nerval, passando por Gogol, Dickens, Hans Christian Andersen, Kipling e até Honore de Balzac. O barato dessas compilações é descobrir autores e textos há muito esquecidos. Como o conto de abertura, História do demoníaco Pacheco, do estranho conde polonês Jan Potocki (1761-1815), de quem nada li. Veja o que diz Calvino sobre a obra, no texto introdutório que faz a cada conto.

O relato se inicia logo após o início do romance (Nota minha: Manuscrit trouvé à Saragosse, publicado em francês e que ficou mais de um século desaparecido, sendo redescoberto em 1958. É um livro com contos que se interligam, como nas Mil e Uma Noites. Foi levado às telas do cinema em 1965, numa produção polonesa). Alphonse van Worden, oficial da armada napoleônica, está na Espanha; vê um patíbulo com dois enforcados (os irmãos De Zoto), depois encontra duas belíssimas irmãs árabes que lhe narram a sua história, impregnada de um perturbador erotismo. Alphonse faz amor com as duas irmãs, mas à noite tem estranhas visões e, ao alvorecer, encontra-se abraçado aos cadáveres dos dois enforcados.

Esse tema do amplexo com duas irmãs (às vezes até com a mãe das jovens) se repete no livro várias vezes, no relato de muitas personagens, e aquele que se acreditava um amante afortunado sempre se encontra de manhã sob o patíbulo, entre cadáveres e abutres. Um encantamento ligado à constelação de Gêmeos é a chave do romance.

Nos primórdios do novo gênero literário, Potocki sabe exatamente aonde ir: o fantástico é a exploração da zona obscura em que se misturam as pulsões mais desenfreadas do desejo e os terrores da culpa; é a evocação de fantasmas que mudam de forma como nos sonhos; ambigüidade e perversão.

Tem coisa melhor do que isso pra ler antes de dormir?

Quem não tem imprensa, caça com internet

Posted by escriba on 20 Oct 2006 | Tagged as: blog, brasil, imprensa, internet, politica, tecnologia

Mais um debate, desta vez no SBT, e fico novamente com um certo gosto de decepção. A fórmula adotada no Brasil é muito engessada e limitada, impedindo que os candidatos possam aprofundar os temas, discutir projetos, apresentar ao público suas pretensões para o país. Dois minutos para pergunta, um minuto para réplica. Isso é piada. Nem o Enéas, com seu jeito frenético de falar, conseguiria em tão pouco tempo dizer algo de útil. Então, o que vemos é mais do mesmo: números jogados a torto e direito, acusações, ataques, defesas, nada muito aproveitável.

Lula se saiu bem novamente, pelo simples fato de que tem o que mostrar. Alckmin abandonou o estilo George Foreman e, pianinho, ficou com aquele papo bocoió de que era diferente do Lula, de que é possível fazer mais, que ele vai promover o crescimento, cortar gastos, dar emprego e renda… afff, que saco! É o típico candidato fadado ao fracasso, porque não tem o que dizer - sua administração em São Paulo foi um caos (o PCC tá aí pra não nos deixar mentir…). Tirando um barraco mais acentuado, os dois próximos debates - nas TVs Record e Globo - serão mais do mesmo.

Penso que para esses debates realmente terem alguma utilidade, seria importante oferecer mais tempo para os candidatos (uns 5 minutos no mínimo), permitir perguntas não só de jornalistas, mas também de pessoas da platéia como aliás foi feito no segundo turno em 2002, e de especialistas de várias áreas (saúde, educação, segurança, economia). Mas esse espaço para as grandes discussões não vai aparecer tão cedo - pelo menos não nas TVs, e muito menos nos demais meios de comunicação. A eles o que interessa é o jornalismo pout-pourri e enviezado, para defender seus inconfessáveis projetos políticos.

Enquanto isso, a grande fronteira da internet continua pouco utilizada pelos políticos, apesar do sucesso que faz com os eleitores. Não me refiro aos grandes portais de mídia, que em geral apenas transferiram para a web a velha fórmula usada em jornais e revistas, com as mesmas idiossincrasias, hierarquias e limitações. Falo da internet de verdade, aquela que nasceu e cresceu pela necessidade de comunicação e troca de informações de nerds, geeks, malucos em geral em todo o planeta. Num momento em que praticamente 100% da grande imprensa é contrária ao seu governo, Lula e o PT precisam se jogar nesse universo. You Tube, Metacafe, Orkut, blogs, podcasts, marketing viral, del.icio.us, eSnips, Rapidshare, sei lá mais o que, as possibilidades são imensas.

Paulo Henrique Amorim escreveu ontem sobre essa necessidade de Lula driblar o cerco imposto pelos (tu)barões de forma bem clara. Amorim lembra que Roosevelt, nos Estados Unidos, e Chávez, na Venezuela, sacaram isso e tomaram medidas - o presidente americano com mais sucesso, por ter apostado numa tecnologia relativamente nova à época, o rádio, para dar o seu recado, enquanto Chávez preferiu o enfrentamento ocupando espaço nas TVs qe lhe fazem oposição (desonesta, quase sempre).

Por aqui, é fato que a inclusão digital ainda engatinha, mas já atinge um significativo número de pessoas, e o brasileiro é um dos que mais usam a internet no mundo. Quando viajei pelo Brasil com o Greenpeace, num tour anti-nuclear realizado no início de 2005, fiquei pasmo com a quantidade de cybercafés e lan houses que existem por aí e como sempre estavam lotados. Até nas cidades mais distantes, como Caetité na Bahia, eu conseguia me conectar para passar matérias e fotos pro site do Greenpeace, e atualizar meu blog.
Segundo um estudo do Technorati, o universo dos blogs dobra de tamanho a cada 5 meses! Hoje já são mais de 15 milhões, reportando, comentando, divulgando, oferecendo informações sonegadas pelas grandes corporações de mídia, cobrindo guerras, ou apenas contando a rotina de uma pessoa qualquer - na Inglaterra, está em gestação um blog coletivo que pretende reunir milhares de depoimentos sobre o dia-a-dia dos britânicos, um arquivo de história social como nunca feito antes.

Até o presidente do Irã, Mahmood Ahmadinejad, lançou o seu blog recentemente, escrito em persa, árabe, inglês e francês. O governo iraniano exerce um controle rígido sobre a internet no país, mas achei curioso o fato deles aparentemente não censurarem os comentários enviados por pessoas de todo o mundo - no canto direito do blog podem ser lidas críticas ao governo por impedir que os iranianos tenham liberdade total no uso da internet e também elogios pela oposição que o Irã faz a Israel e Estados Unidos.

Por mais que a internet ainda não tenha a força da TV e do rádio no Brasil, ela poderá ser um diferencial e tanto para Lula em seu - oxalá! - segundo mandato, como bem observou Paulo Henrique Amorim. Talvez já tenha percebido isso - tanto que gravou um agradecimento aos que o defendem no Orkut, um vídeo que obviamente já ganhou o YouTube. Não sei quem gravou antes, mas Alckmin também deu seu depoimento aos tucanos do Orkut - e o vídeo foi postado antes.

Seria ducaralho Lula ser o primeiro presidente brasileiro a ter um blog ou algo do tipo. Quem não tem imprensa, caça com internet. E se dá bem.

Quão verdes são Alckmin e Lula?

Posted by escriba on 17 Oct 2006 | Tagged as: Meio Ambiente, brasil, politica

Já está no ar a página especial do Greenpeace analisando as propostas ambientais dos dois candidatos a presidente.

Um pouco de auto-promoção (afinal, estou desempregado e preciso de frilas!): o site contou com a contribuição deste escriba, na edição dos textos.

Lula 60 x Alckmin 40

Posted by escriba on 17 Oct 2006 | Tagged as: brasil, politica

Eu bem que avisei que o tal estilo Mike Tyson do candidato do PSDB estava mais para George Foreman…

O áudio enfim apareceu

Posted by escriba on 17 Oct 2006 | Tagged as: brasil, imprensa, politica

Demorou, mas apareceu o áudio da farsa por trás da publicação, às vésperas do primeiro turno das eleições, das fotos do dinheiro que seria usado na compra do dossiê Vedoin. A história toda foi inicialmente revelada pela revista Carta Capital no último fim de semana (ver algumas notas abaixo), mas não obteve ressonância entre os cães de guarda da mídia brasileira - vale à pena ler o por quê do silêncio neste artigo do Marco Aurélio Weissheimer, da Agência Carta Maior.

Agora, enfim, apareceu o áudio da negociação feita entre o delegado Edmilson Bruno, da PF (que entregou os CDs com as fotos) e os jornalistas Lilian Christofoletti (Folha), Tatiana Farah (O Globo), Paulo Baraldi (Estadão) e André Guilherme (rádio Joven Pan). Para ouvir, visite o blog PTlhando, clique com o botão direito do mouse e salve o arquivo no computador - se apenas clicar para ouvir, não rola. O som tá meio ruim, mas a íntegra da conversa pode ser conferida aqui.

Pode-se discutir se o comportamento dos jornalistas envolvidos foi ou não ético, até mesmo legal, mas está claro que não foram honestos quando não questionaram o delegado sobre a farsa que ele montou para justificar o sumiço das fotos. A repórter da Folha chegou a escrever uma matéria com Bruno informando que as fotos sumiram e que ele abriria um boletim de ocorrência para apurar o acontecido. Pô, ela participou da negociação e depois escreve uma matéria dando credibilidade à versão mequetrefe do delegado? Ela mentiu! Vai ser cara-de-pau (pra dizer o mínimo) lá na sede do PFL !!!

Atualizando: O caso é que para a nossa impresa, vale tudo para conseguir migalhas de informação. As fotos do dinheiro eram assim tão importantes pra deixar a ética jornalística de lado? Vale tudo para conseguir uma manchete? Um amigo jornalista, dos bons, me citou um trecho do código de ética do The Guardian, um dos melhores jornais do planeta, que em linhas gerais, diz:

Um jornalista pode fazer tudo que não precise ser escondido de seus leitores. Ou seja, todos os procedimentos para obter informações deveriam ser transparentes. Se tiver que esconder do leitor, ou mentir para o leitor, melhor não fazer.

A íntegra do código de ética do jornal inglês pode ser lido aqui.

Noblat me expulsou!

Posted by escriba on 17 Oct 2006 | Tagged as: brasil, imprensa, politica

Quanta honra!! Nunca tive saco de comentar na coluna eletrônica dele por ter que fazer cadastro mas ao ler esta nota, me emputeci e fui lá. Preenchi o formulário e deixei um comentário que dizia mais ou menos assim:

Quem mente é você. Durante a entrevista no programa Roda Viva, Lula disse que chamou o Ricardo Berzoin, então presidente do PT, e disse que ele devia explicações sobre a história da compra do dossiê. Não disse que perguntou sobre a origem do dinheiro. Vc deturpou a história como vem fazendo há tempos com outros assuntos aqui publicados. Se tiver um pouco de bom senso, corrigirá a nota.

Pois bem, não só ele apagou o comentário como me bloqueou do site! Eu até esperava que retirasse o comentário, porque coloquei o link do Escriba, mas nunca imaginei que seria expulso. Com isso, Noblat só comprova o que sempre suspeitei: ele é dissimulado, cínico e prepotente, além de mentiroso e tendencioso. Tomou partido nesta eleição mas posa de independente. Suas notas só atacam Lula e seu governo. Nenhuma charge contrária à oposição, nenhum comentário sobre a farsa da divulgação das fotos do dinheiro que compraria o dossiê contra os tucanos (tema aliás da nota acima), revelada pela revista Carta Capital, nenhuma discussão séria, apenas mais do mesmo do velho carcomido jornalismo brasileiro, que defende projetos políticos sob o falso manto da imparcialidade jornalística.
Noblat se diz blogueiro, mas não passa de um clipeiro eletrônico fajuto.

Capas de discos em guerra!

Posted by escriba on 17 Oct 2006 | Tagged as: animação, humor, musica

Album Cover Galore é uma divertida animação com algumas das mais famosas capas de discos de todos os tempos. Tem momentos geniais! Trabalho conjunto da Ugly Pictures (que tem outros bons curtas de animação e filmes publicitários em sua página) e Man vs Magnet. Quem se habilita em fazer uma versão tupiniquim?
Dica da sempre minha amiga descolada Gabriela Boeing, um avião de mulher! (hehehehe, não resisti… :)
Em tempo: quando estava escrevendo este post, recebo mensagem via comunicador do Gmail do Passamani com a seguinte pérola sobre o novo vocalista do Massacration, Warrior Brother…

Lula no Roda Viva

Posted by escriba on 17 Oct 2006 | Tagged as: brasil, imprensa, politica

Terminou o programa da TV Cultura. O presidente recebeu na biblioteca do Palácio do Planalto os jornalistas Paulo Markun e Alexandre Machado (TV Cultura), Renata Lo Prete (Folha), (Tereza Cruvinel (O Globo), Denise Rothenburg (Correio Braziliense), Cristiano Romero (Valor Econômico) e Lourival Sant’Anna (Estadão). Não entendo porque Lula se esquiva de dar mais entrevistas, ele se sai muito bem nelas, deveria fazer mais. Mata no peito e coloca as questões mais cabeludas no gramado com categoria. Mas arrebentou mesmo no arremate final. Em linhas gerais, disse:

Fazia tempo que um governo não obtinha uma avaliação tão boa em final de mandato. E sabe por que? Porque o povo não se deixar enganar por manchetes de jornal, ele sente as melhorias no bolso, nas compras de fim de mês, vê que tá comendo melhor, que sua vida está melhorando…

Na mosca!

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