November 2005

Monthly Archive

5 minutos com Mino Carta

Posted by escriba on 30 Nov 2005 | Tagged as: brasil, imprensa

Acho que vocês já sabem que sou fã da revista Carta Capital, pra mim a melhor do país, sem discussão. Mas sou ainda mais fã do mentor dela, o Mino Carta. Ele deu uma entrevista foda ao Eduardo Ribeiro, que toca a página na internet Jornalistas & Cia. Eis um trecho (leva cinco minutinhos pra ler, vale à pena…):

Como reflexo da crise do ensino, temos hoje muitos profissionais despreparados no mercado. O que fazer para lidar com isso, para melhorar essa situação?

MC – Não consigo imaginar a mídia fora da moldura do País. A mídia é um espelho do País, como é de praxe. Pensem, por exemplo, no que foi o Brasil nos anos 40 e 50, nas pessoas que pensavam o País, que imaginavam o futuro, que tentavam desenhar os destinos da terra: Gilberto Freyre, Raimundo Faoro, Sérgio Buarque de Hollanda, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, enfim… As marchinhas de carnaval eram primores, muito inteligentes, muito refinadas. Os textos da música brasileira eram muito bons, a chamada música popular era de excelente qualidade. Nelson Rodrigues era um encanto, Stanislaw Ponte Preta era um encanto; até as “certinhas” dele eram uma coisa muito boa. Pensem nesse país e confrontem-no com o de hoje. Uma falta de graça absoluta. Pensem na nossa elite, nessa turma que vive aí, com seus carros blindados, de vidros escuros para que não se enxergue o interior, levantando as muralhas romanas que cercam as suas vivendas, amestrando cães para que fiquem à porta das suas casas… Mais de 50 mil brasileiros morrem assassinados todo ano. Então, por que a mídia haveria de ser melhor do que essa situação? Acho que as pessoas não se dão conta da gravidade da situação, de como a cada ano nós pioramos. A promessa é que este ano cresceremos 3%. A Folha fez uma matéria patética, dizendo que o Lula vai ter um trunfo, que será a política econômica. Por quê? Porque, assim diz a matéria, de Figueiredo a Fernando Henrique o Brasil cresceu, em média, por ano, abaixo de 3%, e, com o Lula, cresce acima – 3,11%!!! (risos) É a conversa do roto com o esfarrapado! O Brasil tem que crescer 5% para ficar na mesma! O Kirchner enfrentou o Fundo Monetário e a Argentina cresceu mais de 8% este ano. A Índia cresce 8% ao ano há muito tempo, é uma das grandes potências mundiais, tem bomba atômica, faculdades extraordinárias, uma elite preparadíssima. Nós estamos vivendo uma tragédia e não nos damos conta. Eu vou ao Gero e a outros restaurantes aí, vejo as pessoas que me cercam e parece que elas estão em Nova York, a expressão delas é a de quem está em Nova York. Estão muito felizes, a economia vai bem. Pra quem? Pro doutor Setúbal? Pra ele vai muito bem…
Acho perfeitamente admissível que a mídia brasileira pudesse ser excelente. Precisaria mudar os patrões. Aliás, vocês entrevistaram o Otavinho. Para mim, o Otavinho não é um jornalista. E não seria em qualquer país civilizado. Ele é um patrão, que se arrogou, se atribuiu, estabeleceu ser jornalista. É uma prepotência inaudita. É um patrão, que paga o salário dos outros e os outros têm um medo pavoroso de perder o emprego – que, aliás, escasseia, como sabemos. Realmente existe muita gente que teria todas as condições de produzir uma mídia de excelente qualidade, não tenho dúvidas quanto a isso, mas precisaria mudar os patrões, mudar os conceitos. Precisaria acabar com essa elite grotesca que jogou fora o patrimônio Brasil e começar tudo de novo. Se não acontecer isso, não tenham dúvida: o País continuará indo para trás. Isso é absolutamente inevitável, é inexorável, está escrito.

A íntegra da entrevista está aqui.

Legalize

Posted by escriba on 30 Nov 2005 | Tagged as: drogas

Pesquisa do Instituto Gallup revela que os americanos estão cada vez mais favoráveis à legalização da maconha. Com isso, mais e mais estados americanos flexibilizam suas leis. Não apenas para o uso medicinal, mas também recreativo e pessoal, como no Colorado.

Bush Jr. e sua gangue devem estar insônes…

Certas verdades

Posted by escriba on 30 Nov 2005 | Tagged as: musica


Há verdades que precisam ser ditas. Se vão ser aceitas ou não, são outros 500…

Se São Paulo é o túmulo do samba,
o Rio de Janeiro é o túmulo do rock!

(do meu camarada Fábio José de Mello)

É, faz sentido…

Chapa quente

Posted by escriba on 29 Nov 2005 | Tagged as: Meio Ambiente, brasil, civilização

A chapa está esquentando… É impressionante como a nossa elite (e ainda há quem negue a existência dela, ó santa ignorância, Batman!!), que é o que de mais atrasado existe no mundo, não larga o osso por nada. Com seus caninos bem afiados, agora se agarra ao conceito ’setor produtivo’ para promover toda sorte de chantagem. Atropelam o meio ambiente com suas plantações transgênicas e imensos campos de soja, invadem terras griladas, queimadas e devastadas na Amazônia com o gado, e atacam a torto e direito movimentos sociais como o MST, que agora pode ser considerado terrorista.

Sabe o que falta no Brasil? Uma guerra civil. Ou um cataclisma. Só pra ver se, limpando a área, a gente muda o cenário… talvez fique tudo na mesma. Enfim…

Claro que é mico (no Rio, claro…)

Posted by escriba on 29 Nov 2005 | Tagged as: musica

Parece que o festival do Iggy Pop e convidados foi uma bosta no Rio de Janeura. Não me surpreende. Parece haver uma certa vocação da cidade pra organizar as coisas nas coxas. Pra começo de conversa, insistem em fazer mega-shows naquele fim de mundo que é a tal Cidade do Rock, na Barra. Lembro que foi maior perrengue no Rock in Rio 3, longe pacas, um monte de ônibus amontoado na saída, um calor infernal, maior bundalelê, sem informação, sem segurança, sem nada. Na época, pensei: “depois dessa, nunca mais vão inventar festival de rock por aqui.” Ledo engano. Levaram 15 mil manés pra lá de novo. E tome-lhe desorganização, caminhão quebrado, atraso monstro, bandas desistindo, falta de infra-estrutura, informação, respeito, enfim… Tive pena de quem se aventurou (se bem que nêgo parece que já se acostumou…), imagina sair às 4 da matina daquele buraco, sem iluminação decente, sem transporte, sem porra nenhuma. Se o carro quebra ou falta gasolina ou qualquer outro imprevisto, ba-bau!

Só no Rio mesmo. E vem aí o Pan 2007…

Pára tudo!!

Posted by escriba on 28 Nov 2005 | Tagged as: imprensa

Acabou de dar na RepetecoNews: o Banco Central fez um swap cambial reverso!! Caraca, e agora? O que vamos fazer?!?!?

Grita ae!

Posted by escriba on 28 Nov 2005 | Tagged as: musica

Lá pelas tantas, fui aos banheiros químicos na área VIP do festival da Claro e dei de cara com o Derek Green, vocal do Sepultura, rodeado por uns seis moleques. Ele, grandão, parecia Gulliver no meio daqueles seres liliputeanos, que riam e insistiam: “Dá um berro ae pra gente, pô!”. E Derek, na maior paciência, tentava se desvencilhar e só falava “No way, man, go to the show, go to the show…”

Que situação…

O Iggy é pop, é rock, é toque

Posted by escriba on 27 Nov 2005 | Tagged as: musica


Só um mito como Iggy Pop pra me desentocar numa fria noite de sábado e me guiar para um canto desconhecido desta imensa cidade, a tal Chácara do Jockey, onde rolou esse festival da Claro (em tempo: tenho celula TIM e funcionou perfeitamente). Como sei que os deuses do roquenrol protegem os mitos bem como seus acólitos, conferi o kit sobrevivência - celular, algum dinheiro pra estacionamento e dogão de fim de festa, garrafinha metálica com 4 ou 5 doses de uísque, garrafa d’água, cigarro e caixa de fósforo, CD do Fun House pra curtir no carro (boa parte das músicas do show foram desse disco, de 1970, o segundo dos Stooges), e outras milongas mais -, e segui viagem.

Ainda bem. O velhusco pré-sexagenário não decepcionou. O cara tem 58 anos caramba, não é qualquer um que segura a onda assim. Sua energia é contagiante, não pára um segundo, de dar inveja a Mick Jaggers da vida. Salta, rodopia, cai, levanta, se joga na pláteia (o velho e bom mosh), chama galera pra subir ao palco - pra desespero dos seguranças -, e mantém a pegada nos vocais durante o show inteiro (com pouco uso de eco e quetais artifícios eletrônicos), seja na porralouca ‘Fun House’ ou na viajandona ‘Dirt’ com sua linha de baixo hipnotizante (tipo ‘Born Under a Bad Sign’, um velho blues, Albert Lee, Albert King, essas paradas…).

Sua dança lasciva, com a calça jeans feminina de cós baixo - que ele mandou comprar por aqui mesmo, será da Gang? - deixando meia bunda à mostra, me fez lembrar Serguei, que é 15 anos mais velho do que o velho iguana e certamente aprovaria sua performance. Alías, alguém sabe por onde anda o figura? Saquarema, provavelmente.

Mas disposição tem limites e Iggy não parte mais pra porrada como antes - no auge da carreira dos patetas, o primeiro mané que subia no palco levava um direto na fuça e voltava de onde veio invariavelmente com uns dentes a menos. Aí, já viu, a turma invadia e o pau comia. Velhos tempos. Hoje Iggy tem seguranças a rodo para cumprir essa tarefa. Mas foi tão divertido quanto. Dei boas gargalhadas com um maluco cabeludo tentando dançar com um dos gorilas, foi jogado à platéia pelo menos umas três vezes e da última vez que o vi, conversava alegremente com o guitarrista Ron Asheton, que ria, sem perder o pique do som que rolava, ‘No Fun’.

Cantei a plenos pulmões “No Fun, my babe, no fun, No fun to hang aroooound!” e “She got a TV eye on me, she got a TV eye…”, viajei nos solos atonais de Ron em ‘Little Doll’, no baixão de Mike Watt em ‘Down On The Street’, e lamentei a ausência de pelo menos uma música, ‘Search and Destroy’, de ‘Raw Power’. Aliás, o cara não cantouo nenhuma desse disco de 1972, que foi o terceiro e último da banda, (mal) produzido por David Bowie. Eles tocaram Fun House inteiro (com exceção da inexplicável L.A. Blues), seis das oito do álbum de estréia (The Stooges, de 1969) - com direito a bis para ‘I Wanna Be Your Dog’ - e duas do Skull Rings (Dead Rock Star e Skull Rings). Mas necas de Raw Power… vai entender…

Entre baforadas e goles, dei meus pulos ajudado por amigas roqueiras com quem esbarrei por lá, mas não o suficiente para pogar na roda que se abriu do meu lado em ‘I Wanna Be Your Dog’. Já fiz muito isso, não tenho a mesma disposição, é fato. E boa parte da que eu tinha gastei na infernal Francisco Morato e depois negociando com seu Levy o preço da vaga que ele me arrumou do lado do dogão ‘Laricão’ do Osíris, um negão rasta gente boa toda vida. “Quanto é?”, “20!”, “Tá caro!”, “Paga 15!”, “Dou 10, mas cinco na volta”, “Fechado!”. Nem vi onde ficava o tal estacionamento oficial, mas era ainda mais longe de onde parei, vsf.

A Chácara do Jockey, no entanto, se revelou um lugar muito bom para shows e festivais como esse da Claro, que acertou também em colocar um palco em frente ao outro, intercalando as atrações. Que venham mais!!

Apesar do mega-trânsito, meus cálculos deram certo e cheguei uns 20 minutos antes do show do Flaming Lips, cheguei a escutar o distorcido Fantomas do carro quando rumava ao estacionamento. Fica pra próxima. A apresentação do Flaming Lips começou com o vocalista andando pela platéia enfiado numa bolha, numa reedição do menino da bolha ou, para os mais novos, de
Chad. Legal, mas e o som? Bom, não conhecia e um amigo do Rio fez a maior propaganda, deixou scrap no orkut e catzo dizendo pra eu prestar atenção e tal. Falando sério? Os pontos altos do show dos lábios flamejantes foram Bohemiam Rhapsody no iní­cio, e War Pigs no final - com direito a imagens de Bush, Rumsfeld, Cheney e companhia num clip no telão. Tocaram versões fiéis às originais, mas ouvir Sabbath com um bando de gente fantasiada de bichinhos de pelúcia no palco foi algo bizarro… Sabbath de pelúcia!

Durante a apresentação de Sonic Youth, estava mais preocupado em entrar na sala Vip com o velho truque do preciso-ir-ao-banheiro-e-o-daqui-é-mais-perto-quebra-essa. O segurança quebrou e tomei umas três cervas (Bavaria…) na faixa pra comemorar.

Quando pensei em ir embora, entrou o Nine Inch Nails rasgando os tímpanos da galera com seu rock eletrônico-industrial, seja lá o que isso queira dizer. Bom som. Mas já estava sem fumo, álcool, amigos (não fazem mais jornalistas como antigamente… ) e de repente bateu paranóia sobre o carro. Não tenho seguro, “será que seu Levy é mesmo de confiança?”. Era. Chegando lá, tudo ok, o carro tava no mesmo lugar. Só que uma mulher se recusou a deixar a chave com meu camarada Levy e eu mifu. Dois dogões prensados (completos, com direito a purê de batata, batata palha, ervilha, maionese, cheddar, tudo por R$ 3) e uma coca-cola depois, convenci Osíris a dar uma rézinha pra eu fazer uma manobra monstro e poder voltar ao aconchego do lar. Ao som de Fun House, evidentemente.

Agora cá estou finalizando este relato, embora não saiba como vá mandá-lo para o blog, já que pra minha surpresa (não deveria mais me surpreender com isso, mas enfim….) meu computador está sem conexão. Deixa eu ver, tentando de novo… nada. Nada de novo… nada… ah, meu saco. Bom, vou dormir, fica pra mañana.

zzzzzzzzzzzzzzzzzzz

(este texto foi originalmente escrito às 4h38 da madrugada deste domingo, mas como o Speedy me deixou na mão, só consegui mandá-lo agora, às 16h08, quando a internet voltou. Dei umas mexidas aqui e ali no texto, nada sério).

Carona em SP

Posted by escriba on 25 Nov 2005 | Tagged as: comportamento, egotrip

Lá estava eu, hoje de manhã, preso no engarrafamento da avenida Santo Amaro, atrasado para o trabalho pensando no nada, esperando o sinal abrir. Eis que uma morena sorridente e seu colega um tanto quanto constrangido me cutucam no braço e perguntam:

“Moço, dá uma carona pra gente?”

Não entendi de primeira e fiz o gesto que sempre faço quando quero me desvencilhar dos que pedem dinheiro na rua, logo dizendo: “Tô sem nada aqui…”

“Não, moço, a gente quer carona. Você tá indo em direção do Itaim?”

Foi quando olhei melhor pros dois. Jovens, sorridentes e nitidamente sem jeito de pedir uma carona assim, no meio de uma Santo Amaro lotada numa chuvosa sexta-feira.

“É que a gente tá sem passe, sem dinheiro, e tá chovendo…” disse a menina, tomando a iniciativa, já que o rapaz parecia querer desistir e andar a distância, que não é pouca - algo em torno de seis quilômetros.

“Vai moço, por favor…”

“Carona? Putz…”

Eles me pegaram desprevenidos. Fiquei uns segundos sem saber o que dizer, mas aí veio aquela voz que sempre aparece quando estamos frente a alguma novidade: “Por que não?”

“Entrem aí”, decidi instantes depois do sinal abrir e as primeiras buzinas soarem me avisando que já estava contribuindo para aumentar o índice de lentidão da cidade. Fui abrir a porta quando vi que tinha outras duas meninas do outro lado, que ficaram radiantes.

“Valeu mesmo, moço. A gente estuda aqui no Brooklin, na escola Oswaldo Aranha, temos que ir ao cartório eleitoral lá no Itaim hoje de qualquer maneira e descobrimos que não tínhamos dinheiro”, disse a menina que sentou ao meu lado na frente. Todos estudantes do 3o. ano, sonhando com suas novas futuras profissões. Me senti leve com a história toda, meu mau humor foi embora (a gripe não, infelizmente), conversamos sobre muitas coisas naquele curto espaço de tempo.

Não entendi porque me escolheram, talvez pelo adesivo do Greenpeace no carro, “esse tiozinho aí deve ser boa gente, hippie velho”, ou por ser eu um dos poucos que circulam pela cidade com o vidro aberto, mesmo com chuva. Ou foi puro aleatorismo, que nunca falha.

De qualquer maneira, foi divertido. Sempre falam dos perigos da carona, mas e os benefícios? É um bom exercício de solidariedade e de confiança no próximo. Oxigena a alma. Não nego os riscos, mas enfim, sou um eterno crente no ser humano.

Por que não?

Notícias do front

Posted by escriba on 24 Nov 2005 | Tagged as: internacional

É, parece que a vida começa a voltar ao normal no Afeganistão…

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