Antídoto pro carnaval
Posted by escriba on 24 Feb 2006 at 11:40 pm | Tagged as: TV, egotrip, livros, musica
Se o Martim melhorar, sábado estaremos na estrada rumo ao Rio, pra apresentar a cidade à Sofia. Mas se não rolar, ficarei em sampa mesmo, tentando fugir de mais um bombardeio da mídia: o carnaval. Já tivemos o ectoplasma dos Stones, a verborragia oca de ostentação expurgatória do U2 e agora vão nos entupir com confetes e serpentinas, mesmo contra a vontade da maioria dos brasileiros, que não curtem carnaval. Mas como a maioria das empresas de comunicação têm intere$$e$ na festa, toma-lhe baticum!
Sem problemas, podem vir quente com essa merda toda que estou bem preparado, montei um bom kit de sobrevivência. A começar pelo livro Pornô, de Irvine Welsh, que acabei de ganhar, com os personagens de Trainspotting 10 anos depois (tem umas boas críticas ao livro neste site aqui). Os caras decidem montar uma produtora de filmes pornográficos, é tudo que sei até agora. Comecei a ler hoje mesmo, no ônibus voltando pra casa depois de mais um dia estafante no trampo. Lá pelas tantas não consegui segurar o riso quando li esta passagem:
Olho pra baixo e vejo aquele crânio acinzentado, os olhos cansados que insistem em me encarar e acima de tudo aqueles dentes enormes, metidos em gengivas que se retraíram por causa do consumo de drogas, subnutrição e completa ausência de cuidados odontológicos. Sinto como se eu fosse Bruce Campbell em alguma cena cortada de Uma Noite Alucinante III, onde ele tá sendo boqueteado por um morto-vivo. Bruce reduziria a pó aquele crânio delicado, e agora preciso cair fora antes que sinta vontade de fazer o mesmo e antes que meu caralho amolecido seja feito em pedaços por aquele pelotão de dentes podres. (Sick Boy comentando o bola-gato que está recebendo de uma mina podreira no banheiro do amigo trafica)
O livro pulou na frente de uma longa lista que aguarda eu terminar o Johaben: Diário de um Construtor do Templo, do Zé Rodrix. Entre eles estão Guia do Mochileiro das Galáxias (Douglas Adams) (foi mal Ju… mas vou ler, vc vai ver!), Utopias Piratas (Peter Lamborn Wilson, ou seria Hakim Bey?) e Voice of Fire (Alan Moore, que já li, mas em português. A tradução, feita por Ludmila Barros, é uma obra de arte a parte. Agora vou encarar no original, porque dizem ser muito foda de bom. E comprei pela internet uma belíssima edição em capa dura, de um cara que é especialista no escritor inglês, ele mantém a duras penas um portal sobre o mago de Northampton, vendendo HQs, livros e filmes, muitas raridades, entrega pelo correio, serviço de 1a.).
A TV só vai ser ligada ou pra ver Discovery Kids com Martim ou pra ver DVD. No caso, uns oito capítulos da série Roma, da HBO, me aguardam nos disquinhos que seu Zé, meu sogro, gravou. Já tinha começado a ver, mas faltou tempo pra continuar, agora vai. Se der, revejo o documentário No Direction Home, sobre o período mais fértil da carreira do Bob Dylan, de 1959 a 1966, quando gravou Blonde on Blonde. Ouvi um boato por aí que Martin Scorsese tem material para mais um filme tão grande quanto (3 horas), não seria nada mal.
E a música, claro. Muito roquenrol nas idéias pra abafar o leleô, leleô que vai ecoar aqui e ali - sempre tem um puto que fica a madruga inteira vendo a porra dos desfiles, carioca e paulista. Então, toma-lhe Hermano (… Only a Suggestion), Living Things (Ahead of the Lions), Bob Dylan (Blonde on Blonde, Bringing It All Back Home e Blood on the Tracks), Curtis Mayfield (Curtis), Secos & Molhados (o das cabeças na mesa, não deixem de conferir os dois comentários brazucas lá na Amazon, o ufanismo sempre descamba pra indigência mental…), Achados e Perdidos - Um Tributo Valvulado aos Anos 70 (coletânea com várias bandas independentes brasileiras, é só baixar no site da gravadora, com capinha e tudo!), Unida (Coping With the Urban Coyote), David Bowie (Hunky Dory) e Seu Jorge (The Life Aquatic Sessions, ele cantando Bowie, sensacional).
De carnaval, só mesmo o livro do meu camarada João Gabriel de Lima. Bom, e têm os blocos infantis também. O que a gente não faz pra agradar aos filhos, né mesmo?





