July 2005
Monthly Archive
Monthly Archive
Posted by escriba on 28 Jul 2005 | Tagged as: blog
Acabei de incluir mais alguns links aí do lado. Tem para todos os gostos. Do ferino pH(ácido) ao sensível Cera Quente, passando pelo ciberpunk Arte Mútua. O Conversa de Botequim me foi indicado pelo camarada Fábio José e só não leio mais por falta de atualizações mais constantes. E tem o sensacional blog da Regina Duarte, já comentado aqui. Quem quiser boas risadas não deixe de visitá-lo!
Outro bem interessante é o Taxitramas, blog de um taxista de Porto Alegre. As crônicas dele são sensacionais, confiram!
E “last, but not least”, tem o Think Mag, da minha amiga Vanessa Neupman, uma revista de variedades sobre cultura brasileira para a qual contribui com um texto sobre Mestre Vitalino ou, como está lá, “Master Vitalino”, o artista do Alto do Moura (na região metropolitana de Caruaru, em Pernambuco) autor daqueles famosos bonecos de barro. O site é todo em inglês porque é voltado para o público americano.
Espero que curtam as dicas! Depois comentem aqui, blz?
Posted by escriba on 27 Jul 2005 | Tagged as: blog
O baterista Dom Um Romão se foi. Aos 79 anos, não é pra qq um. Não sou fã de bossa nova, mas o som desse cara tinha um suíngue hipnotizante, irresistível, um algo a mais.
Em sua homenagem, vou escutar o The Complete Muse Recordings (esse aí embaixo).
Esse disco reúne dois trabalhos antigos dele - Dom Um Romão (de 1972) e Spirit Of The Times (1973). Evidentemente nunca foi lançado no Brasil. Afinal, as gravadoras por aqui estão repletas de talentos indiscutíveis e não têm tempo a perder com essas velharias… Pirataria neles!
Posted by escriba on 27 Jul 2005 | Tagged as: blog
Sou carioca, mas estou ‘exilado’ em São Paulo há seis anos. Gosto daqui. Me adaptei bem, casei, tive filhos, fiz amigos. Mas confesso que sempre guardava em algum lugar no coração a esperança de um dia voltar pro Rio. Esse desejo, no entanto, foi minguando com o tempo. A eficiência metropolitana da capital paulista, onde tudo funciona razoavelmente a contento, me conquistou. Sou essencialmente urbano. Sempre que ia às Paineiras, zoava meus amigos afirmando que o excesso de clorofila estava me fazendo mal… ![]()
Hoje, tenho o Rio de Janeiro como um belo (e decadente) balneário que está a pouco mais de 400 quilômetros de distância, para onde posso ir numa sexta à noite e voltar domingo no final do dia.
Devo dizer, no entanto, que mais do que a urbanidade paulistana, o que praticamente me fez desistir de voltar a morar no Rio foi o descaso do carioca com sua própria cidade. As ruas vivem sujas, fedorentas (e os moradores de rua são os que têm MENOS a ver com isso…), os atendentes dos estabelecimentos comerciais parecem estar eternamente mal-humorados, os serviços não funcionam ou funcionam mal, as praias estão imundas, muitos bares insistem em incentivar a poluição da cidade servindo cerveja (invariavelmente quente) em copos de plástico), o trânsito é desorganizado e agressivo ao extremo. A sensação que temos, circulando pela cidade - e o que mais gosto de fazer quando vou ao Rio é circular a pé, como sempre fazia, já que nunca tive carro quando morava lá -, é que o carioca está cagando e andando para o ‘todo’, se importa apenas com a sua própria qualidade de vida, instantânea, momentânea, individualista, egoísta.
O Rio de Janeiro continua lindo, mas decaindo dia após dia…
Será que é difícil de entender que a tendência é piorar se for mantido o atual nível de desrespeito com o bem público?
Discuti o assunto há duas semanas com um amigo carioca também ‘exilado’ em SP. Mas, diferentemente de mim, ele faz planos sérios e sinceros de voltar ao Rio com a família. Ponderei que a cidade não é mais aquela nossa de 20 anos atrás. “O mito do carioca ‘bon-vivant’ está morto”, disse a ele, que refutou veementemente, dizendo que eu estava me deixando levar pelos exageros da mídia, que não era bem assim.
Mas reafirmo convicto: a cidade maravilhosa se parece cada vez mais com uma ‘Faixa de Gaza’ tropical. Esta recente pesquisa da FGV, que coloca o Rio como a cidade de PIOR Índice de Condições de Vida em 11 capitais pesquisadas só confirma minha tese. Infelizmente…
Posted by escriba on 27 Jul 2005 | Tagged as: blog
Ou Paul McCartney pirou de vez ou mais um Beatle vai cantar pra subir logo logo…
Posted by escriba on 26 Jul 2005 | Tagged as: blog
Eis alguns artistas que vocês NUNCA (ou raramente) escutarão no rádio! Graças, é claro, ao ‘jabá’ nosso de cada dia.

Soul + vocalista fudido + roquenrol de garagem = Dirtbombs
Croco Press

Depois de Eastern Sounds, tudo fica muito diferente…
Croco Press

Pra conseguir discos desse cara, só recorrendo ao P2P… ou amigos no exterior, claro.
Croco Press

Quem vê o Iggy Pop certinho assim, não imagina o que ele fazia no palco…
Croco Press

C tá pensando que o cara é Loki? Né não…
Croco Press

Volume 10 das sessões no deserto do Josh Homme. A mão da direita é da PJ Harvey
Croco Press
Posted by escriba on 26 Jul 2005 | Tagged as: blog
As quatro grandes da indústria fonográfica - Warner, Sony/BMG, Universal e EMI - foram convocadas nos EUA a prestar esclarecimentos sobre a prática do famigerado ‘jabá’, que consiste no pagamento de uma quantia X pelas empresas para ter suas músicas tocadas no rádio. E agora a Sony/BMG, numa clara confissão de culpa, pagou US$ 10 milhões pra encerrar o processo. Ver aqui.
Enquanto isso, no Brasil, a mamata corre solta. E as gravadoras não pagam apenas rádios, mas também programas de TV para ter seus artistas expostos ad infinitum na telinha, massacrando nossos ouvidos e paciência.
O ‘jabá’ (ou ‘payola’, em inglês) é um dos recursos mais escrotos do processo de enganação do consumidor de música, já que impõe ao ouvinte ’sucessos’ pré-determinados.
Os programadores musicais das rádios e TVs não têm libertar para tocar aquilo que realmente gostam. Quem eles acham que enganam quando tocam ‘as mais pedidas’?
Nos empurram um limitado ‘top list’ a la carte, quando deveríamos ter um ilimitado serviço ’self-service’…
Posted by escriba on 25 Jul 2005 | Tagged as: blog
Ele é padroeiro dos motoristas, principalmente caminhoneiros. Bem que estou precisando de uma benção - já roubaram meu carro e bateram no outro. De qq maneira, é um bom motivo pra ir ao bar de mesmo nome na Vila Madá com os amigos, trocar uma idéia. De repente, rola até um desconto ou chope na faixa. Bora?
Posted by escriba on 24 Jul 2005 | Tagged as: blog
O programa do Rolando Boldrin é sensacional. Estou em casa, terminando a revista do Greenpeace, e assistindo uma apresentação dele com Dominguinhos. Boa música, bom humor, boa TV. E pensar que tem nêgo que prefere ver Faustão… putz…
Posted by escriba on 24 Jul 2005 | Tagged as: blog
Um dos blogs mais engraçados que já li. É de chorar, sensacional!! Pura e simplesmente, Regina!
Posted by escriba on 24 Jul 2005 | Tagged as: blog
Digitem “o escriba” no Google e depois cliquem em Imagens, no menu superior da página. Olhem a primeira foto que aparece!
Posted by escriba on 24 Jul 2005 | Tagged as: blog
Passo dias sem ler jornais ou ver TV, mas navegar na Internet é imprescindível. Sua vitalidade interativa, a riqueza de dados que oferece, a facilidade com que permite o contato com os amigos (seja por email, orkut, icq ou skype), me fascina. E é uma das ferramentas mais poderosas para desenvolver projetos, principalmente na minha área, a comunicação. Mas mais do que isso, o q impressiona é a força comunitária presente na Internet. Pessoas que só se conhecem online, comunidades de blogs, perfis de orkut e fóruns de discussões interagindo, moldando-se em uma malha social virtual poderosa.
Casado e com dois filhos pequenos, não estou mais tão rueiro como antigamente. Fico meio isolado e não podia ser diferente. Troquei a rua pela infovia. Só quando o Martim (e em breve a Sofia) me convoca é que volto a ela, pra dar um rolé.
Tempos atrás, a janela caseira para o mundo era a TV e o rádio (em menor escala). Mas eu pelo menos não tenho mais paciência para tanta passividade. Ficar ali, escutando e vendo apenas, sem poder interferir, dar pitaco, esporro, elogio, nada, não dá. Fico resmungando que nem um velho… heheheheh
Mas em breve a TV e o rádio permitirão a montagem de programas personalizados, editados para a sua conveniência e disponibilidade de tempo. Quando TV, rádio e Internet unirem esforços pra valer, o paradigma social da humanidade mudará radicalmente.
Me deparei com um trecho no livro que estou lendo, A Vida Digital, do Nicholas Negroponte, que me fez refletir sobre isso tudo. Negroponte foi quem fundou o Media Lab do Massachussetts Institute of Technology (MIT) e nesse livro, escrito em 1995, analisa algumas questões que se impunham na época em relação à Internet e como o mundo digital iria interferir no dito mundo ‘real’.
Diz ele:
“A doutrina da transmissão televisiva possui todos os dogmas do mundo analógico, mas apresenta-se quase inteiramente desprovida de princípios digitais tais como o da arquitetura aberta, o da escalabilidade e o da interoperabilidade. Isso vai mudar, mas essa mudança tem até agora ocorrido de forma bastante lenta.
O agente dessa mudança será a Internet, tanto literalmente quanto na condição de modelo ou metáfora. A Internet é interessante não apenas por ser uma vasta e onipresente rede global, mas também como um exemplo de algo que se desenvolveu sem a presença de um projetista de plantão e que manteve um formato muito parecido com aquele dos patos voando em formação: inexiste um comando e, até agora, todas as suas peças se ajustam de modo admirável.”
E ainda:
“A comunidade de usuários da Internet vai ocupar o centro da vida cotidiana. Sua demografia vai ficar cada vez mais parecida com a do próprio mundo. Como a Minitel francesa e a Prodigy americana aprenderam, a maior aplicação isolada das redes é o email. O valor real de uma rede tem menos a ver com informação do que com a vida comunitária. A superestrada da informação é mais do que um atalho para o acervo da Biblioteca do Congresso. Ela está criando um tecido social inteiramente novo e global.”
Quem quiser comprar o livro, clique aqui.
Posted by escriba on 23 Jul 2005 | Tagged as: blog
O oráculo de cada um. Já tem o seu?
Posted by escriba on 23 Jul 2005 | Tagged as: blog
Mariah Carey fez um agá pros paparazzi e nosso amigo aqui tá ficando famoso. Dei uma olhada e chorei de rir com o sandu-iche-iche (lembram dela? a mulher gaga que foi entrevistada por um jornal local da Globo no nordeste) e o Professor Xavier, do X-Men… muito bom!
E por falar em humor… Inegavelmente contundente.
Posted by escriba on 22 Jul 2005 | Tagged as: blog
A jornalista Melissa Monteiro, que conseguiu entrevistar o presidente Lula em Paris para desgosto de uma miríade de jornalistas-estrelas, publicou a seguinte carta na Folha de São Paulo hoje:
Fiz o que todo jornalista deveria fazer
- Escrevo para me defender das críticas e calúnias das quais fui vítima nos últimos dias e que têm me machucado muito. Parece um grande erro ser jornalista e exercer a profissão com afinco e paixão. Sou “acusada” por grandes veículos de comunicação do Brasil de ter conseguido aquilo que nenhum deles conseguiu: um furo de reportagem.
Essas críticas revelam a arrogância que permeia nossa profissão. Sinto-me covardemente atacada pelo fato de não estar vinculada aos veículos que monopolizam a informação no Brasil.
Para os invejosos, é mais fácil enxergar um complô do que reconhecer com humildade o meu êxito profissional. Muitos egos amargurados, que correram atrás do presidente Lula durante dias em vão, preferiram criticar minhas perguntas do que simplesmente aceitar o principal: foram elas que arrancaram da boca do presidente palavras sobre a crise política, enquanto as perguntas pseudo-inteligentes e arrogantes obtiveram o silêncio como resposta.
Tentaram até me desqualificar profissionalmente. Disseram que não sou repórter, “apenas” free-lancer, quando, na verdade, sou formada pela Ecole Supérieure de Journalisme de Lille na França. Também sou engenheira de produção formada pela Escola Politécnica da USP. E é verdade, sou profissional independente e tenho uma modesta produtora de reportagens em Paris que tem como clientes os maiores canais de televisão franceses.
Tenho 29 anos. Saí do Brasil há oito anos, morei em Londres e agora vivo em Paris. Especializei-me no vídeo-jornalismo (eu mesma opero a câmera e faço a edição das reportagens) por gostar de ser independente e acreditar que este seja o futuro de minha profissão.
Desde domingo, vários colegas esmiúçam minha vida como se eu fizesse parte de um complô com a assessoria de imprensa do Planalto. Estou impressionada com a quantidade de informações erradas que estão divulgando a meu respeito. Fico até envergonhada de perceber tanta irresponsabilidade.
Por que não canalizar toda essa energia para elevar o nível do debate e aproveitar a ocasião para tecer uma autocrítica à maneira como nossa profissão é praticada no Brasil?
Minha idéia inicial era fazer uma reportagem humana e pessoal, que traçasse o perfil de Lula, ainda em Brasília, antes da sua vinda à França. Num trabalho de muita insistência, paciência e perseverança, cinco semanas depois, consegui essa entrevista exclusiva em Paris.
Não entendo que culpa tenho pelo fato de o presidente ter se sentido à vontade para confiar em minha câmera.
Cheguei à residência Marigny às 10h da sexta-feira, 15 de julho. Às 10h45, horário de Paris, começamos a entrevista. O presidente Lula me disse: “esta entrevista é o resultado de muita persistência”. Verdade. Preservei o tom calmo e coloquial para deixar o presidente à vontade.
Naquele momento, ainda tinha o intuito de divulgar a reportagem na França e não tinha feito contato com veículos brasileiros.
Fiz três perguntas relacionadas à sua visita. Comecei então a entrar no tema da crise do Brasil, de maneira que pudesse interessar ao público francês, alheio aos detalhes da crise política. Comecei por informações que já tinham sido divulgadas na França, “enfraquecido em Brasília, celebrado em Paris”. O porta-voz da República, André Singer, e o assessor de imprensa Rodrigo Baena pareciam descontentes com as perguntas. Mas o presidente respondeu a todas.
Desde então, recebi todo o tipo de pressão. Pressão da assessoria de imprensa do Planalto. Depois da entrevista, para minha surpresa, os dois assessores vieram indignados em minha direção aos gritos de “você não cumpriu com o nosso trato, isso é falta de profissionalismo, você só fez perguntas sobre política interna, é uma pena que você comece assim sua carreira de jornalista”. André Singer sugeriu que a fita fosse parcialmente apagada. Rodrigo Baena tentou me convencer de quais perguntas poderiam ou não ser divulgadas, “esta você pode guardar, esta não”.
Saí dali entusiasmada, com a convicção de que tinha em minhas mãos um material cujo interesse ultrapassava as fronteiras da França. Ofereci o material a alguns redatores-chefes que me disseram que, com a volta do presidente Lula à Brasília, a entrevista deixava de ser importante para as redações francesas. Por mais que elas lhe dessem algum destaque, a entrevista não mereceria mais do que dois minutos no noticiário.
Decidi não divulgar a matéria na França. Percebi que estava diante de um depoimento simples, sincero e humano do presidente Lula, que certamente interessaria à população e que não podia, de forma alguma, ficar esquecido num canto de gaveta.
No domingo, procurei a Rede Globo. Pedi, como condição para a venda dos direitos de imagem, que as respostas do presidente não fossem editadas, de maneira a evitar mal entendidos e distorções de cada idéia desenvolvida.
Depois da entrevista divulgada, começaram as pressões e calúnias dos meus próprios companheiros de profissão. Recebi dezenas de telefonemas com pedidos de esclarecimentos e de entrevistas como se fosse crime uma repórter independente conquistar uma entrevista exclusiva. Na verdade, apenas fiz aquilo que todo jornalista deveria sempre fazer: persistir até o último minuto para conseguir informações inéditas e zelar, até o fim, para que elas cheguem ao conhecimento de todos.
Deixo aqui meus sinceros votos de que todos os meus colegas jornalistas experimentem um dia, se já não experimentaram antes, o mesmo êxito profissional que eu experimentei naquele dia. E que se libertem do veneno e da arrogância quando um colega tiver mais sucesso numa reportagem.
Será que Arnaldo Jabor, Míriam Leitão, Artur Xexeo e tantas outras cobras criadas do jornalismo nacional terão a dignidade e humildade de pedir desculpas a Melissa pelo teor de seus comentários e críticas a ela? Pelas acusações que fizeram de armação? Pelo deboche com que a trataram? Eu, sinceramente, acho que não. São muito arrogantes para isso.
Posted by escriba on 22 Jul 2005 | Tagged as: blog

O coroa tá na ativa ainda, mandando bem pacas!
Croco Press
“I’m a street walking cheetah
with a heart full of napalm
I’m a runaway son
of the nuclear a-bomb
I am a world’s forgotten boy
The one who searches and destroys”
É Iggy Pop no seu melhor…
Search and Destroy, The Stooges (do disco Raw Power, 1973) é uma das músicas mais porradas que conheço. Ela abre o disco produzido por David Bowie que, tal qual os dois primeiros da banda (The Stooges e Fun House), vendeu pouquíssimo na época. Encontrar um exemplar em vinil ou CD hoje é quase impossível, logo… VIDA LONGA AO P2P!!
Posted by escriba on 21 Jul 2005 | Tagged as: blog
A merda jogada no ventilador chegou ao PFL e PSDB (veja aqui). Vamos ver o destaque que isso terá nos jornais amanhã…
Posted by escriba on 21 Jul 2005 | Tagged as: blog
A justa e emocionada indignação de Saturnino Braga (PT-RJ) contra a generalização das acusações sobre caixa 2, o vingativo protesto de Heloisa Helena (PSOL-AL) contra o provavel uso desse dinheiro de caixa 2 em sua campanha ao Senado em 1998, a cruel observação da juíza Denise Frossard (PPS-RJ) sobre a vida nos presídios brasileiro e sua divertida constatação sobre as trapalhadas da ex-cúpula do PT, a desesperançada e triste intervenção do senador Jefferson Peres (PDT-AM), tudo só me leva a uma conclusão: em 2006, num segundo turno entre Garotinho (PMDB-RJ) e Geraldo Alckmin (PSDB-SP), eu anulo meu voto sem dó nem piedade…
Posted by escriba on 21 Jul 2005 | Tagged as: blog
Por Luis Fernando Veríssimo
“Depois do delúbio (a denúncia de doações dadivosas de dinheiro disfarçado a deputados) e do dizlúbio (a denúncia de dízimos com destino duvidoso) chegou, ai de nós, o daslúbio - a denúncia de distintas dondocas distraidamente defraudadoras. É demais.
Há muitas vantagens em envelhecer. Dê-me algum tempo e pensarei numa. Entre as desvantagens está o acúmulo de memórias inúteis, que atravancam o cérebro, como aqueles suplementos culturais que a gente vai separando para ler depois e ficam empilhados pelos cantos, dificultando o trânsito dentro de casa. E que nunca se lê, ou quando são lidos não têm mais nada a ver com nada. Eu estava pensando sobre o auto-emporcalhamento do PT e a fúria eufórica com que está sendo recebido e tropecei numa dessas lembranças provavelmente irrelevantes. Um artigo do Antônio Callado, publicado não sei exatamente onde (Jornal do Brasil ou Correio da Manhã? Talvez ainda tenha o recorte em algum canto). A data certa também não sei, mas saiu poucos dias depois do golpe de 1964. Callado escrevia sobre o governo de Miguel Arraes em Pernambuco, e sobre o que estava sendo feito para melhorar uma situação social descrita por ele como um barril de pólvora prestes a estourar, uma descrição que valia para todo o miserável Nordeste brasileiro, em que líderes de esquerda eleitos como Arraes tinham, pela primeira vez, a oportunidade de tentar apagar o pavio.
Arraes fora deposto do governo pelos militares, sua revolução legal e pacífica interrompida. Callado terminou seu artigo com a frase: “O barril de pólvora voltou”. Nada a ver com nada, como se vê. A situação hoje é completamente diferente. Depois de 20 anos de governo militar e mais 20 anos de governos de fatiota com educação superior, todos no Nordeste e no Brasil têm telefones celulares e… Bem, todos têm telefones celulares, já é alguma coisa. Saneamento básico e ultrapassar Serra Leoa no campeonato mundial de má distribuição de renda, talvez nos próximos 40 anos. Não existem mais a Guerra Fria e as razões de segurança continental ditadas ao nosso exército por Washington, os militares estão quietos e não se ouve falar em golpe, pelo menos não em voz alta.
A única ligação entre hoje e o ontem comentado pelo Callado é que está se interrompendo a segunda tentativa de um governo popular, com todos os seus equívocos e concessões, no Brasil. E querem ter a certeza de que não haja uma terceira. Depois que o PT lhe fez o favor de se auto-imolar, a direita está cuidando de espalhar as cinzas e salgar o terreno para que nenhuma outra opção de esquerda viceje em seu lugar, num futuro previsível. Em outras palavras, o pavio está reaceso.”
(publicado originalmente no jornal Zero Hora, no dia 18 de julho)
Posted by escriba on 20 Jul 2005 | Tagged as: blog
Quando critico o denuncismo da imprensa, não é pra defender este ou aquele partido. Mas sim para evitar pré-julgamentos, que causam tantos problemas a todos. A imprensa brasileira - e no mundo em geral - é mestre em derrubar o cara e depois fazer cara de paisagem quando as denúncias não se comprovam. Lembram do caso da Escola Base, aqui em São Paulo? Pois é, destruiu a vida de uma família inteira e agora, aos poucos, essas pessoas começam a retomar a vida. É claro que com uma boa ajuda de nossa lenta Justiça, que garantiu uma indenização de R$ 200 mil para cada um dos três atingidos - isso só pelas matérias que foram publicadas na revista IstoÉ. Faltam Folha de São Paulo, Veja, etc…
O jornalismo é a arte de editar a realidade. Mas mais do que isso, é também a arte de publicar aquilo que interessa a determinado grupo político. Sim, porque imprensa faz parte do jogo político. Ou alguém ainda acredita que jornalista não tem coloração política-partidária? Um dos poucos veículos de comunicação no Brasil que teve a coragem de externar sua posição política foi a revista Carta Capital, que disse apoiar Lula, logo que ele foi eleito. As demais publicações escondem suas preferências, covardemente.
Mas vivemos também o reinado do furo jornalístico, que faz com que todos os veículos da imprensa publiquem tudo que possa colocá-los na linha de frente dos fatos, mesmo que o ‘fato’ publicado não seja tão consistente assim. A manchete errada hoje, uma nota de correção amanhã, e fica por isso mesmo, vamos fechar o jornal do dia seguinte.
Nós jornalistas temos o hábito de termos posições firmes sobre praticamente qualquer assunto e quem já discutiu com um - eu mesmo, oras! - sabe como é difícil e muitas vezes chato. Mas quando são atacados, se fecham em um grupo coeso e unido, de fazer inveja ao mais corporativista dos advogados. Sai debaixo. Quando contrariados, idem.
O que aconteceu, por exemplo, com a jornalista Melissa Monteiro, é bem emblemático. Ela conseguiu uma entrevista exclusiva com o presidente Lula. Como boa frila que é, fez a entrevista (furando a fila de dezenas de jornalistas mais, digamos, tarimbados, que tentam há meses essa graça, mas não conseguem), tentou vender na França sem sucesso e, finalmente, vendeu para a Globo, mais precisamente para o programa Fantástico.
Pois bem, foi trucidada por ‘coleguinhas’ como a badalada colunista Míriam Leitão, porque teria feito perguntas ruins, não teria pressionado o presidente suficientemente, mas o que fica parecendo é choro de quem foi preterido. Melissa furou a panela. Muito ‘foca’ desistiu da profissão por ter feito o mesmo, sem segurar a onda depois, sendo esculachado por jornalistas decanos da profissão…
A imprensa é livre e assim deve ser. Mas erra e muito. É parcial quase sempre. E nada disso seria problema, desde que fosse menos sórdida e mais honesta quando confrontada com seus erros e deslizes. O Financial Times fez uma análise boa do que está acontecendo agora na imprensa brasileira. Sem equipes suficientes, com as redações no osso da borboleta, cheias de estagiários e frilas (nada contra), os jornais publicam qualquer denúncia, sem checar sua veracidade ou consistência.
A lista do Rodrigo Maia, líder do PFL, é bem o caso. Jogou lama em um monte de gente - culpados ou não. O Jornal Nacional deu destaque, Folha também, Estadão, O Globo, etc. Depois viram que não era bem aquilo. Alguém leu alguma errata? Pedido de desculpas? Nadica de nada. Mas aí foda-se, deixa rolar, bola pra frente… (ver aqui outro bom artigo sobre o assunto).
Edição da realidade. O público leitor de jornais no Brasil deveria saber disso, mas muitos não se tocam. Tenho amigos esclarecidos que tomam como verdade absoluta o que sai no jornal ou revista. Quando apresentados a dados que mudam aquela realidade apresentada, ficam pasmos. Jornalista é mentiroso? Claro que não, com raríssimas exceções. Mas publica aquilo que quer, que acha mais conveniente.
A realidade tem que caber na pauta. Vejam este exemplo.
Jornalistas pregam a moralidade e ética, mas as principais redações brasileiras escondem os frilas e estagiários quando fiscais da DRT (Delegacia Regional do Trabalho) fazem blitz em suas dependências… Em muitos casos não depositam FGTS, não pagam horas extras, criticam subsídios para determinados setores da economia, mas não vivem seu belo desconto na compra de papel, enfim, são capitalistas no lucro e socialistas no prejuízo. São oportunistas, adeptos da Lei de Gérson, querem se dar bem sempre.
E ai de quem falar mal. Será exposto, trucidado, humilhado, caluniado, debochado. Sem dó, nem piedade. E que venha o próximo!
Posted by escriba on 16 Jul 2005 | Tagged as: blog
Sofri muito, na infância, com a asma. Passei noites em claro tentando buscar ar com todas minhas forças, até doer o peito. Era assustador, parecia que não ia conseguir. Fazia exercícios respiratórios, algumas nebulizações, mas demorava para os resultados aliviarem minha agonia. Lembro do meu pai e da minha mãe ao meu lado dizendo: ‘Vai passar, meu filho, vai passar…’
Pensei muito nisso porque passei o sábado na emergência do Einstein com o Martim, que teve sua primeira crise aguda, uma bronquite pra valer que o fez vomitar quatro vezes entre 7 e 9 da manhã. Estava pronto para viajar pra Rio Claro pra tocar meu livro - que está atrasado pacas - mas desmarquei tudo. Os olhinhos esbugalhados do meu campeão suplicavam por ajuda.
Mesmo esgotado por falta de oxigênio, o moleque não parou quieto na enfermaria, na sala de nebulização, nos corredores do hospital, enfim… fez um fuzuê danado. O engraçado era que toda enfermeira ou médico que chegava pra ver ele, tinha que mostrar o crachá. Ele pegava, olhava a foto, olhava a cara do sujeito e pronto, tava liberado.
Depois de seis nebulizações e duas injeções de um bronco-dilatador na veia, Martim foi então liberado, para alívio da mãe, que estava horrorizada com a possibilidade da primeira internação do filho.
Bem-vindo à turma dos asmáticos, Martim!
(Vendo-o deitado na maca, dormindo entre uma nebulização e outra, viajei legal ao passado, matutando sobre a inexorável passagem do tempo, enfim, fiquei melancólico pacas. E uma música do Cat Stevens, Oh Very Young, me veio à cabeça naquele momento):
Oh very young
What will you leave us this time
You’re only dancing on this earth for a short while
And though your dreams may toss and turn you now
They will vanish away like your daddy’s best jeans
Denim blue fading up to the sky
And though you want them to last forever
You know they never will
You know they never will
And the patches make the goodbye harder still
Oh very young
What will you leave us this time
There’ll never be a better chance to change your mind
And if you want this world to see a better day
Will you carry the words of love with you
Will you ride the great white bird into heaven
And though you want to last forever
You know you never will
You know you never will
And the goodbye makes the journey harder still
Oh very young
What will you leave us this time
You’re only dancing on this earth for a short while
Oh very young
What will you leave us this time