October 2004

Monthly Archive

Lamentos

Posted by escriba on 31 Oct 2004 | Tagged as: blog

É, não deu… uma das melhores administrações que São Paulo já teve foi vencida pelo preconceito, pela incompreensão, pela mentira, pela má-vontade e mesquinharia da imprensa e da elite paulistana, como bem avaliou o jornal francês Le Figaro, que por sinal é conservador até a medula. Agora a cidade terá que conviver durante quatro anos com um vampiro, que vai sugar tudo que São Paulo tem de melhor pra alimentar seu projeto político - ser presidente da República. Enfim, bola pra frente, porque a luta continua.

E nada mais simbólico do que eleger um vampiro no dia de Halloween…

Domingo também é um dia triste porque acabei de saber que minha amiga Adriana Maximiliano desistiu de seu blog (Aqui em D.C.) e parte agora para a ficção. Boa sorte na nova empreitada! Mas ainda não vou tirar o blog da lista… quem sabe ela não muda de idéia? ;)

Marta soltou a franga

Posted by escriba on 30 Oct 2004 | Tagged as: blog


Serra se espantou com a desenvoltura de Marta no debate da TV Globo
Croco Press

Num recente encontro de artistas com a prefeita Marta Suplicy, José Celso Martinez aconselhou à candidata do PT: “Solta a franga, mulher!” E foi o que ela fez no último debate, na TV Globo, antes da eleição de domingo. Dominou sem muito esforço o confronto com seu adversário, o ‘vampirão’ do PSDB, mostrando desenvoltura na hora de falar de suas realizações na prefeitura de São Paulo e segurança quando solicitada a expor seus projetos.

Deu pulinhos, esbanjou alegria por poder explicar o que fez na cidade nos últimos quatro anos e desmascarou Serra diversas vezes, mostrando como o tucano manipula dados ao seu belprazer, como no caso da verba do gabinete da prefeita, por exemplo. E quando perguntado sobre seus projetos para a cidade, novamente o candidato tucano saiu pela tangente, limitando-se a dizer que vai trabalhar muito, que vai manter o que foi feito, que falta planejamente, blá blá blá…

Assisti ao debate em um telão instalado na praça Benedito Calixto, em Pinheiros, em frente ao restaurante Consulado Mineiro, e fiquei animado com a empolgação do pessoal que tava lá - militantes do PT, funcionários da Prefeitura e simpatizantes da Marta.

Acho que dá pra virar. São Paulo vai acordar em tempo pra fraude que é José Serra.

Shackleton e outras aventuras

Posted by escriba on 28 Oct 2004 | Tagged as: blog

Acabei de ler o livro “A Incrível Viagem de Shackleton” (editora Sextante), sobre a expedição Imperial Transatlântica organizada pelo irlandês Ernest Shackleton em 1914 com o objetivo de cruzar o continente antártico. Uma história sensacional de superação de limites, recomendo a todos que curtem livros de aventura. Essa aqui é das mais impressionantes.

A bordo do Endurance, último navio de madeira construído pelos mestres noruegueses para navegar em mares gelados do Sul, Shackleton e mais 27 homens partiram para o Pólo Sul e passaram por toda sorte de dificuldades: o navio ficou meses preso no gelo e acabou naufragando; os 28 homens passaram meses acampado em um imenso bloco de gelo que estava à deriva; navegaram por dias pelo mar mais revolto do planeta, na passagem de Drake (entre o Cabo Horn e a península de Palmer), em três botes salva-vidas; acamparam na inóspita ilha Elephant, onde nenhum homem até então havia estado; fizeram uma viagem de 1.200 km, da ilha Elephant até a Geórgia do Sul, em um bote de seis metros, enfrentando ventos de 150 km/h e ondas de 1 quilômetro de extensão e 20 metros de altura; e por último, ao desembarcarem na costa oeste da ilha Geórgia do Sul, escalaram picos de mil metros com apenas uma corda de 15 metros e uma machadinha…

Shackleton não conseguiu fazer vingar nenhuma de suas expedições à Antártida, morrendo pouco antes de lançar sua quarta tentativa, em 1921, mas ganhou fama e respeito por ser um líder que não titubeava frente aos mais duros desafios. O livro é emocionante, do início ao fim. Agora estou afim de comprar o que traz as fotos da viagem, feitas por Frank Hurley, fotógrafo oficial da expedição.

E pra quem curte esse tipo de aventura, tem uma página ótima sobre expedições empreendidas pelo explorador norueguês Thor Heyerdahl - a Kon-Tiki. Numa dessas aventuras, Thor foi numa balsa rústica do Peru até a Polinésia, para provar que, muito antes dos europeus, outras civilizações exploraram os mares.

Apesar de ter um certo pânico de mar, sou fissurado por esse tipo de história. Vai entender…

Melhor frase do cinema

Posted by escriba on 26 Oct 2004 | Tagged as: blog

Fizeram uma pesquisa com 100 personalidades britânicas para escolher a melhor frase do cinema. Ganhou a de Travis Bickle, personagem de Robert de Niro no filme Taxi Driver, de 1976: “You talkin’ to me?” (”Você está falando comigo?”). Ficou à frente de duas outras muito boas: “Bond, James Bond”, do próprio, em todos os filmes da série do espião inglês, e “May the force be with you” (”Que a força esteja com você”), da série Guerra nas Estrelas.

Mas apesar dessas três boas frases acima, boa parte das demais lembradas na pesquisa são muito fracas. Só pra se ter uma idéia, não tem nenhuma de Apocalypse Now! Imperdoável. Afinal, no filme de Francis Ford Coppola, de 1979, tem três das melhores do cinema mundial: “Charlie don’t surf”, dita pelo coronel Kilgore, personagem de Robert Duvall; “I love the smell of napalm in the morning! It smells like… victory!”, do mesmo Kilgore/Duvall; e “The horror, the horror”, do coronel Kurtz, vivido por Marlon Brando.

A minha lista teria ainda:

“Dadinho é o caralho, meu nome agora é Zé Pequeno!” - Zé Pequeno em Cidade de Deus (2003)

“God knows i’m not a snob” (Deus sabe que eu não sou esnobe) - O Fio da Navalha (1946)

“Gentlemen, welcome to Fight Club. The first rule of Fight Club is you do not talk about Fight Club. The second rule of Fight Club is…you do not talk about Fight Club.” (Cavaleiros, bem-vindos ao Clube da Luta. A primeira regra do Clube da Luta é você não fala sobre o Clube da Luta. A segunda regra do Clube da Luta é… você não fala sobre o Clube da Luta.” - Tyler em Clube da Luta (1999)

“The things you own end up owning you.” (As coisas que você têm acabam dominando você) - Tyler em Clube da Luta (1999)

“For it is the doom of men that they forget!” (A maldição dos homens é esquecer) - mago Merlin em Excalibur (1981)

“I am Spartacus.” (Eu sou Spartacus!) - O próprio, em spartacus (1966)

“A pátria é o último refúgio dos canalhas” - coronel Dax, em Glória Feita de Sangue (1957)

Que mico!

Posted by escriba on 25 Oct 2004 | Tagged as: blog

De quem é a culpa, do redator que fez o título ou do cara que inventou o nome do caderno? Puta mancada…

Mondo Bizarro

Posted by escriba on 25 Oct 2004 | Tagged as: blog


Pato sadô-masô… ô imaginação fértil!
Croco Press

Minha amiga Adriana Maximiliano, frila do NoMínimo.com que mora em Washington D.C. e blogueira de primeira (é dela o blog Aqui em D.C. que tá na lista aí do lado), fez uma puta (sem trocadilhos…) matéria sobre aquelas bonecas bizarras da Real Doll, sobre as quais já falei aqui n’O Escriba. Sensacional a matéria! Vc tá se especializando em reportagens pornôs, heim amiga? Parabéns!!

Wattstax

Posted by escriba on 23 Oct 2004 | Tagged as: blog


“I am somebody!”
Croco Press

Lançaram o DVD comemorativo dos 30 anos do festival Wattstax, considerado o Woodstock da música negra. O evento reuniu em Los Angeles em 1972 durante sete horas ininterruptas o supra-sumo da ‘black music’ da época - Albert King, Isaac Hayes, Rufus Thomas, Bar-Kays, Carla Thomas, Staple Singers, entre outros. O nome do festival faz referência ao distrito de Watts, bairro pobre de Los Angeles onde, em 1965, aconteceu uma grande revolta devido à violência policial contra uma família negra, e à gravadora Stax, especializada em soul, grande rival da Motown na época.

Com discurso de abertura do reverendo Jesse Jackson e intervenções do comediante Richard Prior, Wattstax foi na minha opinião superior a Woodstock, política e musicalmente… Imperdível!

Por mais incrível que pareça, o lugar mais barato pra comprar essa preciosidade é a Fnac. Eu, que comprei há alguns anos os dois LPs duplos do evento (relíquias importadas, do tempo das vacas gordas…), já encomendei o meu!

Pirataria

Posted by escriba on 22 Oct 2004 | Tagged as: blog

Bill Gates, o todo-poderoso da Microsoft, criticou a forma com que as indústrias fonográfica e cinematográfica combatem a pirataria de seus produtos… Clássico caso do roto falando do esfarrapado…

Livro, o melhor presente

Posted by escriba on 20 Oct 2004 | Tagged as: blog


Um dia o povo do abismo vai acordar e aí…
Croco Press

Se tem uma coisa que gosto de ganhar de presente é livro. E ontem ganhei quatro dos bons. O foda agora é escolher por onde começar…

O primeiro que recebi foi ‘Palestina, Uma Nação Ocupada’ (editora Conrad), de Joe Sacco, jornalista nascido em Malta e formado nos EUA. São quadrinhos de primeiríssima qualidade e por isso considero como um livro. Foi presente da Érica.

Em seguida, vem ‘Ouvir Estrelas: As Melhores Frases e Diálogos do Cinema’ (editora Garamond), de Mariza Gualano. Um livro divertidíssimo, que vou devorar em uma noite, com certeza, e depois ficará eternamente na mesa de cabeceira pra servir de consulta. Esse veio da M. Alzira.

Logo em seguida, chegam Juliana e Conrado e me presenteam com ‘O Guia do Mochileiro das Galáxias’ (editora Sextante), de Douglas Adams, uma história de ficção científica bem-humorada, ao estilo Monty Python (com quem Adams chegou a trabalhar durante algum tempo escrevendo roteiros).

E, last but not least, chega o trio mais cool e engajado do jornalismo brasileiro, Tatiana Farah, Soraya Aggege e Flávio Freire e me dão nada menos do que ‘O Povo do Abismo’ (editora Fundação Perseu Abramo), de Jack London, que relata o mundo dos moradores de rua da Inglaterra no início do século XX. London se disfarçou e viveu em 1902 entre os mais pobres do então reino mais rico do planeta. Uma reportagem de fôlego que acabou virando livro.

Por onde começar?

36 anos

Posted by escriba on 19 Oct 2004 | Tagged as: blog

Os Estados Unidos apelam à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o Brasil para manterem os subsídios para os seus produtores de algodão o Exército e o presidente Lula entram em atrito por conta da divulgação pelo Correio Braziliente de fotos inéditas de Wladimir Herzog no cárcere antes de ser suicidado a carnificina continua rolando solta no Iraque, Afeganistão, Sudão, Haiti, Chechênia, Rio de Janeiro estudantes trocam o nome da avenida jornalista Roberto Marinho em São Paulo para jornalista Wladimir Herzog arrastão em bar no Itaim leva oito carros de playboys Marta e Serra se engalfinham no horário político na TV às vésperas da decisão de quem será o novo prefeito de SP guerra entre camelôs e guarda civil no Vale do Anhangabaú Rubens Barrichello viaja na maionese e diz à imprensa alemã que é tão bom quanto Schumacher eleição presidencial nos EUA já começou com dias de antecedência e as urnas na Flórida já deram problemas prenunciando o resultado amargo que afetará todos nós…

Tudo isso acontecendo e eu aqui sentado, dando milho aos pombos…

Lula e o Exército

Posted by escriba on 18 Oct 2004 | Tagged as: blog

A chapa está esquentando…

Imprensa e Honestidade

Posted by escriba on 17 Oct 2004 | Tagged as: blog

Quando é que a imprensa brasileira vai ter a honestidade de dizer a seus leitores o que realmente pensa? Quando é que Folha, Estado, Veja e afins terão a coragem de assumir seus atos, como bem fez agora o New York Times?

A propósito, acabei de ler um ótimo artigo do Emir Sader. Confiram.

Excalibur

Posted by escriba on 17 Oct 2004 | Tagged as: blog


Quando a lenda supera a história…
Croco Press

Uma das boas lembranças que tenho da infância são os fim de semanas que passava na casa de uma tia que morava em Vila Valqueire, no Rio, para me enfurnar num dos quartos e ler uma coleção sobre o rei Artur e os cavaleiros da Távola Redonda. Era uma edição gigantesca, mais de 10 volumes com certeza, da qual não tenho a mais vaga idéia de detalhes técnicos (edição, autor, ano). Mas lá estavam Artur, Guinevere, Lancelot, Percival, Merlim, Morgana, Mordrid, Galahad, Camelot, Excalibur, o Santo Graal. Lia vorazmente e torcia para o próximo fim de semana chegar mais rápido pra poder ler mais um pouco sobre as aventuras daquela irmandade de cavaleiros.

Revivo isso tudo porque acabei de (re)ver no DVD o filme Excalibur (1981), do diretor John Boorman.

O roteiro é fiel ao livro ‘Le Morte D’Arthur, de Sir Thomas Malory (1470), talvez o primeiro a juntar os cacos da lenda medieval num épico que forjou tudo o que conhecemos hoje em termos de filmes de cavalaria. Luz, cenários, locações e figurinos são simplórios, mas eficientes, contribuindo para a perfeita ambientação da história num tempo de mitos, magia e beligerância. As armaduras e armas usadas parecem realmente pesadas, limitando os movimentos dos atores figurantes e dando ainda mais realismo às cenas.

As melhores tiradas são do mago Merlin, claro. “É a maldição do homem que ele esqueça”, “É chegada a hora do homem e seu Deus único. Não há mais lugar para magos e espíritos”. Cito de memória. Nicol Williamson faz um Merlin sagaz, irônico, poderoso. Seja aconselhando Arthur (Nigel Terry) ou disputando poder com Morgana (Helen Mirren), a meia irmã do rei, Merlin/Williamson dá show e rouba a cena.

Trata-se, enfim, de uma obra-prima. É cinema dos tempos em que o texto e a representação dos atores se sobressaía à ação. Em que o diretor mandava mais do que o produtor, ou em que os dois tinham mais sintonia, entre si e com a sétima arte. Dos tempos em que se fazia filmes para platéias exigentes e inteligentes, dispostas a pensar e refletir, não para a massa adolescente (de idade e de cabeça), que nunca pegou um livro com mais de 400 páginas pra ler. Para esse pessoal, basta um filme como Rei Artur, de Antoine Fuqua (diretor) e John Bruckheimer (produtor), que está atualmente em cartaz. Esse novo filme está mais próximo, dizem, dos fatos históricos, mas não tem Excalibur na pedra, nem busca pelo Santo Graal, muito menos o incesto entre Morgana e Arthur ou a traição de Lancelot e Guinevere. Não tem alma…

Por mais que eu goste de rigor histórico, a lenda do Rei Artur como a conheci tempos atrás naquele quarto escuro e empoeirado ainda faz mais sentido para mim. Então, publique-se a lenda!

O jeito Veja de fazer jornalismo

Posted by escriba on 16 Oct 2004 | Tagged as: blog

Há quem ainda acredite no jornalismo. Perdi minha fé há tempos. Pelo menos no que diz respeito ao jornalismo das grandes corporações de mídia. Esse tipo de jornalismo não tem nada a ver com a defesa da coisa pública ou com uma livre tribuna para que os anseios das pessoas seja representado ou debatido. É apenas uma ferramenta de perpetuação do status quo de uma elite, veículo de pré-conceitos, defesa de interesses escusos e muito, mas muito cinismo mesmo. Não à toa os veículos tradicionais impressos de comunicação vêm perdendo leitores no Brasil. Não têm credibilidade, não são honestos com seus leitores. Por isso, minguam…

A matéria de capa da Veja São Paulo desta semana retrata bem isso. Alecsandra Zapparoli e Alessandro Duarte assinam o texto (e outros seis aparecem como colaboradores) que se propõe a avaliar 17 áreas estratégicas da cidade de São Paulo. Mas como tudo que sai da Veja, é material arquitetado em reunião de pauta, com resultado pré-estabelecido, com o intuito de dar à elite paulistana a certeza de que a revista está do seu lado, na luta pela derrubada da gestão mais democrática e justa que São Paulo já teve em décadas. Os oito repórteres já saíram da redação (se é que saíram…) com a pauta montada, definida.

A mídia paulistana (grupos Folha, Estado e Abril à frente) trabalha na surdina, sob o manto da objetividade e isenção, como cavalo de batalha da candidatura Serra. Não pelo que o candidato do PSDB tem para contribuir para a cidade, mas sim pelo medo de ver o PT no poder por mais quatro anos na maior cidade da América Latina, trabalhando para criar condições mais humanitárias para uma parcela da população que só vira notícia quando há crime ou tragédia.

A tal avaliação da Veja SP é feita sob a ótica da elite, de quem anda de carro, de quem paga imposto alto porque ganha mais, de quem acha que a violência diminui com a construção de prisões e não de escolas. A Veja não anda de ônibus, mas de carro com ar-condicionado. Nunca foi à Cidade Tiradentes, no máximo à Freguesia do Ó (pra ir ao ótimo Frangó). Quer segurança, impostos baixos e pouca interferência da administração pública pra poder continuar desfilando com seus relógios Breitling, levar a família pra Miami e usar a cidade como se fosse seu quintal. A elite, com a Veja, mostra sua cara, e ela não é das mais bonitas…

O jornalismo de fé, irmão camarada passa longe das grandes (sic) redações. Migrou para outros veículos, não-corporativos em sua maioria, para fanzines, jornais-murais, rádios comunitárias, blogs, até emails! Fragmentou-se. A comunicação está mudando de pele. Que assim seja.

Arqueologia de computador

Posted by escriba on 16 Oct 2004 | Tagged as: blog

Acabei de instalar o tal programa do Google que faz busca no computador, pra procurar arquivos, pastas, fotos, links e tudo o mais que vc quiser. Tenho vocação para guardar muita quinquilharia, na vida real ou no computador, e assim o programinha cai como uma luva pra eu vasculhar as tranqueiras que tenho no disco rígido.

Numa das buscas que fiz, achei um texto antigo, da época em que me meti a escrever poesia. O valor literário é discutível, mas pra mim foi uma descoberta e tanto!! Segue o texto:

INSANO MENTE

Sólida mente
tudo quer, apenas
Sólida mente
a tudo contemporiza
em semente jóia;
ter rubis e azaléias
na confusão de nóias,
de mentes.

Sólida mente
envolta em etéreas faíscas
movimentos de amor em guerra
desvelando secretas ambições,
ainda por mim incríveis.
mente solidária
insólita pretensão
de quem pensamos que somos.

Solitário pensador
persegue em mente um sonho
zomba de si, em brumas da noite
um solitário temente.

Debate na Record

Posted by escriba on 15 Oct 2004 | Tagged as: blog

Marta desafiou Serra a participar do debate que a TV Record está agendando para semana que vem. Parece que o ‘vampirão’ só quer participar do da Globo, no dia 29. Como todo bom vampiro, foge da luz. Tem que jogar muuuuuita luz em cima desse cara!

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Pelamordedeus!!! Onde vamos parar?! www.realdoll.com

Bizarro!

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O Google pode ser o oráculo do século XXI, mas esses caras aqui não são fracos não. Pense em alguma coisa - mas não tão específico como “uma BMW azul de duas portas”… - e vai respondendo as perguntas feitas. E não é que a porra do programa acerta? Segundo uns amigos nerds aqui do Governo Eletrônico, parece ser um programa que usa um sistema semelhante às redes neurais. Negócio de teoria do caos, fractais e outros bichos complicados…

Dá-lhe Marta!!

Posted by escriba on 15 Oct 2004 | Tagged as: blog

Finalmente a Marta teve a chance de encurralar o ‘vampirão’ e tocar em pontos nebulosos como o vice Kassab (ex-secretário do Pitta e acusado de enriquecimento ilícito) e a gestão PSDB no Estado (com o picolé de chuchu Alckmin) e no governo federal (com FHC). Neste primeiro debate realizado na Band, Marta foi firme, decidida e deixou seu adversário incomodado por diversas vezes. Serra tentou mostrar calma, dizer que ela não respondia suas questões, que o debate era sobre São Paulo não o governo federal, mas ela estava certíssima. Afinal, o que ele quer trazer pra São Paulo é parte do que já foi feito no Estado (vide Febem) e no país! Vade retro, vampirão!!

No início não achei uma boa idéia trazer tópicos federais e estaduais para o debate, mas depois saquei a estratégia - ora, Serra se diz do bem, bom administrador e zeloso pelo dinheiro público, mas se pegarmos seu currículo, veremos exatamente o contrário. Os jornais desta sexta-feira vão dizer que a Marta foi agressiva, atacou porque está atrás nas pesquisas, mas a verdade é que os debates são a única oportunidade que ela tem de driblar o projeto político do PSDB, da imprensa paulista (leia-se Estado e Folha) e das elites oligárquicas da cidade para dar novo fôlego aos tucanos e ao Serra. Sim, porque o que esse cara quer mesmo é vencer agora para chegar em 2006 com mais força pra disputar ou a sucessão do Alckmin ou encarar uma revanche com o Lula.

Como bem disse Duda Mendonça ao final do debate, que venham dezenas de outros debates, na TV, nas universidades, no rádio, no bar da esquina, nos shoppings (por que não?), para a Marta poder mostrar tudo o que fez de bom pra cidade e tirar a máscara do ‘vampirão’ asqueroso…

Aliás, o Mercadante deu a senha do que pode estar por vir: Serra não comparecer nos próximos dois debates agendados. A conferir…

Eleições lá e cá (2)

Posted by escriba on 14 Oct 2004 | Tagged as: blog


Essa dupla quer voltar… xô, xô, xô!!!
Croco Press

A 20 dias da eleição nos Estados Unidos (dia 2 de novembro), Kerry surrou Bush Jr. mais uma vez, no terceiro e último debate entre os dois candidatos à presidência dos Estados Unidos, realizado em Tempe, no Arizona. Kerry estava mais contido, é verdade, parecia meio gripado, sei lá, mas mostrou outra vez que tem muito mais estofo pra ocupar o cargo mais importante do planeta - o papa que me desculpe…

Bush Jr. é o homem-chavão, repete até não poder mais bordões minuciosamente preparados por sua gigantesca equipe de campanha. Kerry também os tem, claro, mas sabe usá-los sem forçar a barra, sem parecer limitado. A diferença de estilo, de inteligência, de cultura, entre os dois é brutal, mas ainda assim acho que favorece Bush Jr. Afinal, como disse antes, o atual presidente fala a língua do americano médio, tem um humor bronco que agrada àqueles botocudos do meio-oeste…

Traçando um paralelo com as eleições aqui em São Paulo, cheguei a algumas conclusões interessantes. Pra mim, Serra e Bush Jr. têm muito em comum.

Senão, vejamos:

Bush Jr. e Serra dizem ser contra o aumento de taxas, afirmam que seus adversários aumentarão os impostos desordenadamente, mas a realidade é bem outra. O que eles escondem é que uma redução de taxas geral e irrestrita só beneficia os mais ricos, já que eles não precisam de assistência social e serviços públicos pagos com o dinheiro de impostos.

Os dois afirmam também que são ótimos administradores, zelosos pelo dinheiro público, mas Bush Jr. conseguiu falir 10 entre 10 empresas que administrou em sua curta e desastrosa carreira na iniciativa privada, e está conseguindo recordes históricos para o déficit público americano. Já o ‘vampirão’ da Mooca foi ministro do Planejamento de um governo (o FHC) que deixou o país à beira do abismo com juros estratosféricos, crescimento negativo, privatização nas coxas e sucateamento do poder público, deixando ao deus-dará justamente os que mais precisam de apoio, enquanto que os abastados - entre os quais muitos ‘coleguinhas’ de peso - enviavam seus preciosos dólares para o exterior pelas CC5. Como ministro da Saúde, pegou carona em projetos alheios (genéricos e combate à AIDS), destruiu a indústria farmacêutica nacional e deixou o mosquito da dengue livre pra picar um, picar geral, numa grande epidemia.

Serra e Bush Jr. se dizem ‘do bem’, prontos para proteger seu povo de qualquer ameaça. Mas é o Alfred E. Neuman americano que está transformando seu país em catalizador do ódio mundial, isolando os americanos de maneira perigosa e doentia, que terá conseqüências inimagináveis em alguns anos. E por aqui, o bordão ‘Serra é do bem’ colou mesmo muitos sabendo que o cara foi um dos burocratas mais antipáticos, arrogantes e desagradáveis que já passou por Brasília - os corredores dos ministérios do Planejamento e da Saúde não mentem…

Serra ataca Marta chamando-a de incompetente e má-administradora. Ora, a atuação da Prefeitura nos últimos quatro anos foi aprovada por 48% da população de São Paulo - sem contar os 33% que consideraram ‘regular’ a administração, o que é bom. Mesmo pagando uma dívida gigantesca, feita não pelo PT, mas pelas elites brasileiras há décadas, séculos, conseguiu em quatro anos emplacar 21 CEUs, o Bilhete Único, o Passa-Rápido, os Telecentros (Plano de Inclusão Digital), a reforma do Centro da cidade, a limpeza e iluminação urbana, dar uma nova cara à avenida 9 de julho, à Santo Amaro, Paulista, Rebouças, etc etc etc, além de colocar São Paulo de volta no cenário mundial, atraindo eventos importantes como a Unctad (conferência sobre comércio internacional da ONU) e liderar a União das Cidades e Governos Locais (CGLU), entidade presidida por Marta Suplicy, prefeita de São Paulo. Isso é administrar mal uma cidade? Isso é ser incompetente?

Serra, assim como José Aníbal, Gilberto Natalini, Arthur Virgílio, Geraldo Alckmin e tantos outros nomes do PSDB, bem como Bush Jr., Dick Cheney, Donald Rumsfeld, são farinha do mesmo saco, são dissimuladores, vieram para confundir, não para contribuir.

Que as urnas espantem essas pragas aqui, dia 31 de outubro, e nos Estados Unidos, no dia 2 de novembro.

Blogs

Posted by escriba on 13 Oct 2004 | Tagged as: blog

Dois novos blogs fazem parte da família d’O Escriba (na lista aí do lado):

Vivendo em Tóquio é o blog da minha amiga Mariane (ou Sushi, para os íntimos) e do seu maridão (não sei o nome, dá uma ajudinha aí Sushi!!), que foram morar no Japão em 2002, se não me engano. Desde então contam detalhes sobre a vida do outro lado do mundo, com olhos brasileiros, com textos e fotos pra lá de interessantes. Sou desde já leitor assíduo…

O outro eu peguei da lista da Sushi, é o blog do Neil Gaiman, autor de Sandman, American Gods e tantos outros livros, contos e histórias em quadrinhos. Cada tópico publicado por Gaiman é como se fosse um conto em si. O cara é muito foda…

O Vampiro Que Ri

Posted by escriba on 12 Oct 2004 | Tagged as: blog

Croco Press

Estava eu em missão cotidiana de comprar leite pro Martim na padaria Covadonga e eis que descubro que a banca em frente é um oásis para quem gosta de quadrinhos, bons quadrinhos. É que lá tem os títulos do projeto Território HQ da editora Conrad, com obras-primas como ‘America’, do Robert Crumb, ou ‘Palestina, Um Nação Ocupada’, de Joe Sacco. Como os preços são um pouco salgados (R$ 25 em média), sai apenas com ‘O Vampiro Que Ri‘, de Suehiro Maruo, debaixo do braço, depois de deixar guardados os outros dois títulos citados acima para levar depois.

‘O Vampiro Que Ri’ é um mangá e conta a história do primeiro vampiro japonês, que surge das cinzas da destruição provocada pelas bombas atômicas lançadas pelos americanos em Hiroshima e Nagasaki. Uma viagem em P&B, contada de trás pra frente, como manda o figurino do mangá - o meu primeiro mangá.

Já está devidamente alojado na minha cabeceira…

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