Pouca gente sabe, mas o rei do pop e, agora, também do jazz conhece tudo de roquenrol. Mais especificamente das décadas de 1960 e 1970. Numa entrevista ao Estadão nesta terça-feira, para divulgação de sua apresentação no Bourbon Street aqui de sampa, ele disse que pretende um dia montar um show só com repertório de clássicos do rock dessa época. Desde já, candidato seríssimo a melhor evento do ano - seja lá quando for.

Lembro (vagamente… ê neurônios…) que uma vez, isso no final dos anos 80, início dos 90, convidei o cara pra participar do programa que eu tinha na rádio pirata da faculdade (Rádio Livre 91.50) chamado A Hora do Dinossauro (que chegou a ser ‘roubado’ pelo pessoal da rádio Fluminense FM), que só rolava roquenrol das antigas. Era divertido fazer o programa, a gente passava horas no estúdio do laboratório de rádio da ECO (UFRJ), curtindo um som, matando aula e otras cositas más… Tempos depois ainda tive outro programa, O Bom do Brega, com pérolas como Je T’aime, Moi Non Plus, El Dia Que Me Quieras e As Curvas da Estrada de Santos, e por aí vai…

Enfim, Ed Motta apareceu no dia combinado no estúdio com uma batelada de LPs de rock dos anos 60 e 70, só raridade. Fiquei de cara, era muita coisa boa junta, Free, Purple, Cream (ele levou o Wheels of Fire, um ao vivo duplo, cheguei a comentar com que tinha também, mostrei o meu velho e desgastado vinil, mas ele tirou onda: “pô, mas o meu é novinho, acabei de comprar em NY…”, o cara já era marrento naquela época…), Hendrix, Joe Walsh, tinha de tudo. Foi um programa e tanto, acho que ainda existe o registro disso, naquela época gravávamos tudo o que rolava no estúdio em fita k7 e depois colocávamos no ar, na sala do CA. Meu camarada Kischinhevsky ainda deve ter essa fita…

Bom saber que Ed Motta continua um expedicionário musical, isso faz uma falta danada nesse mercadinho de merda em que se transformou o cenário artístico - brasileiro e internacional. Caras como ele são raros. Ficarei na torcida para que esse tão alentado projeto dele se concretize. Para com essa viadagem de Dwitza, ô Ed, e bora curtir o bom e velho roquenrol!!!